MasukPOV: ALICE
Minha aula terminara quarenta minutos antes e eu havia passado esse tempo tentando convencer Bianca de que não poderia simplesmente desaparecer de casa naquela noite para comemorar antecipadamente meu aniversário.
Você tem idade pra votar, dirigir, casar e arruinar a própria vida, ela escreveu.
Mas aparentemente não pra tomar um drink.
Eu respondi:
Talvez eu não queira arruinar minha vida.
Ela mandou um emoji ofensivo.
Eu estava voltando dos jardins sorrindo quando escutei vários estalos seguidos e algo que pareceu barulhos de tiros por todo lado. Tudo perdeu completamente a graça. Vi homens caídos no portão e na frente da casa. Deitei no chão por reflexo, e foi então que o carro apareceu.
Não era estranho haver veículos e estranhos entrando e saindo da propriedade. Meu pai recebia funcionários, advogados e homens que nunca eram apresentados a mim com clareza suficiente para que eu soubesse exatamente o que faziam.
Mas aquele carro, seguido daqueles sons não podiam significar nada de bom.
Eu estava deitada, protegendo minha cabeça com as mãos. Como se pudesse realmente fazer algo.
Foi tudo.
Três minutos.
A porta traseira do carro abriu.
Um homem desceu.
Alto, talvez trinta e poucos anos, terno escuro, expressão tão calma que meu primeiro pensamento foi que ele devia conhecer meu pai.
— Senhorita Bellandi.
Olhei para cima.
Ele olhou para o relógio.
Literalmente.
Depois para mim.
— Precisamos ir.
A frase foi tão absurda que quase ri.
— Desculpe?
— Agora.
Meu corpo entendeu antes da minha cabeça.
Levantei lentamente.
O segundo homem apareceu do outro lado do carro.
Virei.
Corri.
Não pensei para onde.
Apenas corri.
Ouvi passos atrás de mim e alcancei talvez dez metros antes que uma mão agarrasse meu braço.
Gritei.
Tentei acertá-lo com o cotovelo.
O homem desviou.
— Não complique.
— ME SOLTA!
Acertei o pé dele.
Ou tentei.
Ele me puxou para trás.
Mordi sua mão.
— Porra, Alice.
A familiaridade com que disse meu nome me apavorou mais do que a força.
— MIKHAIL — o outro homem chamou.
Então era esse o nome.
Mikhail.
Ele segurou meus dois pulsos com uma mão.
— Não vou machucar você se parar de lutar.
— EU VOU GRITAR!
— Já está gritando, para com isso.
Tentei chutá-lo.
Ele respirou fundo.
— Estamos atrasados.
Por algum motivo completamente idiota, aquela frase atravessou meu pânico. Atrasados. O relógio. O terno. A urgência. E uma memória infantil apareceu no meio da minha cabeça como uma bolha absurda.
O Coelho Branco.
Meu cérebro havia decidido enlouquecer.
— Meu pai vai matar vocês.
Mikhail me olhou.
Algo quase divertido passou por seu rosto.
— Essa é uma conversa interessante para outro momento.
Fui colocada dentro do carro.
Não havia cordas.
Nenhuma venda.
Isso deveria ter me tranquilizado.
Não tranquilizou.
A porta travou com um som baixo.
Puxei a maçaneta.
Nada.
— Abre.
Mikhail sentou-se à minha frente.
— Não.
— Quem são vocês?
— Você vai descobrir em breve.
— Pra onde estão me levando?
— Também vai descobrir.
— Meu pai vai acabar com vocês.
Dessa vez ele não respondeu.
Foi quando o medo ganhou uma forma diferente.
Meu celular ainda estava na minha mão.
Tentei desbloqueá-lo.
Mikhail estendeu a mão.
— Me dê.
Apertei o aparelho contra o peito.
— Não.
— Alice.
— Não toca em mim.
Ele me encarou durante dois segundos.
Depois fez um gesto.
O homem ao meu lado tirou o celular da minha mão.
Eu gritei outra vez.
Bati nele.
Mikhail fechou os olhos, talvez contando mentalmente até dez.
— Você pode continuar fazendo isso durante todo o percurso. Vai chegar cansada e ainda estará no mesmo carro.
— Percurso pra onde?
Nada.
— O que vocês querem? Dinheiro?
Silêncio.
— Meu pai tem dinheiro.
Mikhail olhou pela janela.
— Eu sei.
Minha garganta ficou seca.
— Quanto?
— Não é dinheiro que queremos.
— Então o quê?
Ele voltou o rosto para mim.
— Não sou eu quem vai fazer as perguntas.
Foi a primeira vez em que pensei seriamente que poderiam me matar.
Até aquele momento meu medo tinha sido rápido, animal. Fugir. Gritar. Chamar meu pai.
Agora virou outra coisa.
Fria.
Pesada.
Sentei o mais longe possível dos dois homens e abracei o próprio corpo.
Eu precisava me acalmar. Precisava pensar.
As ruas desapareceram.
Depois prédios.
Depois partes da cidade que eu não reconhecia.
Tentei memorizar curvas.
Perdi a conta na décima mudança.
O vidro era escuro demais para ver placas com clareza.
— Posso beber água?
Mikhail abriu um compartimento e me entregou uma garrafa fechada.
Olhei para ela com desconfiança.
— Não tem nada.
— Como eu vou saber?
Ele pegou a garrafa, abriu e bebeu.
Depois me devolveu.
— Satisfeita? Se eu tivesse te colocado pra dormir teria feito bem mais cedo não acha?
Quase duas horas depois, entramos numa estrada cercada de árvores.
A paisagem começou a subir.
O mar apareceu por alguns segundos entre as montanhas.
Depois sumiu.
Meu estômago doía.
— Quanto falta?
Mikhail olhou para o relógio outra vez.
— Vinte minutos.
— Você tem algum problema com relógios?
Ele me encarou.
— Pontualidade é uma virtude.
Eu ri de nervoso.
— Meu Deus.
Ele ergueu uma sobrancelha.
— O quê?
Balancei a cabeça.
— Nada.
Coelho Branco.
Eu estava sendo sequestrada por um homem que olhava o relógio a cada dez minutos.
Se aparecesse uma lagarta fumando, eu simplesmente desistiria da vida.
O carro entrou por um portão enorme.
Seguranças armados.
Câmeras.
Muros altos.
Meu coração disparou novamente.
À frente havia uma casa.
Não.
Uma propriedade inteira.
A construção principal parecia ter sido desenhada para alguém que desejava provar ao mundo que possuía dinheiro suficiente para ignorar qualquer noção de modéstia. Pedra clara, vidro escuro, três andares, jardins que se espalhavam ao redor e, anexada a uma das laterais, uma estrutura muito mais moderna, baixa e circular.
O carro não foi para a entrada da mansão.
Seguiu para o anexo.
Mikhail desceu.
Minha porta abriu.
Eu não me mexi.
— Alice.
— Não.
Ele suspirou.
— Você prefere que eu carregue?
— Prefiro ir embora.
— Essa opção não está disponível.
Olhei para os homens.
Depois para a distância até o portão.
Não conseguiria.
Saí.
Minhas pernas estavam moles.
Fomos por um corredor de pedra até uma porta sem maçaneta.
Mikhail encostou o dedo num leitor.
A porta abriu.
— Isso é um bunker?
— Não.
— Pois parece.
— Você ainda não viu nada.
Entramos.
A porta fechou atrás de mim.
O corredor seguinte era silencioso demais.
Luzes embutidas.
Paredes claras.
Nenhuma janela.
Caminhamos por talvez vinte metros, sempre no mesmo nível da entrada, até o corredor se abrir numa espécie de antessala silenciosa. O piso de pedra clara continuava sem uma única emenda aparente, e as paredes lisas eram interrompidas apenas por portas sem maçanetas, todas controladas por pequenos leitores escuros ao lado.
Parei.
— Não.
Mikhail, que já estava diante da próxima porta, olhou por cima do ombro.
— O quê?
Apontei para ela.
— Eu não vou entrar em mais lugar nenhum com você.
— Vai.
— Não.
— Alice.
— Para de falar meu nome como se me conhecesse.
O olhar dele mudou por um instante, quase imperceptível. Depois voltou àquela calma irritante que parecia fazer parte do uniforme.
— Precisamos continuar.
Cruzei os braços.
Ele olhou para o relógio.
Eu quase gritei.
— Você só pode estar brincando.
Mikhail apertou os lábios, contendo alguma resposta.
— Estamos atrasados.
— PARA ONDE?
Em vez de responder, ele encostou a mão no leitor.
A porta não se abriu imediatamente. Primeiro, uma faixa de luz percorreu a superfície escura de cima a baixo. Depois, o painel deslizou silenciosamente para dentro da parede.
Mikhail fez um gesto para que eu passasse.
— Para a redoma.
Fiquei imóvel.
— O quê?
Mas ele já havia atravessado.
Talvez eu tivesse ouvido errado.
Talvez minha cabeça estivesse fazendo conexões idiotas porque precisava desesperadamente transformar aquilo em alguma coisa conhecida. Um livro. Uma história. Qualquer coisa que parecesse menos assustadora do que ser levada para dentro de uma propriedade onde até as portas pareciam saber quem podia atravessá-las.
Segui atrás dele. Nessa altura eu já sabia que não tinha escolha. Pelo menos não por enquanto.
O corredor seguinte era mais curto e fazia uma curva suave. Quando chegamos ao final, Mikhail encostou a mão em outro leitor, e uma porta larga deslizou silenciosamente para dentro da parede.
Dessa vez, eu simplesmente parei.
Não havia mais corredor.
Havia vidro.
Muito vidro.
Mikhail entrou primeiro. Eu o segui alguns passos depois e demorei alguns segundos para compreender que aquela porta não levava a outro cômodo de passagem.
Levava diretamente ao lugar onde esperavam que eu ficasse.
À minha esquerda, uma parede inteira de vidro se erguia do chão ao teto, acompanhando uma curva suave da construção. Do lado de fora, um jardim iluminado pelo fim da tarde se espalhava quase perto demais para parecer real: árvores perfeitamente cuidadas, caminhos de pedra clara, canteiros desenhados com precisão e, mais distante, por trás de toda aquela beleza, a silhueta dos muros altos que cercavam a propriedade.
Bonito demais.
Perfeito demais.
Impossível demais.
Desviei o olhar para a parede oposta ao jardim.
Ali o vidro era completamente diferente.
Escuro.
Espesso.
Reflexivo.
Também ocupava praticamente toda a extensão do ambiente, do chão ao teto, mas não me permitia enxergar absolutamente nada além dele. Minha própria imagem voltou para mim naquela superfície negra: cabelos desgrenhados, olhos vermelhos, roupas amarrotadas e uma expressão que eu quase não reconheci.
Era como se alguém tivesse construído aquele lugar entre duas realidades.
De um lado, um jardim que eu podia ver e não alcançar.
Do outro, uma parede negra que escondia alguma coisa de mim.
Só então percebi a água.
À minha direita, começando alguns metros depois da área principal da suíte, uma piscina comprida seguia em linha reta como uma faixa azul-escura cortando aquela parte da construção. Não parecia feita para festas, crianças ou tardes barulhentas. Era uma raia larga e longa, séria demais, com bordas de pedra clara e água tão imóvel que refletia as luzes do teto.
Ela seguia até uma parede transparente voltada para o jardim, como se terminasse praticamente dentro dele.
Do lado oposto da piscina continuava o mesmo vidro escuro.
Aquilo criou um corredor visual estranho: de um lado, água, do outro, aquela superfície negra, ao fundo, o jardim.
Tive a impressão desconfortável de que alguém, atrás daquele vidro, poderia olhar em linha reta por toda a extensão da piscina sem ser visto.
Afastei o pensamento.
Eu já estava assustada o suficiente.
Voltei a olhar para o espaço em que Mikhail havia me colocado.
Quanto mais eu observava, mais ficava claro que aquilo não era simplesmente um quarto.
A própria suíte acompanhava a curva da parede externa de vidro. Próxima ao jardim havia uma cama grande, voltada parcialmente para a paisagem. Mais adiante, um sofá e duas poltronas formavam uma pequena sala diante de uma lareira embutida. Uma estante ocupava parte da parede, cheia de livros. Havia ainda uma mesa redonda com cadeiras, luminárias, tapetes e objetos escolhidos com uma atenção que tornava tudo ainda mais perturbador.
Ao fundo, outras portas levavam para espaços que eu ainda não conseguia ver.
Provavelmente banheiro.
Closet.
Talvez mais alguma coisa.
Era uma suíte.
Grande.
Curva.
Luxuosa.
E cercada demais por vidro.
Dei mais alguns passos, devagar, tentando encaixar mentalmente aquela arquitetura absurda.
À esquerda, o jardim.
À direita, a piscina.
Atrás de mim, a porta pela qual eu havia entrado.
À minha frente e acompanhando boa parte da lateral interna da suíte, o vidro negro.
Meu estômago apertou.
— Onde eu estou?
Mikhail permaneceu perto da entrada.
— No lugar onde ele queria você.
Virei para encará-lo.
— Ele quem?
Antes que Mikhail respondesse, alguma coisa aconteceu na parede escura à minha frente.
Parei de respirar por um instante.
O negro começou a desaparecer lentamente.
Não como uma cortina sendo aberta. A própria superfície parecia mudar. Meu reflexo foi perdendo força até que formas surgiram atrás dele.
Primeiro luz. Depois móveis. Um ambiente inteiro que estivera escondido a poucos metros de mim. Do outro lado daquele vidro havia outro espaço.
Escuro, elegante, masculino.
E perfeitamente alinhado com a piscina à minha direita.
No fundo, uma silhueta apareceu.
Um homem.
Imóvel.
Alto.
Largo.
Esperando.
Ele não precisou se aproximar para que eu soubesse que estava olhando diretamente para mim.
O vidro terminara de clarear, mas a sensação não era de que uma parede tivesse desaparecido.
Era pior.
Era como descobrir que ela nunca tinha servido para me proteger.
E, pela primeira vez desde que me colocaram naquele carro, Mikhail não olhou para o relógio.
— Konstantin.
POV: ALICERicardo escreveu outra vez, mas deixei o telefone sobre a mesa antes de descobrir o que pretendia fazer quando viesse me buscar. A fotografia continuava aberta no aparelho de Luca, e Konstantin, ainda vestido para o jantar que tinha interrompido, esperava uma resposta que eu já não conseguia oferecer.Ele tinha voltado. Eu precisava reconhecer isso. Também disse que Eva tentou beijá-lo e que ele não permitiu. Talvez fosse verdade, talvez a imagem tivesse sido escolhida justamente por mostrar o instante mais ambíguo de um cumprimento. Só que a discussão começou muito antes daquele carro. Passou pelo jantar marcado diante de mim, pela maneira como observou minhas mensagens com Ricardo e por todas as noites em que me fez esquecer, durante algumas horas, que continuava impedida de atravessar o portão.— Alice, podemos conversar em particular? — perguntou.Mikhail afastou discretamente uma cadeira, como se estivesse prestes a nos deixar sozinhos. Vi o gesto e senti um cansaço qu
POV: ALICERicardo Moretti.O nome dele permanecia na tela quando Konstantin pegou o telefone. Tinha a mão ferida apoiada na mesa e a outra apertava o aparelho enquanto chamava Mikhail ao escritório. Luca ampliou o registro da Vela Mercantile: não havia uma assinatura minha, mas Ricardo aparecia como representante autorizado de uma operação que eu tinha acabado de recusar.Eu conhecia aquele homem dos jantares de Vittorio, dos presentes de aniversário e de um concerto em que ele passou a noite tentando me fazer sorrir. Conhecia também o Ricardo que, semanas antes, pelo WhatsApp, admitiu desejar me beijar e imaginar uma vida comigo. Não conhecia o homem que podia aparecer num documento movimentando milhões em meu nome.— Vou perguntar o que significa — anunciei, pegando o telefone.Konstantin terminou a chamada e me encarou.— Primeiro precisamos saber que documento ele está usando.— E como pretende descobrir sem falar com ele?— Moretti sabe exatamente o que dizer para você baixar a
POV: ALICEÀs oito e trinta e sete, eu estava diante do closet, segurando uma calça preta numa mão e uma camisa branca na outra, tentando descobrir como se vestia uma herdeira que ainda precisava de ajuda para entender o próprio patrimônio.Minha referência mais próxima eram as executivas das reportagens econômicas, sempre impecáveis, com cabelos obedientes e expressões de quem jamais tinha precisado procurar um absorvente no fundo da bolsa cinco minutos antes de uma reunião importante. Eu tinha vinte anos, uma cólica persistente e havia passado parte da noite discutindo com um homem sobre a possibilidade de ele se casar com outra mulher. Minha preparação para o mundo corporativo estava excelente.Escolhi a calça, enfiei a camisa por dentro e prendi o cabelo ainda úmido num coque baixo. Ao encontrar meu reflexo, tentei imaginar o que Bianca diria se me visse. Provavelmente perguntaria se eu tinha conseguido um estágio ou decidido processar alguém.As duas hipóteses eram razoáveis.Kon
POV: KONSTANTINAlice levou menos tempo para chegar naquela noite.Não contei.O fato de ter percebido já era ruim o bastante.Quando ouvi a batida, fechei o relatório que estava lendo e abri a porta antes que ela repetisse. Alice estava exatamente como eu imaginava que estaria quando disse que ia dormir: camiseta larga, shorts curtos, óculos, cabelo preso de qualquer maneira e nenhuma tentativa de parecer outra coisa além de cansada.Foi provavelmente por isso que meu olhar demorou nas pernas.Ela percebeu.— Você veio — falei.— Eu disse que vinha.Abri espaço e Alice passou por mim, levando consigo o cheiro do sabonete e alguma coisa que já começava a reconhecer como dela. Quando avisou, antes mesmo de chegar à cama, que tinha ido apenas dormir, precisei conter a vontade de perguntar por que parecia considerar necessário esclarecer.— Entendido.Ela parou e olhou para mim.— Só isso?Voltei para a mesa para esconder o sorriso.— Você queria resistência?— Não. Só esperava mais arrog
POV: KONSTANTINAlice levou dezessete minutos para aparecer para um café de cinco.Eu contei, embora não tivesse nenhuma razão para isso. Também não tinha razão para passar parte daqueles dezessete minutos lembrando da boca dela dizendo eu quero você como se quatro palavras fossem capazes de alterar a estrutura de uma manhã inteira.Tinham sido.Tomei dois analgésicos, vesti uma camiseta porque minhas costelas já tinham recebido atenção suficiente e fui para a cozinha menor antes que ela chegasse. Era cedo demais para a casa estar completamente desperta, mas a parte de serviço já começava a ganhar vida. Ouvi louça ao longe, uma porta abrindo, passos atravessando o corredor e o ruído metálico de alguma coisa sendo colocada sobre uma bancada. Pela janela, a umidade ainda permanecia sobre o jardim.Pedi café e, quase sem pensar, pedi que deixassem leite na mesa.Só percebi o que tinha feito quando a jarra apareceu.Alice usava mais leite quando estava cansada. Não sabia exatamente quando
POV: ALICEA piscina estava vazia quando cheguei.A manhã ainda não tinha acordado completamente. Uma claridade pálida atravessava as janelas do anexo e alcançava a água sem força suficiente para aquecê-la, embora o sistema mantivesse a piscina numa temperatura agradável. Do lado de fora, o jardim parecia úmido de sereno. Ali dentro, havia apenas o ruído constante da circulação da água e aquele cheiro de cloro que eu conhecia bem demais.Parei junto à borda. Já tinha estado naquele lugar muitas vezes antes de saber. Antes de descobrir quanto Konstantin conseguia ver. Antes de entender que, numa das vezes em que eu nadara acreditando estar sozinha, ele tinha acompanhado meu corpo por uma tela enquanto outra mulher estava ajoelhada entre suas pernas.A lembrança ainda conseguia me irritar. Provavelmente continuaria conseguindo por muito tempo.Tirei a saída de banho e deixei junto da toalha. O biquíni preto tinha sido uma escolha bastante pragmática para uma mulher menstruada que preten







