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A LUNA FORA DOS PADRÕES
A LUNA FORA DOS PADRÕES
Author: Lu Viana

Prólogo

Author: Lu Viana
last update publish date: 2026-08-31 07:03:24

O Salão de Carvalho da Alcateia Silver Moon estava abarrotado, mas o ar pareceu desaparecer no instante em que os olhos de Zander encontraram os meus.

Deveria ser a noite do meu triunfo. Ao completar vinte e um anos sob a lua cheia, a névoa que sempre escondeu meu instinto lupino se dissipou, e o aroma dele — cedro cortado e âmbar — me atingiu como um trovão. Meu coração disparou em um ritmo primitivo e certeiro. Companheiro. Minha loba, sempre contida e silenciosa sob o peso dos julgamentos daquela alcateia, ergueu a cabeça pela primeira vez, ansiando pelo toque dele.

Eu dei um passo à frente, ajustando o vestido escuro que abraçava meu corpo. Por anos, os sussurros nos corredores tentaram me encolher. Diziam que meus quadris largos demais, meus seios fartos e a imponência do meu corpo não serviam para a agilidade de uma guerreira de elite. Mas ali, sob o luar, pensei que a Deusa da Lua calaria a todos. A Deusa não comete erros.

Zander, no entanto, deu dois passos para trás.

A repulsa nos olhos azuis do futuro Alfa foi mais cortante que qualquer lâmina de prata. Ele olhou para mim, percorrendo minhas curvas com um desdém tão explícito que o salão inteiro silenciou. Ao lado dele, as guerreiras esguias da guarda pessoal trocaram sorrisos zombeteiros.

— Você? — A voz dele ecoou através do vínculo mental recém-aberto, carregada de puro veneno. — A Deusa só pode estar de brincadeira.

— Zander... — murmurei, a eletricidade da conexão ainda queimando minha pele, implorando por aproximação.

Ele ergueu o queixo, projetando a voz com a autoridade esmagadora da sua linhagem de Alfa diante de toda a liderança reunida:

— Eu sou o herdeiro de Silver Moon. Preciso de uma Luna ágil, perfeita, que imponha respeito pela disciplina e pela forma, não alguém que mal consegue acompanhar o ritmo de um batalhão. Não vou arrastar o peso da sua mediocridade para o meu trono.

Cada palavra foi uma bofetada. O calor em meu peito começou a queimar, mas não de paixão — de uma dor corrosiva, como brasa viva sobre carne crua.

— Eu, Zander Thorne, futuro Alfa da Alcateia Silver Moon, rejeito você, Freya, como minha companheira e futura Luna.

O estalo foi físico. Foi como se um cabo de aço incandescente, amarrado ao meu coração, tivesse sido arrancado com violência brutal. Minha respiração travou na garganta, os joelhos fraquejaram e um grito mudo rasgou minha alma quando minha loba soltou um ganido agonizante, encolhendo-se na escuridão da minha mente. O aroma de cedro apodreceu instantaneamente, virando cheiro de cinzas e fumaça fria.

Lágrimas queimaram meus olhos, mas recusei-me a desabar na frente daquela corte hipócrita. Endireitei as costas, sentindo o sangue martelar nas têmporas e a dor dilacerar minhas entranhas.

— Que a Deusa tenha piedade da sua tolice, Zander — sussurrei, a voz firme o bastante para ecoar no silêncio sepulcral do salão. — Porque eu nunca terei.

Virei as costas sob os olhares estupefatos da alcateia e caminhei em direção às portas abertas da noite, rumo à floresta sem volta.

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