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Capítulo 44: Queimando as Tradições

last update publish date: 2026-09-27 04:35:57

Ahmed

A brisa suave do começo da tarde, que deveria trazer algum alívio, parecia zombar da atmosfera sufocante da clínica. Lá fora, cada gota de chuva que pingava na vidraça da sala de espera parecia tentar apagar o fogo que ardia incontrolavelmente dentro de mim – uma chama de desespero e angústia. Eu entrei com um passo firme, quase imperceptível, sentindo no ar o rastro dela, aquela fragrância inconfundível de jasmim e sândalo que sempre me roubava o fôlego e me transportava para um lugar de
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    Maria ClaraDa minha varanda no 47º andar da Al-Rashid Tower, observo as torres de vidro que perfuram o céu de Dubai como espadas reluzentes. O sol nasce entre os arranha-céus, banhando de dourado o mar de concreto e areia. Aqui, onde outrora me senti prisioneira, agora sou rainha: de um império de negócios, de um reino de sonhos e de um coração que se expande a cada batida.Tudo começou com fogo e traição, mas terminou em parceria e amor. Lembro-me da primeira vez que pisei neste território alienígena, com a pele inquieta, o coração em labaredas de medo e desejo. Cheguei como “noiva prisioneira”, mas hoje caminho livre, vestida de seda e esperança. Os ventos do deserto ainda sussurram velhos rancores, mas eu aprendi a silenciá-los com a chama viva que habita meu peito.— Clara, já acordou? A voz de Ahmed chega até mim envolta em café fresco e convites para reuniões. Ele já está vestido com o corte impecável do terno marinho, camisa branca e lenço de bolso combinando. Seu perfume, mi

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    Maria ClaraO avião particular do Sheik, um jato Gulfstream G650 luxuosamente decorado, tocou a pista do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro com um rugido surdo, quase inaudível dentro da cabine à prova de som. Pela primeira vez desde aquela noite fatídica, a noite do incêndio que mudou tudo, senti o chão firme e inabalável sob meus pés. Era um contraste bem-vindo à instabilidade dos últimos dias, à vertigem constante de um futuro incerto.Quando a porta da aeronave se abriu e pisei na sala de desembarque VIP, o ar quente e úmido do Brasil me envolveu como um abraço tardio, um sopro familiar que eu não sabia o quanto ansiava. O cheiro de terra molhada e flores tropicais preencheu meus pulmões, trazendo um lampejo de nostalgia agridoce. Minha busca foi imediata, quase instintiva. Procurei por ele, a figura imponente que dominava meus pensamentos e, agora, minha realidade.Ele estava lá, inconfundível, mesmo em meio à multidão vibrante e barulhenta de passageiros que desembarcava.

  • A Noiva Prisioneira do Sheik   Capítulo 44: Queimando as Tradições

    AhmedA brisa suave do começo da tarde, que deveria trazer algum alívio, parecia zombar da atmosfera sufocante da clínica. Lá fora, cada gota de chuva que pingava na vidraça da sala de espera parecia tentar apagar o fogo que ardia incontrolavelmente dentro de mim – uma chama de desespero e angústia. Eu entrei com um passo firme, quase imperceptível, sentindo no ar o rastro dela, aquela fragrância inconfundível de jasmim e sândalo que sempre me roubava o fôlego e me transportava para um lugar de paz. Mas ela não estava lá. Nem o corpo que eu ansiava reencontrar, nem a alma vibrante e cheia de vida que eu havia deixado ali, naquele mesmo quarto, horas antes, com a promessa de um rápido retorno. O vazio em seu lugar era um eco ensurdecedor, preenchendo o ambiente com a ausência dela e com a minha crescente e perturbadora realização.— Sheik. — Um médico se aproximou com cautela. — A Senhora Clara teve alta ontem… foi embora cedo pela manhã para o Brasil. Um… exílio imposto pelo Conselho.

  • A Noiva Prisioneira do Sheik   Capítulo 43: Sacrifício

    Maria ClaraO zumbido persistente dos recursos intravenosos me acordou. O calor do quarto clínico ainda estava vivo em minhas veias — não era febre, era a memória constante do fogo que tentara me consumir. Olhei para o lado e vi o balão de oxigênio ainda inflado. Minhas mãos tremiam, e não era apenas pelo veneno da fumaça — era por tudo que se desdobrava ali fora, enquanto eu me recuperava.Meses haviam passado desde o incêndio, mas os incêndios reais — aqueles do poder, do ódio, da traição — ainda ardia com mais intensidade. O palácio assistia, dividido entre a figura imponente de Ahmed, o primogênito do deserto, e a sombra envenenada de um primo exilado, cujos sussurros ecoavam em corredores vazios.Me senti presa, entre o desejo de permanecer ao lado do homem que amo e a obrigação de salvar o império que nos sustentava. Sabia o que precisava fazer. Apesar da dor, mesmo quando meus pulmões queimavam, havia uma chama dentro de mim maior do que qualquer labareda.Levantei-me, sentindo

  • A Noiva Prisioneira do Sheik   Capítulo 42: Véu de Chamas e Dois Corações

    AhmedO cheiro foi a primeira coisa que me arrancou do torpor. Fumaça. Pesada. Quente. Inconfundível. Uma onda espessa e acre que invadiu minhas narinas e garganta, fazendo meus pulmões arderem. Não era o aroma familiar do incenso queimando, nem o suave perfume das especiarias que costumavam flutuar pelos corredores do palácio. Este era um odor de destruição, de madeira consumida e tecido carbonizado, que me fez prender a respiração num reflexo automático.Abri os olhos, pesados e embaçados pela névoa, e o teto do quarto dançava em tons de laranja e cinza. Chamas lambiam as vigas de madeira escura, projetando sombras fantasmagóricas pelas paredes. O ar estava denso, quase sólido, e a cada inspiração parecia sugar a umidade de meus lábios. Por um instante, a beleza era quase hipnótica — a dança hipnotizante das chamas, a forma como a luz bruxuleante transformava o quarto em uma pintura abstrata de calor e fumaça. Minha mente, ainda presa nas teias do sono, demorou a processar o que meu

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    Maria ClaraNaquele instante eu soube que a tormenta não ficaria apenas nas palavras. Quando Ahmed me puxou pelos corredores silenciosos do palácio, a fúria nos olhos dele era chama viva — mas havia outra coisa ali: a ânsia de me ter de volta, inteira, como antes de todos nos odiarem.Fechamos a porta do quarto com um estalo que reverberou como um trovão no peito. A meia-luz das velas escarlates tornou cada sombra sinuosa, como se os móveis dançassem em antecipação. Ele me empurrou suavemente até o dossel de veludo, tirou o turbante com um gesto brusco e varreu as rugas do meu rosto com as mãos grandes, intensas.— Preciso sentir sua pele contra a minha — murmurou, a voz grave trepidando no ar.Meu corpo reagiu antes da mente ordenar qualquer coisa. Era tão bom sentir o perfume dele — mistura de especiarias e madeira — invadir meu corpo, lembrando-me que, mesmo quando tudo desmorona, havia ali alguém disposto a reconstruir cada pedaço.— Eu também preciso de você — sussurrei, deixand

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