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Capítulo 40 - A Verdade do Sangue

last update Fecha de publicación: 2025-10-10 20:09:49
Elara

O silêncio que se abateu sobre a clareira parecia pesado como pedra. O vento não ousava soprar; o fogo das tochas tremeluziu, engolido por uma antecipação quase sagrada. Eu podia sentir cada respiração ao meu redor, cada nervo estirado, cada olhar fixo. E no centro de tudo, o Livro Negro, encadernado em couro antigo, exalava cheiro de tempo queimado, de memórias esquecidas, de verdades enterradas com sangue e medo.

Minha mão tremia levemente enquanto Adrian a segurava. Sua presença era um
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    AdrianO vento soprava frio dentro do templo antigo, carregando o cheiro úmido das pedras, o eco distante das vozes dos anciões e o som abafado da chuva que começa a cair lá fora. O caos tinha cessado, e agora restava apenas o silêncio. Um silêncio tão pesado que parecia vivo, como se o mundo inteiro prendesse o fôlego diante do que acontecera.Eu me ajoelhei ao lado dela. Elara estava deitada sobre o altar de pedra, a pele pálida como a lua, os lábios frios, o corpo imóvel. As runas em volta dela ainda brilhavam em tons de prata e vermelho, pulsando com a energia que consumira tudo o que ela tinha.— Elara... — minha voz saiu como um sussurro trêmulo. — Por favor, me ouve. Não faz isso comigo. Não parte assim.Segurei a mão dela, fria e leve, como se fosse feita de névoa. O peito doía, um buraco se abrindo no meio de mim, queimando por dentro. Eu a beijei na testa, buscando nela algum sinal de vida, qualquer coisa — um sopro, um tremor, uma respiração. Mas nada.— Não é justo. — mu

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    AdrianCaminhamos lado a lado, em silêncio. A floresta, agora calma, parecia abrir caminho para nós. O ar estava frio, mas havia algo diferente nele — como se a magia que antes destruía agora apenas observasse.Cada passo era um adeus. Cada respiração, uma promessa.Meu peito doía, pela perca do meu irmão. A dor era insuportável.Elara e acompanhava, chorando, compartilhava da mesma dor que eu sentia.Conforme íamos andando, reconhecemos os corpos pelo caminho, lobos e humanos que morreram numa batalha insana, sem um motivo concreto.Elara soltou um grito, a dor vinha de dentro do seu coração. Ela correu até uma árvore e se ajoelhou, seu choro constante, triste. Ela gritava:— Papai! Fique comigo! Não vá!Daren estava alí caído, ferido, tentando falar algo, mas sangue saía entre seus lábios dificultando as palavras.— Não diga nada, papai. O senhor tinha que ter ficado em casa.— Vim te proteger — Daren conseguiu balbuciar antes de falecer.Elara, chorando tentou pegar o pai no col

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    ElaraO mundo estava em silêncio. Um silêncio pesado, espesso, impossível de suportar.A lua branca brilhava sobre a devastação — o campo tomado de corpos, sangue e cinzas. As árvores gemiam com o vento, e o cheiro metálico ainda pairava no ar. Tudo parecia imóvel, suspenso, como se o tempo tivesse parado para assistir à dor.Meu coração batia em descompasso. Não sentia mais as pernas. Não sentia o chão. Só o desespero.E então eu o vi.Entre a poeira e a fumaça, o corpo dele. Adrian. Caído de lado, imóvel, o rosto parcialmente coberto pelo cabelo escuro manchado de sangue.Um som escapou da minha garganta — algo entre um soluço e um grito. — Adrian!Corri. Tropecei em pedras, em corpos, em lembranças. Cada passo doía. Cada batida do meu coração parecia arrancar um pedaço de mim.Quando alcancei-o, caí de joelhos ao seu lado, o corpo inteiro tremendo. As mãos sujas tocaram o peito dele — frio, coberto de sangue. — Não... não, por favor, não... — sussurrei, o choro engasgand

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    ElaraFizemos amor. Um amor desesperado, febril, como se o mundo fosse ruir ao amanhecer. E, de certa forma, estava ruindo.Agora, deitada sobre o peito dele, ouvia o som grave de sua respiração. Sua pele ainda estava quente, e o cheiro de terra, suor e luar se misturava ao meu. Ele passava os dedos distraídos pelos meus cabelos, mas o olhar fixo na distância denunciava o que ele tentava esconder: a preocupação.— Está sentindo? — perguntei, minha voz um sussurro. — Sim. — Ele respondeu sem hesitar. — O sangue da lua… já começou a chamar.As palavras dele pairaram no ar, pesadas como o destino.Lá fora, Cael rondava inquieto, e os outros lobos se moviam pela clareira com nervos à flor da pele. O vento trazia consigo o cheiro dos humanos — madeira, fogo, medo. Eles estavam perto. Muito perto.Adrian se levantou, o corpo nu iluminado pela luz carmesim que filtrava pelas frestas. Por um instante, ele parecia feito da própria noite: selvagem, imortal. Mas havia cansaço em seu olhar

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