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CAPÍTULO 16: A Forja da Rainha

Author: Lu Viana
last update publish date: 2026-09-28 10:54:44

A fumaça espessa de carvão vegetal e óleo queimado subia em espirais cinzentas até as abóbadas da grande armaria subterrânea, mas o ar ali embaixo parecia mais puro do que nos corredores sufocantes da fortaleza.

Três dias se passaram desde o anúncio no Salão das Lanças. Três dias em que Frostveil se transformara em um tique-taque contínuo de expectativa, rumores e tensão latente.

Enquanto a notícia de que uma fêmea da Linhagem de Ferro seria consagrada Luna na próxima Lua Cheia se espalhava pel
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    A fumaça espessa de carvão vegetal e óleo queimado subia em espirais cinzentas até as abóbadas da grande armaria subterrânea, mas o ar ali embaixo parecia mais puro do que nos corredores sufocantes da fortaleza.Três dias se passaram desde o anúncio no Salão das Lanças. Três dias em que Frostveil se transformara em um tique-taque contínuo de expectativa, rumores e tensão latente.Enquanto a notícia de que uma fêmea da Linhagem de Ferro seria consagrada Luna na próxima Lua Cheia se espalhava pelas aldeias do vale como fogueira em palha seca, recusei-me a ficar reclusa nos aposentos do Alfa esperando os acontecimentos como uma figura decorativa. Meu lugar era na forja.O estalo rítmico do meu malho de acabamento contra o dorso do aço ecoava pelas paredes de pedra, preenchendo o silêncio do subsolo com uma cadência quase hipnótica.Eu vestia minhas botas de couro batido com solado reforçado, uma túnica de linho grosso sem mangas que deixava o curativo discreto do meu ombro esquerdo bem p

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    As portas duplas do Salão das Lanças bateram atrás de nós com um eco pesado e solene, cortando abruptamente o murmúrio atordoado que começava a explodir entre os anciãos e os capitães de guerra. Torin e a guarda de honra permaneceram na galeria externa, formando uma barreira impenetrável de escudos e lanças para impedir que qualquer conselheiro ousasse nos seguir. Rowan não soltou minha mão durante todo o percurso. Seus dedos calejados continuavam entrelaçados aos meus, quentes, possessivos e firmes como ferro forjado, guiando-me pelas arcadas de granito até o corredor reservado que levava ao gabinete do Alfa — a câmara do conselho privado, ladeada por tapeçarias de guerra antigas e protegida por portas maciças com ferrolhos duplos. Assim que entramos e a madeira pesada se fechou com o estalo seco da tranca, puxei minha mão de volta. O movimento foi rápido, seco, rompendo o contato físico que ainda enviava pequenas fagulhas pela minha carne. Girei sobre os calcanhares no centro da

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    As grandes portas de carvalho maciço e tiras de ferro fundido do Salão das Lanças erguiam-se no final da galeria como os dentes escuros de uma fera à espera de sua presa. Eu já havia limpado os resquícios da pasta de raiz-de-gelo com a água morna da bacia e protegido o ombro esquerdo com um linho novo e discreto, sem ataduras volumosas à mostra. A túnica escura de lã grossa, com costuras reforçadas em couro e fechos de metal fosco, moldava-se com precisão à imponência dos meus ombros, ao volume dos meus seios e à firmeza sólida dos meus quadris. Minhas botas de couro batido batiam no chão de granito em compasso firme, lado a lado com as passadas pesadas e calculadas de Rowan. Ao nosso redor, os sentinelas da guarda pessoal do Alfa abriam caminho em silêncio absoluto. Torin marchava um passo atrás do nosso flanco direito, a mão repousada casualmente no pomo da espada longa, os olhos atentos varrendo cada recanto sombrio da colunata. — Não

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    A luz pálida da alvorada do Norte filtrou-se pela fresta estreita da parede de cantaria, cortando a penumbra em tons de chumbo e prata. Acordei com um peso colossal e quente sobre o meu quadril. O braço musculoso de Rowan, marcado por cicatrizes brancas e veias grossas, repousava pesado sobre a curva da minha cintura nua, mantendo-me firmemente colada contra a fornalha do peito dele. Cada respiração lenta e profunda do Alfa fazia suas costelas subirem e descerem contra as minhas costas. O aroma de pinho fresco, tempestade e o cheiro denso do nosso acasalamento da noite anterior estavam impregnados nas peles que nos cobriam. Sob nós, a realidade da madrugada cobrou seu preço com um rangido surdo quando me movi. Estávamos no chão. O estrado maciço de carvalho jazia inclinado em um ângulo torto, uma das longarinas mestras partida em lascas grossas e as cavilhas de ferro forjado retorcidas contra a laje de granito. A cabeceira esculpida com o brasão do lobo nortenho estava desencaixa

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