LOGINAurora
Procurei todas as formas de fugir quando me deixaram sozinha. Nada. Eu já estava começando a pensar em tudo que não pude fazer na minha curta vida, principalmente quando aquela mulher veio e amarrou minhas mãos por trás. Sim, eu pensei em atacá-la naquele momento e correr feito louca para longe desses malucos, mas foi um pensamento breve, que sumiu assim que vi dois homens fora do cômodo, armados com armas tão grandes que eram visíveis.
Eu estou muito ferrada.
Ela me amarra, vai até a porta e se escorra nela, pegando um chiclete, abrindo e colocando na boca antes de falar:
— Chego a ter pena de você, queridinha.
Ela ri enquanto mastiga, pega a arma e abre a porta. Acho que ia sair, mas para como se tivesse algo em seu caminho.
— O príncipe veio resgatar a princesa. — Escuto ela dizer.
— Onde ela está? — A pessoa na frente dela fala. A voz dele é ameaçadora. Chego a sentir os pelos do meu corpo arrepiarem.
— Aqui. Esperando para começar a brincadeira. — A mulher parece não sentir o mesmo perigo que eu, pois diz isso e dá espaço para que ele me veja.
É quando o vejo na porta. Felipe Seven. Ele veio. Isso é um bom sinal ou só significa que esses loucos terão o show que desejam?
Ele me analisa com seus olhos cinza sombrios e astutos.
Acho que a mulher diz mais alguma coisa, mas não entendo porque estou focada no cara que me olha como se pudesse ver tudo em mim.
De repente, a arma que estava nas mãos dela é tirada por ele, que a golpeia no nariz. Se isso me assustou, o que aconteceu depois me tira a respiração.
Não pode ser real. Esse rapaz de dezessete anos não atirou na cabeça dessa mulher. Isso não é real. Eu quero acordar desse pesadelo. Eu só posso estar sonhando.
Sequer consigo me mover, fico olhando o cara com o uniforme da escola. A camisa branca com gravata por baixo de um colete cinza, a calça também cinza e o sapato preto, os cabelos castanhos bem alinhados... nada disso combinava com esse cenário e com um assassinato. Então, claramente era um pesadelo.
Permaneço imóvel quando ele chega perto e toca meus cabelos, desfazendo o rabo de cavalo. Tento prestar atenção ao que fala enquanto meu olhar quer seguir para o corpo da mulher no chão.
Ele fala algo que parece precisar de resposta, mas não entendi. Pisco confusa. Um grito fica preso na minha garganta quando sou empurrada contra o colchão fedorento com ele sobre mim. Mal percebo que estou me debatendo sob seu corpo grande, até que ele segura firme o cabelo na minha nuca e me faz ouvir seu sussurro:
— Calma, só quero te manter a salvo dos tiros.
Fico imóvel outra vez, ouvindo os sons assustadores que vinha de fora desse pequeno espaço.
O que está acontecendo? Parece se passar uma eternidade até que uma voz rouca e autoritária se faz ouvir.
— É melhor que esteja vivo.
— Vivo e saindo. — Felipe fala alto, enquanto sai de cima de mim e me estende a mão. — Vamos sair desse lugar. — Não me movo, apenas meus olhos vão do rosto a mão estendida. — Está machucada?
Nego com a cabeça, mas continuo no lugar. É quando ele me pega no colo com uma facilidade como se meus cinquenta e quatro quilos não fossem nada.
— Ela está bem? — ouço aquela voz rouca perguntar. Não vejo ao meu redor, em algum momento escondi meu rosto contra o peito musculoso do homem que me carregava.
— Não disse nada até agora. Estou preocupado.
— Vamos levá-la ao hospital.
Sou carregada por um tempo, até que Felipe me coloca sentada em um carro, trava meu cinto e fecha a porta. Instantes depois ele abre a outra porta e se senta ao meu lado.
— Isso não é um pesadelo, não é mesmo?
— Não, linda.
— Eu realmente fui sequestrada. Realmente vi alguém morrer pelas mãos de um adolescente.
— Sinto muito por isso. Se eu soubesse... — Ele começa, mas parece mudar de ideia sobre o que ia dizer. — Desculpe. Não devia ter me aproximado de você.
Está mais que claro que nada disso se trata de coisa da minha cabeça. Pela posição do sol, quase se pondo, passo a pensar na minha madrinha, ela deve estar preocupada. Nunca fiquei após a aula na rua sem avisar para ela.
— Me leva para casa.
— Não quer ir ao hospital?
Nego com a cabeça.
— Estou bem. Pelo menos fisicamente. Minha madrinha deve estar quase chamando a polícia.
Ele assente e troca um olhar com o motorista pelo retrovisor interno.
A partir daí, seguimos em silêncio.
Me assusto quando Felipe pega em meu braço. Chego a dar um pulinho no banco do carro.
— Está tudo bem — ele diz. — Chegamos.
Olho para fora do carro e vejo que estamos parados na frente da minha casa. Destravo meu cinto, pronta para sair antes que minha madrinha apareça e me veja saindo do carro. Ainda não sei como vou explicar para ela tudo que me aconteceu.
— Aurora... — Ele segura meu braço antes que eu saia, quando eu levo a mão até a maçaneta. Olho para ele. — Por favor, não mencione o que aconteceu com ninguém.
— Se eu mencionar... — engulo seco com medo de perguntar. Ele foi gentil comigo quando nos conhecemos, mas agora é diferente. O que eu vi muda tudo.
— Ninguém vai acreditar, porque não haverá provas.
Solto um longo suspiro e olho para sua mão. Ele solta o meu braço. Saio do carro e encontro minha madrinha na sala.
— Onde estava, Aurora? — ela questiona assim que me vê. — Quase morri de preocupação.
Olho para ela. Pela primeira vez na minha vida, terei que mentir para minha madrinha. Dizer a verdade só vai colocar ela em perigo. Fico me perguntando o quanto Felipe Seven mudou a minha vida, o que isso significa e como será o meu futuro estando tão perto dele depois de ter testemunhado um assassinato pelas suas mãos.
Isso tudo é uma loucura.
AuroraUm mês depois...— Bom dia! — cumprimento o médico e ofereço uma caneca de café.— Bom dia, dona Aurora. — Ela aceita com seu sorriso polido. — Como foi a caminhada?— Foi bem. Fiz alguns exercícios.Ele apenas assente. Sei que quer dizer alguma coisa, mas todos já estão cansados de tentar me convencer a levar uma vida fora dessa clínica. Mas como posso fazer isso se o homem que amo passa dia e noite aqui por minha culpa? Eu coloquei aquela mulher na vida dele. Eu o deixei esperando por anos e quando acordei duvidei dele e fiz soltar aquela maldita bruxa.Caminho devagar até onde Felipe parece dormir tranquilamente ligado a aparelhos. Ele está em coma há um mês, desde o maldito dia em que o castelo foi invadido.Me sento na poltrona ao lado da cama dele e pego o livro que deixei ontem. Abro na página com marcador e começo a ler de onde parei.Não leio nem um capítulo antes de notar a gota cair no papel, seguida por outra.É impossível continuar com as lágrimas embaçando a visão
NarradorDepois de ligar para seus comparsas, Malévola simplesmente esperou e torceu para que eles não cometessem nenhuma besteira. Não podia fazer mais nada, além de esperar e resmungar sobre incompetência de seus aliados. Quando ouviu os primeiros tiros, seu rosto se iluminou em um sorriso.— Dessa vez, serei a anfitriã do baile. E será o último dos Seven.Só esperou mais um instante, ouvindo a movimentação no corredor fora do quarto, até confirmar que o guarda deixou seu posto. Depois disso, foi fácil. Sempre foi boa em abrir portas com objetos pontiagudos. Em um instante, ela está livre. E poderia fugir, aproveitando a distração da invasão, mas a maldade em seu coração escurecido não permite.— Quem vai colocar um fim naquela sonsa hoje serei eu. — Seu maior desejo ainda não foi realizado; ver o sangue de Aurora escorrendo em suas mãos.Evitando ser vista, ela sai pelo castelo à procura de Aurora.Enquanto isso, Felipe e seu pai correm contra o tempo para salvar as crianças Seven.
Felipe— O que houve com ela? — entro em desespero ao ver Florian correndo com Aurora nos braços em direção ao consultório que montei no castelo.Sim, montei quase que um mini hospital aqui desde a chegada dela. A ideia foi bem recebida, afinal nosso trabalho é perigoso, sem contar a quantidade crescente de crianças sapecas que passam por aqui e podem se machucar... mas isso não vem ao caso agora. Tudo que importa é minha mulher desacordada.— Ela desmaiou quando foi ver a madrinha. — Florian diz enquanto me entrega ela gentilmente.— Aquela maldita! Vou acabar com ela.— Pode acabar com ela, será um alivio para todos, principalmente para vocês. Mas pelo que Aurora falou, não foi culpa dela, sua mulher já estava passando mal antes.Ouvir isso não me deixa mais animado.Seguimos os poucos metros em silêncio. O médico que contratei lia tranquilamente na sua sala enquanto esperava precisarmos dos seus serviços.Assim que nos entramos, ela levanta prontamente.— Coloca ela na maca — orien
MalévolaAnos antes...— Como assim?— Um Seven?— Puta merda!Espero cada um desses imbecis darem sua opinião sobre o que contei sobre o namoradinho da sonsa as Aurora.— Terminaram com a ladainha? Se sim, quero continuar, pois não contei quem é o namoradinho daquela peste para passar o tempo.— Fala. Estamos esperando. — Cassio, o maior babaca que já tive o desprazer de conhecer, diz.— É o seguinte... — Faço uma pequena pausa, até ter a atenção de todos. — Quero que juntem todos os que estão ferrados pelos Seven. Aqueles que não tem mais nada a perder. Farei esse momento virar a nossa chance de acabar com cada um deles ao mesmo tempo. Eles fazem muitos bailes...— Onde é impossível entrar. — Um deles me interrompe. Nem olho para saber quem foi.— O namoro de Aurora será minha chance de convencer alguém na casa a deixar meus amigos penetras entrarem... Algo do tipo. Sabem que sou bem persuasiva. Preparem-se.Algum tempo depois...— Acorda, bruxa. Eu não disse que poderia dormir.A v
Felipe— Bom dia, minha bela adormecida! — Estou sorrindo feito um garoto que perdeu a virgindade com a menina que sempre amou.— Por que não me mostra fotos? — franzo o rosto sem entender a pergunta repentina. — Fotos de nós dois. Você quer que eu acredite, mas não me mostra fotos, nada que prove.Até parece que não pensei nisso.Vou até a gaveta da mesa de cabeceira e pego o celular lilás, sua cor favorita. Caminho até a cama e sento na beira. Meu coração fica mais tranquilo quando ela não se afasta.— Pensei em fazer isso, mas hoje em dia as pessoas podem fraudar até vídeos. Desisti. Você estava muito propicia a não acreditar em mim. Mas se quiser, pode ver muita coisa aqui. Inclusive coisas que não podem ser fraudadas. — Entrego o telefone para ela.Aurora pega o aparelho e analisa.— E por que não me mostrou essas coisas então?— Pode parecer tolice, mas eu escolhi esperar que acreditasse e se lembrasse de mim. — Sorrio. — E não me arrependo. Mesmo sem te mostrar, olha onde você
AuroraO que foi que eu fiz? O que acabei de dizer?Foi tudo tão bom, tão gostoso. Me pareceu tão certo, que nem percebi as palavras saindo da minha boca.Tento escapar, mas Felipe me prende, ainda dentro de mim.— Não faz isso. Você me deu essa noite para viver como um casal. Não vou abrir mão de nenhum segundo dessa chance — diz com seriedade. — Vamos esquecer que você se assustou porque disse essas três palavras, eu vou me afastar, vamos nos vestir, sair e aproveitar a noite que me prometeu, ok?Que ousado! Eu não prometi nada, apenas disse aquilo no calor do momento.— Estou esperando sua resposta.— Ok. Pode sair de dentro de mim agora?Ele puxa a calça, fecha, e obedece. Se afastando o suficiente para pegar os papéis macios de enxugar as mãos e se abaixar na minha frente, limpando seu sêmen que escorre por minhas pernas.Com um sorriso ladino, Felipe aperta o papel contra minha intimidade sensível, fazendo meu corpo entrar em alerta outra vez, ansioso por mais.— Será que dessa







