LOGINMinha sogra fez um banquete e me acabei no cozido de carne de porco. Não deu outra: me joguei numa rede e em poucos minutos, caí num sono pesado. Tão pesado que me vejo dentro de um sonho sem pé nem cabeça. O lugar é um auditório e estou entrevistando um... Ai, meu Deus! Um búfalo!Eu: Genteeeee! Estou até emocionada aqui, é sério. Estamos aqui com o delegado Búfalo Gil que faz parte da bufalaria de Soure. É uma honra, recebê-lo aqui e sem mais delongas, me diga, Búfalo Gil, é verdade mesmo que você sabe de coisas que até o Divino duvida? Búfalo Gil (Rindo.): É, sabe como é. Tenho minhas fontes: um parceiro búfalo aqui, uma abelha ou camaleão ali, ou quem sabe até uma coruja!Eu: Céus! Isso é incrível! Conta mais... Estamos doidos pra saber tudooooo!Búfalo Gil: Ah, é fácil. Vou começar pela chata da Glaucia, lembra dela? No dia do casamento de vocês até que ela tentou atrapalhar de novo, mas adivinha? A bicha foi presa. O noivo descobriu que ela anda metendo a mão no dinheiro
Janaína ( Duas horas antes...)— Mais uma vez, obrigada pelos presentes, Jane. Nós duas no abraçamos. Depois ela folga os braços, me encara e pergunta:— Onde vai ser o quarto do Asafe? Aqui no hotel?A pergunta me pega em cheio. Não tenho respostas para isso no momento. Eu preferia que não. — Ah, ainda não decidimos... Tem a casa da Vera aqui na fazenda e a do Centro...Jane comprime os lábios. É como se ela desejasse dar um sermão, mas preferiu aliviar na língua de chicote.— É, ainda é cedo, mas acho bom tomarem uma decisão definitiva sobre isso. Vão ter filhos e precisam ter o lar de vocês. Apenas assinto, sem ter o que dizer. Ela olha para o relógio e me dá um beijo na bochecha. — Já vou, querida! Se quiser almoçar comigo...— Deixa pra próxima. Minha sogra vai preparar um cozido de carne de porco e tô doida pra provar.Jane faz uma careta.— O meu é melhor, mas tudo bem. Próxima semana, hein? Tchau, meu amor.Assim que me despeço de Jane, subo para o quarto e quando e
DiegoOs passeios com os hóspedes têm sido terapêuticos. Fico satisfeito com a reação de apreço deles pela terra que tanto amo. Tudo é novidade: as praias, os mangues, os búfalos, a culinária, o artesanato, sem falar nas pessoas que são acolhedoras. Por isso, quando tenho espaço na agenda, faço questão de eu mesmo mostrar com entusiasmo as nossas riquezas naturais.Hoje, porém, senti falta da minha esposa, que me acompanha na jornada e aproveita para fazer belíssimos ensaios fotográficos.O imprevisto da chegada de Jane com os presentes mudou o rumo do passeio e do que eu planejava fazer.Tudo bem. Aproveitei para dar uns telefonemas, enquanto os hóspedes foram aproveitando um banho na praia ou um passeio com os búfalos. O teor da conversa ao telefone faz parte da bela surpresa que estou preparando a ela. Olho para os documentos que me foram enviados e fico satisfeito com o que vejo. Avalio a minha atual situação junto ao hotel e penso em contratar mais funcionários para que
Um dia depois do emocionante chá de revelação, estou admirada que no cantar dos galos, já tem uma mensagem de Jane avisando que vem me visitar.Ponho o celular na mesa e de repente meu apetite se esvai.Um pensamento maluco se instala na minha mente: Jane brigou com Miguel?Diego, que termina de tomar o café uni as sobrancelhas, preocupado:— Que cara é essa, amor? Está se sentindo enjoada?Eita que ouço tanto essa frase nesses últimos dias! Ainda bem que não sinto enjoo e posso comer o que eu quiser. — A Jane tá vindo aqui... Não é estranho? Será que ela e Miguel...Ele suspira aliviado e libera aquele sorriso torto de ironia, que é típico dele.— Nada! Ontem saíram daqui no maior chamego. Deve ter outro motivo especial. — Tomara que seja um motivo bom.Tento não ficar ansiosa e disfarço, tomando um gole do café. Não demora muito ouço a buzina do carto dela.— Chegou! Rápido, sigo para a varanda do hotel, no mesmo instante em que Jane salta do seu carro e me chama, toda empolgad
JanaínaDe repente, uma nuvem densa, vibrante e radiante de fumaça azul sobe rasgando o céu, espalhando-se no ar e tingindo todo o gramado da Fazenda Magalhães de azul-turquesa!A reação foi imediata, barulhenta e explosiva!Meus olhos ardem de emoção pura. Imediatamente o Diego me enlaça em seus braços e me gira com uma leveza inacreditável, me levantando do chão enquanto nós dois rimos e choramos juntos, inundados por uma onda de felicidade inegável.— Meu Deus, Janaína... É um menino! Nós vamos ter um menino! — Diego repete, rindo alto contra o meu pescoço, com a respiração acelerada.— Sim, meu amor! O nosso meninão! — respondo, com as mãos atadas ao redor do pescoço dele com uma alegria que não cabe em mim de tão grande.Assim que ele me põe no chão é inevitável o nosso beijo profundo, cheio de amor e cumplicidade, enquanto os aplausos, os gritos festivos e os rojões da nossa família ecoam pelos campos da fazenda. Desejamos selar este momento com os nossos corpos, nossa alegr
JanaínaFecho o baú do avô de Diego e suspiro, mais uma vez com lágrimas banhando a minha face.Tal qual o meu marido, Saturnino Magalhães era um homem extremamente apaixonado. Pelas cartas, dava para sentir o quanto o amor entre ele e a esposa Mariana era profundo, embora tenham enfrentado muitos percalços. A avó do Diego teve muita dificuldade para ter filhos, até que nasceu um milagre para o casal: João Magalhães, o pai de Diego. Nas cartas, era possível ver também o quanto Saturnino era bem-humorado, adorava dançar com a esposa e tinha uma habilidade invejável para movimentar os negócios da fazenda.Enxugo as lágrimas e, para esconder as olheiras da emoção, capricho um pouco na maquiagem. Afinal, a herança daquele legado familiar lindo vai direto ao encontro da nossa maior alegria: o grande dia do nosso chá de revelação.A porta do quarto se abre de supetão e o meu marido estica o pescoço. Pelo reflexo do espelho, ele passeia os olhos pelo meu vestido branco longo, soltinho







