Suely
No dia do nosso casamento, justamente quando o celebrante pediu que trocássemos as alianças, Gabriel, parado diante de mim, disse de repente:
— Na verdade, estou tendo um caso com a sua melhor amiga.
Fiquei paralisada, encarando-o, sem conseguir acreditar no que acabara de ouvir.
Gabriel, porém, não hesitou nem por um instante. Continuou sereno, como se estivesse falando de algo absolutamente banal.
— No dia em que você foi experimentar o vestido de noiva, nós transamos no provador ao lado do seu. Ela não conseguiu se segurar e gemeu algumas vezes. Você achou que ela estava passando mal e ficou preocupada com ela por um tempão. Quando voltou para o seu lado, as pernas dela ainda estavam tremendo.
Um frio percorreu meu corpo inteiro.
Rígida, virei a cabeça devagar e procurei minha melhor amiga entre os convidados.
Ela sorria, radiante.
Ergueu o buquê acima da cabeça e gritou meu nome no meio da multidão.
Apenas uma hora antes, tinha sido ela quem, com os olhos marejados, ajeitara a barra do meu vestido e me fizera prometer que seria feliz.
Gabriel prosseguiu:
— E pouco antes da cerimônia, enquanto você se maquiava, ela estava sentada no meu colo. Ficou tão nervosa que deixou minhas costas todas arranhadas.
Então baixou os olhos para a aliança que ainda segurava entre os dedos, sem nunca ter chegado a colocá-la em minha mão.
Quando tornou a falar, sua voz continuava fria, quase indiferente.
— Carolina, eu já contei tudo. Se ainda quer se casar comigo ou não, a decisão é sua.