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1.3

Penulis: Totomo Injobua
last update Tanggal publikasi: 2026-09-05 15:17:13

A entrevista durou quarenta minutos.

Quarenta minutos de perguntas afiadas, respostas ensaiadas e aquele olhar penetrante me analisando a cada palavra. Dante Moretti não era um entrevistador comum. Ele não se contentava com respostas superficiais. Ele queria detalhes, exemplos, provas de que eu era capaz.

E eu dei tudo de mim.

Falei sobre minha formação em administração, sobre meus anos de experiência como assistente em São Paulo, sobre minha fluência em português, inglês e espanhol. Falei sobre minha capacidade de organização, minha discrição, minha determinação.

E, para meu alívio, ele pareceu genuinamente impressionado.

— Você tem um currículo sólido — admitiu ele, folheando os documentos encharcados que eu havia tirado da pasta. — Melhor do que a maioria.

— Obrigada — respondi, tentando não sorrir.

— Mas há a questão do seu... temperamento.

Senti o sorriso morrer nos meus lábios.

— Eu não costumo xingar estranhos na rua — defendi-me. — O senhor... o senhor provocou uma reação extrema.

— E se um cliente me provocar? Você o xingará também?

— Claro que não. Eu sei separar as coisas.

— Hmm.

Ele me estudou por um longo momento. Eu sustentei o olhar, recusando-me a desviar. Podia estar encharcada, humilhada e com os sapatos destruídos, mas não ia deixá-lo me intimidar.

— O contrato será de período de experiência de três meses — disse ele finalmente, fechando a pasta. — Começa amanhã às oito. Se chegar atrasada, nem se dê ao trabalho de aparecer.

Pisquei, sem acreditar.

— Eu... eu fui contratada?

— Temporariamente — enfatizou ele. — Ainda não decidi se você serve para o cargo. Considere os próximos três meses um teste. Um longo, exaustivo e provavelmente frustrante teste.

Eu queria pular da cadeira e gritar de alegria. Queria agradecê-lo, apertar sua mão, fazer qualquer coisa que demonstrasse minha gratidão. Mas contive-me.

— Entendido — disse, assentindo. — Não vou decepcioná-lo.

Ele sorriu aquele sorriso novamente. O sorriso que não era de deboche, mas de algo mais.

— Veremos, senhorita Rossi. Veremos.

Levantei-me, pronta para sair, quando a voz dele me deteve.

— Senhorita Rossi.

Virei-me.

— Sim?

— Da próxima vez que me chamar de corno — disse ele, os olhos brilhando com perigo —, certifique-se de que está pronta para as consequências.

Senti um arrepio percorrer minha espinha.

E não era de frio.

— Entendido — sussurrei, sentindo o rosto queimar.

— Pode ir.

Saí do escritório com as pernas tremendo. Amanda me deu um sorriso simpático e me acompanhou até o elevador. Eu mal conseguia processar o que tinha acontecido.

Eu tinha sido contratada.

Por Dante Moretti.

O homem que me encharcou com o carro, que eu xinguei de corno, que parecia odiar tudo em mim... tinha me dado o emprego.

O que eu tinha acabado de fazer?

---

O apartamento que eu dividia com Carlos ficava em Little Havana, um bairro modesto e cheio de vida, repleto de restaurantes cubanos e música alta. Quando cheguei, encharcada e exausta, encontrei meu irmão estirado no sofá, jogando videogame e comendo uma pizza fria.

Carlos era três anos mais velho do que eu, mas às vezes parecia dez anos mais novo. Bonito, charmoso e completamente irresponsável, ele vivia pulando de um emprego para outro, sempre com uma desculpa pronta para explicar por que as coisas não davam certo.

— E aí, mana? — cumprimentou ele, sem tirar os olhos da tela. — Como foi a entrevista?

— Horrível — respondi, jogando a bolsa no chão e me afundando no sofá ao lado dele. — E maravilhosa ao mesmo tempo.

Ele fez uma pausa no jogo e me olhou.

— Isso não faz sentido nenhum.

— Eu sei.

— Mas você conseguiu o emprego ou não?

— Consegui.

Ele soltou um grito de comemoração e me abraçou, derrubando a pizza no processo.

— É isso aí! Eu sabia que você conseguia! Minha irmã mais nova, secretária de um bilionário!

— Temporária — lembrei. — Três meses de experiência.

— Não interessa. Você vai brilhar, mana. Você sempre brilha.

Sorri, apesar do cansaço.

— Obrigada, Carlos.

Ele voltou ao jogo, e eu me levantei para ir ao banheiro. Precisava de um banho quente. Precisava tirar aquela roupa encharcada. Precisava parar de pensar nos olhos escuros de Dante Moretti.

Mas, enquanto a água quente caía sobre meu corpo, eu sabia que aquele era apenas o começo.

Amanhã começaria uma nova fase na minha vida.

E, de alguma forma, eu tinha a sensação de que nada nunca mais seria igual.

---

Naquela noite, deitei na cama encarando o teto, incapaz de dormir.

A imagem de Dante Moretti não saía da minha cabeça. O jeito como ele me olhava, como se eu fosse um enigma que ele queria decifrar. A voz profunda, carregada de ameaça e promessa.

"Da próxima vez que me chamar de corno, certifique-se de que está pronta para as consequências."

Que tipo de consequências?, perguntei-me, sentindo o calor se espalhar pelo meu corpo.

Não. Não, não, não. Eu não podia pensar assim. Dante Moretti era meu chefe. Meu chefe arrogante, insuportável e completamente proibido.

E, além disso, um homem como ele nunca olharia para uma mulher como eu.

Uma mulher gordinha, cheia de curvas e inseguranças. Uma mulher que ainda era...

Fechei os olhos, afastando o pensamento.

Eu era virgem. Aos vinte e quatro anos, eu nunca tinha feito sexo. Não por falta de vontade, mas por falta de oportunidade. E por medo. Medo de me abrir para alguém, de me mostrar vulnerável, de ser rejeitada.

Dante Moretti era o tipo de homem que poderia ter qualquer mulher do mundo. Modelos, atrizes, herdeiras. Por que ele olharia para uma secretária gordinha com um irmão vagabundo e um guarda-roupa de brechó?

Ele não olharia.

E era melhor assim.

Eu precisava daquele emprego. Precisava pagar as contas, ajudar Carlos, construir uma vida melhor para nós dois. Não podia me dar ao luxo de me apaixonar pelo chefe.

Não podia.

Mas, enquanto o sono finalmente me alcançava, eu não pude evitar um último pensamento antes de mergulhar na escuridão:

Dante Moretti era o homem mais lindo que eu já tinha visto.

E isso era um problema muito, muito grande.

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    Ele beijou devagar. Com cuidado. Como se estivesse saboreando cada segundo. Como se estivesse guardando aquele momento para sempre. Os lábios dele eram macios. Quentes. E se moviam com uma precisão que me fazia tremer. A mão dele desceu até a minha nuca, os dedos enroscando no meu cabelo, me puxando para perto. E eu... eu correspondi.Não porque quisesse.Não porque amasse.Porque não conseguia evitar.Porque o corpo dele era quente. Porque o cheiro dele era intoxicante. Porque o toque dele era... viciante.Ele me beijou por um longo tempo. Um tempo que eu não consegui medir. Um tempo que parecia não ter fim. E, a cada segundo, eu sentia algo crescer dentro de mim. Algo que não era amor. Algo que não era ódio. Algo que era... confusão.Ele se afastou.— Viu? — perguntou ele, com um sorriso debochado.— O que? — indaguei, sem ar.— Você gostou — declarou ele, soltando o meu rosto.— Não gostei — neguei, sentindo o rosto queimar.— Gostou — insistiu ele, recuando um passo.— Não — repet

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