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A Amante do Don, Minha Paciente
A Amante do Don, Minha Paciente
Author: Quinn

Capítulo 1

Author: Quinn
San Calvino, Carmoria

No meu primeiro dia no Hospital San Calvino, a enfermeira Poppy explodiu em gargalhadas no posto.

— Dra. Accardi, você acertou na loteria. VIP logo no primeiro dia.

Levantei os olhos.

— Que sorte a minha?

Ela se inclinou e sussurrou, os olhos brilhando.

— Cinquenta mil só pra aparecer. E adivinha quem é o marido dela? Matteo Lamberti… o Don.

Meu peito se contraiu, mas mantive o rosto impassível.

— Uau. Deve ser alguém importante.

Ela pareceu decepcionada por eu não ter surtado, mas logo se animou de novo.

— Olha, são eles! — disse, enfiando o celular na minha frente.

Eu congelei.

O homem da foto? Matteo — meu marido secreto há cinco anos.

E a garota agarrada a ele?

Lucia.

Minha meia-irmã.

Um arrepio percorreu minha espinha. O passado me atingiu como um caminhão.

Depois que minha mãe morreu, meu pai levou Lucia e a mãe dela para dentro da nossa casa. Pouco a pouco, ela foi me empurrando para fora — como se eu fosse a intrusa.

Só Matteo tinha ficado ao meu lado.

Ele costumava dizer:

— Mesmo que o mundo inteiro te abandone, eu não vou.

Agora Lucia estava grávida de cinco meses, instalada em uma suíte VIP paga por Matteo.

Esse tipo silencioso de traição?

Corta mais fundo que qualquer coisa.

Respirei fundo, tentando me recompor.

— Como está a paciente?

Poppy percebeu a mudança e guardou o celular.

— O nome dela é Lucia. Cinco meses de gravidez. Está estável. O Sr. Lamberti aparece em todas as consultas. Ela é tão sortuda! Não é só rica e bonita — ele é completamente obcecado por ela.

Cinco meses.

Consultas semanais.

Então tudo fez sentido.

Aquelas "viagens de negócios" semanais… ele não estava fechando contratos.

Ele estava com ela.

Nas consultas.

Meus olhos arderam. Lágrimas escorreram por baixo da máscara.

Poppy continuou falando:

— Você não acha que ele trata ela como uma rainha?

Forcei um sorriso atrás da máscara. Doía mais do que chorar.

— Sim. Ele é muito bom com ela.

Bom demais.

Tão bom que me fazia sentir como uma idiota.

Apertei o prontuário com força, os nós dos dedos ficando brancos.

A respiração ficou pesada.

— Dra. Accardi? — Poppy me cutucou. — Hora de checar os batimentos do bebê.

Eu me movi como um robô.

Encostei o estetoscópio na barriga de Lucia.

Tum… tum…

O som martelava nos meus ouvidos, fazendo meus olhos arderem.

— O Sr. Lamberti sempre vem junto — disse Poppy, com um pouco de inveja na voz. — Estranho ele não estar aqui hoje.

Lucia fez um biquinho.

— Surgiu um negócio de última hora. Vale dezenas de milhões. Eu disse pra ele ir. Ele é grudado demais. Mas, para compensar, ele me deu ISTO.

Ela passou os dedos pela própria barriga e exibiu um rubi que brilhava tanto que fez minha visão ficar embaçada.

Aquela joia…

Matteo a tinha arrematado em um leilão no nosso aniversário. Um gesto extravagante de bilhões.

Ele tinha dito:

— Arianna, essa cor é a sua cara. Vou mandar montar a joia.

Eu tinha rido, dizendo que cirurgiões não precisavam de algo tão chamativo.

Ele me puxou para perto e sussurrou:

— Então a gente não fica com ela, se você não quiser.

Sim.

Ele não jogou fora.

Só entregou…

para a amante.

— Ele também disse que, quando o bebê nascer, vai me dar uma ilha particular — continuou Lucia. — Só pra mim e pro bebê descansarmos e nos recuperarmos.

A voz dela atravessou meu peito como uma lâmina.

Baixei o olhar, fingindo anotar algo no prontuário.

Minha mão tremia.

A caneta rasgou a página.
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