LOGINA porta do subsolo permanecia aberta.Uma luz fraca vinha de dentro, iluminando apenas os primeiros degraus.Ninguém se moveu.Alina sentia a marca pulsar sob a pele.Caetano permaneceu ao lado dela.Helena segurava seu braço.Mateo observava Samuel.— Você sabia que existia uma passagem — disse Mateo.Samuel assentiu.— Sabia.— E nunca contou?— Não podia.Mateo deu um passo em sua direção.— Você precisa parar de dizer isso.Samuel sustentou o olhar dele.— Por quê?— Porque toda vez que você diz que não podia contar, descobrimos outra coisa que teria mudado tudo.Samuel aceitou a crítica sem discutir.— Tem razão.Alina olhou para a abertura.— O que existe lá embaixo?Samuel respondeu:— O lugar onde Violeta guardou aquilo que não podia confiar a ninguém.— O quê?— A origem do protocolo.Alina respirou fundo.— Então vamos descobrir.Os degraus levavam a um corredor estreito.As paredes eram de pedra antiga, mas havia cabos recentes passando pelo teto.Mateo observou.— Essa ins
A nova solicitação permanecia na tela.V-08-C — ORIGEM: V-08-R.DESTINO: MATEO.Alina não conseguia tirar os olhos daquelas palavras.Mateo estava ao lado do terminal, tão surpreso quanto os outros.— Isso não deveria existir — disse ele.Samuel aproximou-se.— Não.— Então alguém alterou o protocolo.— Não.Mateo olhou para ele.— Você acabou de dizer que não deveria existir.— Eu disse que não deveria existir dessa maneira.Alina percebeu a diferença.— Explique.Samuel apontou para a tela.— O V-08-R foi criado para uma única finalidade: impedir que qualquer pessoa, inclusive o administrador, pudesse transferir a responsabilidade do portador contra a vontade dele.— Então por que apareceu uma solicitação depois da minha recusa?— Porque alguém não está usando o V-08-R para transferir você.— Está usando para provocar uma resposta.Mateo entendeu.— Estão testando os limites do protocolo.Samuel assentiu.— Exatamente.Caetano se aproximou.— Mas quem faria isso sabendo que podemos
A palavra continuava na tela.HELENA.Alina ficou imóvel.Mateo encarava o registro, enquanto Samuel permanecia em silêncio.Caetano foi o primeiro a quebrar a tensão.— Isso não faz sentido.Samuel concordou.— Não deveria fazer.Helena olhou para o terminal.— O que significa meu nome?Mateo voltou algumas páginas do registro.— A transferência do V-08-C foi associada a uma identificação secundária.— Minha identificação?— Sim.Helena empalideceu.— Eu nunca autorizei isso.— Eu sei.Alina se aproximou.— Então existe outra contradição.Samuel assentiu.— A chave.Todos olharam para ele.— A chave que vocês acreditavam estar nesta casa — continuou Samuel — nunca esteve aqui.Helena franziu a testa.— Mas eu vi a caixa.— Viu.— E você disse que ela continha a chave.Samuel negou.— Eu disse que a caixa estava ligada à chave.Alina percebeu a diferença.— Não é a mesma coisa.— Não.Samuel caminhou até a antiga estante.— A caixa era um compartimento de segurança. Servia para guarda
A voz de Samuel ainda ecoava pelo andar superior.— Eu deveria estar morto.Mateo permanecia imóvel.— Isso não pode ser verdade.Samuel respondeu:— Pode. E é exatamente por isso que vocês precisam entender o que significa V-08 antes de continuarem fazendo perguntas.Alina apertou a mão de Helena.— Então explique.Houve alguns segundos de silêncio.Depois, Samuel começou a descer a escada.Era um homem mais velho do que aparecia na fotografia, mas não parecia ter a idade que deveria ter.Helena recuou.— Você estava morto.— Oficialmente.— Eu vi o registro.— Eu sei.— Minha mãe acreditou nisso.Samuel olhou para ela.— Sua mãe precisava acreditar.Helena ficou confusa.— Por quê?Samuel não respondeu imediatamente.Olhou para Mateo.— Porque vocês continuam cometendo o mesmo erro.— Qual? — perguntou Mateo.— Estão tratando V-08 como se fosse uma senha.Ele se aproximou da mesa.— Nunca foi.Samuel pegou um pedaço de papel e desenhou três círculos.— V-08 não é uma autorização úni
Mateo voltou para o terminal assim que percebeu a contradição.A coordenada continuava registrada na tela.O endereço da antiga casa de Helena.Mas havia outra coisa que não fazia sentido.O código.V-08.Alina percebeu a expressão dele.— Você encontrou alguma coisa.Mateo não respondeu imediatamente.Caetano aproximou-se.— O que foi?— Nós interpretamos o código errado.Helena ficou tensa.— Como?Mateo abriu os registros antigos e colocou várias páginas lado a lado.— V-08 nunca foi uma identificação de família.Alina cruzou os braços.— Mas você disse que estava relacionado a Varenna.— Está.— Então qual é o significado?Mateo apontou para a primeira letra.— O “V” não significa Varenna.Alina franziu a testa.— Então significa o quê?— Vigilância.Helena ficou imóvel.— Vigilância?— Sim.Mateo abriu um documento antigo.No cabeçalho havia uma classificação.SISTEMA V — VIGILÂNCIA DE PORTADORES.Abaixo, vários códigos.V-01.V-02.V-03.Até V-08.Alina aproximou-se.— O que era
A folha permaneceu sobre a mesa.CÓDIGO REATIVADO.Alina continuava olhando para aquelas duas palavras.Durante anos, acreditara que o perigo pertencia ao passado. Violeta havia apagado os registros, destruído caminhos e escondido sua existência. Helena havia construído uma vida longe das oito famílias.Mas alguém tinha encontrado uma brecha.E não apenas encontrara.Havia decidido utilizá-la.— Quero saber quem fez isso — disse Alina.Mateo abriu o arquivo no terminal.— Precisamos começar pelo momento exato da reativação.Caetano aproximou-se.— Você consegue rastrear?— Talvez.— Talvez?Mateo encarou a tela.— O código foi criado em um sistema antigo. A maior parte da infraestrutura foi destruída quando o Trono caiu. Mas alguém conseguiu acessar um núcleo que deveria estar inativo.Helena ficou tensa.— Então essa pessoa conhece o sistema antigo.— Ou conhece alguém que conhece.Alina cruzou os braços.— As oito famílias?Mateo hesitou.— Não necessariamente.— Mas alguém ligado a







