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Capítulo 114 - Dois príncipes

last update Data de publicação: 2021-06-28 06:52:45

O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.

Fui até minha irmã e a abracei com carinho:

- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.

Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:

- O que está havendo que eu não sei?

- Posso contar, Magnus? – perguntou Eva.

- Agora pode.

- O que você aprontou, Magnus? – perguntei olhando para ele.

- Eu... Vou morar com vocês no castelo. – ela disse. – Magnus me convenceu.

Olhei para ele com todo o amor que eu sentia dentro de mim:

- Você convenceu Eva? Eu... Não acredito.

- Sabia que você ficaria feliz. – ele disse. – Na verdade, todos estamos felizes com a presença de nossa irmã aqui.

Eu o abracei:

- Feliz? Eu não tenho palavras para isso...

- Não era minha intenção, mas com três irmãos e um cunhado insistentes, não pude mais resistir.

- Eva, temos tantas coisas para planejar... Eu tenho mil ideias.

- Ela sempre tem ideias. – observou Kim.

- Estou preparada para suas ideias, irmã. – ela disse rindo. – Quando será a coroação?

- No sábado. – disse Magnus. – Decidimos esperar Dom sair do hospital.

- E ele sai no sábado?

- Não... Na verdade hoje. – eu expliquei. – Vou terminar o café e vou ao hospital ajudar a mãe dele com tudo.

- Vou acompanhá-la então.

- Seria ótimo. – eu disse me sentindo feliz por poder sair com minha irmã.

- Mas Domênico não virá morar no castelo. – garantiu Magnus.

- Claro que não seu bobo...

- A não ser que ele casasse com Eva. – disse Dereck divertidamente.

- Não vou admitir que você banque o cupido com nossa irmã. Nem pensar. – avisou Magnus. – Não quero Domênico perto de Eva.

- Alteza, você é muito ciumento. – eu brinquei.

- Eu poderia dizer que você não sabe o quanto... Mas você sabe. – ele disse.

Eu lhe dei um beijo e disse:

- Eu até gosto do seu ciúme.

- Mas eu não vou me acostumar com isso não. – garantiu Eva.

Assim que terminamos o café da manhã eu e Eva partimos no carro real para o hospital. Assim que chegamos, nos encaminhamos até o quarto de Dom. Quando chegamos ele já estava vestido e de pé, preste a partir.

- Mais um minuto e eu não chegaria a tempo. – eu disse lhe dando um beijo.

- E por que você queria chegar a tempo de ver os meus últimos minutos de internação? – perguntou Dom.

- Queria me certificar que você estava bem mesmo para receber alta. – brinquei.

- E o médico é quem mesmo? – ele brincou.

Eu ri e perguntei:

- Sua mãe já chegou?

- Já veio e já foi... Organizar minha casa.

- E você voltará como? – perguntei.

- Entendi que era para esperar por você.

- Sim, isso mesmo. Sua mãe me enganou, mas tudo bem. Vamos. – eu disse tentando ajudá-lo.

Dom parecia bem, embora ainda tivesse um pouco de dificuldade para ficar ereto. Eva logo veio ajudar.

- Não havia me dado conta do quanto vocês são parecidas. – ele disse olhando para Eva.

- Devo aceitar como um elogio? – ela perguntou timidamente.

- Claro que sim... – ele falou seriamente.

Aquele era Dom, um eterno conquistador. O levamos até o carro e quando entramos na casa dele, sua mãe já estava com tudo pronto e organizado para recebê-lo. O levamos para o quarto, pois ele ainda precisava repousar.

- Quando será a coroação? – ele perguntou.

- No próximo sábado. Espero que você consiga ir. Magnus adiou o máximo que pôde.

- Com certeza irei. Nem que seja de cadeira de rodas.

- Você vai conseguir cuidar dele? – perguntei a mãe de Dom.

- Virei sempre que possível. Mas também trabalho por turnos.

- Eu não preciso de ninguém para me cuidar. Estou bem. – garantiu ele.

- Podemos providenciar uma enfermeira. – eu sugeri.

- Sim... Tenho alguns contatos. Embora ninguém poderia cuidar do meu filho melhor que eu.

- Mas ela também é viciada em trabalho. Agora você sabe a quem puxei. – ele disse. – Uma mãe e um pai rebeldes anti monarquia e viciados em salvar vidas.

- Vocês são uma família perfeita... E feliz.

- Eu... Posso cuidar dele. – disse Eva. – Não tenho nada melhor para fazer mesmo.

Olhamos para ela surpresos. Seria ótimo... Sim, eu tinha a mesma ideia de Dereck: Dom e Eva poderiam formar um belo casal. E um empurrãozinho não faria mal. Afinal foi assim que Dereck conseguiu me aproximar de Magnus.

- Eu acho uma ótima ideia. – falei.

Dom me olhou e balançou a cabeça:

- Se eu disser que não, Eva acharia que eu poderia ter algo contra ela. Ok, vocês venceram.

Quando saímos da casa de Dom, passamos na residência de minha mãe. Estávamos loucas de saudade de Leon. Enquanto eu conversava com mamãe, Eva foi brincar com Leon.

- Mãe, eu estive pensando... Agora que não existe mais perigo no castelo... Por que você e Leon não se mudam para lá e moram conosco?

Ela pegou na minha mão e disse:

- Querida, eu prefiro ficar aqui. Eu gosto desta casa, eu gosto desta vida... Posso vê-la sempre que quiser agora, ir ao castelo, pois não encontrarei a rainha lá. Você poderá continuar vindo sempre que quiser... Mas não quero morar num castelo, acredite.

- Você não tem jeito, Laura Lee...

- E Kevin? – ela perguntou.

- Não... Eu não vou convidar Kevin para morar no castelo. Mas Magnus já ofereceu uma casa para ele que é propriedade dos Chevalier. É na Zona B. Creio que ele aceitará.

- Obrigada... Pela chance que deu ao seu irmão.

- Eu não dei uma chance... Ele se deu uma chance. No momento que ele abriu mão da própria vida para entregar-se no meu lugar, eu sabia que ainda havia esperança para ele. Claro que entendo que Kevin também não é burro e sabia dos benefícios que teria ao seu juntar à realeza. Ainda assim, prefiro pensar que ele tem um bom coração. – eu disse sorrindo.

- Como fazia com seu pai. – ela disse sorrindo sem me julgar.

- Exatamente.

- E... Como está tudo no castelo de Noriah? As notícias sobre você e os príncipes ainda não esgotaram em todos os canais de televisão e jornais.

- Isso me incomoda um pouco. Confesso que estou tentando me adaptar a esta vida com seguranças por todos os lados, repórteres cuidando onde estou e o que estou fazendo. Torço para que eu possa me acostumar a tudo. Acho que não é fácil... Mas também não é impossível.

- Vai fazer o que agora, filha? Não é mais uma dama de companhia... Muito menos uma rebelde. Você é a monarquia agora.

- Eu gostaria de voltar a estudar. Sabe o quanto eu gostava de estar na faculdade. Mas é complicado estando no lugar que ocupo em Noriah.

- O que Magnus acha disto?

- Magnus... Ah, Magnus quer que eu seja feliz. Ele acha que se eu quero voltar a estudar, devo fazer isso.

- E a vida de casada?

- Perfeita? – eu ri. – Existe casamento perfeito? Antes que você diga que não existe, eu quero que saiba que sim, existe. E que eu sou a prova disto.

- E eu não posso nem dizer que vocês não enfrentaram problemas... Pois foram muitos. Passaram por todas as provações possíveis.

- E agora é a hora de sermos felizes. Porque a pessoa que impedia nossa felicidade se foi... Para sempre.

- Ainda não entendo como aquela mulher podia ser tão ruim.

- Eu também não. Mas prefiro pensar que foi tudo um pesadelo...

- E você se sentiu mal ou culpada em algum momento?

Eu pensei, respirei fundo e confessei:

- Não. Eu tinha mil motivos para atirar. Mas eu listei os mais importantes.

- Se não fosse assim, quantas pessoas ainda sofreriam e seriam destruídas...

- Eu resisti antes de atirar... Pensei muito... Tive esperanças que ela pudesse pedir desculpas, ou justificar pelo menos toda maldade. Mas não... Ela morreu rindo da minha cara. E ainda disse que eu não seria feliz... Que carregaria a morte dela na minha consciência.

- Ela tinha tudo planejado... Até a própria morte. E queria que fosse por você, para que não pudesse ter sossego nunca mais na sua vida.

- Mal ela sabia que eu não tenho consciência.

Enfim o sábado chegou. E Magnus seria coroado o príncipe de Noriah Sul. Uma minoria revoltada fez um movimento contra o príncipe por ele estar envolvido na invasão ao castelo, havendo inclusive rumores de que poderia ter matado a própria mãe pela coroa. Achei que aquilo pudesse fazê-lo ficar inseguro ou até mesmo triste, mas não. Magnus era muito mais forte do que eu imaginava. E havia sido preparado a vida toda para aquele momento. E estava assumindo alguns poucos meses antes de realmente ser o tempo que receberia a coroa da rainha por direito. Tudo que fizemos foi pelo bem de Noriah. Não tinha como esperar nenhum dia a mais.

Antes de descer para a Catedral Real, onde a imprensa nacional estaria transmitindo ao vivo a coroação, olhei para meu marido, o príncipe mais lindo e perfeito do mundo inteiro.

- Como está se sentindo? – perguntei a ele.

- Quase um rei. – ele brincou.

- Está feliz?

- Eu... Não sei. Preparei-me a vida toda para este momento... Mas não sei exatamente como me sinto. Se estou feliz? Eu só preciso de você para ser feliz Katrina, nada mais.

Eu o beijei. Amava aquele homem com toda a minha alma.

- Também não preciso de nada além de você para ser feliz, Magnus. Talvez Black de vez em quando. – eu ri.

- Isso você poderá ter... Mas não poderá mais me dar ordens na cama chamando de Alteza... Vou exigir Majestade.

- Então preciso fazer meu último pedido, Alteza...

- Pode falar, princesa de Noriah.

- Eu sempre disse que queria você com tudo que tinha direito, inclusive a coroa... Lembra disso?

Ele levantou a sobrancelha intrigado.

- Agora tire toda sua roupa... – eu disse.

- Isso é uma ordem?

- Sim... – eu disse tentando abrir o vestido apertado que eu usava sem sucesso.

- Quero você, Alteza... Só com a coroa. E as tatuagens... – eu ri sedutoramente, desistindo de abrir o vestido e tirando minha calcinha, jogando longe.

- Seu vestido não abre? – ele perguntou tentando baixar o zíper.

- Acho que emperrou.

Ele continuou tentando sem sucesso. Eu levantei a saia fina e estreita e disse:

- Acho que já fizemos isso antes. – falei me jogando na cama.

Antes que Magnus pudesse subir na cama alguém começou a bater na porta insistentemente.

- Por que isso sempre acontece conosco? – perguntei. – Como eu fico agora?

Baixei meu vestido, sem tempo de colocar a calcinha. Magnus abriu a porta e Dereck entrou. Olhou para nós, balançou a cabeça e arrumou o traje de Magnus:

- Não há tempo para isso... Não podemos nos atrasar. É a coroação.

- Mas é minha esposa... – Magnus contestou. – Não posso deixá-la assim, ardendo de desejo por mim.

- Vocês só podem estar brincando. – disse Kim. – Seus pervertidos.

- Precisam vir imediatamente. Está na hora. – falou Sofia.

Então partimos... E nem deu tempo de eu colocar minha calcinha de volta. O rei Magnus seria coroado e teria ao seu lado uma rainha sem calcinha. Essa era eu, Katrina Lee.

Esperei na Catedral Real, ao lado dos nomes mais importantes de Noriah, sentada em uma enorme cadeira. Eu não usava uma coroa, mas uma linda tiara que deveria valer quase a minha vida. Quando entraram os guardas, vestidos adequadamente para aquela cerimônia especial de coroação, com espadas empunhadas nas mãos, anunciando os príncipes de Noriah, que vinham lado a lado no enorme corredor, com todos, exceto eu, curvados a eles até que chegassem ao pequeno altar montado para a cerimônia, onde toda a imprensa os esperava. Eles vestiam roupas iguais, pretas com detalhes dourados. Dereck era lindo, mas meu Magnus... Ah, eu morreria por Magnus. Enquanto sentia os olhos dele nos meus, pensava nos momentos mais insanos que tivemos e corei. Ele sorriu, sabendo o que eu pensava: faria amor com ele a noite inteira, sem deixá-lo tirar a coroa. Era só para aquilo que eu gostava daquele metal que tinha o peso maior que qualquer coisa e certamente influenciaria na nossa vida e na da nossa família para sempre.

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