LOGINNaya Nogueira Anos depoisO silêncio em nossa casa nas primeiras horas da manhã de domingo trazia um tom completamente diferente de qualquer outra época da minha vida.Eu estava sentada na poltrona perto da imensa janela de vidro do quarto da Raiane, observando o sol de São Paulo começar a rasgar a copa das árvores no jardim. No meu colo, com a boca suavemente aberta e um suspiro leve, minha filha de sete meses dormia o sono mais puro que eu já testemunhara.Raiane. O nome era forte, uma mistura perfeita que carregava o começo do nome do pai e a essência da força que redescobri em mim para trazê-la ao mundo. Olhar para as bochechas coradas dela e para os tufos de cabelo loiro-escuro que ela herdou do Rael era o meu lembrete diário de que o inferno vivido no passado não deixou cinza alguma capaz de queimar o meu presente.Nós vencemos. O cansaço de ser mãe de primeira viagem e de seguir na liderança da holding era real, intenso, daqueles que faziam os ombros arderem ao final do dia.
Rael Sampaio O Bruno já se encontrava de pé, abrindo uma garrafa de espumante para brindar à nossa união, enquanto Dandara buscava se levantar com cuidado para abraçar a amiga, tomada de emoção.Era a celebração perfeita da nossa vida. Até que um som inconfundível alterou o rumo da noite.Um ruído molhado ecoou pelo ambiente, seguido por uma arfada profunda de Dandara. Olhei para baixo e vi uma poça clara se espalhar rapidamente pelo tapete da sala, bem abaixo de onde ela estava.— Meu Deus... — murmurou Dandara, com os olhos arregalados enquanto segurava a parte inferior da barriga. — Bruno... a bolsa. A bolsa estourou!O silêncio que se instalou durou apenas um fração de segundo antes de o caos tomar conta da casa.O Bruno simplesmente paralisou. Ele empalideceu de tal forma que pareceu prestes a perder os sentidos. A garrafa de espumante escorregou de suas mãos, estilhaçando-se no chão ao lado do líquido.— Estourou?! Como assim estourou, Dandara?! Não faltavam duas semanas?! Meu
Rael Sampaio Minha casa de campo nunca esteve tão viva. Eu sempre encarei este refúgio não apenas como uma propriedade imensa cercada de segurança pesada, mas como o meu verdadeiro santuário no mundo. Foi o primeiro lugar para onde trouxe a Naya quando a nossa história ainda era um jogo intenso de sedução e proteção. Hoje, tornava-se o cenário do passo mais definitivo e importante da minha vida.Eu ia pedir a minha morena em casamento.O clima na capital estava agradável, e o jardim da propriedade exibia um visual impecável. Eu mesmo fiz questão de organizar a mesa na varanda interna, próxima à adega. Nada de assessores ou funcionários circulando; queria apenas a presença das pessoas que realmente importavam para nós.O Bruno e a Dandara já haviam chegado. Olhar para a Dandara era quase um exercício de pura admiração: grávida de nove meses, com aquele barrigão proeminente que anunciava a chegada iminente do bebê, ela mantinha o mesmo sorriso radiante e acolhedor de sempre.Eu estava
Naya Nogueira Ao sairmos, uma chuva fina caía sobre a cidade. O caminho até o meu apartamento foi marcado por um silêncio bom e elétrico. Rael dirigia com uma mão firme no volante e a outra espalmada na minha coxa, acariciando a carne por cima da seda verde.Assim que a porta do apartamento se fechou atrás de nós, qualquer contenção ruiu. Rael soltou as chaves e me prensou com firmeza contra a madeira da porta. Um gemido baixo escapou da minha garganta enquanto as mãos dele moldavam meu rosto.— Vou fazer você sentir apenas o nosso presente, meu amor — ele prometeu, a voz rouca caindo como um sussurro quente contra a minha pele enquanto descia o corpo por inteiro.Rael não se encaixou de imediato. Ele ajoelhou-se entre as minhas pernas, abrindo-as sem pedir licença e segurando minhas coxas com firmeza. Os olhos azuis dele queimavam com uma fome acumulada por um mês inteiro de abstinência, de puro desespero contido.Ele se inclinou e afundou o rosto no centro da minha intimidade. O p
Naya Nogueira A água morna da piscina de borda infinita parecia abraçar o nosso descanso enquanto o sol se punha sobre a linha dos prédios de São Paulo. O céu tingia-se de tons alaranjados e violetas, e eu estava encostada no peito largo do Rael, sentindo a respiração dele calma contra as minhas costas. Aquele momento no terraço da cobertura, resguardados pela privacidade do nosso refúgio, era a calmaria perfeita antes da tempestade de emoções que a noite traria.— O tempo passa rápido quando estou com você, morena — Rael murmurou ao pé da minha orelha, os braços fortes ao redor da minha cintura, dando um beijo carinhoso no meu ombro molhado.— Passa... — sorri, virando o rosto para encarar os olhos azuis dele. — Mas a noite está só começando. E eu tenho um compromisso com a minha própria liberdade hoje.Ele assentiu em silêncio, um olhar cheio de admiração e proteção. Saímos da piscina quando as primeiras luzes da cidade começaram a piscar no horizonte. Tomamos um banho juntos, sem
Rael Sampaio — Eu amo você, meu amor. Mais do que a minha própria vida — sussurrei com a voz rouca, selando nossa união em um último beijo intenso e demorado, sentindo o ápice nos alcançar juntos, em uma onda de calor e alívio absoluto.No final da tarde, o clima quente da capital convidou-nos ao terraço da cobertura. A nossa área externa contava com uma piscina de borda infinita voltada para a vista panorâmica da cidade, resguardada por painéis que garantiam privacidade absoluta.Naya vestiu um biquíni escuro e adentrou a água cristalina. Fiquei alguns minutos a observá-la flutuar de costas, apreciando a fluidez dos seus movimentos e o sorriso sereno que finalmente retornara ao seu rosto. Apanhei duas taças de espumante gelado e caminhei até a margem, submergindo ao seu lado.— Um brinde à nossa tranquilidade, minha linda — declarei, tocando delicadamente a minha taça na dela.— À nossa vida juntos, Rael — ela respondeu, fitando-me com carinho antes de degustar a bebida.Acomodei as







