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Capítulo 5: O Cartão Sem Limites

ผู้เขียน: Sally Skellington
last update วันที่เผยแพร่: 2026-04-07 22:06:00

 

Clara acordou com a luz radiante do sol batendo diretamente em seu rosto, algo que absolutamente nunca acontecia no quarto de hóspedes voltado para a ala sul da mansão. Mas hoje, ela não estava no quarto de hóspedes. Hoje, ela acordara na suíte master, ocupando o centro exato da cama king size de Ricardo, cercada por lençóis de seda preta que cheiravam a sândalo caríssimo e à permanente ausência do marido.

Ao lado dela, sobre o tampo de mármore do criado-mudo, repousava um prato de porcelana com migalhas do bolo de chocolate belga e uma taça de cristal com um resto de champanhe sem gás. O café da manhã dos condenados à morte.

Ela se espreguiçou na cama imensa, sentindo uma dor aguda e pulsante na base do crânio — um lembrete biológico e impiedoso de que seu tempo estava correndo em uma velocidade assustadora. Seu relógio interno já não tiquetaqueava mais para planos de maternidade ou aniversários futuros; marcava apenas o caminho sem volta para o fim.

— Oitenta e nove dias — ela sussurrou para o teto alto e trabalhado em gesso.

Clara levantou-se com lentidão e caminhou com os pés descalços até o closet de Ricardo. O espaço era gigantesco, impecavelmente organizado por tonalidades e estações, repleto de ternos italianos feitos sob medida que custavam, cada um, mais do que a educação universitária inteira de uma pessoa comum. Do outro lado da imensa sala de vestir, ficava o espaço destinado a ela: uma fileira triste e monótona de vestidos em tons de bege, cinza-claro e branco. Roupas perfeitas para uma "esposa troféu" discreta, submissa, elegante e completamente desprovida de vida.

Clara passou a mão lentamente pelos tecidos neutros. Ela descobriu naquele instante que odiava o bege. O bege era a cor da submissão, do silêncio e do apagamento.

— Lixo — declarou ela, puxando um vestido de linho cru do cabide com violência e arremessando-o no chão. — Lixo. Lixo. Tudo lixo.

Em um acesso de fúria metódica e libertadora, Clara começou a arrancar todas as roupas do armário. Vestidos de gala estruturados, tailleurs sóbrios usados em chás beneficentes da sogra, camisolas de algodão puritano. Tudo foi lançado com desprezo ao chão, formando uma montanha cinzenta de tecido morto bem no meio do closet.

Quando o armário ficou completamente vazio, ela tirou o robê e ficou inteiramente nua diante do espelho de corpo inteiro. Seu corpo era magro, com pele clara, mas ainda muito jovem. As curvas naturais estavam ali, perfeitas, apenas escondidas por baixo de camadas e mais camadas de falso decoro.

Ela caminhou até o cofre de alta segurança embutido na parede de madeira. A senha era a data do casamento deles. Patético. Ricardo nem sequer se dera ao trabalho de criar um código complexo.

Dentro da caixa de aço, além de maços de notas, passaportes e documentos da empresa, brilhava como uma promessa de vingança o cartão de crédito Black Centurion de Ricardo. O cartão de titânio sem limites. O instrumento financeiro que ele usava para comprar startups, jatos privados, imóveis e o silêncio das pessoas.

Clara pegou o cartão. O metal era frio, denso e pesado contra a sua pele.

— Vamos ver o quanto a sua imagem vale, Ricardo... — murmurou ela, um sorriso sombrio e perigoso curvando seus lábios.

Duas horas mais tarde, Clara desceu do banco traseiro de um Uber Black na entrada principal do shopping mais exclusivo da cidade, o Cidade Jardim. Ela usava um jeans antigo e uma camiseta branca simples — a única combinação neutra que salvara do expurgo no closet.

Ao passar pelas portas de vidro temperado e entrar na boutique da Dior, as vendedoras no salão a olharam de cima a baixo com aquele desdém treinado das marcas de luxo, avaliando suas roupas simples e julgando imediatamente que ela não teria condições de comprar sequer um chaveiro da loja.

— Posso ajudar em algo? — perguntou uma vendedora de lábios delineados, posicionando-se de forma a bloquear sutilmente a entrada para a seção de alta costura. — A nossa coleção com preços promocionais da estação passada fica no andar de baixo.

Clara nem sequer se deu ao trabalho de responder. Ela passou direto pela mulher e caminhou a passos firmes até um manequim no centro do salão que exibia um vestido vermelho-sangue, feito em seda pura, com uma fenda ousada que subia até a coxa e um decote profundo nas costas que era um convite direto ao pecado.

— Eu quero esse — disse Clara, com a voz firme. — E quero aquele preto de lantejoulas da vitrine principal. E os sapatos de sola vermelha do mostruário.

A vendedora soltou uma risadinha anasalada e debochada.

— Senhora, essas peças são da coleção exclusiva de alta costura. Apenas este vestido vermelho custa trinta mil reais. Talvez a senhora prefira dar uma olhada na linha...

Antes que a mulher terminasse a frase, Clara sacou o cartão Black Centurion de titânio do bolso traseiro da calça jeans e o segurou entre dois dedos, como se empunhasse uma arma carregada.

O brilho fosco do titânio preto com o logotipo do emissor exclusivo fez os olhos da vendedora se arregalarem em choque. O tom de desdém desapareceu no mesmo segundo, sendo substituído por uma ganância servil e desesperada.

— Ah... me perdoe, Sra. Albuquerque! Não a reconheci imediatamente! — gaguejou a funcionária, curvando-se levemente enquanto lia o sobrenome gravado em relevo no cartão. — Por favor, me acompanhe até o lounge VIP! Aceita uma taça de champanhe francês? Água Perrier?

— Champanhe — ordenou Clara, acomodando-se na poltrona de veludo do espaço reservado. — E traga absolutamente tudo o que tiver no meu tamanho em tons de vermelho, preto e dourado. Nada de bege. Se eu vir uma única peça bege nesta arara, eu me levanto agora mesmo e levo toda a comissão da minha compra para a Chanel do outro lado do corredor.

Nas quatro horas seguintes, Clara não comprou simplesmente roupas; ela financiou o nascimento de uma nova identidade. Vestidos sob medida que abraçavam e desenhavam cada curva do seu corpo, lingeries de renda francesa que custavam o equivalente a um carro popular zero-quilômetro, sapatos que pareciam obras de arte arquitetônicas.

Ela gastou duzentos mil reais em uma única tarde.

Quando finalmente saiu da boutique vestindo o vestido vermelho-sangue e os saltos agulha, deixando suas roupas antigas e a camiseta jeans jogadas na lixeira do provador VIP, ela já não era mais a esposa invisível e insegura que todos conheciam. Homens que passavam pelo corredor paravam para olhá-la. Mulheres cochichavam atrás das bolsas. Ela emanava poder, beleza e perigo puro.

O celular novinho em folha vibrou no interior da bolsa de couro recém-comprada. Era uma notificação automática do aplicativo do banco informando o débito da última compra. Mas ainda não havia nenhuma mensagem ou ligação de Ricardo. Ele provavelmente havia silenciado os alertas no celular para valores que considerava "pequenos" ou irrelevantes.

Clara parou diante da vitrine de uma loja de espelhos e olhou para o próprio reflexo. Aquela mulher de lábios vermelhos e olhar ardente tinha sido sufocada por três anos em um casamento frio, com um homem que a tratava como um móvel e a privava de qualquer afeto, toque ou desejo.

Um riso baixo e amargo escapou de seus lábios.

— Quer saber? Foda-se ele — murmurou Clara para o espelho, ajustando o decote do vestido vermelho. — Foda-se o dinheiro dele, a reputação dele e a aprovação dele. Se eu tenho apenas oitenta e nove dias de vida, eu vou descobrir exatamente o prazer que ele me negou por todos esses anos.

Clara caminhou em direção à saída do shopping, acenou para um táxi na calçada e deu o endereço do bairro decadente no centro da cidade, pronta para usar o cartão do marido e comprar a noite de prazer mais selvagem e proibida da sua vida.

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