A Estrada Velha de Sorocaba parece saída de um roteiro de filme de terror. Lembro de uma reportagem local sobre um caminhoneiro que desapareceu sem deixar vestígios após falar pelo rádio sobre 'vultos correndo ao lado do caminhão'. Os moradores mais antigos associam o caso ao mito do 'Curupira', criatura do folclore que protege as florestas. Eles dizem que o asfalto corta territórios sagrados, e quem destrói árvores ali sofre reviravoltas inexplicáveis.
Outra lenda popular fala de um trecho específico onde o rádio capta estática mesmo com céu limpo. Alguns acreditam ser transmissões de uma rádio pirata dos anos 60, enquanto teóricos da conspiração mencionam experimentos militares secretos. Independente da versão, o fato é que ninguém passa por aquela curva sem sentir um arrepio.
Morar perto da Estrada Velha de Sorocaba sempre trouxe uma aura de mistério. Meus avós contavam histórias sobre luzes misteriosas que aparecem no meio da noite, flutuando sobre o asfalto desgastado. Dizem que são almas de viajantes que perderam a vida em acidentes esquecidos. Uma vez, durante uma festa junina, um tio distante jurou ter visto uma carruagem fantasma puxada por cavalos sem cabeça, ecoando o rumor de que a estrada era rota de contrabandistas no século XIX.
Os mais jovens da região reinventam essas lendas, falando de uma 'mulher de branco' que pede carona e desaparece no banco de trás. Já ouvi relatos de motoristas que juram ter sentido um peso inexplicável no carro depois de parar para ajudá-la. A estrada virou palco até para desafios de valentia entre adolescentes, que apostam quem consegue passar por ela à meia-noite sem acelerar o coração.
Cresci ouvindo os boatos sobre a estrada, mas foi num acampamento com amigos que tive minha experiência pessoal. Por volta das 3 da madrugada, ouvimos batidas rítmicas no capô do carro – não havia vento, animais ou pessoas por perto. Um colega gravou o áudio, e até hoje discutimos se eram apenas efeitos da temperatura ou algo mais sinistro. Os moradores locais têm uma frase: 'A estrada não esquece'. Ela ressoa na mente sempre que alguém menciona os desaparecimentos inexplicáveis registrados em arquivos policiais antigos.
2026-07-15 10:30:05
4
View All Answers
Scan code to download App
Related Books
Brindou a Outra, Enterrei o Passado
Aurora Mendes
8.4
124.5K
O casamento de Isadora Freitas e Olavo Carvalho durou cinco anos, sustentado pelo sacrifício de sua dignidade e de sua estabilidade emocional.
Ela acreditava que, na ausência de amor, ao menos haveria alguma afeição familiar.
Até que, um dia...
O aviso de emergência sobre a saúde de sua filha única e as manchetes de Olavo esbanjando dinheiro com sua musa apareceram simultaneamente diante dela.
Ela finalmente percebeu que não precisava mais fingir ser esposa dele.
Porém, aquele homem cruel subornou toda a imprensa, e ajoelhou-se na neve com os olhos vermelhos e suplicou para que ela voltasse.
Mas Isadora apareceu de braços dados com outro homem.
Um novo amor anunciado para o mundo.
Este não é um romance delicado. É um diário erótico feito para leitores que buscam intensidade, fantasia e desejo sem freios.
Entre jogos de poder, encontros proibidos e provocações que beiram o limite, cada capítulo mergulha em fantasias ardentes, personagens dominados pela própria fome e situações que fazem o coração acelerar e o corpo reagir. Nada é inocente. Tudo é intencional.
O prazer aqui é psicológico, físico e obsessivo. Ele cresce devagar, aperta, domina — e explode em momentos de entrega absoluta. É leitura para quem gosta de tensão sexual constante, climas carregados e cenas que ficam na mente muito depois da última página.
Se você procura uma história para ler com a porta trancada, o celular no silencioso e o autocontrole em risco… acabou de encontrar.
Eu viajei com a minha sogra. A gente fez o check-in no Hotel Solenne, na Cidade de Rivera, e resolveu ir direto para a piscina.
Então, apareceu uma mulher, toda montada em grife e arrogância, apertando o nariz como se a gente fedesse.
— Este é um hotel de luxo. Como foi que pessoas como vocês entraram aqui? Entraram escondidas só para usar a piscina? Aff, depois disso eu vou até precisar fazer um exame.
Que mulher insuportável.
— Esta é a piscina de um hotel. — Eu rebati na mesma hora. — Os hóspedes nadam. Se isso te incomoda tanto, então vai construir uma só para você.
O rosto dela se retorceu de raiva.
— Com licença? Você faz ideia de quem eu sou? Meu marido é o dono desse lugar. Nós sempre ficamos na suíte principal. Então sumam daqui. Vocês têm cheiro de pobreza. Estão contaminando a água.
Georgina e eu trocamos olhares gélidos.
Afinal, aquele era o hotel do filho dela, que ainda era o meu marido.
"Desde quando ele tinha uma segunda esposa?"
Fui eu quem partiu o coração de Kane Blackwood. Ele era o herdeiro Alfa, meu namorado desde a infância, e eu o afastei com tanta força que ele acabou indo para a Fortaleza do Norte. Ele permaneceu lá por sete anos.
Agora ele estava de volta.
Trouxe outra mulher consigo, e os dois realizariam a cerimônia de união aqui, na nossa alcateia.
Na mesma semana, a bruxa da alcateia me disse que eu tinha apenas mais três meses de vida.
Quando minha mãe me empurrou na cadeira de rodas para que eu o visse, os lábios de Kane se curvaram naquele sorriso cruel e debochado de que eu me lembrava tão bem.
Seus olhos escuros me percorreram da cabeça aos pés, observando a cadeira de rodas, meus braços magros e meu rosto pálido.
— Ora, ora. — Sua voz era baixa e cortante. — Sete anos se passaram e você está um desastre. Nem consegue mais andar?
Puxei a manga para baixo, escondendo as cicatrizes — as marcas prateadas deixadas por anos de tratamentos fracassados.
Mantive a voz firme.
— Eu caí. Quebrei alguma coisa. Não foi nada.
Ele soltou uma risada breve e fria.
— Claro. Enfim, minha cerimônia de união está chegando. Você deveria ser a dama de honra da Vivra.
Sorri de volta.
Ao longo dos anos, eu havia aprendido a sorrir mesmo sentindo dor.
— Desculpe, mas vou partir em breve. Para um lugar bem distante.
Então dei um leve tapinha na mão da minha mãe.
Ela não disse uma palavra.
Apenas apertou as manoplas da cadeira e começou a me empurrar de volta para casa.
Eu não olhei para trás.
Eu entrei no livro e virei a bela figurante sem importância.
E o meu irmão é o único homem normal da história, porque o papel dele é o de primeiro amor frio, abstinente e inalcançável que a protagonista jamais consegue conquistar.
Quando a protagonista chora e se declara para ele, ele está estudando.
Quando a protagonista quer se entregar de corpo e alma, ele está empreendendo.
Enquanto a protagonista se perde entre vários homens, ele já se tornou um magnata, com renda anual nas centenas de bilhões.
Eu achava que ele viveria uma vida inteira de pureza e autocontrole.
Até que, certa noite, vi ele segurando uma peça da minha roupa nas mãos, murmurando o meu nome em voz baixa...
As palavras de Zeca tornaram-se inaudíveis para Miguel no exato momento em que ele enxergou, há poucos metros, um rancor reprimido no olhar de uma pessoa que, estranhamente se escondia por entre os espessos arbustos, e num estalar de um tépido silêncio ergueu o braço e apontou uma arma para ele. Até que, num instante de rápido reflexo, Zeca prostou-se em frente a Miguel, e este, numa velocidade mais rápida ainda, já segurava, sem entender, o corpo do irmão, que mortalmente ferido caiu em seus braços.Na pequena e pacata Folhagem, um mistério do passado é trazido à tona após a tentativa de assassinato de um filho pródigo da cidade. Mais que um simples homicídio, esse ato desencadeará uma série de conseqüências envolvendo o leitor numa teia de intrigas e traições.O que teria desencadeado tal ato de vingança? Que segredos ocultos trazia Zeca em seu retorno? Teriam os irmãos algo de obscuro em seu passado que inspirasse tanto ódio em alguém na pacata cidadezinha? Ou existiria algo mais?Acompanhe a desesperada busca de Miguel por respostas a esses enigmas enquanto tenta proteger a própria vida, nesse suspense escrito a três mãos.