CAPÍTULO 55 - PONTO DE VISTA KAEL O frasco de vidro espesso, posicionado exatamente no centro da pesada mesa de carvalho maciço da sala de comando, parecia pulsar com uma vida própria e doentia. O recipiente continha uma amostra da água recolhida de um dos afluentes principais que desciam pelo desfiladeiro norte, mas o líquido lá dentro já não podia ser chamado de água. Sob a luz trêmula e alaranjada das tochas que iluminavam o salão de pedra de Ashfall, a substância apresentava uma viscosidade antinatural, espessa e letárgica, brilhando com uma película arroxeada que parecia engolir a claridade ao seu redor. O cheiro que exalava, mesmo contido pela rolha de cortiça apertada, era o da profanação absoluta: o odor de sepulturas reviradas, de matas mortas e de sangue apodrecido. Apoiei as duas mãos enluvadas na borda da mesa, inclinando o meu corpo largo para a frente, e deixei que o meu instinto de Alfa — letal, territorial e implacavelmente calculista — varresse os rostos dos meus c
Última actualización : 2026-09-27 Leer más