LOGINJackson ( Um dia antes...)Lá venho eu, direto do Maranhão: o filho mais novo da dona Joana. Em tese, estou desembarcando com a importante e oficialíssima missão de vigiar a minha irmã Janaína. É isso que a minha mãe pensa, claro.Enquanto a sargentona rega as pimenteiras, joga milho para as galinhas e manda na vida do meu pobre pai, eu assumi o "sacrifício" de viajar até a Ilha de Marajó, mais especificamente Soure.Claro que eu estava morrendo de saudade da minha irmã... Mentira! A minha verdadeira motivação atende pelo nome de Lene.O plano é perfeito: fingir para a mamãe que estou vigiando a Janaína enquanto saio, finalmente, do status de amigo à distância e conquisto o coração da minha musa inspiradora.Assim que desembarco, o sol de Soure me recebe em cheio. Abro um sorriso de orelha a orelha ao lembrar de quantas férias passei aqui. A cidade se enche de cor e animação, exatamente como eu lembrava. É a minha época favorita do ano. E o melhor de tudo: é a época de reencontr
JanaínaO trajeto de volta para a fazenda na caminhonete do Diego foi marcado por um silêncio quase absoluto, interrompido apenas pelo ronco do motor na estrada de terra e uma música sertaneja ao som ambiente. Eu tentando digerir a surrealidade da noite, muito curiosa por saber a verdade sobre a vinda de meu irmão a Soure.Mais tarde, já na fazenda, quando fico finalmente a sós com o Jackson na sala, volto a dar pressão:— Jackson, tem certeza de que não veio me vigiar?— Eu?! — Ele dá de ombros, jogando a mochila no chão e seguindo para a sala — Que absurdo!Eu apresso os passos até passar à frente dele e o confronto. — Eu te conheço! Tuas orelhas ficam vermelhas quando mente. Se não falar a verdade agora, vou ligar pra a mamãe e perguntar que dia você saiu do Maranhão!Ele bufa, derrotado, e passa a mão pelo rosto num gesto teatral:— Tá bom, tá bom! Vou falar a verdade: foi a mamãe mesmo! Ela acha que tu e a Jane estão mentindo pra ela, mas, como sei que é exagero da cabeç
Antes que o Diego se desculpe pelo comentário um tantinho constrangedor sobre o "cabeça de jaca do meu irmão", me aproximo do casal.Cruzo os braços, começo a balançar o pé impacientemente e fecho a cara. O que o Jackson está fazendo em Soure? Para variar, ele está totalmente distraído. Como sempre acontece, parece hipnotizado pela Lene, beijando-a no cangote, todo assanhado.Diego chega junto, ofegante:— Janaína, deixa os dois!Finjo que nem escuto. Sigo focada no meu irmão. Como ele aparece assim, do nada? Aí tem!Para acabar com aquele showzinho particular, faço questão de pigarrear bem alto.Jackson desperta no mesmo segundo. Os olhos dele saltam ao me avistar. Pego no flagra! E, como se o destino conspirasse para o circo pegar fogo, ele nem tem tempo de sumir na multidão: no susto, ele mete um pisaço desastroso bem no pé da Lene.A garota solta um grito tão alto que dá para ouvir a quilômetros de distância. Jackson entra em pavor absoluto.— Oh, não! — gemo de desgost
Janaína Depois do nosso momento “I Love You” épico, com o pedido de casamento mais do que esperado, fomos, enfim, curtir as apresentações das festas juninas na praça principal de Soure.No caminho, tento contar a novidade pra Lene, mas o celular dela está o tempo todo desligado. — A Lene sumiu. — bufo, frustrada.— Não é novidade. — Diego alivia. — A garota é maluca. — Mas sem me dizer nada? Desde ontem que não falo com ela...Diego, de olho na estrada, me tranquiliza.— Ela faz muito isso. A mãe dela vive reclamando. Deve estar com algum namorado novo.Fico tensa. Ainda que fosse verdade, por que o sumiço?— É, pode ser, mas será que depois podemos passar no hotel?— Claro. Vamos sim.Minutos depois chegamos na praça movimentada pelas festas juninas que é um evento tradicional durante todo o mês de junho com muitas apresentações folclóricas.Suspiro de nostalgia e encanto.Como é lindo ver a meninada correndo e brincando com bombinhas, assustando os mais distraídos, enquanto ou
Janaína Saímos da fazenda à noite com a intenção de assistir às festas juninas no Centro de Soure. No entanto, para a minha surpresa, o Diego fez um desvio estratégico no meio do caminho. Nada demais. Ele queria nos levar para apreciar a lua e as estrelas do alto de uma colina.O brilho do luar ilumina nossos rostos, criando uma atmosfera mágica. Ele pensou em tudo: estendeu uma toalha acolchoada na parte de trás da caminhonete, pegou vinho, chocolates e alguns petiscos, me erguendo em seguida para entrar no nosso "aconchego".Ele age como um verdadeiro cavalheiro e, de certa forma, nem sei se isso me agrada totalmente. Prefiro o Diego de ontem, avassalador e safado. Enfim, estou curiosa para ver até onde vai a resistência dele.Enquanto degustamos a bebida, conversamos sobre as nossas carreiras, mas os nossos olhos se cruzam com mais evidência conforme as taças vão esvaziando. Tudo fica mais sugestivo quando pego um chocolate e o aproximo da minha boca bem devagar. O Diego ma
DiegoDesprendo-me de Janaína com uma relutância que chega a dar dor física. Saio a passos largos em direção ao carro, de cabeça erguida e sem olhar para trás, porque sei que, se girar o pescoço um milímetro que seja, mando a compostura para o espaço e volto correndo para aquele abraço.Tudo o que eu mais queria era não sentir esse vazio miserável a cada despedida e, principalmente, livrar-me deste comichão insuportável entre as pernas pedindo um alívio completo. É inacreditável: por amor, e pela primeira vez em toda a minha existência, estou conseguindo suprimir o fogo acumulado que sempre tive de sobra. "Quem te viu e quem te vê, Diego..."Entro no carro e dou a partida. Ao ajustar o retrovisor interno, não dou conta de evitar: vejo minha amada em pé na varanda, naquela camisola cor-de-rosa terrivelmente fina, voltando devagar para dentro do casarão. Engulo em seco. A voz trovejante do padre Bello volta a martelar na minha cabeça sem piedade: “E se ela voltar para Barreirinhas







