LOGINPonto de vista de AveryAtrás de nós, dava para ouvir os rosnados e uivos dos lobos renegados enquanto atacavam o lobo de Gideon. Senti uma pontada de preocupação, temendo tê-lo deixado para ser dominado, mas minha loba não parou. Suas patas fortes a impulsionavam entre as árvores com uma velocidade impressionante.“Se ele não sobreviver, então não nos merece”, ela me informou, cheia de compostura. “Até eu conseguiria conter tantos sozinha. Deixe que ele alivie sua sede de sangue. Depois decidiremos se aceitaremos sua companhia.”Pensei, não pela primeira vez, que os costumes dos lobos eram muito estranhos. Eu sabia que minha loba não entendia de verdade por que eu tinha rejeitado Gideon depois da nossa união. Ela não sentia feridas emocionais como os humanos.Quando queria algo, tomava. Quando alguém a machucava, machucava de volta, e pronto. Não entendia como era possível desejar algo e querer feri-lo ao mesmo tempo. Também não se agarrava às emoções para além do momento.Ela di
Um lobo enorme, prateado e luminoso estava diante de mim, os lábios retraídos, revelando gengivas negras e presas de marfim brilhantes. Eu nunca tinha visto uma loba daquele tamanho. Ela era quase tão grande quanto o meu próprio lobo. Só consegui encará-la enquanto ela me enfrentava com uma beleza arrogante e selvagem.“Ela é nossa”, veio o rosnado do meu lobo em minha mente. “Esta é nossa verdadeira companheira. Não existe outra como ela.”Eu não precisava questionar o que ele dizia. Sentia a verdade daquelas palavras na própria alma, como se houvesse um laço esticado entre nós dois, puxando-me na direção da loba prateada e furiosa à minha frente.— Avery. — Estendi as mãos em sinal de paz, o coração disparado.Eu precisava resolver aquele mal-entendido entre nós. Não podia deixar que tudo terminasse assim.A loba dela avançou contra minhas mãos, mordendo o ar, e saltou para trás. Não estremeci, apenas caminhei devagar atrás dela. Sua raiva era palpável, vinha em ondas. Ela era t
Ponto de vista de GideonÀ luz da lua cheia, a mulher sob meu corpo parecia transformada. A pele dela, pálida como leite sob o luar; os lábios entreabertos enquanto tentava recuperar o fôlego depois do prazer. Cada parte dela me chamava, sussurrava impulsos urgentes para reivindicá-la, cobri-la, cometer crimes contra a decência com aquele corpo.Ela era o vinho mais intoxicante que eu já tinha provado, forte e embriagador. Ainda estávamos encaixados, unidos com força, enquanto os músculos internos dela se prendiam ao meu redor, arrancando de mim até a última gota com os pulsos ritmados de seu orgasmo. O suor escorria da minha testa e pingava no musgo sob minha mão, ao lado da cabeça dela.Suas garras tinham deixado sulcos de desejo nas minhas costas, e ardiam com o sal da minha pele. Eu adorava que ela tivesse me marcado daquela forma.Ela virou a cabeça para o lado, e meus olhos se fixaram na enorme mordida escura ao lado de sua boca.Minha mordida. Minha marca.Meu corpo se con
Eu realmente podia me entregar de coração a esse Alfa poderoso, lindo e misterioso desta vez?Ainda assim, havia algo me incomodando. Algo naquele lugar. Virei a cabeça para observar a clareira mais uma vez, e uma silhueta estranha ao longe chamou minha atenção.Era uma cabana abandonada, torta e deteriorada.Eu conhecia aquela cabana. Conhecia aquele lugar.Foi para ali que eu corri quando Ryan me traiu, na noite da Lua Cheia de Acasalamento. Aquela cabana era meu esconderijo secreto favorito.Aquela era a mesma clareira onde meu companheiro misterioso havia me marcado naquela noite.Como Gideon sabia daquele lugar? Ou do que ele significava?Com os olhos arregalados, voltei-me para Gideon no momento em que ele começou a recitar os juramentos que nos uniram tantas semanas antes.Enquanto eu ouvia as palavras antigas, elas começaram a ganhar uma ressonância própria. Desciam no timbre da voz de Gideon, e suas vibrações se espalhavam ao redor, criando um brilho sutil no ar e um f
Ponto de vista de AveryA noite da lua cheia chegou, e eu me vi inesperadamente nervosa enquanto me arrumava.Minha primeira noite de casamento tinha sido tudo, menos romântica. Eu lutava pela própria sobrevivência dentro da alcateia. Dierdra tinha acabado de ser “resgatada”, e eu sabia que ninguém acreditaria nas minhas suspeitas sobre ela e sua marca.Eu estava desesperada tentando preparar um antídoto, o mesmo que, no fim, foi usado para desmascará-la, e meus pensamentos estavam totalmente voltados para alertar Gideon.Desta vez, não havia convidados para receber, nem banquete depois. Não haveria testemunhas na cerimônia, nem documentos formais de aliança entre alcateias para assinar. Todos os nossos contratos já tinham sido ratificados.Então por que essa cerimônia parecia mais assustadora que a anterior?Talvez, com todos os “extras” removidos, eu fosse obrigada a encarar o que estava no centro daquele ato matrimonial. Esta noite, seríamos apenas Gideon e eu, sob a lua cheia
Eu não conseguia me transformar antes porque era fraca demais. Agora que sentia a verdadeira força dela fluindo através de mim. E mesmo aquilo era apenas uma fração do que ainda se escondia dentro dela. Eu finalmente entendia. Havia algo dentro de mim, algo que eu carregava desde bebê, que vinha reprimindo meu poder.Minha loba não sabia exatamente o que era, mas aquilo tinha impedido minha transformação muito além da idade em que a maioria dos lobos se transformava. Só recentemente minha própria força havia crescido o bastante para começar a superar esse bloqueio.“Mas o que poderia ter causado uma coisa dessas?”“Não sei”, minha loba respondeu, e naquelas palavras havia toda a tristeza e raiva acumuladas por termos sido separadas uma da outra por tanto tempo. “Talvez deva perguntar à sua mãe.”“Vou perguntar”, prometi. “Mas daqui a pouco. Quero aproveitar isso.”Estar em forma de loba era diferente de tudo que eu já tinha imaginado. Minha audição e meu olfato estavam muito mais
(PONTO DE VISTA DE AVERY)O belo Alfa se aproximou, encarando meu pescoço. Seus olhos eram punhais afiados perfurando minha pele. O próprio ar ao redor dele ondulava com intensidade enquanto ele me prendia no lugar com o olhar.Ah, merda, merda!Meus instintos gritavam para eu fugir desse predado
(PONTO DE VISTA DE AVERY)O som da chave girando na minha porta pareceu obscenamente alto.Quando Zara entrou, seu rosto ostentava uma expressão altiva e satisfeita. Meu estômago afundou. Isso não seria bom.— Que sorte a sua. Você vai viver um pouco mais. — Informou ela, jogando uma pilha de rou
(PONTO DE VISTA DE AVERY)Alguns dias depois, parei diante do espelho. Puxei a gola da camisola no ponto onde o ombro encontrava o pescoço. Minha marca de mordida já estava cicatrizada. Foi incrivelmente rápido. Toquei a pele lisa, sem acreditar.Agora não havia nenhuma indicação visível do que ac
(PONTO DE VISTA DE AVERY)— Que diabos... — Meu pai praguejou enquanto subia as escadas pesadamente.Ele e minha madrasta invadiram o quarto. Tentei recuar enquanto eles avançavam sobre mim no espaço reduzido. Zara agarrou meu braço e me girou bruscamente para que a mordida ficasse bem visível sob







