Share

4

last update Tanggal publikasi: 2026-09-16 02:41:22

Evangeline

Seu olhar me analisa por alguns segundos.

— Ponha essa massa na forma, querida. O forno já está aquecido.

Assinto e me afasto imediatamente para ir em busca da forma.

Você precisa parar de pensar no passado, Evangeline. Digo para mim mesma. Se concentre no seu trabalho. Você não pode perder esse emprego.

Algumas horas depois, o cheiro do pão está por todo o cômodo. Em cima de uma mesa comprida tem várias bandejas preparadas para serem servidas a qualquer momento. Nadezhda adentra a cozinha e a ordem é dada logo em seguida. Seguro a cesta com os pães frescos e levo para a sala de jantar. Diferente da última vez, tem apenas duas pessoas sentadas à mesa. Alguns empregados depositam os pratos e, quando me preparo para sair, percebo um par de sapatos lustrosos e negros parados na entrada do cômodo.

Engulo em seco e puxo uma respiração profunda, mas sutil.

— Gideon, querido! — a mulher atrás de mim diz animada. — Venha, sente-se do meu lado.

Ela pede, mas ele não se mexe.

— Olhe para mim! — ele solta um tom áspero e firme, porém baixo.

Nervosa, mantenho meus olhos fixos nos seus sapatos.

— Eu disse: olhe para mim!

Meu coração estremece, mas obedeço, erguendo a cabeça bem devagar. E prendo a respiração quando encontro o seu olhar escuro como uma noite sem estrelas, olhando-me com uma firmeza assustadora.

— Você parece uma fugitiva quando se esconde dessa maneira.

Meu coração dispara feroz dentro do peito.

— Nunca mais apareça assim na minha frente. Não quero vê-la novamente escondendo o rosto.

— Gideon, o que houve?

A mulher insiste. Meus olhos continuam congelados nos seus.

— Entendeu? — inquire, ignorando a pergunta dela.

Faço um sim com a cabeça.

— Eu não escutei.

Abro a boca com dificuldade.

— Sim… senhor.

Seu olhar ainda cativa o meu por alguns segundos. Até que ele se afasta para o lado e me dá passagem. Saio dali tão rápido quanto um raio. Tentando respirar, mas o ar parece estar preso em meus pulmões. E, quando já estou longe o suficiente, me encosto numa parede e tento me acalmar.

Não é nada.

Ele não sabe.

Está tudo bem.

Repito essas frases até acreditar em cada uma dessas palavras. E, quando sinto meu corpo se acalmar, respiro fundo e entro na cozinha.

***

Logo mais à noite…

— Entre! Entre! — Madre Caterina diz, quando abre as pesadas portas de madeira do convento.

Assim que entro, recebo o calor aconchegante das paredes brancas do lugar. Livro-me do pesado casaco e caminho ao seu lado pelo longo corredor.

— Como ela está? — pergunto, controlando minha ansiedade.

Recebo um sorriso seu.

— Acho que ela está adivinhando a sua chegada.

— Ah, é?

— Taya não dormiu desde a sua última mamada.

E, após subir dois lances de escadas, paramos de frente para uma porta de madeira envernizada. Meu coração dispara quando levo uma mão para a maçaneta. Eu a abro e um quarto cheio de berços entra no meu campo de visão. Meus olhos se enchem de lágrimas emocionadas e me pego sorrindo.

— Vai lá, querida — Caterina pede. — Segure a sua filha nos braços.

Só então eu me mexo.

— Oi, minha filhinha!

Minha voz sai como um sussurro quando finalmente a seguro nos meus braços e uma lembrança vívida preenche a minha mente. O dia em que pus os pés neste lugar me sentia completamente quebrada e perdida. E, alguns dias depois, a dor que rasgava o meu ventre parecia me partir ao meio, me trouxe um motivo real para sorrir.

“Taya. Você vai se chamar Taya Zorin.”

As lágrimas que preencheram meus olhos mal me permitiam ver o seu rostinho.

— Meu Deus, como eu senti a sua falta!

A aperto um pouco mais contra mim. O seu calor logo me aquece e o meu mundo inteiro se ilumina.

— Sentiu a falta da mamãe?

Começo a conversar com a minha filha enquanto saio do berçário e vou para um quarto que Caterina separou para mim desde que cheguei à Rússia. Me acomodo numa poltrona confortável, perto de uma janela. Acaricio suas bochechas rosadas. Conto-lhe uma história. E, quando termino de cantar uma canção de ninar, ela já está dormindo.

— Me desculpe não poder te levar comigo, docinho.

Fico em silêncio quando um nó começa a sufocar a minha garganta.

— A mamãe precisa trabalhar.

Em seguida, forço uma leve animação na minha voz.

— Logo vamos ter um lugar só nosso. E vamos ficar juntas para sempre.

Minha filha solta um resmungo que me faz rir. É como se ela soubesse o que eu quero dizer. A olho com mais atenção e sinto como se as emoções quisessem me afogar.

— Você é a minha força, Taya — solto um som embargado. — Por você eu sou capaz de lutar contra o mundo inteiro.

Contra ele.

Me levanto e a levo para a minha cama, ponho-a com cuidado e ajoelho-me na lateral. Fico olhando para minha filha por longos minutos sem dizer nada. E, quando o cansaço chega, me deito ao lado dela. Meu braço atravessa seu corpo frágil protetoramente.

Penso em Sophie. Me pergunto se Artem a procurou. Se ele perguntou de mim.

Não, não pense nisso. Não pense nele.

Já é bem tarde quando meus olhos ficam pesados e finalmente adormeço. Sem sonhos. Sem pesadelos.

Lanjutkan membaca buku ini secara gratis
Pindai kode untuk mengunduh Aplikasi

Bab terbaru

  • A MALDIÇÃO DOS VOLKOV   74

    GideonMeu tio avança sobre o médico, mas Anton o detém.— Tenho documentos, históricos de conversas, e-mails, áudios de negociações. Tudo guardado em um arquivo.— Seu cretino, filho da puta! — Dimitri grita, lutando para se livrar do agarre do meu amigo.Sinto que estou sendo esmagado por dentro. Por um instante não sei mais em quem confiar. O meu tio. O homem que me criou como seu filho, que esteve o tempo todo do meu lado. E o médico que jurou cuidar da minha família.Então algo se passa pela minha cabeça. Meu pai. Ele também fez parte dessa conspiração? E o meu avô?… Manter viva a ideia da maldição dos primogênitos dos Volkov.Meus dedos se fecham com tanta força contra minha palma, que sinto a ardência na pele.— E… o meu pai?A pergunta escapa da minha boca, à medida que encaro meu tio. O silêncio me faz olhar para o médico outra vez. Ele leva uma mão a nuca e solta uma respiração trêmula em seguida.— A cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva é uma doença hereditária, Gideon.

  • A MALDIÇÃO DOS VOLKOV   73

    Gideon— Uma opinião longe dos domínios dos Volkov.— O que isso quer dizer? — Alina se pronuncia.— Exatamente o que você viu nesse laudo. OVolto o meu olhar para Viktor que agora mantém seu olhar fico no documento.— Que existe uma possibilidade de uma intervenção cirúrgica capaz de melhorar significativamente o meu quadro.Dou um passo na direção dele.— O que disse? — Mamãe indaga incrédula. — Você… v-você não vai morrer?A voz dela embarga. Contudo, continuo encarando o meu médico.— Me explique por que essa possibilidade nunca foi discutida comigo antes, doutor Viktor Sokolov? — questiono.Ele ergue a cabeça, solta um pigarro. Parece incomodado com os olhares em cima dele.— Gideon, você precisa compreender que o seu caso…Não espero terminar.Agarro Viktor pelo terno impecável e o empurro brutalmente contra uma parede. O impacto faz um quadro acima da sua cabeça balançar. E o meu antebraço pressiona com força a garganta dele, impedindo-o de se afastar.Um ruído de cadeiras arr

  • A MALDIÇÃO DOS VOLKOV   72

    Gideon— Esperem aqui!Peço minutos depois, abrindo a porta de uma sala privada, e recebo os olhares de todos para mim. Alguns parecem confusos. Outros estão cheios de interrogação. E apenas um par de olhos está preocupado, o de minha mãe. Irina está sentada ao lado da minha prima, enquanto tio Dimitri ocupa uma das cadeiras próximas à cabeceira da mesa retangular. Doutor Viktor está em um canto afastado, perto de uma janela. Seus braços estão cruzados e ele carrega uma expressão de tranquilidade, de quem passou a vida cuidando da minha saúde.Observo cada um deles em silêncio. Sem expressão. Mas dentro da minha cabeça as perguntas gritam inquietas. A tensão estampada em seus rostos não passa despercebida. Tampouco as perguntas silenciosas que parecem aguardar minha entrada.— A culpa é sua! — Tio Dimitri acusa, ficando de pé, enquanto encara rudemente a minha esposa, que para do meu lado. — Como pode ser tão irresponsável, a ponto de tirar o meu sobrinho desse hospital sem uma recome

  • A MALDIÇÃO DOS VOLKOV   71

    Gideon— E… o que isso muda? — pergunto. — Minha condição continua sendo grave, não é?— Sim. Não vou minimizar os riscos. Seu coração apresenta alterações que exigem tratamento especializado. E os episódios recentes de taquicardia não podem ser ignorados. Mas existe uma possibilidade que o senhor precisa conhecer.O médico faz uma pausa, como se escolhesse cuidadosamente as próximas palavras.— Uma intervenção cirúrgica pode melhorar significativamente o seu quadro.Demoro a compreender a frase.— Que tipo de intervenção?— Uma miectomia septal. É um procedimento no qual removemos uma pequena porção do músculo cardíaco espessado que está obstruindo a saída do sangue do ventrículo esquerdo. Pelos resultados que temos até agora, o senhor pode ser candidato à cirurgia. Precisaremos concluir a avaliação pré-operatória e analisar todos os riscos antes de tomar uma decisão definitiva.Fico imóvel.Uma cirurgia.A palavra ecoa na minha cabeça, mas não consigo atribuir a ela um significado q

  • A MALDIÇÃO DOS VOLKOV   70

    GideonHoras depois…— Os exames ficarão prontos em uma hora.A enfermeira avisa, saindo da sala em seguida.Nervoso, saio da maca e vou para perto de uma janela. Observo o tempo nublado. Penso que irei cair na escuridão quando sinto o seu toque suave no meu braço. Viro o rosto para olhá-la.e— Você está bem?Apenas meneio a cabeça e volto a olhar para o lado de fora.Uma hora. Em uma hora descobrirei o meu destino. Ele pode me trazer um futuro ou pode simplesmente apagá-lo. Tirar de mim os sonhos que ousei sonhar por meros minutos. A espera me faz bater o polegar contra meu braço. Incapaz de permanecer completamente imóvel, afasto-me da janela e me sento uma poltrona. Respiro fundo. Penso em me levantar outra vez, quando ela se agacha bem na minha frente. Encaro o seu sorriso.É encorajador.— Fique calmo. Logo tudo isso vai acabar.Logo tudo isso vai acabar. Suas palavras se repetem dentro da minha cabeça.Vai acabar. Repito. Mas de que jeito?Então ela toca no meu rosto e me permit

  • A MALDIÇÃO DOS VOLKOV   69

    Na manhã seguinte…Acordo aos poucos, consciente de um calor que não vem dos cobertores e percebo que Evangeline está aninhada contra mim, com o rosto próximo ao meu peito e um dos braços repousando sobre minha cintura. Por alguns segundos, permaneço imóvel, tentando compreender como acabamos nessa posição. A última coisa de que me lembro é de estar deitado de frente para ela e que passei horas a observando enquanto dormia.Em algum momento da noite a distância entre nós desapareceu e eu não percebi. A pior parte é que eu gostei dessa aproximação. Baixo os olhos para ela. E como se pressentisse meu olhar, Evangeline se mexe. Suas pálpebras se abrem e nossos olhos se encontram.A princípio, ela fica imóvel. O silêncio que se instala entre nós é desconcertante. Nenhum dos dois parece saber o que fazer com aquela proximidade.Sinto seus dedos se contraírem levemente contra minha camisa, como se ela só agora percebesse onde está. Eu também percebo. Cada detalhe. O calor de seu corpo, a su

Bab Lainnya
Jelajahi dan baca novel bagus secara gratis
Akses gratis ke berbagai novel bagus di aplikasi GoodNovel. Unduh buku yang kamu suka dan baca di mana saja & kapan saja.
Baca buku gratis di Aplikasi
Pindai kode untuk membaca di Aplikasi
DMCA.com Protection Status