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Capítulo 3

Author: Monalisa
last update publish date: 2026-07-23 03:56:25

POV Jenny

— Ei, Genevieve!

A voz de Arthur atravessou o salão antes mesmo que eu chegasse à mesa dele.

Sorri automaticamente.

A verdade era que o Howling Moon tinha um público extremamente fiel.

Tirando alguns turistas perdidos que apareciam de vez em quando, quase todas as noites eram frequentadas pelas mesmas pessoas.

Depois de tantos anos trabalhando ali, eu e Elara conhecíamos praticamente todo mundo.

E eles conheciam a gente.

O bar acabava parecendo uma grande família completamente desajustada.

Arthur era um dos clientes mais antigos.

Toda santa semana fazia exatamente a mesma pergunta.

— Hoje vai ter aquela dancinha ou vai deixar a gente na vontade de novo?

Revirei os olhos, divertida.

Parei ao lado da mesa dele, segurei seu rosto entre as mãos e apertei de leve suas bochechas.

— Hoje não, docinho. Quem sabe na próxima?

Chama-lo assim sempre rendia boas gorjetas.

Arthur fez um drama exagerado, levando a mão ao peito.

— Vocês duas só prometem.

Minha risada escapou antes que eu conseguisse evitar.

Do outro lado do salão, Jeff levantou a cabeça atrás do balcão.

— Deixa a Jenny em paz, Arthur.

Arthur abriu os braços.

— Eu só tô tentando realizar um sonho.

— Então arruma outro.

As gargalhadas se espalharam pelo bar.

Balancei a cabeça, ainda rindo, antes de voltar a recolher alguns copos vazios das mesas.

Mal dei dois passos quando Elara apareceu ao meu lado com um sorriso que eu conhecia bem.

Aquele sorriso sempre significava problema.

— Carne nova.

Ergui uma sobrancelha.

— Hm?

Ela inclinou discretamente a cabeça na direção do balcão.

— Acabou de entrar um cara muito gostoso e pediu um uísque.

Fingi desinteresse.

— É mesmo?

— Uhum.

Continuou andando ao meu lado.

— E, se você ouvir gritos vindos do meu quarto essa noite… não se assusta.

Segurei a risada.

— Elara…

Ela deu de ombros.

— Vai ser por livre e espontânea vontade.

Bufei.

— Você não presta.

— Nunca escondi isso.

Acabei olhando discretamente para o balcão.

Nada.

Franzi a testa.

— Cadê o cara?

Elara também procurou com os olhos.

— Puta merda…

Ela acelerou o passo.

— Ele foi embora sem pagar.

Seguimos até o balcão quase ao mesmo tempo.

Quando chegamos, a porta de entrada ainda balançava levemente.

Jeff ergueu a cabeça.

— O que foi?

Elara pegou a nota dobrada ao lado do copo vazio e soltou uma risada.

— Cem pratas… por um uísque que custava trinta.

Jeff deu de ombros enquanto guardava o dinheiro no caixa.

— Tem cliente que gosta de deixar gorjeta.

Elara suspirou dramaticamente.

— Gostoso… e generoso.

Revirei os olhos.

— Você é um caso perdido.

— Mas admite que eu tenho bom gosto.

Balancei a cabeça e me virei para voltar ao trabalho.

Foi então que um cheiro alcançou meu nariz.

Parei por um instante.

Amadeirado.

Limpo.

Com o frescor da floresta depois da chuva, pinho e terra úmida.

Meu peito apertou.

Eu conhecia aquele cheiro.

Virei discretamente para a porta.

Não havia ninguém.

Sacudi a cabeça e continuei trabalhando.

⸻

As horas passaram mais rápido do que eu imaginava.

Quando olhei para o relógio atrás do balcão, já passava das dez.

Como era dia de semana, o Howling Moon fecharia às onze.

Aquela era a parte em que os clientes começavam a ir embora aos poucos.

A música diminuía de volume.

O bar entrava na rotina de fechamento.

Enquanto Jeff fechava o caixa, eu e Elara recolhíamos os últimos copos, limpávamos as mesas e organizávamos tudo para o dia seguinte.

Perto das dez e meia, amarrei o saco de lixo e o levei até a porta dos fundos.

— Já volto.

— Não demora. — Jeff respondeu sem tirar os olhos do caixa.

Empurrei a porta.

O ar frio da noite bateu no meu rosto.

A caçamba ficava no beco ao lado do bar.

Escuro.

Silencioso.

Qualquer mulher humana provavelmente teria medo de andar sozinha por ali.

Eu não.

Se algum homem resolvesse tentar qualquer gracinha, descobriria muito rápido que eu conseguiria rasgar a garganta dele antes mesmo que tivesse tempo de pedir socorro.

Joguei o saco na caçamba e me virei para voltar.

Foi quando senti alguém atrás de mim.

Antes que eu pudesse reagir, uma mão envolveu meu pulso e me puxou para a sombra entre as paredes estreitas do beco.

Meu corpo respondeu por puro instinto.

Minha mão já se transformava em garra enquanto eu girava para atacar.

Mas ela parou a poucos centímetros do pescoço dele.

O cheiro.

Meu coração disparou.

Ergui os olhos.

Por um segundo, achei que minha mente estivesse enlouquecendo.

— Kaellen…

Ele não respondeu.

Ficou apenas me encarando.

Os olhos dourados percorriam meu rosto lentamente.

Como se estivessem me estudando.

Como se quisessem ter certeza de que eu era real.

Franzi a testa.

— Que merda você tá fazendo?

Ele continuou em silêncio.

Então deu um passo à frente.

Segurou meu rosto com as duas mãos.

Antes que eu pudesse me afastar, sua boca tomou a minha.

Não foi um beijo gentil.

Nem hesitante.

Foi possessivo.

Urgente.

Como se acreditasse que eu ainda lhe pertencesse.

Meu corpo travou de puro choque.

Eu não correspondi.

Não ergui as mãos.

Não fechei os olhos.

Não retribuí um único segundo daquele beijo.

Quando minha mente finalmente voltou a funcionar, empurrei o peito dele com toda a força.

Kaellen recuou um passo.

Levei imediatamente a mão aos lábios.

Esfreguei a boca.

Uma vez.

Duas.

Três.

Tentando apagar qualquer vestígio daquele beijo.

— Você enlouqueceu?!

Ele soltou uma risada torta.

Daquelas que não tinham absolutamente nada de divertido.

Os olhos continuavam presos nos meus.

— Engraçado…

A voz saiu baixa.

Quase debochada.

— O que eu tenho que fazer pra você me chamar de “docinho” também?

Meu estômago revirou.

Ele inclinou levemente a cabeça.

Um sorriso torto apareceu no canto da boca.

— Ou pra você se esfregar em mim do mesmo jeito que se esfregou naquele velho lá dentro?

O tapa foi tão forte que o estalo ecoou pelo beco.

A cabeça dele virou para o lado.

Sem pensar duas vezes, cuspi nele.

— Fica longe de mim.

Passei por ele sem olhar para trás.

Só ouvi a minha própria respiração acelerada enquanto empurrava a porta dos fundos do bar.

Não olhei para trás uma única vez.

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