FAZER LOGINNaquele mesmo dia, no final da tarde, a campainha tocou. Eu estava sentada comendo pipoca com Leon e jogando vídeo game. Fui atender despretensiosamente. Dois homens muito bem vestidos estavam parados na varanda.
- Senhorita Katee?
- Sou eu. – falei.
- Temos uma entrega para a senhorita.
- Para mim? – perguntei surpresa. – Deve ser engano.
- Foram enviadas pelo príncipe Dereck.
Eu levantei a sobrancelha confusa.
- Ok. – eu disse.
Em pouco tempo eles abriram o carro e começaram a retirar inúmeras sacolas, colocando dentro da minha casa. Abri para olhar e vi que eram roupas e calçados. Dereck estava louco? Eu até estava precisando de roupas novas... Mas aquilo era um exagero. Quando eles entregaram a última sacola, que encheu o chão da minha minúscula sala, deixaram um cartão, saindo.
Eu abri o cartão pequeno, que dizia:
“Kat de volta ao páreo. E que seja linda e com modelitos que nunca conseguiu usar no castelo. Lembre-se que ainda assim Magnus se apaixonou por você. Próximo passo: casamento real entre Magnus Chevalier e Katrina Lee. Eu tenho um plano.” D.C.
Havia como recusar? Dereck era simplesmente incrível. Liguei para Kim:
- Você não sabe o que chegou aqui em casa. – falei tentando deixá-lo curioso.
- Sei sim, sua boba. Eu ajudei a escolher.
Eu ri:
- Não acredito!
- Passamos o dia fazendo isso... E outras coisinhas mais. – ele disse maliciosamente.
- O que eu faço com vocês?
- Nos ame como sempre amou, baby. Vitória Grimaldo já era. E a rainha também. O plano de Dereck é simplesmente perfeito.
- Mais perfeito que o da rainha e a morte do próprio marido?
- Vingança é um prato que se come frio, princesa. Chegou a sua hora. Será pior que um tiro na cabeça dela.
- Vingança é tudo, admito. Mas do tiro, amigo... Ah, disso eu não abro mão.
- E sua vida, meu bem? Lembre-se de tudo que passou por um crime que não cometeu.
- Por isso mesmo eu vou cometer desta vez... Se me punirem, será por algo que eu realmente fiz.
- Kat, como você vai matar a mãe do homem que você ama?
- E quem disse que ele vai saber que fui eu?
- Mas... E a sua consciência?
- Ah, Kim, querido... Minha consciência é exatamente como a dela: não pesa, acredite. Acho que eu não tenho consciência quando o assunto é a morte da rainha Anne Marie Chevalier.
- Estou com medo de você. – ele disse.
- Não tenha... A Rainha que deve temer... Minha vingança está só começando. E vai ser tão longa e dolorosa quanto o tempo que estive morta.
- Mas você não esteve realmente morta.
- Mas eu garanto que ela estará.
Depois eu abri as sacolas. Laura ficou impressionada com tudo que havia chegado.
- É muito mais do que você precisa. – ela observou.
- Mas muito menos do que eu mereço. – falei com os olhos brilhando enquanto guardava tudo no meu singelo armário que não coube nem metade das roupas.
No dia seguinte recebi a visita de Dereck e Kim. Desta vez vieram juntos, no fim da tarde. Dereck não parecia o príncipe de forma alguma. Ele realmente era o mestre dos disfarces. E ver ele e meu amigo juntos me dava esperanças de que o relacionamento deles podia estar dando certo e ficando mais sério.
Quando eles sentaram na sala, eu agradeci Dereck:
- Alteza, obrigada pelas roupas.
- Não foi nada... Vamos ser parentes mesmo.
Eu ri. Ele continuou seriamente:
- Eva Lee é filha da minha mãe. Então... É mesmo nossa irmã.
- Encontramos nossa irmã? – perguntei. – Eu não acredito. – falei emocionada.
- Isso é só a cereja do bolo. – disse Kim me jogando o jornal rebelde, que trazia na capa: “O príncipe Magnus Chevalier participando de grupos anti monarquia? O verdadeiro motivo pelo movimento não ter dado certo. Encontrado o traidor.”
Eu não li o resto. Joguei o jornal do chão e disse:
- O que eu fiz?
- Como assim o que você fez? – perguntou Kim.
- Fui... Eu.
- Você entregou Magnus ao jornal? – perguntou Dereck apavorado.
- Não... Eu escrevi isso na rede social de Vitória.
- Não... Você não fez isso. Você é uma garota inteligente demais para fazer isso. – disse Dereck.
- Eu... Fiquei cega pelo ciúme quando vi ela vestida de noiva. – confessei. – Mas... Eu vou consertar isso.
- Baby, você vai dizer na rede social dela agora que se enganou?
- Mas... Vitória não sabe quem é Black e os codinomes, muito menos o que é uma reunião de rebeldes. – eu argumentei.
- Quantas pessoas você acha que leem o perfil dela? – perguntou Dereck.
- No mínimo metade de Noriah Sul. – Kim rebateu.
- Eu estraguei tudo.
A campainha tocou e minha mãe veio atender, pois estávamos tão envolvidos na conversa que sequer levantamos. Dom entrou rapidamente e olhou o jornal jogado no chão:
- Pelo visto vocês já sabem o que aconteceu.
- Dom, eu fui culpada. – confessei.
- Como assim?
Expliquei a Dom o que tinha acontecido. Ele demorou para responder. Depois de um tempo, disse, seriamente:
- Lembra quando eu falava sobre não se envolver fora do grupo?
- Dom, quem é você para dizer isso? – falou Dereck furioso. – Você se envolveu com Katrina se não me engano... No dia que a conheceu.
- Mas foi culpa minha. – eu disse. – Estou falando sobre me envolver com Dom. – baixei minha cabeça envergonhada. – Realmente ele sempre me alertou dos perigos que isso poderia causar.
- E daí você resolveu ter perigo duplo? – ironizou Kim. Todos olharam para ele, que completou: - Desculpem, estou nervoso e falando demais.
- Você fala a verdade, Kim... Não me poupa. – falei tristemente.
- Precisamos resolver isso imediatamente. – disse Dom. – Eu não gosto de Magnus, muito menos de Black e acho que se ele fosse outra pessoa eu ainda assim não gostaria dele, porque definitivamente não gosto dele em nenhuma versão. Mas também não acho justo que ele sofra as consequências disso.
- E o que pode acontecer com Magnus? – perguntei preocupada.
- Em primeiro lugar os rebeldes ficarão contra o príncipe. A monarquia já era. Depois... Vão querer caçá-lo por ter traído o grupo.
- Mas... Eu vou confessar que fui eu.
- Não. Você não pode fazer isso. – disse Dom. – Eu não deixaria.
- Mas fui eu.
- Precisamos pensar em algo e rápido. – falou Dereck.
- Eu tenho uma ideia. – falou Kim.
Todos olhamos para ele.
- Eu vou ser Black.
- Como assim? – perguntei.
- Vou usar a roupa dele, sua máscara e ficarei igual ele. E vou mostrar minha identidade real no grupo, para provar que não sou Magnus.
- É um plano arriscado. Pode não dar certo. – falou Dom.
- Só Black tem aquela roupa e todos sabiam que era ele por causa da forma como se vestia. Eu tenho a altura próxima de Magnus, vou pintar o cabelo e vou ser ele.
- E vão perguntar como a notícia vazou... Como se chegou à hipótese de que o príncipe poderia ser Black, o delator?
- Eu vou dizer que trabalhei no castelo.
- E que diferença faz? – perguntou Dereck.
- A diferença é que tenho duas notícias bombas direto do castelo de Noriah: sua mãe, a rainha, matou Joana Pallucci. E se não bastasse, teve uma filha com o capitão da guarda. Filha esta escondida de toda a família uma vida inteira.
- Não podemos usar Eva. – eu disse.
- E podemos usar Magnus? – perguntou Dereck.
- Não... – eu admiti.
- A ideia é boa. – disse Dereck.
- Ficarão tão entusiasmados e loucos com a notícia que nem se preocuparão com quem realmente é Black.
- Acreditarão que Kim é Black. Ou ele não teria estas informações se não tivesse alguma ligação com o castelo.
Eu sentei no sofá e joguei minha cabeça no encosto, fechando os olhos. Minha cabeça estava doendo. Mas eu consegui perguntar, de olhos fechados:
- Vitória falou sobre este comentário que recebeu?
- Claro que não. Acha que ela lê qualquer coisa que escrevem para ela? – disse Dereck.
- Eu só queria que ela soubesse...
- Kat, no fundo ela sabe. – disse Dereck. – Ela sempre soube sobre você e Magnus.
O plano foi traçado e no sábado seria executado. Kim seria Black por um dia. Dereck teria que contar a Magnus sobre o plano. Mas eu sabia que se Magnus soubesse o que foi escrito no comentário sobre o vestido de Vitória, desconfiaria que podia ser eu. Eu havia escrito o que estava na tatuagem que fiz para ele.
No dia seguinte, fui com Dereck até o convento. Conversamos com Eva que até sorriu quando soube que tinha irmãos. Mas nunca imaginei que ela pudesse não querer sair do convento e viver conosco. O desejo dela era que pudéssemos manter contato e nos visitarmos com regularidade, mas ela continuaria ali, pois era sua vida e sua família.
- Mas... Você é uma princesa. – eu disse.
- Não... Eu sou Eva, nascida e criada no convento. Aqui é meu lar. Eu nunca quis sair... Eu sou feliz.
- Não gostaria de conhecer nossa mãe? – perguntou Dereck.
- Claro que não. – ela disse sem demonstrar mágoa ou tristeza. – Mas gostaria de conhecer Magnus, Kevin e o pequeno Leon.
- Claro... Faremos isso. – disse Dereck pegando nas mãos da irmã carinhosamente.
- Vocês dois... Tem alguma relação? – ela perguntou confusa para mim e Dereck.
Ele riu e respondeu:
- De alguma forma, sim. Eu pensei que Kat fosse minha irmã, quando estava pesquisando sobre o passado obscuro da nossa mãe a forma diferente com que ela me tratava. Achei que eu pudesse ser filho de Adolfo Lee. No entanto fiz exame de DNA e eu era filho do meu pai... O que me deixou imensamente feliz. Meu pai era um homem magnífico. Mas eu imediatamente me afeiçoei à Kat... E decidi que ela era a pessoa ideal para nosso irmão, Magnus.
- Simples assim? – ela perguntou sorrindo. – E deu certo?
- Deu. – ele disse. – Eu sabia que eles se apaixonariam. Acho que levou menos tempo do que eu esperava. Para Magnus foi amor à primeira vista, antes mesmo de eu traçar o plano ele já estava apaixonado por ela. Mas Katrina... – ele olhou para mim. – Katrina tinha outros planos... Ela sempre tem muitos planos na verdade. Mas ela não resistiu ao nosso irmão.
- Sim, eu amo Magnus. Mas ele vai casar com outra mulher dentro de menos de 1 mês. – eu disse sorrindo com tristeza.
- Isso não vai acontecer. – disse Dereck. – Mas ainda não contei o meu plano para ela.
Eva riu:
- Estou feliz em conhecer vocês, meus irmãos.
Nos demos as mãos felizes. Não éramos uma família nada tradicional, mas estávamos juntos. E havíamos encontrado Eva.
Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,
Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N
O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-
- Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p
Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati
As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O







