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Passarinho Verde

last update publish date: 2026-08-28 10:08:06

Janaína

​Da janela do quarto, observo a chuva dar uma trégua e suspiro aliviada.

​Possivelmente o Diego aguardou a tempestade passar antes de vir até a fazenda. Enquanto fico ali plantada, meu coração batuca como se fosse um tambor de boi-bumbá. Repito para mim mesma pela milésima vez: ele vem só entregar o presente da mãe, nada mais.

​Porém, a minha própria mente resolveu me boicotar. Não consigo esquecer aquele peito desnudo, repleto de tatuagens espalhadas. Sem controlar o impulso, me pego
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  • A Fotógrafa e o Fazendeiro: O Garanhão No Laço    Sacrifício

    Jackson ( Um dia antes...)Lá venho eu, direto do Maranhão: o filho mais novo da dona Joana. Em tese, estou desembarcando com a importante e oficialíssima missão de vigiar a minha irmã Janaína. É isso que a minha mãe pensa, claro.​Enquanto a sargentona rega as pimenteiras, joga milho para as galinhas e manda na vida do meu pobre pai, eu assumi o "sacrifício" de viajar até a Ilha de Marajó, mais especificamente Soure.Claro que eu estava morrendo de saudade da minha irmã... Mentira! A minha verdadeira motivação atende pelo nome de Lene.​O plano é perfeito: fingir para a mamãe que estou vigiando a Janaína enquanto saio, finalmente, do status de amigo à distância e conquisto o coração da minha musa inspiradora.​Assim que desembarco, o sol de Soure me recebe em cheio. Abro um sorriso de orelha a orelha ao lembrar de quantas férias passei aqui. A cidade se enche de cor e animação, exatamente como eu lembrava. É a minha época favorita do ano. E o melhor de tudo: é a época de reencontr

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    JanaínaO trajeto de volta para a fazenda na caminhonete do Diego foi marcado por um silêncio quase absoluto, interrompido apenas pelo ronco do motor na estrada de terra e uma música sertaneja ao som ambiente. Eu tentando digerir a surrealidade da noite, muito curiosa por saber a verdade sobre a vinda de meu irmão a Soure.Mais tarde, já na fazenda, quando fico finalmente a sós com o Jackson na sala, volto a dar pressão:​— Jackson, tem certeza de que não veio me vigiar?​— Eu?! — Ele dá de ombros, jogando a mochila no chão e seguindo para a sala — Que absurdo!Eu apresso os passos até passar à frente dele e o confronto. ​— Eu te conheço! Tuas orelhas ficam vermelhas quando mente. Se não falar a verdade agora, vou ligar pra a mamãe e perguntar que dia você saiu do Maranhão!​Ele bufa, derrotado, e passa a mão pelo rosto num gesto teatral:​— Tá bom, tá bom! Vou falar a verdade: foi a mamãe mesmo! Ela acha que tu e a Jane estão mentindo pra ela, mas, como sei que é exagero da cabeç

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    Antes que o Diego se desculpe pelo comentário um tantinho constrangedor sobre o "cabeça de jaca do meu irmão", me aproximo do casal.​Cruzo os braços, começo a balançar o pé impacientemente e fecho a cara. O que o Jackson está fazendo em Soure? ​Para variar, ele está totalmente distraído. Como sempre acontece, parece hipnotizado pela Lene, beijando-a no cangote, todo assanhado.​Diego chega junto, ofegante:​— Janaína, deixa os dois!​Finjo que nem escuto. Sigo focada no meu irmão. Como ele aparece assim, do nada? Aí tem!​Para acabar com aquele showzinho particular, faço questão de pigarrear bem alto.​Jackson desperta no mesmo segundo. Os olhos dele saltam ao me avistar. Pego no flagra! E, como se o destino conspirasse para o circo pegar fogo, ele nem tem tempo de sumir na multidão: no susto, ele mete um pisaço desastroso bem no pé da Lene.​A garota solta um grito tão alto que dá para ouvir a quilômetros de distância. Jackson entra em pavor absoluto.​— Oh, não! — gemo de desgost

  • A Fotógrafa e o Fazendeiro: O Garanhão No Laço    Depois do I Love You

    Janaína Depois do nosso momento “I Love You” épico, com o pedido de casamento mais do que esperado, fomos, enfim, curtir as apresentações das festas juninas na praça principal de Soure.No caminho, tento contar a novidade pra Lene, mas o celular dela está o tempo todo desligado. — A Lene sumiu. — bufo, frustrada.— Não é novidade. — Diego alivia. — A garota é maluca. — Mas sem me dizer nada? Desde ontem que não falo com ela...Diego, de olho na estrada, me tranquiliza.— Ela faz muito isso. A mãe dela vive reclamando. Deve estar com algum namorado novo.Fico tensa. Ainda que fosse verdade, por que o sumiço?— É, pode ser, mas será que depois podemos passar no hotel?— Claro. Vamos sim.Minutos depois chegamos na praça movimentada pelas festas juninas que é um evento tradicional durante todo o mês de junho com muitas apresentações folclóricas.​Suspiro de nostalgia e encanto.Como é lindo ver a meninada correndo e brincando com bombinhas, assustando os mais distraídos, enquanto ou

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    Janaína Saímos da fazenda à noite com a intenção de assistir às festas juninas no Centro de Soure. No entanto, para a minha surpresa, o Diego fez um desvio estratégico no meio do caminho. Nada demais. Ele queria nos levar para apreciar a lua e as estrelas do alto de uma colina.​O brilho do luar ilumina nossos rostos, criando uma atmosfera mágica. Ele pensou em tudo: estendeu uma toalha acolchoada na parte de trás da caminhonete, pegou vinho, chocolates e alguns petiscos, me erguendo em seguida para entrar no nosso "aconchego".​Ele age como um verdadeiro cavalheiro e, de certa forma, nem sei se isso me agrada totalmente. Prefiro o Diego de ontem, avassalador e safado. Enfim, estou curiosa para ver até onde vai a resistência dele.​Enquanto degustamos a bebida, conversamos sobre as nossas carreiras, mas os nossos olhos se cruzam com mais evidência conforme as taças vão esvaziando. Tudo fica mais sugestivo quando pego um chocolate e o aproximo da minha boca bem devagar. O Diego ma

  • A Fotógrafa e o Fazendeiro: O Garanhão No Laço    Até os Búfalos...

    DiegoDesprendo-me de Janaína com uma relutância que chega a dar dor física. Saio a passos largos em direção ao carro, de cabeça erguida e sem olhar para trás, porque sei que, se girar o pescoço um milímetro que seja, mando a compostura para o espaço e volto correndo para aquele abraço.​Tudo o que eu mais queria era não sentir esse vazio miserável a cada despedida e, principalmente, livrar-me deste comichão insuportável entre as pernas pedindo um alívio completo. É inacreditável: por amor, e pela primeira vez em toda a minha existência, estou conseguindo suprimir o fogo acumulado que sempre tive de sobra. "Quem te viu e quem te vê, Diego..."​Entro no carro e dou a partida. Ao ajustar o retrovisor interno, não dou conta de evitar: vejo minha amada em pé na varanda, naquela camisola cor-de-rosa terrivelmente fina, voltando devagar para dentro do casarão. Engulo em seco. A voz trovejante do padre Bello volta a martelar na minha cabeça sem piedade: “E se ela voltar para Barreirinhas

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