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Capítulo 113 - Por que não atirou em mim?

Author: Roseanaautora
last update publish date: 2021-06-28 06:51:56

- Por que não atirou em mim? – perguntei.

- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.

Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:

- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.

Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.

- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.

Ainda se ouvia tiros pelo castelo.

- Como vamos tirar ele daqui? – eu perguntei.

Magnus olhou para a rainha. Afastou-me dele e foi devagar até ela. Eu temi o que ele faria quando tivesse certeza do que eu fiz. Não havia como dizer que não fui eu... Todos ali sabiam o quanto eu queria matá-la e tudo que eu tinha de motivos para me vingar. Fiquei fitando-o de costas, esperando por qualquer atitude dele. Então o vi pegar a coroa da cabeça dela e trazer em suas mãos. Depois ele olhou atentamente para o objeto em sua mão e disse:

- Tantas mortes em nome disto...

- Sim... – disse Dereck.

- Ela matou nosso filho... – ele disse me olhando. – Tudo em nome de poder e uma raiva sem sentido...

- Eu vinguei a morte do nosso filho. – confessei com as lágrimas escorrendo nos meus olhos, implorando pelo perdão dele. Eu não podia negar o que eu havia feito. Magnus era o meu marido e eu não queria mentir para ele pelo resto das nossas vidas.

Ele me abraçou e disse:

- Eu não teria coragem... Mas sabia que você teria. Agora vamos providenciar para tirar Domênico daqui. Ele precisa urgente de um hospital.

- E a enfermaria? – perguntou Dereck.

- Vou tentar achar o médico... Ele deve estar escondido em algum lugar. Dereck, não abaixe a arma. Embora a maioria dos guardas estejam mortos ou rendidos, ainda não é seguro ficar desarmado aqui.

- Sim, eu sei. Vá tranquilo. Cuidarei dela e de Dom.

Magnus saiu. Eu peguei minha arma e fiquei com ela apontada para a porta. Ninguém passaria por ali até Magnus voltar. Dereck pegou uma toalha e começou a pressionar contra o ferimento de Dom.

- Ele vai ficar bem. – garantiu ele.

- Ela atirou nele... De propósito, Dereck. Só para acabar comigo e me ver sofrer.

- Ela não vai mais ferir ninguém, Kat. Acabou... Tudo acabou.

- Só estará tudo bem se Dom ficar vivo. Ele é muito importante para mim.

- Para todos nós... Dom é importante para Noriah Sul.

Demorou até Magnus retornar com um médico bastante nervoso e em nada parecendo o que me atendeu há meses atrás. Eles conseguiram levar Dom cuidadosamente pelas escadas. Eu fui acompanhando-os. Encontrei Kim na escadaria. Ele me abraçou e perguntou:

- O... Que houve com Dom?

- A rainha deu um tiro nele. Acho que foi sério...

Vi lágrimas nos olhos de Kim.

- Eu... Espero que ele fique bem.

- Eu também.

Ele pegou na minha mão e descemos até a enfermaria. O médico entrou com Dom e Magnus e Dereck nos deixaram ali enquanto oficialmente tomariam posse do castelo. Eu ainda tinha nas mãos a coroa que Magnus havia me dado para que eu guardasse. Tive vontade de jogar fora aquilo. Tinha tanta tristeza, dor e sangue naquele objeto que ninguém podia imaginar.

- Você está com tanto sangue na roupa... – disse Kim.

- Muito mais na alma, meu amigo.

- Como se sente?

- Vingada... Mas ao mesmo tempo dilacerada.

Ele me abraçou:

- O tempo cura tudo... E você sabe disto. Você é uma guerreira... E vai conseguir superar tudo isso.

- Abaixo a rainha Anne. – eu disse rindo tristemente. Esperava falar aquilo aos gritos, comemorando. Mas não havia motivos para comemoração.

- Um novo reinado inicia em Noriah... E você está nele.

- Se eu pudesse, jogava esta coroa fora.

O médico abriu a porta e disse:

- Fiz o que era possível...

Eu senti meu coração bater mais forte. O que ele queria dizer com aquilo?

- Como assim? – perguntou Kim.

- Ele precisa ir para um hospital. Não tenho como retirar a bala aqui. Foi muito grave o ferimento.

- Espere aqui, querida. Eu já volto.

Kim saiu correndo e eu fiquei ali esperando. Levou em torno de 15 minutos para ele voltar.

- Eu trouxe um carro para a porta principal. Vamos levá-lo, doutor.

O médico levou a maca e eu fui ao lado. Dom ainda estava desacordado. O castelo estava destruído. Havia pessoas que precisam de atendimento por todos os lados. Dom foi colocado no carro e eu disse ao médico:

- Doutor, por favor, ajude os demais que estão no castelo. Levaremos Dom ao hospital. Sei que ele, como médico, gostaria que isso fosse feito neste momento.

Kim dirigiu o carro e nos encaminhamos para o hospital da Zona A, o mais próximo dali. As ruas estavam um caos tanto quanto no castelo. Carros da polícia por todos os lados, estabelecimentos comerciais fechados e pessoas correndo com medo, tentando voltar para suas casas. Assim que Kim parou o carro, correu para buscar ajuda dentro do hospital. E em pouco tempo Dom estava sendo levado para a sala de cirurgia. Peguei o telefone dele e liguei para seus pais. Percebi no tom de voz deles o quanto estavam preocupados, mas garantiram que em pouco tempo estariam ali. Fiquei com Kim aguardando na recepção.

- Alteza, precisa de atendimento? – perguntou uma enfermeira observando o quanto de sangue eu tinha na minha roupa.

- Eu... Estou bem. – falei. – Só quero notícias dele assim que possível.

- Pode deixar.

Mas em pouco tempo, um grupo de pessoas que estavam no hospital aguardando bem como enfermeiros e médicos ficaram à nossa volta tentando entender o que estava acontecendo em Noriah. Eu tive que dizer a verdade:

- A rainha Anne está morta. Os rebeldes invadiram o castelo... E entre a invasão, estavam os dois príncipes... Bem como eu, a princesa de Noriah. Acho que Magnus será coroado o novo rei.

As palmas começaram a vir de todos. O povo estava feliz pela queda e morte da rainha Anne. Até mesmo a Zona A... O que me surpreendeu. Quando os pais de Dom chegaram, o grupo começou a se dissipar. Percebi que eles também estavam no ataque rebelde, pelas roupas que usavam. A mãe dele me olhou e perguntou preocupada:

- Alteza, você está ferida?

- Não... – eu disse. – É... O sangue de Dom.

Percebi que ela ficou aflita.

- Como ele está? – perguntou o pai.

- Foi para o centro cirúrgico.

- Onde pegou a bala? – a mãe quis saber.

- Na região abdominal.

Ela fechou os olhos e suspirou preocupada, procurando aconchego no peito do marido, que a abraçou carinhosamente.

- Vai ficar tudo bem com ele. – disse Kim.

- Foi no castelo? – o pai dele perguntou.

- A rainha Anne atirou em Dom... Antes que eu pudesse finalmente matá-la. – confessei deixando as lágrimas escorrerem pelo meu rosto novamente.

A mãe de Dom veio até mim e me abraçou, não importando com o estado que eu estava.

- Ela fez isso para me ferir... – eu expliquei. – Ela poderia ter atirado em mim, mas preferiu atirar nele para que eu sofresse ainda mais... Eu fui culpada. Deveria tê-la matado antes que Dom chegasse.

- Você não tem culpa. – falou o pai de Dom. – Domênico é forte. Sobreviverá. Ele não morreria sem ver o fim da monarquia.

O pai dele foi até a recepção e logo encaminhado para dentro do hospital. Nós continuamos ali, esperando. Não nos restava mais nada a não ser a espera. Dentro de algumas horas, Magnus chegou. Ele também não havia sequer trocado de roupa. Mas lembrou de me trazer um casaco, que tapava o sangue que secava na roupa que eu vestia.

- Alteza. – a mãe de Dom curvou-se para ele. – Digo, Majestade.

Magnus pegou a mão dela e a fez levantar-se:

- Não quero que se curve para mim... Foi um prazer ter lutado ao lado de seu filho... E ter podido contar com a senhora e seu marido ao nosso lado. Obrigado.

- Príncipe Magnus, será um prazer a Noriah poder ter você no comando do reino.

Magnus não falou nada. Eu sabia que ele estava preocupado com tudo e tenso. O abracei e senti todo peso do meu corpo naquele momento. Magnus me levou para sentar com ele na poltrona.

- Como se sente? – ele perguntou.

- Culpada. – eu disse. – Culpada por Dom ter levado um tiro.

- Katrina, não é culpa sua.

- Ela guardou a arma e não atirou em mim... Esperou que alguém chegasse para atirar... E ver todo meu sofrimento. E se fosse você, Magnus? Fico pensando se ela teria coragem de atirar em você ou Dereck?

- Ela matou meu pai... O próprio marido. Qualquer um que chegasse ela atiraria... Mesmo que fosse eu. – admitiu Magnus.

O abracei com força. Sabia o quanto ele também estava sofrendo naquele momento. Sua mãe estava morta e ela era a pessoa mais horrível que eu já havia conhecido... E acho que ele pensava o mesmo.

Logo os médicos vieram, junto do próprio pai de Dom. Curvaram-se para a realeza e disseram:

- Deu tudo certo. Ele não corre risco.

Senti meu coração bater mais rápido. Eu estava feliz. A mãe de Dom abraçou o pai dele em comemoração.

- Eu disse que tudo ficaria bem. – disse Kim pegando minha mão.

- Agora que ele está fora de perigo, precisamos ir. – disse Magnus. – Você precisa tirar esta roupa, Katrina... Temos muito a providenciar.

- Tudo bem. Poderia me ligar para dar notícias? – pedi a mãe dele.

- Claro... Não sairemos daqui até vê-lo acordado e bem. – ela garantiu.

- Obrigada.

Quando estávamos saindo, a mãe de Dom me chamou, se afastando um pouco de Magnus e disse:

- Obrigada, Katrina.

- Por... – falei confusa.

- Por ter feito meu filho conhecer o amor. – ela disse sorrindo.

Eu corei. Meu marido estava próximo de mim, a alguns passos, conversando com o pai de Dom.

- Eu peço desculpas por tudo... – eu falei timidamente. – Dom é muito especial para mim... E eu gostaria do fundo de meu coração de amá-lo da forma como ele me ama... Mas não era para ser assim.

Ela pegou a minha mão e disse:

- Você foi uma mulher de sorte... Dois homens especiais. Fez sua escolha. Lamento por meu filho, mas ao mesmo tempo agradeço por tê-lo feito conhecer o amor e se abrir para isso.

- Não foram só dois homens especiais, acredite. Nesta jornada tive sorte de conhecer os homens mais especiais de Noriah.

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