CAPÍTULO 32 - PONTO DE VISTA SELENE O silêncio de Ashfall costumava ser um bálsamo para os meus sentidos, um lembrete constante de que eu havia deixado o inferno do Norte para trás. Mas, naquela madrugada, o santuário parecia diferente. Eu estava sentada na beira da cama de peles na cabana principal, com o roupão de linho leve jogado sobre os ombros, tentando regular a respiração. A lareira de pedra já havia se apagado, deixando o ambiente envolto em uma penumbra cinzenta e gélida. Kael dormia pesadamente do outro lado do colchão, o peito nu subindo e descendo em um ritmo forte e cadenciado, exalando aquele calor reconfortante de terra molhada e pinho que costumava me ancorar. Mas, pela primeira vez desde que meu despertar divino havia se estabilizado, o meu próprio corpo parecia recusar o calor. Levei a mão direita até o centro do peito, bem por cima da pele onde a cicatriz invisível do antigo laço com Ragnar repousava. Um arrepio cortante, espesso e gelado — um frio que parecia
Última actualización : 2026-09-14 Leer más