ログインDOMENICO
Depois de conversar com Logan e determinar que ele assuma o comando da segurança, permaneço alguns minutos refletindo sobre a situação. — Carlo Alessinder está reunindo seus homens para invadir minha propriedade, convencido de que conseguiu me eliminar. — Não posso ignorar que minha condição física me impede de participar diretamente de qualquer confronto. Os ferimentos ainda exigem cuidados, e o doutor Reich foi bastante claro ao recomendar repouso. — Entretanto, isso não significa que ficarei completamente alheio ao que acontecerá dentro da minha própria casa. — Conheço cada dependência desta mansão e sei que existe um lugar onde poderei acompanhar os acontecimentos sem me expor desnecessariamente. Pego o celular e mando chamar Chelsea, não pretendo deixá-la trabalhando sozinha no escritório enquanto existe a possibilidade de uma invasão. — Ela salvou minha vida quando poderia simplesmente ter fugido, e não admitirei que agora seja colocada em perigo por causa de uma disputa que desconhece. — Alguns minutos depois, escuto três batidas discretas na porta e autorizo sua entrada. — Chelsea aparece com a mesma expressão atenta que demonstrou durante nossa conversa sobre sua contratação, embora perceba certa curiosidade em seu olhar ao me encontrar acordado. — O senhor mandou me chamar, senhor Domenico? Aconteceu alguma coisa? Eu estava começando a examinar as planilhas que Logan me mostrou e ainda tenho bastante trabalho pela frente. — Sim, Chelsea, preciso que venha comigo para o quarto do pânico. —'Vamos permanecer lá durante algum tempo, porque existe uma situação que exige medidas de segurança. —Não quero que você fique circulando pela mansão enquanto nossos homens estiverem ocupados. Ela franze a testa e me observa com evidente surpresa, compreendo sua reação, porque até poucos minutos atrás estava preocupada apenas em iniciar suas atividades profissionais. — Entretanto, não posso esconder completamente o motivo de minha decisão, principalmente porque preciso que compreenda a importância de permanecer comigo. — Quarto do pânico? Por quê, senhor Domenico? O que está acontecendo para precisarmos nos esconder em um lugar desses? — Recebemos informações de que haverá uma invasão à propriedade, Chelsea. — Logan já está tomando as providências necessárias, e os outros funcionários serão retirados das áreas que poderão oferecer perigo. — Quero que você permaneça protegida comigo, porque não vou permitir que seja exposta a uma situação dessa natureza. Ela leva uma das mãos ao peito e me encara durante alguns segundos, aparentemente tentando compreender a gravidade da notícia. — Não demonstra desespero, mas percebo que sua preocupação é verdadeira. — Afinal, não faz muito tempo que presenciou meu atentado e precisou agir rapidamente para impedir que eu morresse dentro de um veículo em chamas. — Agora, quando começava a acreditar que poderia trabalhar tranquilamente, descobre que minha própria mansão poderá ser atacada. — Meu Deus, senhor Domenico! Uma invasão? Mas quem teria coragem de invadir sua casa? — Eu pensei que aqui fosse um dos lugares mais seguros que existem. — O senhor está ferido, ainda está se recuperando, e agora acontece uma coisa dessas? — Justamente por isso precisamos agir com cuidado, não estou em condições de enfrentar ninguém, e Logan ficará responsável por tudo. — Quanto a nós, permaneceremos em segurança até que a situação seja resolvida. Chelsea olha ao redor do quarto, como se procurasse identificar onde poderia existir uma dependência capaz de nos proteger. — Sua curiosidade acaba se sobrepondo à surpresa inicial, e ela volta a me fazer perguntas. — E onde fica esse quarto do pânico, senhor Domenico? Precisamos sair da mansão para chegar até ele? — Não, fica aqui mesmo, atrás do meu closet, é uma dependência reservada, preparada para situações de emergência. — Temos tudo de que precisamos lá dentro e poderemos acompanhar o que estiver acontecendo na propriedade. Mas, antes de entrarmos, preciso que você faça uma coisa. Ela se aproxima da cama, aguardando minhas instruções. — Percebo que está tentando manter a tranquilidade, embora a notícia tenha provocado uma preocupação que não consegue esconder completamente. — O que o senhor precisa que eu faça? — Vá até o escritório e recolha rapidamente tudo o que estiver utilizando para trabalhar. — Traga os documentos e o material necessário, porque você continuará suas atividades comigo dentro do quarto do pânico, ão quero que deixe nada importante para trás. Chelsea abre um sorriso discreto, aparentemente aliviada ao descobrir que não precisará abandonar o trabalho que acabou de começar. — Mas era justamente isso que eu ia perguntar, senhor Domenico, e o meu trabalho? — Eu mal comecei a examinar as planilhas, e o senhor sabe que tenho muita coisa para analisar, não gostaria de interromper tudo agora. — Não vai interromper, Chelsea, você poderá trabalhar lá dentro. — O ambiente possui espaço suficiente, e não precisamos ficar sem fazer nada enquanto aguardamos. — Apenas seja rápida, porque quero que estejamos acomodados antes que a situação se complique. — Sim, senhor, vou buscar minhas coisas e volto imediatamente, não vou demorar. Ela sai do quarto com passos apressados, e eu permaneço observando a porta depois que se fecha. — Apesar das circunstâncias, não consigo deixar de admirar sua preocupação com as responsabilidades profissionais. — Acabei de informar que existe a possibilidade de uma invasão, e uma de suas primeiras perguntas foi sobre a continuidade do trabalho. — Chelsea realmente parece determinada a demonstrar que merece a confiança que depositei nela, embora eu preferisse que sua primeira experiência nesta casa não estivesse cercada de tantas situações perigosas. Não se passam nem dez minutos quando escuto novamente as batidas na porta. — Autorizo sua entrada e vejo Chelsea retornar trazendo o material que foi buscar. — Ela se aproxima da cama, deposita cuidadosamente seus pertences sobre uma superfície próxima e me observa, aguardando que eu explique como chegaremos ao local. — Pronto, senhor Domenico, trouxe tudo o que estava utilizando e organizei os documentos para não deixar nada importante no escritório. — Agora podemos ir, o senhor quer que eu chame alguém para ajudá-lo? — Não será necessário, quero que você me ajude a chegar até o closet. — Vamos com calma, porque ainda não consigo me movimentar sem sentir desconforto. — Depois que estivermos lá dentro, poderemos nos acomodar e esperar. Chelsea concorda imediatamente e se aproxima para me auxiliar, antes que eu tente levantar, observo o quarto e percebo que precisamos tomar alguns cuidados para não deixar sinais evidentes de que estive ali recentemente. — Se os homens de Carlo conseguirem entrar na mansão e procurarem meus aposentos, não quero que encontrem indícios capazes de revelar que sobrevivi ao atentado. — Chelsea, antes de irmos, preciso que arrume este quarto como se ninguém estivesse utilizando a suíte. — Retire os curativos e os materiais médicos que estão guardados no armário do banheiro e leve tudo para o quarto do pânico. — Também quero que deixe a cama organizada, sem qualquer sinal de que alguém esteve deitado aqui, e não feche a porta do quarto quando terminarmos. Ela acompanha minhas instruções com atenção e olha imediatamente para a cama, compreendendo o que pretendo fazer. — O senhor quer que pareça que este quarto está vazio, não é? Que ninguém esteve aqui desde o seu desaparecimento? — Exatamente, para todos os efeitos, ninguém sabe onde estou. — Não podemos deixar sinais de que venho me recuperando dentro da mansão. — Os materiais médicos precisam desaparecer daqui, e o quarto deverá permanecer com a aparência de que não está sendo utilizado. — Entendi, senhor Domenico, vou organizar tudo, o senhor pode ficar tranquilo, porque não vou deixar os curativos espalhados nem qualquer coisa que indique que está recebendo tratamento. Chelsea começa a cumprir minhas instruções, recolhendo cuidadosamente os materiais que estão no banheiro e levando-os para perto da passagem que indiquei. — Depois retorna à cama e organiza os travesseiros e a roupa de cama, procurando eliminar os sinais de minha permanência. — Acompanho seus movimentos enquanto ela trabalha com rapidez, mas sem descuidar dos detalhes. Quando termina, observa o ambiente e parece satisfeita com o resultado. — Acho que agora está tudo certo, o quarto parece vazio, e os materiais que o senhor pediu já estão separados. Falta alguma coisa? — Sim, avise ao guarda que está na porta que deverá se apresentar imediatamente a Logan. — Não quero ninguém permanecendo aqui depois que entrarmos no quarto do pânico. — Ele precisa seguir as orientações de segurança que Logan está organizando.— Sim, senhor, já estou indo avisar agora mesmo. Chelsea caminha até a porta e transmite a ordem ao segurança que permanece no corredor. — Consigo ouvir sua voz explicando que ele deverá procurar Logan, e o homem responde prontamente. — Quando ela retorna, informa que a orientação foi compreendida e que o guarda já está se dirigindo ao local indicado. — Faço um movimento afirmativo com a cabeça e me preparo para levantar, sabendo que precisarei contar com sua ajuda para atravessar o quarto. — Agora venha, Chelsea, preciso que me ajude a chegar até o closet, não consigo caminhar rapidamente, então vamos devagar. Ela se aproxima, oferece o apoio necessário e espera que eu consiga ficar de pé, o movimento provoca uma fisgada desagradável, obrigando-me a respirar profundamente antes de começar a caminhar. — Chelsea percebe meu desconforto e diminui ainda mais o ritmo, tomando cuidado para não me fazer perder o equilíbrio. — Apesar de sua preocupação, não tenta assumir o controle da situação nem insiste para que eu volte à cama. — Apenas permanece ao meu lado, ajudando-me a percorrer a pequena distância que nos separa do closet. — Está doendo muito, senhor Domenico? Se precisar descansar um pouco, podemos parar, não quero que o senhor force os ferimentos por minha causa. — Estou bem, Chelsea, apenas preciso me movimentar com cuidado. — Já estamos chegando, e poderei descansar quando estivermos lá dentro. Atravessamos o closet, e eu lhe mostro o acesso reservado ao quarto do pânico, Chelsea observa a passagem com evidente curiosidade, surpresa ao descobrir que uma dependência tão importante está escondida dentro da própria suíte. — Não tenho condições de explicar todos os detalhes naquele momento, mas percebo que ela compreende a finalidade daquele espaço assim que entramos. — O ambiente é amplo o suficiente para nos acomodarmos com conforto durante uma emergência. — Existem recursos para comunicação, equipamentos que permitem acompanhar diferentes áreas da propriedade e tudo o que precisamos para permanecer ali enquanto a situação estiver sendo resolvida. — Chelsea observa as instalações, depois olha para mim, aparentemente impressionada com a estrutura que encontra. — Meu Deus, senhor Domenico! Eu nunca imaginei que existisse um lugar assim dentro de uma casa. — O senhor realmente pensou em tudo, nós vamos conseguir acompanhar o que estiver acontecendo lá fora? — Sim, poderemos observar a movimentação pelas câmeras e acompanhar as informações que Logan vai nos transmitir. — Não precisamos sair daqui para saber o que está acontecendo, quero que você organize seu material e continue trabalhando enquanto aguardamos.Logan faz um movimento afirmativo com a cabeça, demonstrando compreender a importância daquela decisão.— Isso também ajudará a estabelecer sua autoridade diante dos funcionários. — Se souberem que ela responde diretamente ao senhor, terão menos espaço para tentar impedir seu acesso aos documentos.— Exatamente, não quero que Chelsea enfrente os mesmos obstáculos que encontrou na empresa de George. — Ela terá liberdade para examinar os registros necessários e deverá ser tratada com respeito por todos, se alguém questionar sua presença ou tentar dificultar seu trabalho, quero ser informado imediatamente.— Assim será feito, Domenico.Permaneço alguns instantes refletindo sobre a maneira como Chelsea reagirá quando souber que passará a participar de reuniões importantes. Imagino que inicialmente fique surpresa, talvez até preocupada, mas considero necessário que compreenda a confiança que deposito em sua capacidade profissional.Logan continua me observando com aquele sorriso discreto
Ela se despede de George, agradece novamente pela decisão de regularizar os valores relacionados à sua demissão e recolhe os documentos que havia deixado sobre uma das mesas. — Observo sua postura discreta enquanto se prepara para retornar ao trabalho, e percebo que, apesar de todas as dificuldades que enfrentou, continua demonstrando preocupação com pessoas que estão passando por situações dolorosas.— George aperta minha mão com cuidado antes de se despedir. Sei que percebeu meus movimentos mais lentos e que procura evitar qualquer gesto que possa provocar desconforto nos ferimentos.— Cuide-se, Domenico, amanhã estarei esperando por você na empresa. E obrigado novamente por tudo o que fez hoje.— Estarei lá, George, apenas mantenha a discrição até nossa chegada. —Não quero que Sofia ou seu contador descubram antecipadamente o que estamos investigando.— Pode confiar. Vou providenciar a reunião e cuidar pessoalmente da segurança de Felipe.Acompanho sua saída e aguardo até que Log
George balança a cabeça, demonstrando que não concorda com sua conclusão.— Tenho, sim, Chelsea. Não apenas como empresário, mas como responsável por uma empresa que permitiu que você fosse afastada injustamente. Por isso tomei uma decisão. Quero que receba os salários correspondentes ao período em que ficou desempregada por causa dessa situação, com os acréscimos devidos. Vamos providenciar os cálculos e regularizar aquilo que lhe foi negado.Chelsea arregala os olhos, visivelmente surpresa com a proposta.— Não, senhor George. Não precisa fazer isso. Eu não trabalhei durante esse período e não quero receber dinheiro como se estivesse pedindo uma esmola.— Não estou oferecendo uma esmola, Chelsea. Estou reconhecendo que você foi prejudicada por uma decisão tomada dentro da minha empresa. Se a investigação confirmar o que os documentos indicam, teremos de corrigir essa injustiça. E quero começar reconhecendo o prejuízo que sofreu.Ela permanece em silêncio por alguns instantes, aparen
Meu amigo respira profundamente, demonstrando que compreendeu a gravidade das minhas recomendações. — Conheço George há muitos anos e sei que sua principal fraqueza sempre foi confiar nas pessoas que considera parte de sua família. — Depois da morte da primeira esposa, ele procurou reconstruir a vida e acreditou que Sofia poderia oferecer ao filho o carinho materno que tanto desejava.— Farei isso, meu amigo, e agradeço por me alertar, quando decidi me casar novamente, pensei principalmente em Felipe. — Achei que meu filho precisava de uma mãe e que Sofia poderia ocupar esse lugar em nossa família. — Agora começo a perceber que talvez tenha colocado uma serpente dentro da minha própria casa.— Você procurou oferecer estabilidade ao menino, George.— Entretanto, não adianta manter um casamento apenas para preservar a aparência de uma família. Felipe precisa de segurança, carinho e pessoas que realmente se preocupem com ele.— Uma mulher não se torna mãe simplesmente porque se casa
DOMENICOO almoço transcorre tranquilamente, apesar dos assuntos desagradáveis que discutimos durante a manhã. — George parece mais sereno depois de examinar os documentos apresentados por Chelsea, embora eu conheça meu amigo o suficiente para perceber que está preocupado com a situação de Felipe e com as irregularidades descobertas na MacGregor Corporation. — Chelsea almoça conosco, mantendo sua habitual discrição, participando apenas quando alguém lhe dirige a palavra. — Observo que ela se preocupa em não interromper nossas conversas, mesmo quando discutimos questões sobre as quais poderia contribuir com seus conhecimentos. — Essa postura me chama a atenção, principalmente porque já tive a oportunidade de conhecer sua inteligência e a segurança com que analisa assuntos profissionais.Estamos terminando a refeição quando George volta a falar sobre minha recuperação. — Ele me observa enquanto deposito os talheres sobre o prato e demonstra uma preocupação que considero natural dep
Observo sua expressão e compreendo que provavelmente está se referindo a uma das pessoas envolvidas nos acontecimentos da noite anterior. Não faço perguntas, porque sei que Domenico possui responsabilidades que prefere resolver pessoalmente e que nem sempre dizem respeito aos nossos negócios em comum.— Nesse caso, não quero atrapalhar sua agenda. Já tomei bastante do seu tempo.Ele sorri discretamente e faz um gesto para que eu permaneça sentado.— Você não atrapalhou nada, George. Esta não foi uma entrevista. Foi uma visita entre amigos, ainda que tenhamos tratado de assuntos desagradáveis. E, já que está aqui, gostaria de convidá-lo para almoçar conosco.Olho para o relógio e percebo que realmente passamos bastante tempo examinando os documentos. Não tenho compromissos imediatos que me impeçam de aceitar o convite, e considero importante aproveitar a oportunidade para conversar com Domenico em um ambiente menos formal.— Aceito, sim. Depois de tudo o que descobri nesta manhã, acred







