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A Luna Amada do Alfa Sem Coração
A Luna Amada do Alfa Sem Coração
Author: Jane Above Story

Capitulo 1

Author: Jane Above Story
(PONTO DE VISTA DE AVERY)

Eu tinha concordado em me entregar ao meu namorado, Ryan, pela primeira vez hoje à noite, no nosso primeiro Dia de Acasalamento.

Quando escancarei a porta do seu quarto, vi-o exatamente como imaginei: nu e incrivelmente atraente. Mas havia outra mulher sobre ele. Minha meia-irmã mais nova, Zara.

— O que é... — Congelei no batente da porta.

Zara estava montada em Ryan, de frente para mim. Quando me viu, ela deu um sorriso de escárnio e soltou um gemido, baixando a cabeça para dar uma mordida leve no pescoço dele.

— Oh, sim. Exatamente assim! — Disse ela, sussurrando no ouvido dele. Ryan grunhiu e a ergueu, rolando para ficar por cima dela.

Meu estômago revirou. Senti que ia vomitar. Foi então que Ryan me notou e paralisou.

— Avery — Ele arfou.

A culpa inundou o rosto dele, mas suas mãos não deixaram os quadris de Zara. O quarto mergulhou em um silêncio mortal por um instante.

— Zara e eu acabamos de descobrir que somos companheiros predestinados. — As palavras de Ryan golpearam meu coração como marteladas.

Companheiros Predestinados. No Dia de Acasalamento, lobisomens acima de 19 anos podem sentir o cheiro e reconhecer sua alma gêmea. A atração entre eles é irresistível; podem desencadear o cio um no outro apenas pelo cheiro à distância. Uma vez que se encontram, eles se acasalam e se marcam, formando um vínculo inquebrável que dura a vida toda.

A única forma de resistir a um companheiro predestinado era marcando um companheiro escolhido antes de conhecer o predestinado. Era isso que Ryan e eu planejávamos fazer hoje.

Eu sabia que nunca teria um predestinado porque minha loba parecia estar latente. Enquanto todos começavam a se transformar e se comunicar com seus lobos, eu não recebia nada. Mas eu podia sentir minha loba lá no fundo da minha mente. Ninguém acreditava em mim; eu era motivo de piada entre os valentões, especialmente no grupinho da minha irmã.

"Aberração sem lobo."

"Humana mentirosa e patética."

Eles diziam essas coisas na minha cara, acreditando que eu era fraca demais para revidar. E, ainda assim, eu estava com Ryan, o herdeiro Alfa. Ele fazia o possível para me proteger; ambos acreditávamos que éramos feitos um para o outro.

Por isso, nesta noite, planejamos nos marcar para que ele pudesse me proteger para sempre. Ele era a única luz na minha vida. E agora, ele pertencia a Zara.

Como a Deusa da Lua pôde me tratar assim?

— Você escolheu a Zara? Sabendo que ela me persegue há tanto tempo? — Um soluço ficou entalado na minha garganta, mas me recusei a deixá-lo escapar.

Odiei o fato de minha voz tremer enquanto encarava seus olhos. Os olhos do homem que eu pensava ser o amor da minha vida. O homem a quem eu ia me entregar hoje. Eu estava até usando uma lingerie especial por baixo do casaco para a ocasião especial.

Ryan parecia querer se desculpar. Um lampejo de arrependimento cruzou seu rosto atraente. Zara envolveu o pescoço dele com um braço e o puxou para perto, sorrindo para mim de cima da cama.

Ryan trincou os dentes. — Companheiros predestinados tornam um ao outro mais fortes, Avery.

— Então eu não fui nada para você? — O soluço finalmente escapou.

— Ave... — O rosto de Ryan suavizou e ele começou a se afastar de Zara, estendendo a mão para mim.

Zara rapidamente entrelaçou seus dedos nos dele, impedindo o gesto. Seus olhos brilharam para mim sob os cílios escuros.

— Ryan, o Dia de Acasalamento é o melhor momento para gerar o herdeiro Alfa mais forte com sua predestinada... — Ela arqueou o corpo nu contra o dele.

Ryan engoliu em seco, inclinando-se novamente para roçar o pescoço de Zara. Pude ver o brilho amarelo do lobo em seus olhos. Quando ele voltou a me encarar, o homem que eu conhecia havia sumido. Restava apenas frieza.

— Caia fora agora, humana — O lobo de Ryan rosnou para mim.

Lágrimas escorriam pelo meu rosto. Sufoquei meus soluços enquanto corria para fora, pegando as trilhas escondidas em direção à floresta antiga.

Para onde eu poderia ir? Só havia um lugar que eu sabia ser seguro, o lugar para onde eu sempre ia quando precisava me curar, um pequeno lago silencioso escondido entre as árvores.

A água brilhava fracamente sob a luz do luar. Sentei-me à beira, com os joelhos contra o peito, deixando a terra molhada segurar o peso que eu carregava. Podia ouvir o som da minha respiração, espessa pelo choro.

Aos poucos, os sons da noite surgiram. O vento nas árvores, o farfalhar das folhas. Então, ouvi um som diferente e sinistro. O uivo distante de lobos. É claro. Hoje era a Lua de Acasalamento. As hordas de renegados, lobos solitários e desemparelhados estariam mais agitadas.

Embora fosse improvável que alguém me encontrasse ali, não era seguro. Eu precisava voltar para a cidade da alcateia. Limpei as lágrimas na manga e estava prestes a me levantar quando senti algo delicioso e inebriante.

Uma onda de calor percorreu meu corpo, da base da espinha até as pontas dos dedos. O desejo me atingiu como um soco, deixando-me sem fôlego. O que era aquilo?

Respirei fundo novamente. Eu precisava de mais daquilo. Meu corpo ansiava por aquele cheiro em cada fibra. Perdida naquela sensação entorpecente, de repente percebi, seria aquilo... O cio de acasalamento?

Como era possível? Eu achava que minha loba estava latente. Não importava o que fosse, eu precisava ir para casa agora. Havia perigo por perto e eu não tinha companheiro, nem mesmo um escolhido para compartilhar esse calor.

Balancei a cabeça, tentando clarear a tontura. Consegui ficar de pé e comecei a voltar, mas o cheiro intoxicante ficava cada vez mais forte, como se viesse de alguém correndo em minha direção. Seria isso que estava ativando meu cio?

— Rapazes, olhem o que encontramos — Uma voz baixa soou de repente vinda da linha das árvores. — Uma loba no cio.

Virei-me para encarar o homem que entrou na clareira. Ele era alto e magro, com a barba de alguns dias por fazer. Mais estranhos surgiram entre as árvores, vestindo jeans gastos e couro. Facas e redes pendiam de seus cintos. Eles cheiravam a suor, quase bloqueando o aroma maravilhoso de antes.

"Eles são renegados!" Percebi com horror.

— Procurando algo, gracinha? — Dentes brilharam na escuridão sob olhos sombrios.

— Não, eu já estava saindo. — Minha voz tremia.

— Por que sair? Se você está procurando um companheiro... — O homem inspirou profundamente, farejando o ar. — E parece mesmo que está procurando. Então tenho certeza de que temos vários jovens dispostos a ajudar, certo, rapazes?

Murmúrios de aprovação surgiram. Eles estavam se espalhando atrás de mim, cortando minha fuga.

— F-fiquem longe de m-mim! — Tentei rosnar. — Eu não q-quero vocês!

Outro homem riu. — Parece que temos uma esquentadinha aqui.

O homem avançou. Senti seus dedos agarrarem a barra do meu casaco, puxando-me para trás. Lágrimas começaram a brotar nos meus olhos quando ele me segurou.

— DEIXE-A EM PAZ!

Uma voz cortou o ar como um trovão. Aquele aroma intoxicante que havia desencadeado meu cio me envolveu imediatamente.

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