LOGIN— A nossa conversa ainda não acabou, Gustavo! Se você é homem de verdade, fica bem aí. Espera eu voltar, que vou te mostrar com clareza o abismo que existe entre a gente! — Rosnou Cláudio, ajeitando o colarinho da própria camisa amassada.Aproveitando a deixa do filho, Décio interveio com uma calma letal e um tom professoral de quem acha que domina o mundo: — Meu filho, se você já tem a plena consciência de que existe uma diferença abismal de níveis entre vocês, por que está se rebaixando para brigar? O seu destino é a alta roda da sociedade. Não desperdice a sua preciosa energia com o povão. Se você realmente quiser esmagar um sujeito insignificante desses no futuro, o que não vão faltar são mil maneiras diferentes de fazer isso.Os olhos do rapaz brilharam ao escutar o conselho distorcido. Um sorriso perverso se desenhou em seus lábios enquanto ele concordava: — Tem toda a razão, pai. Acabar com a raça de um fracassado sem um puto no bolso é a coisa mais fácil do mundo.— Então ass
A tensão no ambiente era visível, pesada o suficiente para ser cortada com uma faca, e a qualquer instante parecia que os ânimos iriam explodir em uma briga generalizada.Foi naquele momento que quebrei o silêncio, mantendo a voz inabalável enquanto encarrava meu rival do outro lado da mesa: — Cláudio, abaixa um pouco essa sua bola. Se continuar com essa arrogância toda, vai acabar arrumando um problema tão grande para o seu pai que ele mesmo vai quebrar as suas pernas para te ensinar uma lição.— O que você quer dizer com isso? Vai me dizer que agora é mais poderoso que o meu coroa? — Cláudio soltou uma risada carregada de escárnio, balançando a cabeça com descrença antes de continuar o deboche. — Gustavo, você não consegue passar um minuto sem tentar pagar de gostosão, não é? Aparece na porta do hotel com um carrão alugado e agora quer dar uma de milionário na frente de todo mundo. Você acha que a gente nasceu ontem? Na época da escola, você não tinha dinheiro nem para cair morto. S
Justo quando a sala inteira estava no auge da empolgação, vibrando com a brincadeira, a porta foi escancarada mais uma vez. Cláudio entrou pisando forte, sempre com sua escolta particular a tiracolo. Bastou que a figura arrogante cruzasse a soleira para que, como num passe de mágica, o falatório animado se transformasse num silêncio tenso.Aproveitando o clima pesado, os dois capachos de Cláudio bancaram os prestativos, quase empurrando o playboy na direção da única cadeira vazia, exatamente a que ficava ao lado de Bruna. — Aí sim, chefe! A Bruna está tão na sua que até guardou o lugar de honra só pra você! — Disparou um dos puxa-sacos, forçando uma intimidade inexistente. — É, Bruna, você tem que dar valor, viu? Tem um monte de mulher por aí matando e morrendo para conseguir uma chance de ir pra cama com o Cláudio, mas ele é fiel e só tem olhos para você! — Completou o outro, com um sorriso malicioso.A grosseria e o tom vulgar daqueles comentários jogaram um balde de água congelan
Enquanto eu me perdia naquelas lembranças, vozes carregadas de desdém quebraram o silêncio não muito longe dali. — Ora, ora, vejam só quem é! Pelo carro de luxo, achei que fosse alguém importante. — A voz soou em tom de deboche. — Não são o Yago e o Gustavo? Qual é a necessidade disso, caras? Alugar um carrão só para vir a um encontro de ex-alunos e pagar de bacana?Cláudio se aproximou com a pose arrogante de sempre, escoltado por seus dois capachos fiéis. Antes mesmo que o chefe abrisse a boca, a dupla de puxa-sacos já começou a latir asneiras em perfeita sintonia. — Quem disse que é alugado? — Yago estufou o peito, fervendo de indignação com a provocação. — Esse carro é do Gustavo, ele comprou!— Do Gustavo? Me faça o favor! Aquele morto de fome da época da escola? Até parece que ele tem bala na agulha para bancar uma máquina dessas! — Rebateu um deles.— Conta outra que essa não colou! — Debochou o segundo.A dupla parecia pronta para continuar disparando insultos, mas Cláudio e
Diante daquele discurso patético, as verdadeiras intenções do empresário ficaram mais do que evidentes. Mesmo assim, não cedi um milímetro. Mantive a postura rígida e o fuzilei com os olhos.— O Grupo Dragão possui princípios inegociáveis e não fazemos negócios com empresas que exploram pessoas em momentos de vulnerabilidade. Esse é o meu limite ético. — Decretei, com a voz carregada de gelo. — Pode dar meia-volta. E faça o favor de levar todas aquelas sacolas com você, pois não precisamos de migalhas.A recusa bateu forte. O homem pareceu envelhecer dez anos em um instante, ostentando um semblante devastado.— Senhor Gustavo, te peço misericórdia! Me dê apenas mais uma chance de provar o meu valor. A culpa foi toda dos meus funcionários incompetentes, juro que não sabia de nada do que estava acontecendo...— Será que vou precisar desenhar? Suma da minha frente agora mesmo! — Esbravejei, lhe lançando um olhar cortante que não abria espaço para debates.Um tremor percorreu o corpo do su
Após algumas trocas de gentilezas, ele foi direto ao assunto que realmente importava, o problema cardíaco do meu pai.— Gustavo, analisei os exames do seu pai com bastante cuidado. Não vou mentir, a situação é delicada e longe de ser algo simples. — Explicou Yago, adotando um tom profissional, mas acolhedor. — A parte boa é que se trata de um quadro clínico muito clássico, algo com o qual tenho uma vasta experiência. A minha recomendação é que a cirurgia aconteça o mais rápido possível. O único obstáculo seria a questão financeira...Antes mesmo que ele pudesse terminar a frase, cortei o assunto com firmeza.— Dinheiro não é um problema, Yago. Quero que vocês utilizem os melhores recursos disponíveis neste hospital e sigam o padrão mais alto de excelência. O valor não importa, apenas salvem o meu pai.— Combinado então. — Concordou Yago, acenando com a cabeça. — Vamos manter o seu pai internado sob observação durante os próximos dias. Se os exames complementares estiverem em ordem, con