FAZER LOGINAssim que saímos do quarto, minha mãe disse:
- Estarei rezando por vocês.
- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.
Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.
- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.
- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.
Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.
- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.
- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.
- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.
- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Então estamos todos preparados para a noite de hoje.
- Kevin... Se acontecer algo com nós dois, como ficaria nossa mãe? – perguntei preocupada, tentando dissuadi-lo de ir junto.
- Não acontecerá... Pelo menos não comigo. Sei me defender muito bem... E embora não tenha a arma de Adolfo Lee, a minha também pode me proteger muito bem. E você, sabe usar sua arma, irmãzinha? – desafiou ele.
Retirei minha arma com habilidade de trás da minha calça e a girei no dedo:
- Quer uma disputa? – desafiei.
Magnus pegou a arma da minha mão e disse:
- Nada de disputa, crianças. Tentaremos não usar armas, lembram?
Eu peguei minha arma da mão dele e guardei:
- Sim, Alteza. Usar arma só em caso de extrema necessidade. – ironizei.
- Não foi passado esta recomendação ao grupo de vocês? – ele perguntou para Kevin.
- Sim, Magnus. Mas se eu dissesse que não estou louco para usar a minha, estaria mentindo. – confessou Kevin.
- Laura Lee, estes são seus filhos... – falou Magnus fingindo estar decepcionado.
- E eu estou orgulhosa por eles estarem participando deste momento. – disse minha mãe. – Meus filhos fazendo história em Noriah.
- Venha conosco, Kevin. – eu disse.
Saímos e entramos no carro de vidros escuros que nos esperava em frente à casa. Os carros nos deixariam próximos do castelo. Os guardas de Dereck renderiam os das entradas e entraríamos em pequenos grupos por cada entrada possível. Para minha surpresa, haviam várias entradas secretas por partes diferentes. E os príncipes sabiam sobre cada uma delas. Todos usariam suas máscaras, exceto Dereck e Magnus. Dom achava que eles poderiam mudar alguns guardas de lado quando fossem vistos. Eu temia ainda mais eles serem atacados por estarem mostrando suas verdadeiras identidades. Por mais que tivesse sido averiguado, era possível haver traidores nos nossos próprios grupos, assim como havia no da rainha. Encontramos Dom, Kim e Dereck numa rua paralela à entrada principal do castelo de Noriah.
- Seguiremos o plano. – disse Dom. – Magnus e Dereck entram no castelo e seguem pelos calabouços subterrâneos, soltando os presos para gerar a confusão. Haverá guardas nossos lá e uma equipe. Kim segue com o grupo liderado por Diana na área externa.
- Diana... Liderando um grupo? – perguntei orgulhosa da minha amiga. – Eu sabia que ela conseguiria.
- Sim... Diana é uma das mais preparadas. Kevin... É você mesmo? – perguntou Dom.
- Sim, Domênico. – garantiu ele. – Eu mesmo. Estou sabendo do plano, embora não estivesse no seu grupo. Participava de outro...
- Ok, você... Deveria estar com seu grupo. Mas já que está aqui, segue com Kim e junte-se ao grupo de Diana que entrará pelo portão principal. Katee ficará comigo? – perguntou Dom confuso. Eu assenti com a cabeça.
- Eu não confiaria a vida da minha mulher a nenhuma outra pessoa a não ser você, Domênico. – disse Magnus. – Sei que só você a protegeria com sua própria vida, assim como eu. – todos olharam para ele surpresos com suas palavras.
Antes de nos separarmos, Magnus me deu um beijo. Eu fiquei na ponta dos pés e disse no seu ouvido:
- Me prometa que ficará bem e voltará para mim.
- Prometo... Cuide-se. Não use sua arma se não for extremamente necessário.
- Sim, pode deixar.
Antes que ele se fosse, olhou para Dom e advertiu, mais uma vez:
- Cuide dela. A futura rainha de Noriah está nas suas mãos.
- Cuidarei com minha própria vida. – garantiu Dom.
- Eu sei me cuidar, Magnus. Confie em mim.
Não queria que eles precisassem se preocupar comigo. Eu era forte e atirava melhor que o próprio Magnus ou mesmo Dom.
Magnus se foi e eu fiquei olhando-o até que ele desaparecesse com Dereck. Senti meu coração batendo mais forte.
- Chegou nossa hora. – disse Dom me olhando.
- Me sinto... Feliz. – eu confessei.
- Eu também. Vamos destronar a perversa rainha Anne.
Enquanto íamos Dom perguntou:
- Podemos confiar no seu irmão?
- Eu... Espero que sim.
- Eu também.
Andamos lado a lado e em pouco tempo ouvimos tiros. Estava iniciada a invasão ao castelo de Noriah Sul pela queda da rainha Anne Marie Chevalier.
Os portões se abriram e o primeiro grupo entrou, sem problemas. Assim que passamos pelo portão, havia fumaça das bombas de gás lacrimogêneo. Tivemos que correr. Dom pegou minha mão para não nos perdermos. Em pouco tempo entramos pela porta principal do castelo. Empregados corriam por todos os lados e havia gritos de pavor. Um guarda ferido próximo da escada. Eu não tinha certeza se ele estava morto. Dom tocou no pescoço dele e disse:
- Está morto.
Subimos ao segundo andar rapidamente, com nossas armas em punho. Eu e Dom ocuparíamos o terceiro andar junto de outro grupo que entraria antes. A princípio eles já deveriam estar lá. Seriam presos os membros do conselho que apoiavam a rainha e a própria rainha Anne, que certamente não se entregaria. E ela poderia estar em qualquer lugar, embora eu tivesse quase certeza que ela estaria em seu próprio quarto, esperando por mim. Ouvimos outros tiros próximos e eu vi os guardas escoltando Lana pela escada. Dom mirou e eu disse:
- Não... Não atire nela, Dom.
- Você terá piedade agora, Katee?
Eu fechei meus olhos e disse:
- Faça o que tiver que fazer.
Dom atirou, mas não acertou. Eles conseguiram correr e levá-la junto. Subimos o lance de escadas para o terceiro andar. Tudo estava revirado e fora do lugar. Não parecia o lugar que vivi por tanto tempo.
- Precisam fazer isso? – perguntei.
- O que você queria, Katee? Em que mundo você e Magnus estão vivendo? Eu já disse que não há guerra sem morte ou bagunça... Estas pessoas sofreram, esperaram uma vida por este momento. E você queria que não destruíssem a tapeçaria?
Dom tinha razão. Minha visão anti monarquista e rebelde estava sendo cegada pela princesa e futura rainha de Noriah. Mais que a posse de Magnus como rei, eu queria a morte de Anne Marie mais que qualquer coisa. E pelas minhas mãos. Chegamos no corredor do quarto dela e haviam muitos guardas.
- Onde está o grupo que viria antes? – perguntei preocupada.
- Não sei... Espero que não tenham chegado antes de nós... Pois isso seria sinal de que estão todos... Mortos.
Eu senti um arrepio percorrer minha espinha. Por que pensei que seria de outra forma? Magnus pedia para usar a arma em caso de emergência, quando eu andava com ela em punho disposta a atirar em qualquer um aparecesse na minha frente. Como estaria Magnus e Dereck, que tentavam a simpatia dos presos que estavam a tantos anos escondidos do subsolo do castelo?
- Eu vou precisar entrar neste corredor, Katee. – disse Dom.
- Você não pode fazer isso sozinho.
- Você sabe onde ela está, não é mesmo? Por isso quis ficar neste andar.
- Sim... Eu tenho quase certeza. – falei.
- Eu vou abrir caminho para você. – ele disse olhando nos meus olhos. – Vá lá e faça o que você esperou por tanto tempo...
- Dom... Você vai morrer...
Dom não me deu ouvidos. Ele tinha uma arma na mão e quando percebi sacou outra e saiu atirando por todos os lados. Eu fechei os meus olhos e senti meu coração batendo intensamente. Rezei para Dom não morrer. Havia tantos guardas que não conseguíamos contar. Enquanto eu pensava, o grupo rebelde que nos ampararia chegou e saiu atirando. Conforme os tiros iam ficando mais longe eu avançava. Tinha muito sangue no chão e guardas caídos por todo lado, alguns ainda vivos, mas gravemente feridos. Dom não estava ali. E nenhum dos outros que entrou depois no corredor. Eu fui lentamente até a porta que eu sabia exatamente onde ela estava. Tentei abrir e estava trancada. Chutei com toda força que eu tinha e consegui abri-la. Lá estava ela, a rainha Anne Marie Chevalier, sentada em uma poltrona que mais parecia um trono.
- Quem faz questão de usar uma coroa para morrer? – eu perguntei à ela, empurrando a porta com meu pé para que fechasse.
- Afinal, você quer me matar ou tirar minha coroa e dar ao meu filho, garota?
- As duas coisas... Primeiro vou matá-la e depois arrancar a coroa da sua cabeça e colocá-la em Magnus.
- E acha que Magnus aceitará a coroa cheia de sangue das suas mãos? A esposa que matou a rainha. Ele nunca a perdoará. – ela falou ironicamente.
- Você perdeu. Noriah está livre de você.
- Ainda não. – ela disse tranquilamente. – Será que você tem coragem? – ela abriu os braços. – Vamos, Katrina, atire no meu coração. Eu estou esperando.
Eu continuei com a arma em punho. Mas não me aproximei. Mas de que adiantaria eu matá-la? Ela não sofreria nada do que realmente merecia. Eu faria um favor à Noriah tirando a vida da rainha. Mas ela não pagaria nada pelo que fez.
- Você não tem coragem, garota? – ela riu.
Eu mirei no vestido dela, para atingir sua perna, especificamente seu joelho. E atirei, sem medo, sentindo um alívio no meu coração quando vi o sangue aparecer no vestido creme. Eu esperava por um grito ou algo do tipo, mas não houve. Ela só fez cara de dor, mas continuou:
- É isso que você consegue? Eu sei que você quer o meu coração. E você vai acertar. Quero ocupar os seus pesadelos todas as noites, quando você deitar. Não dormirá com sua consciência pesada por ter matado a rainha de Noriah, mãe do seu marido. – ela riu. – Eu soube que meu filho a pediu em casamento no baile... Então planejei tudo para incriminá-la. Nunca pensei que fosse tão fácil fazer você desaparecer.
- Majestade, este tiro foi por eu ter ficado seis meses longe da minha vida e de Magnus... Obrigada por me lembrar novamente. – eu dei mais um tiro na outra perna dela. – Este é por meu pai, pelo rei Alfred, por minha mãe e por Eva.
Aquela mulher era à prova de balas? O sangue vertia por seu vestido e ela não soltava um som sequer. Eu daria tantos tiros nela que ela morreria sem sangue e ainda assim estaria olhando para mim como se nada tivesse acontecendo, exalando ódio por cada pedaço do seu corpo.
- Tudo por que meu pai não quis você?
- Ele me deixou porque você estava à caminho... Sempre odiei você, Katrina Lee. Termine logo o que começou.
Ouvi um estouro na porta e Dom entrou. Ficou olhando para mim confuso ao ver a rainha ainda viva. Antes que eu pudesse explicar-lhe qualquer coisa, a rainha tirou uma arma escondida atrás de si e atirou em Dom. Eu gritei em desespero ao vê-lo caído no chão, com o sangue vertendo pela sua barriga. Comecei a chorar, vendo os olhos dele nos meus, tentando com minhas mãos estancar o sangue e sentindo as mãos dele sobre as minhas, vendo ele lentamente fechar os olhos.
- Dom, não me deixe. – eu implorei sentindo as mãos dele deixarem as minhas.
Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,
Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N
O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-
- Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p
Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati
As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O







