INICIAR SESIÓNO som da chuva martelando as janelas do quarto de Emma era a única coisa que preenchia o silêncio pesado entre nós. O quarto estava mergulhado em uma escuridão quase total, quebrada apenas pelos flashes violentos dos relâmpagos que rasgavam o céu do lado de fora, iluminando por frações de segundo os contornos do ambiente e a silhueta dela diante de mim.Mas eu não me importava com isso.Os lábios dela estavam nos meus em um beijo simples, e mesmo assim a suavidade daquela pele e o calor da boca dela já me atravessavam o corpo. Eu conseguia sentir o cheiro dela — uma mistura inebriante de baunilha e da eletricidade do ar carregado pela tempestade. Meu coração batia contra as costelas, um ritmo frenético que competia com os trovões que faziam o chão vibrar sob meus pés.Emma se afastou e me encarou. Nenhuma palavra foi dita entre nós.Minha mão tocou seu rosto, o polegar brincando com o lábio inferior dela como um homem faminto. Eu a queria. E não me afastaria, nem se ela me implorasse.
Uma semana após voltarmos da fortaleza, o silêncio e a tensão se instauraram entre nós. Emma me evitava a todo custo e só falava comigo quando era necessário, erguendo um muro invisível entre nós. Aquilo me deixava frustrado. Nada do que eu fizesse mudava suas atitudes ou a fazia ceder. John também não facilitou as coisas. Justo quando o convoquei para me explicar, uma emergência que necessitava de sua atenção surgiu.Agora, sentado à minha mesa, não consigo deixar de me sentir cada vez mais frustrado. Um sentimento de impotência me corrói por dentro, acompanhado da sensação de que, quando eu descobrir a verdade, as coisas mudarão.Sentado em meu escritório, ouvi uma leve batida na porta. Não precisei levantar a cabeça para vê-la entrar, vestindo um terno Armani preto e sob medida. Seu cabelo estava preso em um coque profissional, sem qualquer vestígio da mulher delicada, ou mesmo da garota que havia conquistado o respeito dos meus homens. Agora, sua máscara era a de uma secretária ex
Lorenzo não apareceu naquela noite. Mesmo depois de eu ter voltado para o quarto, ele não estava lá. Estava esperando uma confrontação, palavras de escárnio ou algo do tipo. Mas tudo o que obtive foi um silêncio incômodo e um vazio que eu não conseguia explicar. Lorenzo era a última pessoa que eu teria contado minha história, mas eu não tinha o poder de controlar a minha própria raiva perante a situação. Eu queria ser honesta com as pessoas que me aceitaram sem julgamento e Lorenzo, apesar do desejo, não era um deles. Arrumei o colchão no chão e olhei para a porta mais uma vez, esperando que ele entrasse. Raramente aquele imbecil desistia de me irritar, mas agora parecia que sequer queria me ver. Talvez estivesse investigando mais a fundo e se esse fosse o caso, em breve ele saberia quem eu era e minhas reais intençõesSuspirei e me aconcheguei entre as cobertas. Não estava preocupada com isso, minha preocupação maior era provar para os homens de Lorenzo que eu não era uma ameaça par
— Está tudo bem? — Louis me perguntou quando retornei para o salão.— Está, não era nada demais. — Dei de ombros, como se as atitudes de Lorenzo não me afetassem.— Não parece. Sua cara não está nem um pouco bem. Na verdade, parece que você quer matar alguém.Soltei o ar que estava preso. Lorenzo tinha a capacidade de me deixar louca, mas não a ponto de partir para agressão, pois, se eu cedesse aos meus instintos meu chefe estaria morto. A preocupação de Louis era fofa, não combinava com o físico durão que ele exibia. Dei um meio sorriso e me inclinei levemente para a frente.
O diálogo entre nós se tornou escasso.Conforme as horas passava, evitei estar no mesmo ambiente de Lorenzo. Andava de um lado para o outro na fortaleza, conversando com as pessoas ou escondida em qualquer sala que eu encontrasse vazia para tirar uma soneca.Seus homens percebiam a tensão entre nós e se mantiveram longe. As poucas vezes que o encontrei durante esse tempo, podia senti seus olhos acompanhando meus passos. E se falava com algum homem, um copo quebrava. Ignorei tudo isso. Estava feliz com o arranjo que John fizera e não pretendia voltar a trabalhar como assistente de Lorenzo tão cedo. Além disso, logo ele voltaria para casa e tudo voltaria ao normal.Pelo menos foi o que pensei.Estava na hora do jantar e depois de um banho relaxante e me vestir com roupas casuais: um jeans rasgado nos joelhos e um moletom, fui para a sala de jantar, onde todos se reuniam. O cheiro da comida estava divino e minha boca encheu-se d’água. Louis, um jovem gentil com quem fiz amizade ao chegar
Levei Lorenzo para o armazém, cumprimentando as pessoas no processo. Durante o trajeto nenhuma palavra foi dita entre nós, apenas o silencio mutuo. Não pensei que ele me perguntaria sobre o que aconteceu, como me surpreendera o fato de o John não ter dito nada a respeito. Sua cara de choque ao saber do abuso era quase cômica. Como não se lembrasse de nada.Isso era frustrante.Em muitas ocasiões ele tinha chegado perto da verdade, principalmente quando fui agredida. Mas por algum motivo, Lorenzo não queria enxergar a realidade: que ele e seus amigos estúpidos me doparam e abusaram de mim. Giovanni me confidenciara o quão cego seu neto era para as coisas, mesmo com a verdade escancarada era incapaz de enxergá-la.Eu também não estava facilitando as coisas e por muitas vezes me peguei pensando a respeito. Queria que ele lembrasse? Se eu desistisse de tudo e apenas seguisse o fluxo, ficaria satisfeita? O que eu sentia por ele? Muitos poderiam classificar como Síndrome de Estocolmo, mas i







