Beatriz Ferraz
Na minha vida passada, fui reconhecida como filha biológica da família Siqueira.
Para proteger a filha adotiva, meu irmão biológico me acusou injustamente de ter provocado uma crise na garota.
Meus pais biológicos acreditaram nas palavras dele e me expulsaram de casa.
Pouco tempo depois, morri doente e abandonada na rua.
Quando abri os olhos novamente, descobri que havia voltado ao dia em que vieram me buscar para me levar à casa da família Siqueira.
Pedro Siqueira se colocou diante dos meus pais, apontou para mim e disse:
— Pai, mãe, ela não é minha irmã!
O casal me lançou um olhar de decepção, virou as costas e foi embora.
Permaneci imóvel. Não mostrei o medalhão de família que poderia revelar minha verdadeira identidade e voltei em silêncio para o orfanato.
Vinte anos depois, me tornei uma das maiores especialistas em clínica médica do país.
O homem sentado à minha frente me entregou os exames e, com a voz trêmula, suplicou:
— Doutora, por favor... Salve a minha irmã.
Ao ver o nome, fiquei paralisada. Meu olhar se fixou naquele rosto abatido.
Depois de encará-lo por um longo tempo, desviei os olhos e disse:
— Não vou atender esta paciente.