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####CAPÍTULO 10

last update Fecha de publicación: 2026-10-09 22:39:20

CHELSEA

Eu acordo às seis e dez da manhã, depois de uma noite de sono tão profundo que sequer me lembro de ter sonhado.

— O colchão de altíssima qualidade absorveu todo o esgotamento acumulado do meu corpo.

— Por alguns instantes, permaneço deitada, observando o quarto ao meu redor e tentando compreender onde estou.

— A iluminação suave que atravessa as frestas da cortina revela a grandiosidade do aposento, a cama enorme, os móveis elegantes de madeira nobre e as cortinas sofisticadas me fazem recordar os acontecimentos drásticos da noite anterior.

— Estou na mansão de Domenico Bertolucci, o homem que salvei de um carro em chamas e que, para minha surpresa, descobri ser um chefe da máfia.

— Ainda parece inacreditável que uma simples tentativa de ajudar um desconhecido tenha me colocado dentro de uma casa como esta.

Eu me levanto e vou até o banheiro, onde tomo outro banho, aproveitando a água morna para despertar completamente.

— A fumaça e o cheiro de queimado do acidente finalmente parecem sair por completo dos meus poros.

— Depois de escovar os dentes, visto novamente o roupão macio que encontrei na noite anterior, já que minhas roupas continuam sujas e impróprias para uso.

— Antes de sair, observo meu reflexo no espelho e ajeito o cabelo com os dedos, procurando ficar minimamente apresentável.

— Não tenho roupas para escolher, tampouco conheço os hábitos daquela família, mas uma coisa eu sei: estou com fome e preciso encontrar alguma coisa para comer.

Eu saio da suíte e sigo pelo corredor silencioso, procurando lembrar o caminho que Martin me mostrou quando chegamos.

—A mansão está silenciosa, e não encontro nenhum funcionário enquanto caminho pelo mármore polido.

— Ao me aproximar dos aposentos do senhor Domenico, percebo que há um segurança posicionado diante da porta.

— A presença dele é imponente e alerta, ele observa minha aproximação e, embora mantenha uma postura séria e atenta, dirige-se a mim com educação.

— Bom dia, senhorita, aonde está indo tão cedo?

— Estou indo até a cozinha preparar um café, você quer que faça para você também? Imagino que esteja com fome depois de passar a noite inteira aqui.

— Ele parece surpreso com minha pergunta e olha discretamente para a porta que está vigiando, como se estivesse avaliando se pode aceitar minha oferta sem quebrar o protocolo.

— Se não for incomodar, senhorita, eu gostaria muito de tomar um café.

Estou aqui desde a madrugada e ainda não tive oportunidade de comer.

Então está resolvido, vou preparar um café bem caprichado para você. Aliás, quer que eu prepare também para o senhor Domenico e para o senhor Logan? — Posso trazer para todos, assim ninguém precisa esperar a cozinheira chegar.

— O segurança concorda, demonstrando certa satisfação no olhar, e eu me lembro de que Martin havia mencionado outro homem que ficaria responsável pela vigilância durante a noite.

— Mas não era o Mark que ficaria aqui? Pensei que ele estivesse de guarda até de manhã.

— Sim, senhorita, mas Mark ficou até uma hora da manhã. Nós trocamos de turno naquele horário, e eu assumi a segurança dos aposentos do chefe.

— Ah, então ele deve estar voltando daqui a pouco, irei preparar o café para todos e, quando Mark chegar para substituí-lo, você desce para comer com mais tranquilidade.

Imagino que o senhor Logan também já esteja acordado e provavelmente esteja no quarto com o senhor Domenico.

— Acredito que sim, senhorita Chelsea, muito obrigado pela gentileza.

— Sorrio e continuo meu caminho até a cozinha, ainda impressionada com o silêncio da casa.

— Quando finalmente encontro o cômodo, paro por alguns segundos diante da entrada, admirando tudo o que vejo.

— A cozinha é imensa, com armários planejados de luxo, bancadas espaçosas de granito escore, eletrodomésticos modernos de última geração e uma organização impecável.

— Tudo parece ter sido escolhido com extremo cuidado, desde os utensílios até os pequenos detalhes da decoração.

Comparada à cozinha minúscula da minha kitnet, aquela parece pertencer a um restaurante de luxo.

Nossa, que cozinha linda! Eu moraria nela se fosse possível— murmuro, aproximando-me de uma das bancadas.

— Comecei a procurar os ingredientes e os utensílios necessários, tomando cuidado para não deixar nada fora do lugar.

— Encontro café de boa qualidade, leite, frutas frescas, pães e outros alimentos que permitem preparar uma refeição bastante substancial.

— Como ninguém apareceu até aquele momento, decido aproveitar a oportunidade para fazer um café da manhã que seja suficiente para alimentar os homens que passaram a noite trabalhando duro.

—Preparo o café, organizo os alimentos em pratos e separo algumas porções, procurando deixar tudo apresentável, porque imagino que o senhor Domenico esteja acostumado a refeições cuidadosamente servidas.

Enquanto trabalho, penso no segurança que está diante da porta.

— Ele permaneceu acordado durante boa parte da madrugada, provavelmente sem ter tempo para se alimentar, e não considero justo levar comida apenas para os superiores enquanto ele continua trabalhando no corredor frio.

— Por isso, preparo uma porção generosa para ele, acompanhada de frutas e uma caneca grande de café. — Depois organizo o restante em uma bandeja pesada e sigo novamente para o andar onde ficam os aposentos do chefe.

— Quando me aproximo, encontro o segurança exatamente no mesmo lugar.

Ele endireita a postura ao me ver carregando a bandeja, mas eu sorrio e me aproximo antes que ele possa perguntar qualquer coisa.

— Como é mesmo o seu nome? Esqueci de perguntar antes.

— Eu sou Tony, senhorita, estava no carro ontem.

— Muito prazer, Tony, aqui está o seu café, separei este prato para você, com uma caneca bem grande de café e algumas frutas.

— Espero que goste, porque preparei tudo com bastante carinho.

Ele recebe o prato e a caneca com cuidado, demonstrando surpresa diante da quantidade de comida que coloquei para ele.— Muito obrigado, senhorita Chelsea, a senhora não precisava se preocupar comigo.

— Primeiro, não precisa me chamar de senhora, porque tenho apenas vinte e cinco anos.

— Segundo, você também precisa comer, principalmente depois de passar tantas horas trabalhando.

Agora vou bater à porta do senhor Domenico, senhor Logan já acordou?

— Sim, senhora ,ele está aí dentro com o chefe.

— Perfeito, então aproveite seu café, Tony, porque ainda tenho uma entrega para fazer.

Me aproximei da porta e bati discretamente, esperando que alguém autorizasse minha entrada.

— Quando escuto a resposta vinda de dentro, abro a porta com cuidado e entro carregando a bandeja.

— O senhor Logan está próximo da cama, conversando com Domenico, e os dois interrompem o assunto assim que me veem.

—Logan se vira em minha direção e olha imediatamente para o que estou carregando, demonstrando uma surpresa que me faz pensar que talvez eu tenha cometido alguma infração às regras rígidas daquela casa.

— Chelsea, o que você está fazendo com essa bandeja na mão? — ele perguntou, observando os pratos e as canecas fumaçantes.

— Bom dia, senhor Logan, acordei às seis e dez, tomei um banho e desci até a cozinha, como a cozinheira ainda não estava lá, resolvi preparar o café da manhã.

Trouxe para vocês e já entreguei uma porção ao segurança que está na porta, porque ele também precisava comer.

Domenico, que está acomodado na cama com o torso enfaixado, observa a bandeja e depois olha diretamente para mim.

— Sua expressão permanece séria, embora sua voz não demonstre irritação quando resolve falar.

— Chelsea, você não é empregada desta casa para ficar preparando e servindo café da manhã.

— Olhei para ele e depois para a bandeja, sem compreender por que minha iniciativa parece tão surpreendente para homens tão poderosos.

— Não fiz nada além de preparar comida para pessoas que provavelmente estavam com fome, e considero aquilo uma atitude perfeitamente normal.

— Eu sei que não sou empregada, senhor Domenico, mas estava com fome e imaginei que vocês também estivessem.

— Como já estava na cozinha, achei mais fácil preparar para todos.

Não vejo nenhum problema nisso, principalmente porque o senhor está me hospedando e eu gostaria de retribuir de alguma maneira.

Coloquei a bandeja sobre uma superfície próxima à cama e observo discretamente o estado de Domenico.

— Ele parece cansado, com olheiras fundas, mas está consciente e consegue conversar normalmente, o que me deixa aliviada.

— Lembro que sofreu ferimentos graves durante o atentado e imagino que ainda precise de cuidados, principalmente porque foi retirado de um carro que estava prestes a explodir.

— O senhor vai precisar trocar os curativos, não vai? — pergunto, olhando para Domenico.

— Se quiser, posso ajudar, depois que terminar o café, o senhor Logan pode ajudá-lo a tomar banho, e eu ajudo a trocar os curativos.

Logan me observa como se não esperasse ouvir aquela proposta de uma desconhecida, enquanto Domenico permanece olhando para mim com atenção.

— Imagino que estejam acostumados a receber atendimento apenas de profissionais contratados, mas não vejo problema em oferecer ajuda, principalmente porque já estou ali e não tenho nenhuma obrigação imediata.

— A enfermeira pode cuidar disso, Chelsea, Logan responde, assumindo seu tom protetor.

— Nós temos profissionais para atender o chefe.

— Eu sei, senhor Logan, mas estou aqui e posso ajudar, se precisarem.

Não estou dizendo que sei fazer o trabalho de uma enfermeira, apenas que posso auxiliar no que for necessário.

Domenico volta a olhar para Logan e intervém antes que ele continue a recusa.

— Deixe Chelsea ajudar, Logan, preciso conversar com ela mesmo.

— Eu sorrio discretamente, satisfeita por ele não ter recusado minha presença, mas Domenico parece se lembrar de alguma coisa e olha novamente para a bandeja.— Você já tomou seu café, Chelsea?

— Ainda não, senhor, trouxe primeiro o de vocês e o do Tony. Depois vou descer para tomar o meu.

— Ele franze ligeiramente a testa e responde com firmeza, embora sem elevar a voz.

— Então desça e tome seu café primeiro, depois você sobe, porque precisamos conversar.

— Sim, senhor, vou fazer isso e espero que gostem do café.

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