Mag-log inAcaricio a barriga, sentindo minha menina se movimentar, não consigo imaginar como alguém pode desprezar uma criança antes mesmo de conhecê-la.
— Durante toda a gravidez, imaginei Timothy segurando nossa filha pela primeira vez, acompanhando seus primeiros passos e participando de seu crescimento, agora sei que esses sonhos pertenciam apenas a mim. Não pretendo alimentar ressentimentos, embora esteja profundamente magoada. — Timothy fez suas escolhas, e não posso obrigar ninguém a me amar, quem nunca me desejou. Entretanto, também não permitirei que sua indiferença determine o futuro da nossa filha. — Você será muito amada, minha pequena, talvez não tenha o carinho do seu pai, mas nunca lhe faltará o meu amor. Quando o motorista entra pelos portões da mansão, observo a fachada imponente e os jardins cuidadosamente conservados. — Durante meses, imaginei minha filha crescendo naquele lugar, brincando sobre a grama e descobrindo o mundo cercada pelo carinho dos pais. — Agora, compreendo que uma residência luxuosa não significa necessariamente um lar feliz. — O carro estaciona diante da entrada principal. Agradeço ao motorista e entro na casa, encontrando Mildred, a governanta, organizando algumas flores sobre um aparador. — Ela me cumprimenta educadamente e pergunta se desejo almoçar, pois não esperava meu retorno tão cedo. — Respondi que não estou com fome e que preciso resolver algumas coisas no quarto, agradecendo sua atenção antes de seguir para a escadaria. Subo cuidadosamente, segurando o corrimão, minha barriga já me dificulta em alguns movimentos, e preciso evitar qualquer esforço desnecessário. — Quando chego à suíte que compartilho com Timothy, observo a cama arrumada, os móveis elegantes e os objetos distribuídos pelo ambiente. — Tudo permanece exatamente como estava quando saí naquela manhã, embora eu já não consiga olhar para aquele quarto da mesma maneira. Abro o closet e observo as roupas cuidadosamente organizadas. — Timothy comprou diversos vestidos, sapatos, bolsas e acessórios durante nosso casamento, afirmando que a esposa de um empresário precisava estar adequadamente vestida para acompanhá-lo em compromissos sociais. — Na época, recebi aqueles presentes com gratidão, acreditando que representavam demonstrações de carinho. Agora, não sinto vontade de levar nada do que ele me ofereceu, abri uma das gavetas inferiores e encontrei as roupas que eu trouxe quando vim morar nessa casa. — Conservei meus jeans, minhas blusas de botão, algumas camisetas e outras peças simples que havia comprado com o dinheiro do meu trabalho. — São roupas bem cuidadas, e muitas delas continuam servindo, embora precise aguardar o nascimento da minha filha para voltar a utilizá-las. Retiro uma mala do armário e começo a organizar meus pertences, escolho apenas as roupas que já eram minhas antes do casamento, acrescentando os documentos pessoais, meus certificados acadêmicos e alguns objetos que guardo desde a adolescência. — Não quero joias, bolsas de grife ou presentes caros. Timothy pode ficar com tudo o que comprou. — Entrei nesta casa trazendo minhas roupas e minha dignidade, saio levando apenas o que sempre me pertenceu. Encontrei uma pequena caixa onde guardo fotografias antigas dos meus pais, abri cuidadosamente e retiro uma foto em que aparecemos juntos, numa época em que eu ainda era criança. — Minha mãe está sorrindo, com um dos braços ao redor dos meus ombros, enquanto meu pai permaneceu ao nosso lado. — Observo seus rostos durante alguns segundos, sentindo uma saudade profunda do carinho que recebi durante os primeiros dez anos da minha vida. Depois da morte deles, Dorothy assumiu minha criação e fez tudo o que estava ao seu alcance para que eu tivesse uma infância protegida. — Minha madrinha trabalhava como diarista, enfrentava jornadas cansativas e ainda encontrava disposição para acompanhar meus estudos, preparar nossas refeições e conversar comigo quando eu sentia saudade dos meus pais. —'Foi ela quem permaneceu ao meu lado quando minha vida desmoronou, nunca permitiu que me faltasse carinho, educação e orientação, mesmo quando enfrentamos dificuldades financeiras. Lembro-me de sua alegria quando concluí a faculdade de Administração de Empresas e da esperança que demonstrava ao imaginar que eu conseguiria um bom emprego. Quando Dorothy adoeceu, assumi os serviços de faxina que ela realizava, procurando garantir nosso sustento enquanto buscava recursos para o tratamento. — Foi por amor à mulher que me criou que aceitei a proposta de Timothy. — Não me arrependo de ter garantido a cirurgia que salvou sua vida, mas gostaria de nunca ter permitido que meu marido conquistasse meus sentimentos. — Guardo as fotografias na mala e verifico se estou esquecendo algum documento importante. — Depois, caminho até o quarto preparado para minha filha, onde os móveis brancos, as cortinas delicadas e as roupinhas cuidadosamente organizadas ainda representam os sonhos que construí durante a gravidez. Aproximo-me do berço e acaricio a borda de madeira, recordando a felicidade que senti quando escolhi os primeiros objetos para aquele ambiente. — Passei horas imaginando como seria segurar minha menina na poltrona, alimentar durante a madrugada e acompanhar seu crescimento. — Timothy participou de algumas escolhas, e eu interpretei sua presença como demonstração de interesse pela criança, agora sei que estava enganada. Minha filha não precisa crescer em uma mansão para ser feliz, vai precisar de amor e proteção de pessoas que realmente desejem sua presença. — Abro uma mala menor e começo a retirar as roupinhas guardadas na cômoda, separei macaquinhos, vestidos, camisetas, meias, mantas e fraldas de tecido. — Também recolho pacotes de fraldas descartáveis, toalhas e alguns produtos de higiene que organizei durante as últimas semanas. — Escolho o suficiente para os primeiros cuidados, consciente de que poderei providenciar o restante depois. Entre as roupas, encontrei um pequeno macacão que comprei com meu próprio dinheiro, antes mesmo de saber que esperava uma menina. — Seguro a peça junto ao peito e acaricio minha barriga, sentindo os movimentos delicados da criança. — Nós vamos ter nosso cantinho, meu amor, talvez não seja tão grande quanto este quarto, mas você terá tudo de que precisa. — Sua mãe vai cuidar de você, minha pequena, e nunca permitirá que lhe falte carinho. Antes de sair, observo o quarto mais uma vez, o berço, os móveis e os objetos decorativos permanecem em seus lugares, pois não tenho intenção de levar nada que não seja necessário. — Minha filha poderá dormir num quarto simples, cercada pelo carinho da família que a receberá com amor. Retorno à suíte, verifico as malas e confiro minha bolsa, o telefone está sobre a cama, mostrando uma fotografia de Timothy tirada durante um dos nossos passeios. — Observo seu rosto sorridente por alguns instantes, recordando como me senti feliz quando registramos aquele momento, agora, a imagem provoca uma tristeza que não consigo descrever. — Desligo o aparelho e o guardo na bolsa, não quero receber telefonemas nem mensagens, preciso de silêncio para compreender tudo o que aconteceu e decidir como irei conduzir minha vida daqui por diante.Recostei-me na cadeira e examinei outra fotografia que minha tia encaminha durante nossa conversa. Mérida aparece usando um vestido caro e exibindo o anel de noivado, aparentemente satisfeita com a posição que conquistou ao lado de Boris.— Talvez tenha sido isso mesmo, tia. Nosso relacionamento começou a se desgastar porque Mérida não se contentava com nada. Ela queria roupas caras, viagens, joias e uma vida cada vez mais luxuosa. O problema definitivo surgiu porque exigiu que eu comprasse uma cobertura para ela, e me recusei a realizar aquela compra.— Então você finalmente reconhece o tipo de mulher com quem se envolveu? Porque eu procurei avisá-lo várias vezes, Timothy, mas você nunca quis me ouvir. Agora veja com quem ela está noiva! Boris é mais rico do que você, e tenho certeza de que isso representou uma grande vantagem para Mérida.Observo novamente o rosto do empresário e começo a pensar numa possibilidade que me incomoda.— Será que os dois já estavam se relacionando antes
Essa é a única explicação que encontro para sua atitude. Kalina chegou ao escritório enquanto eu estava com Mérida, provavelmente escutou o que dissemos e descobriu que os documentos do divórcio já estavam preparados. — Não sei exatamente o que ouviu, mas sua decisão de assinar tudo sem conversar comigo demonstra que compreendeu a situação.— Volto a examinar o acordo e verifico as assinaturas mais uma vez, não esperava que a separação acontecesse dessa maneira, principalmente porque imaginei que precisaria explicar a Kalina que nosso casamento por contrato estava chegando ao fim. —Ela poderia chorar, tentar me convencer a continuar casado ou utilizar a gravidez para modificar nossas condições, mas resolveu tudo sozinha.Talvez tenha sido melhor assim, afinal Kalina conhecia o prazo estabelecido no contrato e sabia que, em algum momento, precisaríamos nos divorciar.— Se decidiu antecipar a assinatura, poupou-me uma conversa que certamente seria desagradável.— Pego minha caneta, a
### TIMOTHYQuando saio do quarto de conforto com Mérida, onde estávamos fazendo amor, ela ajeita suas roupas diante do espelho e verifica o horário no celular.— Nossa relação já dura bastante tempo, e estou cansado de precisar encontrá-la às escondidas dentro do meu próprio escritório.— Entretanto, agora que consegui cumprir as exigências dos meus pais para receber a herança, não existe mais motivo para prolongar meu casamento com Kalina. — A gravidez dela garantiu o que eu precisava para concluir meus negócios, e pretendo resolver a questão do divórcio ainda hoje.Mérida recolhe sua bolsa, aproxima-se da minha mesa e confere rapidamente a própria aparência no reflexo de uma das janelas.— Vou sair para almoçar, Timothy, e, quando voltar, trago seu almoço. Você passou a manhã inteira trabalhando e ainda não comeu nada. — Mas não se esqueça do que me prometeu, porque hoje você vai fazer Kalina assinar os documentos do divórcio, não é? Já esperamos tempo suficiente, e quero que f
Mamãe Dorothy interrompe o que está fazendo e me observa com atenção, percebendo que minha expressão mudou desde que cheguei.— O que aconteceu, minha filha? Grażyna está bem? A professora comentou alguma coisa sobre ela?— A professora disse que hoje ela participou das atividades, comeu bem e interagiu com os colegas, mas minha filha acabou de me contar uma coisa muito desagradável. Algumas crianças estão dizendo que ela não tem pai porque foi uma menina malvada e que Timothy foi embora por causa dela. Imagine, mamãe, uma criança de três anos ouvindo essas coisas e começando a acreditar que é responsável pelo abandono do próprio pai!Mamãe Dorothy demonstra indignação, e sua expressão se transforma enquanto explico o restante da conversa que tive com Grażyna dentro do carro. Conto que minha filha chegou a perguntar se havia feito alguma coisa errada e que aparentemente tentou procurar uma professora, mas não recebeu a atenção de que precisava.— Isso é um absurdo, minha filha! Uma cr
Agradeço pelas informações e aguardo enquanto a professora chama minha filha. Grażyna aparece carregando sua pequena mochila e se aproxima de mim com os braços estendidos. Abaixo-me para recebê-la, dou-lhe um beijo e ajeito delicadamente seus cabelos, satisfeita por finalmente tê-la comigo depois de um dia tão movimentado.— Minha princesinha, você gostou da escolinha hoje? A professora me contou que você comeu direitinho, fez todas as atividades e brincou com seus coleguinhas.Grażyna segura minha mão e responde com um sorriso discreto.— Sim mamãe, gostei. Hoje a gente brincou bastante, e eu fiz um desenho para a senhora.— Que maravilha, minha filha! Quero ver esse desenho quando chegarmos em casa. Agora vamos embora porque a vovó está preparando um jantar gostoso para nós, e ainda precisamos organizar suas coisinhas.Acompanho minha filha até o carro, acomodo-a cuidadosamente na cadeirinha e verifico se o cinto de segurança está ajustado corretamente. Depois de guardar sua mochila
Continuo guardando os mantimentos enquanto mamãe retoma os preparativos do jantar, a cozinha é pequena, por isso precisamos organizar nossos movimentos para não esbarrarmos uma na outra. — Estamos acostumadas com o espaço e conseguimos manter tudo em ordem, mas não posso evitar imaginar como será bom ter uma cozinha maior, onde possamos preparar as refeições sem disputar cada centímetro da bancada.— Mamãe Dorothy coloca uma panela sobre o fogão e muda discretamente de assunto.— Minha filha, Mildred, me telefonou hoje, você sabe o que aconteceu com Timothy?Interrompo por alguns segundos a organização das compras e olho para ela, surpresa por ouvir o nome do meu ex-marido depois de tanto tempo.— Não, mamãe, não sei, Timothy nunca procurou saber de mim nem da nossa filha, por isso também não tenho interesse em acompanhar a vida dele, o que aconteceu?— Mildred me contou que ele encontrou os papéis do divórcio depois que você foi embora e descobriu que já estavam assinados. — Pelo q







