Meu interesse por Artur Berlet só cresceu depois que li 'O Último Portal', seu lançamento mais recente. A trama gira em torno de um grupo de arqueólogos que descobre uma ruína ancestral escondida na Amazônia, onde um artefato misterioso pode abrir portais para dimensões desconhecidas. O que começa como uma expedição científica vira uma corrida contra o tempo quando entidades antigas despertam, ameaçando a realidade como a conhecemos. Berlet mistura mitologia indígena com ficção científica de um jeito que faz você questionar quantos segredos a Terra ainda guarda.
O protagonista, Elias, tem uma profundidade rara — um acadêmico cético forçado a confrontar o sobrenatural. As cenas em que ele decifra inscrições enquanto a floresta 'respira' ao seu redor são de tirar o fôlego. A editora promoveu o livro como 'Indiana Jones meets Lovecraft', e a comparação não é exagerada. Terminei a leitura com a nuca arrepiada, olhando para o mapa da Amazônia no meu quarto e imaginando quantos portais ainda estão por aí, fechados.
Berlet acertou em cheio com 'A Sombra do Ciclo', um thriller histórico que mescla o Brasil colonial com elementos de fantasia sombria. Dessa vez, ele transporta o leitor para 1789, onde uma irmandade secreta guarda um relicário capaz de manipular o tempo. A protagonista Clara, uma costureira filha de escravizados, rouba o objeto para vingar sua família, sem perceber que cada uso distorce a linha temporal. A narrativa salta entre o passado e um futuro alternativo onde a Inconfidência Mineira venceu, criando um Brasil completamente diferente.
Adorei como o autor usa detalhes históricos reais — tipo as roupas da época ou os processos de mineração — para dar peso à fantasia. A cena em que Clara observa o ouro derretendo e reformando como líquido vivo me fez soltar um 'não é possível' alto o suficiente para assustar meu gato. Se você curte aquela vibe de 'e se?' com pitadas de realismo mágico, esse livro é uma mina de ouro (literalmente).
O novo livro de Berlet, 'Cidade dos Espelhos Quebrados', me pegou de surpresa. É uma distopia urbana onde edifícios espelhados refletem versões alternativas das pessoas — e algumas delas começam a sair dos reflexos. A história segue Marta, uma arquiteta que descobre que seu 'duplo' do espelho está vivendo uma vida melhor que a dela e planeja substituí-la. Tem uma atmosfera claustrofóbica ótima, especialmente nas cenas noturnas onde os prédios viram labirintos de identidades roubadas.
O que mais me impressionou foi como Berlet transforma algo cotidiano — se olhar no espelho — numa fonte de terror existencial. Aquela sensação de 'quem sou eu realmente?' fica martelando na cabeça até depois do último capítulo. Dá para sentir a influência de filmes como 'O Segredo dos Espelhos', mas com um tempero totalmente brasileiro, cheio de críticas sociais disfarçadas nos diáculos.
2026-07-14 06:21:42
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