مشاركة

AS CINZAS DA ETERNIDADE

مؤلف: Felicity Sampaio
last update تاريخ النشر: 2026-09-16 04:13:04

Aqui está o grande e explosivo capítulo no melhor estilo novela dramática: carregado de conflito, suspense, reviravoltas chocantes, diálogos afiados e bastantes revelações entre o casal e os coadjuvantes.

Para deixar a história muito mais envolvente e com aquela cara de capítulo final/penúltimo capítulo de novela das oito, adicionei camadas de traição familiar, uma conspiração científica de grande porte e confrontos diretos entre os personagens antes do desfecho.

A ÚLTIMA MÁSCARA DO SANTUÁRIO

O eco seco do impacto de Lorde Vane contra o piso de mármore do saguão dissipou-se lentamente, substituído por um silêncio sepulcral que parecia congelar o próprio ar nas abóbadas da Câmara dos Imortais. O patriarca do Conselho jazia entre os escombros do trono e as runas estilhaçadas de seu colar, a respiração convertendo-se em um estertor fraco e irregular enquanto a aura de poder milenar que o envolvia se desfazia em fumaça cinzenta.

Nas galerias superiores, os poucos membros sobreviventes do Conselho encolheram-se nas sombras, paralisados pelo choque e pela certeza absoluta de que o império construído sobre séculos de sangue e tirania havia ruído em questão de minutos.

Anthony permaneceu no topo da escadaria principal, com a respiração funda e ritmada inflando o peito. A adrenalina da batalha começava a dar lugar a uma clareza serena. Ele olhou para as próprias mãos — mãos humanas, marcadas pelo tempo, quentes de vida e banhadas pela suada vitória. Ele não precisava mais da lâmina de titânio ou da força bruta dos deuses caídos para impor respeito; ele era dono de seu próprio destino.

— Acabou, Vane — disse Anthony, a voz grave ecoando com uma tranquilidade cortante que dispensava gritos ou ameaças.

Do chão, erguendo o olhar opaco e derrotado em direção ao ex-conde, o patriarca tentou articular um sussurro, mas apenas sangue tingiu seus lábios pálidos.

— Você... não pode destruir o que somos... — balbuciou Vane, antes que a própria essência de sua imortalidade colapsasse de vez, consumida pelo peso das eras e pela quebra definitiva do pacto que sustentava a seita. Em um último suspiro, o corpo do ancião desfez-se em pó cinzento, misturando-se à poeira do piso secular.

Abaixo, Elena subiu os degraus da escadaria com passos firmes, parando ao lado de Anthony. Ela guardou a lâmina de titânio no coldre, erguendo o rosto para contemplar o vasto salão que agora parecia pertencer inteiramente ao passado.

— E agora, meu Conde? — perguntou Elena, um sorriso suave e vitorioso iluminando seus traços cansados, enquanto ela enlaçava a mão na de Anthony, sentindo o calor firme e recíproco daquele toque. — O castelo está em ruínas e a alta cúpula virou poeira. Vencemos?

— Vencemos, meu amor — respondeu Anthony, apertando seus dedos com carinho. — O pesadelo finalmente acabou.

Porém, antes que pudessem dar o primeiro passo em direção à saída, uma salva de palmas lenta, estridente e carregada de deboche ecoou do portal sul do saguão.

A PRIMEIRA MÁSCARA: O SANGUE DO SEU SANGUE

Do meio da cortina de fumaça e poeira que subia dos corredores secundários, surgiu uma mulher alta, vestindo um sobretudo de couro italiano e sustentando um olhar congelante. Ela trazia uma pistola de calibre pesado com projéteis de prata nas mãos. Ao seu lado, caminhava um homem de ombros largos, trajes táticos de combate e feições terrivelmente parecidas com as de Anthony.

Elena deu dois passos para trás, sentindo o ar desaparecer de seus pulmões como se tivesse levado um soco no estômago.

— Não... meu Deus, não pode ser... — balbuciou Elena, a voz embargada pelo horror. — Valéria?!

— Surpresa, minha querida Dra. Elena! — debochou Valéria, a jovem assistente de laboratório e braço direito que Elena considerava como uma irmã caçula. — Gostou da entrada? Ficou bem dramática, do jeitinho que você gosta nos seus relatórios de pesquisa!

— Valéria, o que significa isso?! — gritou Elena, as lágrimas de decepção queimando instantaneamente em seus olhos. — Eu te dei um teto! Eu te coloquei dentro do meu projeto! Eu te confiei a minha vida e a fórmula da vacina!

— E você foi uma burra ingênua, Elena! — cuspiu Valéria, o sorriso falso dando lugar a uma expressão de pura inveja e rancor. — Você achou mesmo que uma garota jovem e ambiciosa como eu ia passar a vida inteira sendo a sua 'sombra caridosa' no laboratório? Enquanto você brincava de ser a cientista salvadora do ano, eu vendia cada amostra de sangue do seu vampirinho para quem pagava mais!

Anthony deu um passo à frente, cobrindo o corpo de Elena, mas seus olhos prateados travaram no homem que caminhava ao lado de Valéria. O peito de Anthony arfou em um impulso violento de indignação.

— Leonardo?! — rosnou Anthony, o maxilar trancado com tanta força que as veias de seu pescoço pareciam prestes a explodir. — Meu irmão?!

— Olá, Anthony... ou devo dizer, 'meu caro irmão mortal'? — irrompeu Leonardo, rindo com um tom gélido que fez as paredes do saguão vibrarem. — Quanto tempo, não é mesmo? Cerca de duzentos anos desde que você achou que eu tinha sido incinerado pelos Inquisidores na Espanha!

— Eu passei dois séculos carregando a culpa da sua morte! — berrou Anthony, a voz ecoando como um trovão de fúria e dor. — Eu caçei cada um daqueles executores em seu nome! Eu quase enlouqueci de dor! E você estava vivo esse tempo todo?!

— Eu não só estava vivo, como eu ajudei a planejar aquela execução! — revelou Leonardo, dando um passo desafiador na direção do irmão. — Eu cansei de viver à sua sombra, Anthony! Você sempre foi o favorito do nosso pai, o herdeiro dos títulos de Valmont, o Lorde Perfeito! Quando o Conselho me ofereceu a oportunidade de simular minha morte em troca de um cargo de comando na divisão oculta, eu não pensei duas vezes!

— Seu desgraçado miserável! — urrou Anthony, prestes a saltar sobre o próprio irmão.

— Parado aí, 'maninho'! — ameaçou Leonardo, destravando a arma e apontando-a diretamente para o peito de Anthony. — Não dê mais um passo, ou eu destruo esse seu coraçãozinho humano novinho em folha!

O GRANDE GOLPE DA CIÊNCIA

Elena, mesmo em choque e com o peito rasgado pela traição de Valéria, tentou raciocinar rapidamente, conectando as peças daquele quebra-cabeça sombrio.

— O que vocês querem aqui? O Vane está morto! O Conselho caiu! — disse Elena, ajeitando a postura e tentando disfarçar a mão que tateava o coldre traseiro.

— O Vane era apenas um velho decrépito, Elena! Uma peça ultrapassada num jogo muito maior! — gargalhou Valéria, caminhando ao redor do casal como um predador rondando a presa. — A alta cúpula dos imortais achava que mandava no mundo, mas eles eram apenas os financiadores ocultos! A verdadeira revolução nunca foi a magia... foi a sua ciência!

— Do que você está falando, sua cobra?! — exigiu Elena.

— A fórmula que você criou não curou a maldição do Anthony, sua tonta! — revelou Valéria com um olhar sádico. — Você não 'eliminou' o vírus vampírico. O seu composto alquímico estabilizou a mutação celular! O sangue que corre nas veias do Anthony agora é o Elixir Supremo!

Anthony franziu a testa, sentindo o horror daquela revelação penetrar em seus ossos.

— O quê?! — murmurou o ex-vampiro.

— É isso mesmo, meu amado irmão! — explicou Leonardo, com uma satisfação doentia. — O seu sangue humano purificado é a única substância no planeta capaz de conceder a qualquer vampiro a imunidade total contra a luz do sol, contra a prata e contra a madeira! Você não virou um humano comum... você virou a chave biológica para criar uma raça de super-imortais invencíveis!

— Não... eu não fiz isso... — balbuciou Elena, caindo em si e sentindo as lágrimas de culpa transbordarem. — Eu queria te dar a vida, Anthony... eu queria te salvar da eternidade de sangue... e eu te transformei numa presa para o mundo inteiro!

— Não se culpe, Elena — sussurrou Anthony, pegando firme na mão dela e encarando os traidores com um desprezo mortal. — A culpa não é da sua luz. É da ganância desses vermes.

— Lindo! Poético! Quase me fez chorar! — debochou Valéria, fazendo um sinal com a mão esquerda para o corredor superior. — Mas o tempo do romance acabou! Tragam a encomenda!

Das sombras das galerias, surgiram mais seis mercenários armados com rifles táticos de precisão, escoltando um homem algemado, machucado e com o rosto coberto de hematomas.

— Gabriel?! — gritou Elena ao reconhecer o jovem assistente de TI do seu antigo laboratório.

— Elena... me perdoa! — chorou Gabriel, caindo de joelhos no chão. — Eles pegaram a minha mãe e as minhas irmãs... eu tive que rastrear o sinal do avião de vocês... eu tive que dar a rota de Salzburgo pra eles! Me perdoa!

— Chega de choro! — ordenou Leonardo. — Valéria, prepare as ampolas de drenagem! Vamos extrair até a última gota do sangue do meu querido irmão. E quanto à Dra. Elena... bem, ela vai para o nosso laboratório subterrâneo em Viena. Ela ainda tem muitas pesquisas para fazer sob o nosso comando!

O CONFLITO EXPLODE NO SANTUÁRIO

A tensão no saguão da Câmara dos Imortais atingiu o ponto de ebulição. O ar parecia faiscar enquanto os olhares de ódio se cruzavam. De um lado, a traição da melhor amiga e do próprio irmão; do outro, a força inquebrável de dois amantes que já haviam atravessado o inferno para ficarem juntos.

— Vocês acham mesmo que vai ser tão fácil assim? — perguntou Anthony, a voz baixando para um tom perigosamente calmo.

— Você é mortal agora, Anthony! Não tem mais velocidade sobre-humana, não tem mais presas, não tem mais cura rápida! — debochou Leonardo. — O que você acha que pode fazer contra seis fuzis táticos e duas pistolas de prata?

— Eu posso não ter mais a maldição das sombras... — disse Anthony, ajustando os pés no chão de pedra e encarando o irmão nos olhos. — Mas eu passei quinhentos anos aprendendo a matar antes mesmo de existir pólvora neste mundo!

Num piscar de olhos, Elena não esperou a ordem. Com um movimento incrivelmente rápido e preciso, ela sacou o último frasco de composto fumígeno volátil do coldre e arremessou-o com força contra o chão entre Valéria e Leonardo.

BUM!

Uma explosão de luz prateada e fumaça densa e corrosiva tomou conta do saguão. O composto químico queimava os olhos e as vias respiratórias dos mercenários, criando um caos instantâneo.

— Atirem! Atirem nos dois! — berrou Leonardo, tossindo e disparando cegamente no meio da névoa.

— Pegue o Gabriel! — gritou Elena para Anthony.

Aproveitando a cegueira temporária dos inimigos, Anthony avançou como uma fera. Mesmo sem a velocidade vampírica, sua memória muscular e seus instintos de guerreiro secular agiram com perfeição. Ele se esquivou do primeiro disparo, agarrou o cano do fuzil do mercenário mais próximo, girou o corpo do homem como escudo humano contra uma rajada de tiros e desferiu um cotovelada brutal no travessão do tático, desarmando-o no ato.

Elena correu em direção a Gabriel, sacando a lâmina de titânio e cortando as algemas de lacre do jovem com um único golpe certeiro.

— Corre para a saída, Gabriel! Agora! — ordenou Elena.

— Eu não vou te deixar aqui, Dra. Elena! — protestou o rapaz, recuperando o fôlego.

— Se você ficar, você morre! VAI! — berrou a cientista, empurrando-o na direção dos portões destruídos.

Enquanto Gabriel escapava pelo pátio externo, Valéria emergiu da fumaça com a pistola em riste, apontando diretamente para as costas de Elena.

— Acabou a palhaçada, Elena! — gritou a traidora, com o dedo no gatilho.

Mas Elena foi mais esperta. Ela não recuou; girou sobre os próprios calcanhares, rastejou pelo piso de mármore e desferiu uma rasteira violenta na traidora. Valéria perdeu o equilíbrio, caindo de costas contra a base de uma coluna de pedra, enquanto a pistola voava longe e se estilhaçava nos escombros.

— Isso foi por cada mentira que você me contou no laboratório! — bradou Elena, montando sobre Valéria e desferindo um soco direto no queixo da rival, apagando-a temporariamente.

Do outro lado do saguão, o confronto entre os dois irmãos atingira o nível mais sangrento. Anthony e Leonardo trocavam golpes brutais no patamar da escadaria. Leonardo usava sua força vampírica intacta para prensar Anthony contra a balaustrada de pedra, enquanto o ex-conde segurava o pulso armado do irmão com ambas as mãos, impedindo que a lâmina de obsidiana lhe atravessasse o pescoço.

— Admita, Anthony! Você é fraco! Você trocou o poder supremo pelo toque de uma reles mortal! — rosnava Leonardo, cuspindo sangue e forçando a lâmina para baixo.

— Eu não troquei o poder por uma mortal, Leonardo... — respondeu Anthony, com os dentes ensanguentados, mas mantendo um sorriso desafiador nos lábios. — Eu troquei a ilusão do poder pela única coisa real que existe neste mundo!

Com um urro de determinação pura, Anthony usou todo o peso do seu corpo mortal para projetar as pernas contra o peito de Leonardo, dando uma cambalhota para trás e arremessando o irmão vampiro por cima da balaustrada.

Leonardo despencou de uma altura de dez metros, colidindo violentamente contra o altar de pedra no centro do hall. O impacto quebrou a espinha da criatura, deixando-o paralisado e urrando de agonia entre os restos das runas sagradas.

O DESFECHO: A ALVORADA DOS MORTAIS

O silêncio voltou a tomar conta da Câmara dos Imortais, cortado apenas pelo som da respiração descompassada de Anthony e Elena e pelo crepitar das tochas que começavam a se apagar uma a uma. Os mercenários restantes, vendo seus líderes derrotados e o complexo em ruínas, fugiram em pavor através das passagens subterrâneas.

Anthony desceu os degraus devagar, manco de uma perna e com vários cortes pelo corpo, mas com a cabeça erguida. Elena correu ao seu encontro, envolvendo-o em um abraço desesperado e colando o rosto no peito dele, ouvindo o batimento forte, acelerado e profundamente humano do seu coração.

— Você está bem? Meu Deus, Anthony, você está sangrando! — disse ela, com as mãos trêmulas limpando o suor e o sangue do rosto dele.

— São apenas arranhões de um homem vivo, Elena — sorriu Anthony, selando a testa dela com um beijo demorado. — Como você está?

— Me sentindo a mulher mais forte do mundo por ter você ao meu lado — respondeu ela, olhando nos olhos prateados dele.

Caminhando lentamente até o centro do pátio destruído, o casal olhou para os portões de ferro forjado que antes representavam a prisão de uma eternidade de medo e perseguição. Lá fora, os primeiros raios de sol do amanhecer alpino começavam a rasgar as nuvens cinzentas, banhando os picos das montanhas com uma luz dourada e radiante.

Elena pegou o último frasco de sua pesquisa no bolso e olhou para ele. Era a amostra concentrada do composto que iniciara toda aquela guerra. Sem hesitar um único segundo, ela arremessou o frasco contra as pedras do chão, vendo o líquido evapora-se e desaparecer para sempre na poeira do santuário.

— Ninguém mais vai usar o seu sangue. Ninguém mais vai usar a minha ciência para criar monstros — declarou Elena, com o queixo erguido e um olhar irredutível. — A partir de hoje, a nossa história pertence apenas a nós dois.

Anthony envolveu a cintura de Elena com o braço forte, puxando-a para perto enquanto a brisa fresca da manhã entrava pelos portões abertos, limpando o cheiro de mofo e sangue que estagnara naquele lugar por quinhentos anos.

— Para onde vamos agora, minha alquimista? — perguntou ele, com um sorriso leve e apaixonado moldando os lábios.

— Para bem longe das sombras, meu Conde — respondeu Elena, dando-lhe um beijo apaixonado sob a luz do sol que nascia. — Vamos aprender a viver cada dia como se fosse o único... porque agora, o tempo é nosso.

De mãos dadas, deixando para trás os traidores, os fantasmas do passado e os escombros de um império decadente, Anthony e Elena cruzaram os portões da Câmara dos Imortais, caminhando juntos em direção à liberdade do mundo dos mortais.

استمر في قراءة هذا الكتاب مجانا
امسح الكود لتنزيل التطبيق

أحدث فصل

  • A HISTÓRIA DE UM VAMPIRO QUE ENCONTROU A CURA   O PESO DO SÉCULOS

    O eco dos sapatos de Anthony no piso de mármore não tinha pressa nenhuma. Não precisava ter. Quando se vive há mais tempo do que a própria história se dá ao trabalho de lembrar, o tempo deixa de ser uma corrida e vira só uma prisão com paredes invisíveis.Ele deu um gole devagar no copo de cristal, olhando através dos vitrais altos da mansão. Lá fora, a névoa da madrugada engolia a cidade. Para os humanos lá embaixo, Anthony de Valmont era só um boato, uma história de terror sussurrada em noites frias. Mas ali dentro, sozinho no escuro, ele sabia exatamente o que era: um cara vestindo um terno impecável, mas morto por dentro há séculos.— Que piada… — murmurou ele para a sala vazia, a voz rouca quebrando o silêncio pesado. — A eternidade é um erro de cálculo do caralho.Ele já tinha feito de tudo nessa vida. Viu impérios caírem, governantes virarem poeira, colecionou artes raras, seduziu as mentes mais brilhantes e viajou o mundo inteiro. E para quê? No fim das contas, a sede sempre v

  • A HISTÓRIA DE UM VAMPIRO QUE ENCONTROU A CURA   O ECO DA AURORA

    A pesada porta de carvalho maciço cedeu lentamente, revelando não um mero mortal imprudente ou um servo da noite em busca de refúgio, mas sim uma figura que parecia desafiar a própria lógica daquela mansão isolada. Sob a luz fria e prateada da lua, delineava-se a silhueta de uma mulher cujos olhos carregavam uma intensidade magnética e desafiadora, completamente imunes ao pavor que a presença de um predador milenar costumava inspirar. Ela não ostentava armas visíveis, nem tampouco o tremor característico daqu aqueles que pisavam em territórios proibidos; trazia consigo apenas uma aura de perigosa serenidade e uma maleta de couro envelhecido que exalava o odor inconfundível de pergaminhos antigos e ervas raras. Anthony permaneceu imóvel por um instante, avaliando o intruso com a precisão fria de quem já vira impérios ruírem e corações pararem, surpreendendo-se ao perceber que aquela intrusão despertava em suas entorpecidas fibras uma curiosidade há muito esquecida. — Vejo que os rumor

  • A HISTÓRIA DE UM VAMPIRO QUE ENCONTROU A CURA   O PACTO DAS SOMBRAS E DA CARNE

    CAPÍTULO EXTRAORDINÁRIOA PENUMBRA DA CRIPTA subterrânea não era apenas um refúgio contra o mundo dos vivos; era um mausoléu erguido para a eternidade. Sobre a imensa mesa de carvalho negro, o calor difuso de dezenas de velas de cera de abelha tremeluzia contra as lombadas de couro de livros seculares. As chamas projetavam sombras longas e inquietas pelas paredes de pedra úmida — sombras que pareciam dançar conforme a respiração ritmada e serena de Elena.Anthony de Valmont mantinha-se inclinado sobre a mesa, a silhueta aristocrática envolta em seu casaco de veludo escuro. Seus olhos prateados, destituídos do brilho humano há mais de quinhentos anos, fixavam-se nos componentes alquímicos que a mulher organizava com uma precisão cirúrgica e fascinante. O cheiro denso de enxofre, alecrim seco e uma essência metálica inexplicável impregnava o ar, sufocando por completo o odor habitual de poeira, mofo e decadência que caracterizava a biblioteca secular da família Valmont.— Não se trata a

  • A HISTÓRIA DE UM VAMPIRO QUE ENCONTROU A CURA   O ESPELHO E O ALHO

    A penumbra da cripta subterrânea não era apenas um refúgio contra o mundo dos vivos; era um mausoléu erguido para guardar séculos de segredos. O corpo de Anthony de Valmont transformara-se em um campo de batalha invisível, no qual eras inteiras de trevas e biologia sobrenatural colidiram em uma violenta e silenciosa combustão molecular. A cada segundo, o veneno ancestral cravado em sua carne resistia com fúria à nova ordem imposta pelo tônico alquímico, fazendo com que suas veias parecessem carregar brasa viva em vez de sangue.Apoiado com as duas mãos trêmulas sobre o piso gélido da biblioteca subterrânea, o outrora imortal respirava com extrema dificuldade. Os músculos de suas costas mantinham-se curvados e rígidos sob o casaco de veludo escuro, enquanto o suor frio acumulava-se em sua testa pálida. Ele fechou os olhos com força, cerrando os dentes aristocráticos para conter os gritos de agonia que ameaçavam rasgar sua garganta. Havia um orgulho secular em cada linha do seu rosto; e

  • A HISTÓRIA DE UM VAMPIRO QUE ENCONTROU A CURA   O PESO DO SOL

    O som no peito de Anthony de Valmont já não era uma simples lembrança do passado. Era um martelo pesado, violento, esmurrando as paredes da sua própria caixa torácica. Thum-thum. Thum-thum. A cada pancada daquele coração ressuscitado, uma onda de calor denso e avermelhado se espalhava por seus membros, queimando os últimos vestígios do frio de gelo que o acompanhara por mais de quinhentos anos.Pela primeira vez em séculos, ele levou a mão trêmula ao peito. A pele sob a camisa de linho fino não parecia mais mármore esculpido no escuro. Ela estava quente. Transpirava. Guardava um pulso real, desesperado, de sangue mortal.Elena permaneceu a poucos passos, os braços cruzados sobre o peito. Seus olhos castanhos não tinham pena; carregavam aquele brilho provocador e desafiador que sempre fazia o sangue de Anthony ferver — mesmo quando ele nem sangue quente tinha.— Bem-vindo de volta ao mundo dos mortais, conde — disse ela, deixando escapar um sorriso de canto, carregado de deboche e vitó

  • A HISTÓRIA DE UM VAMPIRO QUE ENCONTROU A CURA   O SABOR DO TEMPO PERDIDO

    O sol de meio-dia já inundava sem piedade os aposentos superiores da mansão dos Valmont. A claridade amarelada rasgava a poeira flutuante e espantava o cheiro de mofo e misticismo que impregnara aqueles móveis centenários por eras. Sentado em uma poltrona de veludo escuro colada à janela, Anthony de Valmont fitava o horizonte dos jardins com uma estupefação quase infantil.Para aquele homem, que por mais de quinhentos anos fora o temido Conde de Valmont, o mundo lá fora deixara de ser uma pintura morta através de um vidro escuro. Ele sentia a terra respirar. Cada folha sacudida pelo vento fresco e cada canto distante dos pássaros batiam em seus ouvidos com uma nitidez avassaladora. Seus sentidos, antes anestesiados pelo torpor gélido e arrogante da imortalidade, finalmente despertavam para a crueza e a beleza da vida real.Mas a paz durou pouco.A porta de madeira pesada rangeu, e Elena entrou no salão carregando uma bandeja de prata um tanto desgastada. Sobre ela, repousavam uma xíca

فصول أخرى
استكشاف وقراءة روايات جيدة مجانية
الوصول المجاني إلى عدد كبير من الروايات الجيدة على تطبيق GoodNovel. تنزيل الكتب التي تحبها وقراءتها كلما وأينما أردت
اقرأ الكتب مجانا في التطبيق
امسح الكود للقراءة على التطبيق
DMCA.com Protection Status