MasukA senhora Sullivan, vestida com um cheongsam vermelho-vinho, estava no palco encarando Valentina Reis com uma expressão gélida.
— Casamento? Ninguém se casa aqui sem a minha permissão!
o Velho Sullivan, que havia ficado em silêncio até então, finalmente se pronunciou:
— Demetrio, sua mãe e eu concordamos plenamente. Não permitiremos, de forma alguma, que você se case com alguém da família Sullivan.
A palavra do Velho Sullivan era definitiva.
— Então você ainda tem a coragem de aparecer aqui, Valentina? Acha que nossa família é tão fácil de enganar?!
Ao ouvir isso, Valentina estremeceu. Será que me descobriram?
Aquela velha é realmente cruel — chegou a armar para que alguém arruinasse o casamento. Mas o que posso fazer se Demétrio só me ama?
O fato de Demétrio gostar dela era o maior orgulho que Valentina carregava desde a infância. Como desperdiçar uma chance tão boa de conquistar o favor do presidente do Grupo Sullivan?
Ela agarrou o braço de Demétrio, mordeu o lábio e tentou conter as lágrimas.
— Senhora Sullivan, eu sei que a senhora não gosta de mim, mas Demétrio e eu estamos verdadeiramente apaixonados...
— Chega! Pare de bancar a vítima na minha frente!
A senhora Sullivan, com sua postura altiva, olhava para ela como se observasse um palhaço. Desceu os degraus, fixou os olhos na barriga de Valentina e soltou um sorriso carregado de escárnio.
— Ah, é? Você está grávida de outro homem e ainda quer se casar com alguém da nossa família?
Demétrio soltou o braço dela bruscamente, olhou para a barriga com incredulidade nos olhos.
Valentina recuou dois passos, agarrando o estômago, o corpo em tremores.
— Eu... isso não é verdade! Demétrio!
— Não é verdade? Então o que é isso?!
A senhora Sullivan pegou um relatório de laboratório e jogou na cara dela.
— Está escrito aqui com todas as letras. Como você ousa negar?!
Desde que descobrira que o filho se interessava por Valentina, o casal de idosos nunca ficou totalmente satisfeito com a origem dela. Ainda assim, a senhora Sullivan não havia se intrometido muito, pensando que, se ela realmente amasse Demétrio, seria o suficiente.
Demétrio era de personalidade fria, e ao longo dos anos apenas Valentina havia conseguido chamar sua atenção. Mas na véspera do casamento, a senhora Sullivan percebeu que algo estava errado.
Por acaso, no hospital, ela havia visto Valentina entrar na ala de obstetrícia e ginecologia acompanhada de um outro homem. E então descobriu: Valentina estava grávida.
Essa mulher ardilosa queria se casar com meu filho e trazer um filho ilegítimo para dentro da família Sullivan? Isso jamais vai acontecer.
O relatório caiu no chão. Demétrio o apanhou, deu uma rápida olhada e, no segundo seguinte, amassou o papel com os dedos finos, transformando-o numa bola. Olhou para Valentina e sentiu uma náusea intensa. A raiva queimava em seus olhos.
Eu a tratei bem. E ela... como se atreve?
— Alguém tire ela daqui!
Por ordem da senhora Sullivan, vários homens corpulentos arrastaram Valentina, ainda trêmula, para fora do salão.
O tumulto se dispersou.
— Lauren, venha até aqui.
Lauren Marone observava a cena à distância, sem entender bem o que havia acontecido. Franziu os lábios, sentiu as palmas das mãos umedecerem. Pensando na mãe no leito de morte, finalmente deu o primeiro passo e caminhou, devagar, pelo tapete vermelho.
Mesmo antes de se aproximar de Demétrio, ela já sentia o frio que emanava dele.
— Lauren, pegue a mão de Demétrio. A partir de hoje, vocês serão parceiros para sempre.
A senhora Sullivan uniu as mãos dos dois. Os dedos dele, gelados. As pontas dos dedos dela, quentes.
O restante da cerimônia transcorreu sem maiores incidentes. O casal Sullivan aos poucos demonstrou alívio e alegria. Os convidados seguiram o protocolo, oferecendo bênçãos com toda a elegância esperada.
Após a cerimônia, Lauren entrou no carro e seguiu para a nova casa.
A Mansão Sullivan ficava no coração de Hastivil — um apartamento espaçoso e luminoso, com vários jardins. O quarto nupcial estava no segundo andar. Como Demétrio ainda não havia chegado, Lauren entrou, tirou o pesado vestido de noiva e abriu o guarda-roupa.
As camisolas, todas vermelhas e reveladoras, provavelmente haviam sido escolhidas pela noiva anterior. Lauren pegou a mais discreta e foi ao banheiro se livrar do cansaço.
Assim que saiu do chuveiro, esbarrou em uma parede de carne.
— Ai!
Ela levou as mãos à testa, quase caindo.
Demétrio olhou para o pijama dela, e o desgosto em seu rosto aumentou.
— O quê? Você está tão ansiosa para ir para a minha cama?
Lauren instintivamente cobriu o peito ao perceber o olhar frio dele.
— Desculpe, não foi intencional.
Com um sorriso zombeteiro, Demétrio agarrou seu pulso com uma força que fez os ossos estalarem.
— Sei muito bem que você é igual à Valentina — só quer meu dinheiro e meu status. Não crie expectativas. Não importa o que faça, você nunca vai merecer minha atenção.
Embora a situação fosse lamentável, Lauren não era o tipo de pessoa que se deixava intimidar. Ela afastou a mão dele e o encarou diretamente.
— Eu sei que você não gosta de mim, e eu também não gosto de você. Nos casamos para atender à vontade de nossas famílias, e ponto.
— Eu, Lauren Marone, posso não ter muita coisa, mas autoconsciência não me falta. De agora em diante, pode me tratar como se eu não existisse. Eu não vou te incomodar.
Demétrio ficou um instante desconcertado, e o escárnio no rosto se intensificou.
— Seria melhor assim mesmo.
Dito isso, ignorou Lauren e entrou no banheiro.
Lauren respirou fundo. Esse Demétrio Sullivan era realmente tão frio e implacável quanto os rumores diziam.
Ela arregaçou as mangas, empurrou o sofá para longe da cama, se cobriu com o cobertor e deitou ali mesmo.
Estava exausta. Nos últimos dias, havia corrido sem parar e dormido pouco. Agora que a família Sullivan estava cuidando da situação no hospital, ela finalmente poderia descansar.
Lauren fechou os olhos e adormeceu em segundos.
Demétrio saiu do banheiro com gotas d'água ainda escorrendo pelo pescoço até o peito. Olhou para a figura no sofá, franziu a testa e se aproximou — ela estava realmente dormindo.
Tem covinhas minúsculas... e está dormindo fundo.
O desgosto em seus olhos diminuiu um pouco. Pelo menos ela não havia se atrevido a deitar na cama dele.
A fertilização com água quente e os cuidados minuciosos finalmente surtiram efeito, e a rara planta decorativa do jardim conseguiu abrir suas primeiras pétalas. Na sala de estar da mansão Sullivan, a atmosfera que antes era de pura tensão transformou-se em expectativa. Todos que haviam testemunhado a bagunça anterior no roseiral mantinham a cabeça baixa, aguardando o veredicto da matriarca.Lauren conduziu seu filho, Yago, escada abaixo. Ela olhava para o pequeno com uma expressão firme, mas cheia de ensinamentos amorosos.— Yago, vá pedir desculpas à vovó — orientou ela com suavidade.O menino caminhou lentamente, com seus pezinhos curtos, até a senhora Sullivan, que estava sentada no sofá com os braços cruzados, fingindo uma severidade que mal conseguia sustentar.— Vovó, me desculpe... — disse Yago, fitando-a com seus grandes olhos brilhantes. — Eu não deveria ter colhido aquelas flores. Eu entendo agora.Ao ver aquela carinha adorável, que claramente carregava os traços da família
No quarto, Demétrio olhou para o celular — já passava das 2 da manhã e Lauren ainda não havia retornado.Embora estivesse com Elora, duas garotas sozinhas tão tarde nunca era completamente seguro.Ele discou o número de Lucas e, assim que a chamada foi completada, a voz alta do amigo veio do outro lado da linha.— Lauren voltou?Lucas também não havia dormido, ainda esperando ansiosamente pela esposa.— Não.— Que estranho. Para onde será que aquelas duas foram tão tarde?Demétrio ponderou por um instante.— Vá ao Western Bar.Se bem se lembrava, Lauren havia mencionado um show naquela noite, e bem ao lado do local havia um bar. Imaginou que as duas tivessem se empolgado e resolvido tomar um drinque.— Tudo bem, vou confiar em você desta vez.Lucas saiu pela porta. Embora não soubesse como Demétrio havia adivinhado, seus raciocínios geralmente eram precisos.Demétrio também vestiu um casaco e saiu.Os dois foram juntos até o bar. Assim que entraram, encontraram um espaço vazio deixado
Durante a refeição, Lucas e Demétrio serviam comida às esposas sem que nenhum dos dois quisesse ceder à vez.Lauren já havia comido o suficiente e continuou colocando pratos à frente de Elora.Não importa se ela mesma se alimenta bem ou não. O mais importante é que a grávida esteja satisfeita.Yago e Yasmim, já satisfeitos, corriam de um lado para o outro.Lauren os chamou.— Vocês dois, voltem para o quarto brincar. E se esbarrarem na tia Elora?Elora era a prioridade máxima de todos agora. Não dava para deixar aqueles dois diabinhos causarem confusão perto dela.Yago, segurando a mãozinha da irmã, finalmente se lembrou de sua responsabilidade como irmão mais velho.— Yazinha, quer que eu te leve para brincar com os blocos?Yasmim pulou de alegria — ela adorava os blocos de construção do irmão.Os dois deram as mãos e correram para o quarto.Três meses depois, Elora deu à luz um menino saudável no hospital.No dia do parto, ela permaneceu na sala por três horas inteiras. Lucas estava
Ao ouvir os gritos de Lauren, Demétrio saiu correndo do escritório.— Amor, o que foi?Lauren o olhou com uma expressão suplicante.Demétrio desceu as escadas e encontrou Yago e Yasmim cercando um grande inseto, as mãozinhas tocando-o sem parar.Lauren sentiu-se completamente sem esperança.Antes bastava dar banho só no Yago. Mas agora que minha filha também estava brincando com insetos, as duas crianças precisavam ser higienizadas.Ao ver o pai descer, Yago pegou o inseto e correu até ele.— Papai, olha! É um bichinho!Demétrio ergueu o braço para proteger a própria cabeça, impedindo o filho de tocá-lo.Ele não entendia o que havia de errado com aquela criança. Como o filho de Demétrio Sullivan podia gostar de coisas tão estranhas? Ele se lembrava claramente que, quando criança, nem sequer chegava perto de lama.— Yago, como você pôde assustar a mamãe com um inseto desse?Aquilo o havia apavorado de verdade — ele pensou que um intruso havia entrado na casa.Yago fez beiço, parecendo
O rapaz abriu os lábios rachados, com a voz rouca.Clarice acordou de sobressalto e, ao ver o filho abrir os olhos, ficou tão emocionada que caiu em prantos.— Filho, você finalmente acordou... Você assustou sua mãe demais, sabia?Ao ouvir seus gritos, Roberto correu para dentro do quarto. Quando viu que o filho estava acordado, seus olhos, antes nublados, também ficaram vermelhos.Aquele período havia sido de uma angústia indescritível. Andava de um lado para o outro todos os dias, querendo apenas saber a verdade. Embora o filho não pudesse mais viver como antes, bastava que abrisse os olhos.Já estou muito contente.No dia seguinte, a polícia chegou ao hospital. Após interrogar o rapaz, confirmou os crimes de Valentina.Roberto bateu na própria coxa com raiva.Aquela Valentina era muito ardilosa. Ele havia caído na armadilha dela e quase cometeu um erro grave.....Lauren, vestida com uma camisola branca como a neve, estava diante do armário de guloseimas com uma expressão séria.—
Ao ouvir a pergunta dos policiais, o coração de Lauren disparou.— Ela é minha prima. Posso ajudá-los em alguma coisa?— De acordo com nossa investigação, Valentina Reis está envolvida no afogamento de um rapaz e foi detida. Porém, ela insiste que estava agindo sob suas ordens.A mão de Lauren se fechou lentamente.Então era isso. Não admira que Roberto tivesse ido até a mansão Sullivan exigindo explicações. Foi Valentina quem fez tudo. Ela é simplesmente desprezível demais. Tem que arcar com as consequências dos próprios erros — e mesmo encurralada, não consegue resistir a tentar arrastar os outros junto.— Senhor policial, eu não dei nenhuma ordem a ela. São apenas desculpas que inventou para se safar. Minha prima é muito oportunista. Eu havia gentilmente a deixado ficar conosco, mas ela causou problemas repetidas vezes e foi mandada embora há muito tempo. Não tenho mais nenhum contato com ela.A polícia fez mais algumas perguntas e, após confirmar que o caso não tinha relação com L







