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A guerra de balões

ผู้เขียน: G. Rodrigues
last update วันที่เผยแพร่: 2025-12-11 00:50:11

O responsável assistente, Minjae, chegou da empresa com a postura de um general que havia sido convocado às pressas para conter um motim. A porta do quarto de Clara estava aberta, e ele parou no batente como quem acabara de testemunhar um cenário de guerra.

Josefina e Clara completamente encharcadas, ofegantes e cobertas de tinta.

O olhar dele percorreu a cena lentamente, como se fizesse um cálculo do prejuízo por centímetro quadrado: tinta espalhada pelas paredes, balões estourados, papéis rasgados, tapete e cortinas molhadas… e ambas ofegantes, encharcadas e cobertas de tinta com aquela brincadeira.

Em doze anos trabalhando para o senhor John, Minjae, nunca tinha presenciado algo parecido.

— Não basta ela ter perdido aula! — Ele declarou, com a seriedade de quem anuncia uma sentença.

Josefina engoliu seco.

Clara levantou o braço, pronta para falar e jogar toda culpa na babá.

Mas antes que qualquer uma pudesse dizer uma palavra, ele ergueu a mão.

— Silêncio. Vocês vão me ouvir caladas!

A palavra cortou o ar como uma espada. Clara engoliu o protesto. Josefina murchou os ombros.

Ele as encarava como se a situação fosse um desastre sem precedentes, e ambas estavam prontas para receber o veredicto.

— Isso é inadmissível. — Continuou, irritantemente sereno, o tipo de calma que obrigava qualquer um a se arrepender preventivamente.

Ele encarou Josefina, e seu olhar apertado era quase um: “no meu turno não”.

— Senhorita Abrantes… você é adulta. A-DUL-TA. — Ele falou separando as sílabas, devagar para ver se ela compreendia. — Você deveria dar o exemplo. Cometeu não uma, nem duas... mas três infrações graves nesta casa! — Disse visivelmente aborrecido, erguendo três dedos, como se fosse uma placa de multa. 

Passou a andar de um lado para o outro, refletindo. 

— Primeiro: Clara não foi à escola por incompetência da babá.

Ele continuou.

— Segundo: destruição do quarto. — Ele apontou ao redor. — Parece que aqui dentro ocorreu um golpe de estado infantil com munição colorida. Sem contar que a babá não se conteve, nem conseguiu manter a ordem e disciplina do ambiente. 

Josefina respirou fundo, tentando não rir.

— Terceiro: vocês quase provocaram um curto no sistema de climatização com essa água toda. Se eu disser isso ao senhor Hyun, ele volta de viagem na mesma hora.

Ele pressionou a testa, como se calculasse a dor de cabeça futura.

— Como castigo, vocês vão limpar tudo. E — olhou para Josefina — você vai repor o conteúdo que a menina perdeu da aula. Sem reclamar. Quando eu voltar, quero este quarto impecável. Entendido? 

Foi exatamente nesse momento que o celular de Josefina vibrou. Ela mal ergueu a mão, e Minjae arrancou o aparelho como um juiz apreendendo prova ilegal.

— Vou ficar com isso, até segunda ordem. 

— É minha família, preciso dizer que estou bem! — Ela protestou.

— Sem distrações. — Ele sussurrou, virando-se. 

O celular tocou outra vez. Ele atendeu com um sorriso falso de atendimento ao cliente.

— Olá, ela trabalha. Está bem. — Respondeu, com o pouco que sabia de português.

 Era uma videochamada, então virou a câmera para Josefina — coberta de tinta, cabelos grudados, olhos arregalados, forçando um sorriso — como se exibisse um espécime raro. Ela tentou falar, mas Minjae desligou antes.

— Pronto. Resolvido — disse, guardando o celular no bolso como item confiscado.

Josefina sussurrou, indignada:

— Isso é o cúmulo… por que não me demitiu logo?

Ele lançou um meio sorriso pretensioso e saiu do quarto.

Clara a observava de sobrancelhas erguidas, após piscou para a babá, boquiaberta, como quem ainda tentava entender:

'Como assim? Por que ela não foi demitida?'

A pergunta pairou no ar como um perfume de mistério, ao tentar recapturar o que aconteceu naquela manhã.

[Continua...]

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