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A BABÁ GRÁVIDA DO CEO OBCECADO
A BABÁ GRÁVIDA DO CEO OBCECADO
Author: Joss Austen

CAPÍTULO 1 – A TRAIÇÃO

Author: Joss Austen
last update publish date: 2026-06-02 03:36:22

VALENTINA

Tinha acabado de entrar no apartamento que dividia com a minha amiga Isabela quando ouvi sua voz:

— Mais forte… por… favor… meu amor!

Estava rouca, entregue. E, com ela, gemidos baixos masculinos, ofegantes e intensos.

O apartamento estava completamente escuro, mas um clarão vindo do meu quarto — e não do dela — foi o que me chamou atenção.

Quando me aproximei, meu corpo inteiro gelou ao ouvir a voz da pessoa que estava com ela.

— Você sempre gostou assim, não é, sua safada? — a voz grave, ofegante, acelerada, era de... Theo, o meu namorado.

As chaves escorregaram da minha mão e caíram no chão com um tilintar metálico. Eles estavam tão ocupados que nem sequer ouviram.

Apressada empurrei a porta. A imagem me acertou como um soco no estômago.

Isabela montada em Theo. Nua. Cabelos loiros grudados na pele suada, olhos fechados, boca entreaberta. Theo debaixo dela, com as mãos apertando a cintura dela com força, o rosto contorcido de prazer. Na minha cama. Nos meus lençóis.

Algo dentro de mim se partiu.

— O que é isso?

Minha voz saiu baixa, rouca, quase irreconhecível.

Eles viraram o rosto ao mesmo tempo. O choque estampado nos olhos.

Theo empurrou Isabela para o lado e se levantou depressa, nu.

— Valentina…

Não respondi. Meu olhar ia dele para ela, dela para ele. A humilhação subiu quente, sufocante. Três meses juntos. Três meses de carinho, de mãos dadas, de promessas. E nunca tínhamos chegado a isso. Isabela puxou o lençol para se cobrir.

O cheiro de sexo no quarto era forte, enjoativo. O ar parecia denso, parado.

— Na minha cama… — murmurei, mais para mim mesma.

Theo deu um passo à frente, estendendo a mão.

— Não é o que você está pensando…

— Cala a boca.

Minha voz saiu firme, apesar do tremor nas mãos. Isabela me encarava em silêncio.

— Eu confiei em você — falei para ela, sentindo a garganta apertar. — Eu te contava tudo sobre nós dois.

Ela não respondeu de imediato. Apenas segurou o lençol com mais força enquanto continuava a me encarar. Mas dessa vez, percebi um ar de deboche.

Senti uma náusea subir, o peito pesado, um vazio se abrindo onde antes havia confiança.

— Esperem que ambos entendam que isso acabou aqui! — disse, olhando para os dois. — Vou embora. E não quero ver nenhum de vocês nunca mais.

— Valentina, espera… — Theo tentou, mas eu fui mais rápida em adverti-lo:

— Não chega perto de mim.

Ele parou. Peguei minha bolsa caída perto da porta e também meus projetos da faculdade. Mas quando olhei para o lado, vi o meu notebook sobre a escrivaninha, aberto.

Me assustei. Afinal, dentro dele estavam todas as minhas ideias.

— Por que meu notebook está assim, aberto? O que você fez?

Confesso que não estava preparada para o que viria.

— Valentina, eu… — Theo começou.

— Não fala meu nome. Apenas responda a maldita pergunta! — cortei, a voz tremendo de raiva.

Isabela deu um passo à frente. Então notei um sorriso frio surgir em seu rosto.

— Sabe de uma coisa? Chega de teatro, Theo. Fala logo a verdade para ela de uma vez.

— Como assim, que verdade? — perguntei, olhando para ele. Não foi preciso ele responder. Isabela fez questão de fazer isso da pior forma possível.

— Acorda, garota! O Theo nunca gostou de você. O que ele queria, ele já conseguiu: o seu bendito projeto, aquele que estava aí.

As palavras dela caíram como veneno. Senti o chão sumir.

— O quê?!

— Qual é, Valentina? Não me diga que nunca notou?

— O quê, sua idiota?

— Desde o começo. Você era só… útil enquanto terminava o bendito projeto.

Olhei para ele, incrédula. Theo simplesmente cruzou os braços e sorriu com sarcasmo, dizendo:

— Você realmente achou mesmo que um cara como eu ia querer algo sério com uma garota do interior, virgem, sem graça como você, Valentina? Eu só precisei aguentar três meses de mãozinhas dadas e beijinhos com uma nerd porque você tinha uma ideia boa pra caralho. E adivinha? Eu já patenteei. Lancei ontem como meu. Tá bombando nas redes. “Meu” novo aplicativo.

Ele riu. Um riso baixo, cruel.

— Olha pra você. Feia, simples, cheirando a pobreza. Achou mesmo que eu ia querer transar com você? Eu tinha a Isabela o tempo todo. Você serviu só pra isso.

A humilhação queimou meu peito como ácido. Tudo o que eu havia construído, todas as noites acordada trabalhando na ideia, os sonhos que contei pra ele… roubados. Por ele. Pela minha “melhor amiga”.

Perdi o controle.

Avancei contra Theo, comecei a bater no peito dele com os punhos cerrados, com toda a força que me restava.

— SEU LIXO! LADRÃO! DESGRAÇADO!

Ele segurou meus pulsos, rindo ainda mais.

— Olha pra você, garota. Você é simplesmente patética!

Isabela assistia tudo com um sorrisinho satisfeito no canto da boca. A cobra finalmente mostrava as presas.

— Você sempre foi ingênua demais, Valentina. Achou mesmo que alguém como você merecia ele? Acorda.

As lágrimas escorriam pelo meu rosto, mas eu não sentia mais vergonha. Só ódio puro, cru. Peguei o vaso que estava na mesa e joguei na direção dos dois. Eles se afastaram. Enfiei minhas roupas, o notebook e os projetos em uma mala e sai daquele maldito quarto às pressas.

— Vocês dois se merecem — cuspi, parando na porta. — Dois vermes. Um dia vocês vão cair. E eu vou estar bem perto pra rir de vocês. Eu juro!

Saí batendo a porta com tanta força que o barulho ecoou pelo corredor inteiro. Desci pela escada de emergência, degrau por degrau, as lágrimas vindo quentes e silenciosas.

Eu tinha perdido quase tudo.

Mas ainda tinha três coisas que eles não conseguiram roubar: minha dignidade, minha raiva e minha vontade de vencer. E elas iam me fazer forte.

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