LOGINPonto de vista de AverySaímos às sete da manhã seguinte.O céu estava cinzento e carregado, prometendo mais chuva no horizonte.Acordei Bjorn e vesti nele um conjunto de moletom quente. Enquanto eu colocava as coisas no carro, minha mãe o acomodou no banco de trás com uma garrafa térmica cheia de mais daquele caldo.— Ele parece melhor hoje de manhã. — Minha mãe comentou assim que ele se ajeitou. — Como se só a promessa de ir já estivesse curando ele.Soltei uma risada pelo nariz.— Talvez então a gente possa dar meia-volta no meio do caminho.— Eu ouvi isso! — Bjorn protestou.Logo depois, começou a tossir.Quando terminei de colocar tudo que precisávamos no carro, fechei o porta-malas e me virei para minha mãe.Meus ombros caíram com um suspiro.— Bem, acho que é isso.— Vem cá, meu amor.Minha mãe me puxou para perto e me abraçou forte por um momento.— Vai ficar tudo bem. Você vai ver.Assenti, torcendo para que ela estivesse certa.Então Bjorn e eu fomos embora.
Eu gostava da objetividade de Claire.Passamos a hora seguinte revisando tudo.Ela fez anotações, organizou compromissos na agenda e montou um plano para os próximos dias.Saber que deixaria tudo nas mãos dela me deixou bem mais tranquila.Depois da reunião, cuidei do restante dos assuntos do dia, garantindo que tudo estivesse em ordem.Na prática, foi um dia normal de trabalho.Participei de reuniões.Conduzi uma conferência.Atendi ligações.Preenchi documentos.Mas, durante o dia inteiro, continuei olhando para a porta da minha sala, com medo de que Gideon aparecesse ali agora que sabia quem eu era nas terras humanas.Ele não apareceu.Já era alguma coisa, eu supunha.No fim do expediente, eu estava exausta e só queria voltar para casa e ver como Bjorn estava.Mas ainda faltava fazer uma última coisa.Fiquei sentada por um momento com o celular no colo.Então procurei o número de Sebastian.Ele atendeu no terceiro toque.— Avery?— Preciso pedir uma coisa. — Falei
Ponto de vista de AveryA febre de Bjorn cedeu em algum momento antes do amanhecer, mas pela manhã ele ainda estava péssimo.Ele estava acordado quando fui vê-lo antes de ir trabalhar, mas por pouco.Seus olhos estavam vidrados, a pele pálida e as bochechas fundas. As olheiras escuras ao redor dos olhos me assustaram assim que entrei no quarto.— Como você está se sentindo? — Perguntei.Ele apenas olhou para mim e tossiu.Resposta suficiente.Encostei o dorso da mão na testa dele.Pelo lado positivo, a febre parecia ter baixado.Era o único “lado positivo”.— Volta a dormir. — Falei. — Daqui a pouco trago alguma coisa para você comer.Ele fechou os olhos sem discutir.Aquilo me preocupou mais do que qualquer outra coisa.Ultimamente, Bjorn discutia por tudo.Então, se não tinha forças nem para isso, significava que estava realmente muito doente.Lá embaixo, minha mãe já estava na cozinha.Claramente estava acordada havia algum tempo. Havia uma jarra cheia de café pronto
Ponto de vista de GideonEu a reconheci antes mesmo de ela baixar completamente o vidro.Os olhos verdes e afiados.O cabelo escuro e liso, sempre preso num coque impecável com uma presilha.O jeito como sorria para mim como se já esperasse me encontrar atolado numa vala, numa estrada secundária, no meio da noite, como se aquilo fizesse parte de algum plano que tinha traçado no começo da semana.Conhecendo Fiona, provavelmente fazia.— Fiona. — Falei, sem emoção, à guisa de cumprimento.— Alfa Gideon.Ela olhou além de mim, para o carro, e inclinou a cabeça.— Parece que você está numa situação um pouco complicada.— Eu sei.Ela colocou o carro em ponto morto e desceu, embora eu não tivesse pedido.Como sempre, usava saltos finos e um vestido preto justo sob um sobretudo de grife.Eu nunca tinha visto Fiona usando algo casual.Aquilo era culpa do pai dela, claro.Ela tinha apenas dezessete anos, prestes a completar dezoito, mas nunca tinha tido permissão para agir de aco
Ele estava ficando maior e mais pesado, mas eu ainda conseguia carregá-lo com os dois braços.Bjorn enrolou as pernas ao redor da minha cintura, por baixo do meu casaco, e apoiou a cabeça no meu ombro.Carreguei ele até em casa daquele jeito.Quando chegamos, já estava dormindo profundamente.Seu peito fazia um ruído baixo a cada respiração e, depois que consegui secá-lo e aquecê-lo, medi sua temperatura.Ele estava com febre.Nosso médico de costume chegou menos de uma hora depois da minha ligação.Examinou Bjorn com cuidado, mediu sua temperatura e seu pulso, iluminou os olhos dele e, quando terminou, deu um passo para trás e olhou para mim.Saí com ele para o corredor, para que Bjorn pudesse descansar.— Vou ser sincero com você. — Disse em voz baixa quando ficamos sozinhos. — Nunca vi sintomas assim antes. Isso está além do que consigo tratar.— Mas eu sei que foi por causa da angélica. — Apontei. — Bjorn já veio até você uma vez quando foi exposto sem querer.Bjorn tinh
Ponto de vista de AveryA viagem de volta para casa levou horas, mas eu mal percebi.Lembro da chuva começando por volta da segunda hora de estrada, gotas grossas batendo no para-brisa cada vez mais rápido.Lembro de parar para abastecer em algum momento e depois ficar sentada dentro do carro, com as mãos no volante e a testa apoiada nele por uns trinta segundos, antes de me obrigar a continuar.Finalmente, entrei na garagem pouco depois das três da manhã.Minha mãe ainda estava acordada, sentada na cozinha de roupão, com uma xícara de chá já frio diante dela e uma faixa enrolada no antebraço.Ela se levantou no instante em que entrei.— Ele ainda não voltou. — Disse.— Eu sei.Larguei minha bolsa.— A mordida foi muito ruim?— Não. Não foi funda.Ela ergueu o braço.— Avery, eu sinto muito. Aconteceu tão rápido. Ele estava sentado à mesa, jantando, e de repente começou a se transformar. Então me atacou e saiu correndo.— Você chamou a polícia?A expressão dela caiu.—
(PONTO DE VISTA DE AVERY)Um dos renegados zombou sem sequer olhar para quem estava atrás dele. — Caia fora, rapaz. Vá procurar sua própria garota...— Espere. Ele não é... — Outro gaguejou.Todos os renegados voltaram sua atenção para o homem atrás deles. Eu vi uma figura, toda de preto, parada a
(PONTO DE VISTA DE AVERY)Eu tinha concordado em me entregar ao meu namorado, Ryan, pela primeira vez hoje à noite, no nosso primeiro Dia de Acasalamento.Quando escancarei a porta do seu quarto, vi-o exatamente como imaginei: nu e incrivelmente atraente. Mas havia outra mulher sobre ele. Minha me
(PONTO DE VISTA DE AVERY)O belo Alfa se aproximou, encarando meu pescoço. Seus olhos eram punhais afiados perfurando minha pele. O próprio ar ao redor dele ondulava com intensidade enquanto ele me prendia no lugar com o olhar.Ah, merda, merda!Meus instintos gritavam para eu fugir desse predado
(PONTO DE VISTA DE AVERY)O som da chave girando na minha porta pareceu obscenamente alto.Quando Zara entrou, seu rosto ostentava uma expressão altiva e satisfeita. Meu estômago afundou. Isso não seria bom.— Que sorte a sua. Você vai viver um pouco mais. — Informou ela, jogando uma pilha de rou







