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Desde pequena, eu sempre fiz questão de que tudo fosse feito direito. Sempre que alguém dava uma resposta vaga, eu insistia com perguntas até esclarecer tudo.
No abrigo, a diretora costumava dizer que a criança que chorava ganhava doces. Então perguntei:
— E por que a criança que fica quieta não ganha nada? Precisa chorar para ganhar doce?
A diretora ficou sem resposta.
Depois que me tornei advogada, minha supervisora me passou um caso que, segundo ela, era causa ganha, embora não houvesse prova alguma.
— Sem nenhuma prova, como poderíamos ganhar? — perguntei.
— Você não precisa se preocupar com isso. Só apareça no tribunal na hora marcada.
Coloquei a pasta de volta na mesa dela e respondi:
— Se eu não souber de toda a história, não vou assumir esse caso.
Depois disso, nenhum dos meus colegas se atreveu a empurrar outro caso perdido para mim.
Mas tudo mudou quando meus pais biológicos me levaram para a casa da família Rossi e finalmente organizaram um banquete para me reconhecer oficialmente como filha.
Bruno, o mordomo, trouxe um estojo. Dentro dele, estava uma pistola Browning com o brasão da família Rossi incrustado na empunhadura.
— Esta é a lembrança que a família Rossi encomenda para cada um dos filhos. Seus três irmãos têm uma, assim como Letitia.
Meu pai mirou em um vaso que valia um milhão, do outro lado da sala, e deu um tiro para testar a arma. Depois, fez a pistola deslizar na minha direção.
— É sua.
Peguei a arma, mas nem a capacidade do carregador nem a curvatura da empunhadura levavam em conta o tamanho da minha mão. Eu não conseguia segurá-la com firmeza.
Olhei para meu pai e perguntei:
— Pai, essa pistola foi feita especialmente para mim?
— Claro que sim.
Ergui a arma outra vez, com a palma da mão voltada para cima, para que ele visse o espaço entre meus dedos e a empunhadura.
— Então por que ela foi projetada para uma mão menor que a minha? Se eu precisasse usar essa pistola numa missão, a quina afiada da base enroscaria na hora de trocar o carregador e me faria perder a melhor chance de atirar.
Virei a pistola para que todos vissem as pequenas letras gravadas no interior da câmara: L.L.
— E, mais importante, essas são as iniciais de Letitia.
Olhei para Letitia e perguntei:
— Ou foi você que trocou a minha arma?