LOGINChelsea acompanhou a mãe do hotel até o aeroporto para que pegasse o avião da família Ambrose-Vilares novamente, alugado e ordenado por Luke que não desejava que as mulheres fossem embora, ainda teria muita coisa para ser declarado naquela semana após o enterro, mas já sabia que Marisa não aguentaria ficar mais tempo que o necessário. Seant era uma cidade rica e cheia de lugares a qual agradava Afonso e para qualquer lado que aquela mulher olhasse, encontraria um comentário dele em algum canto de sua mente.
Como se ele estivesse ali ao lado, falando em seu ouvido.
Chelsea só deixou o aeroporto quando não podia mais ver o avião que sua mãe foi. Voltou para o carro tendo o endereço do hotel que se hospedara com Luke na mente e seguiu até lá. O porteiro lhe cumprimentou ao passar por ele, agradeceu por não ter ninguém no elevador ao chegar à cobertura que Luke escolheu ficar.
Qualquer lugar era melhor que a casa de seu pai no momento, e antes de se mudar, o único apartamento que tinha em seu nome foi vendido. Ficar na casa de um de seus irmãos era pior ainda, preferiu ficar num hotel qualquer. Chelsea chegou ao último andar sem pressa alguma, abriu as portas do lugar olhando em volta em busca do namorado, mas não entrou de antemão.
Foi deixando a bolsa, casaco e os sapatos pelo meio do caminho até encontrar Luke na mesa de escritório na sala atrás de uma grande janela com a vista para as estrelas daquela noite. Ele ergueu os olhos em sua direção e esta parou ali, em frente à mesa como se pedisse apenas com os olhos para se aproximar.
Ele então levantou estranhando o fato de ela ainda está ali. Não teve tempo de falar com ela no velório, e nem no enterro com tanta gente ao redor, ela preferiu se manter afastada ao lado da mãe que chorava sem ninguém saber o motivo ou conhecer. E preferiam assim. Quando Marisa ligou pedindo o avião, achou que Chelsea iria junto acompanhando sua mãe, e vê-la ali, lhe proporcionou inúmeros pensamentos.
— Achei que tivesse partido - lamuriou enquanto se aproximava dela, segurou suas mãos pequenas recebendo um sorriso gentil.
— Eu pensei em ficar. A minha mãe quis ir e ela prefere assim, mas eu quero ficar. Quero ficar com você até podemos voltar. - Contou erguendo uma mão para tocar no rosto do homem — Estou com você.
— Talvez não volte essa semana. Preciso deixar meus irmãos ao menos na direção certa - comentou soltando um riso pequeno lhe encarou nos olhos — seria egoísta da minha parte pedir para ficar comigo por esse tempo?
— Claro que não. - O abraçou rapidamente sabendo que o quanto ele precisava chorar ou até mesmo de um tempo para se manter. — Eu posso ficar e fazer um chá, cuidar de você - Se afastou um pouco. — Sei o que é perder um pai. Visto que esse é o segundo pai que se vai. - quis chorar, mas manteve-se firme — Afonso era o namorado animado da minha mãe, uma figura paterna que perdi muito nova. Eu amava o seu pai.
— Obrigado. - Agradeceu — Não quero que faça chá, mas pode dormir comigo, abraçada. Isso é melhor que chá. - Avisou e ambos sorriram.
— Isso é complicado. - O puxou para a cama logo o deitando primeiro — Porque sou viciada em deitar e abraçar você.
Voltaram a sorrir.
O abraço apertado junto do corpo dela lhe aqueceu durante a noite, seus carinhos e toques gentis o segurando para que não caísse em pensamentos obscuros, conseguiu dormir pela primeira vez depois de dois dias do falecimento de seu pai nos braços de Chelsea e a ouvindo cantar uma música que nunca tinha ouvido antes, mas relaxava, ou seria apenas a voz dela.
Naquela manhã, quando acordou, Chelsea ainda dormia como um anjo, mas dessa vez, o motivo de ter acordado fora justamente um celular tocando. Levantou com cuidado para não acordar a outra e correu até o celular que voltou a tocar novamente. Era o advogado lhe chamando para a casa principal, pois teriam que conversar, reunir a família e isso queria dizer apenas uma coisa.
— A leitura do testamento? - Chelsea sentou na cama novamente jogando os cabelos negros para trás — Não é um pouco cedo para pensarem nisso? Não tem nem três dias.
— Eu acho que isso já o suficiente para o advogado e a empresa parou também. Precisamos cuidar disso, ir atrás do prejuízo. - Avisou ao colocar a calça arrumando o cinto sob o olhar de Chelsea ainda na cama — Devia ir comigo.
— Eu não tenho nem roupa para ir a uma leitura de testamento - tentou sorrir e abaixou à cabeça — Isso é uma coisa de família, meu amor. Não quero me meter.
— Ah - Chelsea acabou rindo e lhe encarou — Você me chamou de “meu amor” isso é romântico - Se aproximou da cama — Agora sim eu quero que você vá, ainda não conheceu meus irmãos e suas esposas.
— Afonso sempre me contou que ele detestava as esposas. E eu não quero conviver com elas, afinal… Não quero estar perto de quem meu segundo pai não gostava.
— Eu acho que se você estiver presente, pode ensinar a elas a como se comportar em família. - Chelsea tornou a rir — Você fica linda usando qualquer coisa, certeza que não quer ir comigo? Seu nome está no testamento, segundo o advogado.
Chelsea estreitou os olhos.
Podia outra vez dizer que não queria, mas também não iria negar que havia curiosidade no ar sobre tudo. Afonso nunca gostou das noras, mas ele seria obrigado a dividir sua fortuna entre os quatro filhos e consequentemente entre as esposas. E agora tinha seu nome no meio? O que aquele homem se atreveu a deixar para si?
Chelsea acabou indo com uma ou duas condições, que pudesse parar em algum lugar para comprarem uma roupa, o que foi maravilhosamente magico, comprou outro vestido preto para sua coleção, com mangas longas, mas curto o bastante para não mostrar nada acima dos joelhos. O casaco ainda era o seu preferido e não largaria tão cedo, sem contar que combinava com o de Luke, pareciam um casal combinando e aquilo a deixava feliz.
A casa estava silenciosa quando chegaram, mesmo quando passou pela porta era impossível ouvir qualquer coisa, o que era estranho uma vez que conhecia suas cunhadas. Ao adentraram mais, pararam na sala onde finalmente, puderam ver Chelsea em primeira mão, entrelaçada no braço de Luke que olhou para todos parando na sobrinha que correu em sua direção.
— Tio Luke - o abraçou rapidamente com lágrimas nos olhos e se afastou — Estava com saudade.
— Eu também pequena. Mandei um presente para você, seu aniversário foi semana passada.
— Eu sei. Eu recebi com o do vovô - contou e se afastou olhando para a mulher — Olá.
— Olá - Chelsea devolveu o aceno à menina que devia ter entre sete a oito anos, educada com os cabelos negros e olhos como os de Luke.
— Shea, pode ir com a babá? - Sasha levantou para encaminhar a filha até o outro lado — é uma conversa de adultos, por favor.
A garota se despediu e correu em segundos.
— Não sabia que viria acompanhado, teríamos colocado um lugar a mais na mesa se soubéssemos.
— Não vai ser preciso, tomamos café no caminho. - Luke segurou a mão da namorada sem tirar os olhos dos irmãos. — Leon, Lorenzo e Liam essa é a Chelsea, é a… Minha namorada.
Leon assentiu achando até graça, a garota parecia mais nova até que sua filha era alta como ele, e até as roupas combinavam. Lorenzo olhou-a dos pés a cabeça e estreitou os olhos, já a tinha visto em algum lugar. Já Liam, sorriu logo abrindo um grande sorriso.
— Eu acho que já a vi em algum lugar? É atriz? - Lorenzo levantou se aproximando da garota e apertou sua mão.
— Ela é uma modelo - Liam quem respondeu mesmo sem sair de perto da esposa — Eu assistir o último desfile de Marisa Ramires, você era o foco principal.
— Imagino que por causa de Luke - Sasha comentou fazendo Chelsea perder o sorriso e Leon fechar os olhos. Não tinha como não ter uma jogada de veneno no ar. — Seja bem-vinda a família.
— O motivo do foco é porque sou talentosa - Chelsea passou por Lorenzo se aproximando à medida que Sasha fazia o mesmo — E fui eleita a melhor modelo por três anos consecutivos, além de a minha mãe ser a própria Marisa Ramires e eu ser o destaque da agência. - Apertou a mão oferecida e sorriu — E é um grande prazer, está na família.
— As apresentações foram ótimas, - Valentina tornou a falar — Mas precisamos ir até o escritório o advogado está nos esperando para a leitura do testamento, algo realmente apenas a família. A família oficial - Liam riu de canto, sem graça, cadê o respeito com a convidada?
— O nome dela está entre as pessoas mencionadas no testamento - Luke voltou a segurar a mão da namorada chamando sua atenção — E nesta casa você não fala, você escuta e obedece à vontade do dono, e eu tenho certeza absoluta que o meu pai odiava a sua voz. Então, permaneça assim… Calada.
Valentina engoliu a seco sabendo que as palavras eram verdadeiras, por mais de uma ou duas ocasiões Afonso já tinha dito o quanto odiava aquela voz melosa e doce, trazendo insultos e sarcasmos ao mesmo tempo. Liam poderia levantar e defender sua esposa, mas não estava em condições de começar uma briga com o primeiro filho, além de que o silêncio era o melhor remédio para a ocasião.
— Vai ficar insuportável — Liam comentou.— Já é — Lorenzo respondeu.— Ela puxou o pai.Leon e Lorenzo se encararam.— Qual deles? — Leon perguntou. Todos começaram a rir.Até Afonso. A risada foi diminuindo lentamente. E pela primeira vez aquela sala pareceu leve. Não feliz. Ainda havia cicatrizes. Casamentos destruídos. Confianças quebradas. Uma paternidade roubada. Dinheiro desviado. Uma criança prestes a nascer dentro de uma família que já começava separada. Mas as mentiras haviam acabado. Luke se desencostou da parede.— Falta uma coisa. — Afonso olhou para ele. — Chelsea. — Afonso abriu um sorriso.— A única escolha decente feita por um filho meu.— Ei — Liam reclamou.— Eu estou solteiro. Pode continuar — Lorenzo incentivou.Luke riu.— Por que ela? — Afonso entendeu a pergunta. — Por que deixou tudo para Chelsea encontrar?Afonso olhou para a janela.— Porque ela não tinha nada a ganhar destruindo vocês.Os irmãos ficaram em silêncio.— Chelsea tinha dinheiro próprio. Carreir
Leon ficou de pé também.— Nós chegaremos nessa parte.A voz dele era assustadoramente calma.— Primeiro termina de explicar como conseguiu colocar um caixão vazio no meio da nossa sala. — Afonso massageou a testa. — O caixão realmente estava vazio.Liam arregalou os olhos.— Eu sabia!— Você não sabia porra nenhuma — Lorenzo rebateu.— Eu sempre achei estranho não podermos abrir.Luke olhou para Afonso com uma expressão que misturava incredulidade e vontade de rir.— Nós rezamos para um caixão vazio.— Basicamente.— Pai!— Eu sei que parece horrível quando digo assim.— Parece horrível de qualquer jeito! — Leon rebateu.Afonso levantou as mãos.— O hospital alegou que meu corpo não deveria ser exposto por causa dos procedimentos e da transferência. Meu advogado cuidou do restante.— Seu advogado é um criminoso — Luke murmurou.— Um excelente criminoso.Lorenzo caiu na gargalhada.— Eu não acredito nisso.Afonso também quase sorriu.— A documentação real permaneceu sob sigilo. Eu não
— Eu atravessei o inferno para chegar até este casamento, Luke. Não ouse transformar o dia da pequena Chelsea em um interrogatório.Foi apenas quando ouviu o nome dela que Luke pareceu lembrar onde estava.Virou-se.E encontrou Chelsea no início do corredor.Os olhos dela estavam cheios de lágrimas.Mas havia um sorriso ali.Um sorriso tão bonito que alguma coisa dentro dele finalmente se acalmou.Afonso acompanhou seu olhar.— Além disso... — murmurou. — Passei anos dizendo que queria essa menina como minha nora. Não vou perder justamente a parte em que finalmente consigo o que queria.Chelsea riu no meio do choro.— Você continua mandão.— E você continua respondona.— Pensei que estivesse morto. Posso me dar esse direito.Afonso abriu os braços.Chelsea não resistiu.Entregou o buquê para Marisa e correu até ele.O abraço foi apertado.— Eu senti sua falta — confessou contra o peito dele.Afonso beijou seus cabelos.— Eu também senti sua falta, pequena.— Isso foi cruel.— Eu sei.
— Ah minha maquiagem — Reclamou ao ver Chelsea se aproximar para um abraço forte. — Você está tão linda.— Senti a sua falta. Senti muito a sua falta — Avisou ainda a abraçando e se pudesse não soltaria por um longo tempo. Mas é claro, não podia se dar esse luxo no momento — eu não posso chorar ou vou acabar com minha maquiagem, olha o que está fazendo.— Lágrimas de noiva é sinal de boa sorte. Lea, e estou feliz em finalmente conhecê-la, sua filha fala muito de você. — Cumprimentou a mais velha que assentiu gostando do agrado. — Eu vou deixar vocês sozinha, mas lembrem-se, vocês tem apenas alguns minutos, conversam, matem a saudade e desça, o Luke está desesperado a voou da lua-de-mel sai à meia noite.Chelsea acabou rindo, todo mundo se preocupou em preparar-se para o casamento, com convidados, roupas e flores, enquanto Luke, Liam, Leon e Lorenzo fizeram uma rota de lua-de-mel para os pombinhos como presente de casamento. Podia reclamar dos seus cunhados, claro que não.— A minha me
Naquela tarde em questão os carros entraram no estacionamento fórum com mais alguns seguranças, gente para todo lado como se estivessem ali para ver o um show, uma mentira completamente. Leon, Lorenzo e Liam desceram do carro sendo escoltados para dentro do lugar, e mesmo ali, as fotos eram negadas, ninguém precisava saber que estavam indo ali darem um fim a vida de casados para sempre.Foram os primeiros a chegarem, a sala bem iluminada com o advogado de cada esposa presente, e o único para ditar as regras dos três. As cláusulas eram claras e precisas e não teriam como aceitar. Seria uma grande dificuldade não conseguir quebrar o vinculo para sempre com cada uma, mas eles suportariam aquele tipo de coisa. Logo, logo estariam na pista de verdade e mais casamentos viriam, ou apenas namoros, namoros eram amis seguros.A primeira a chegar foi Valentina, atravessou a sala mostrando os passos precisos e sentou em seu lugar, ao lado do advogado. Não havia mudado nada nas seis semanas que Li
— Tenho uma surpresa. Vem comigo.O tom tranquilo a enganou. Valentina o seguiu até o escritório e só percebeu a armadilha quando viu a caixa marcada com seu nome sobre a mesa.— O que é isso?— Um presente do meu pai. Abre.Valentina levantou a tampa esperando joias. Encontrou extratos, recibos, cópias de transferências e autorizações eletrônicas emitidas com credenciais de Liam. No fundo, havia documentos da empresa do pai dela e uma fotografia de Afonso saindo de uma reunião com auditores.O sorriso desapareceu devagar. — Eu posso explicar.— Vai explicar como afastou Lea de mim ou como desviou dinheiro da empresa da minha família? — Liam se levantou. — Começa pelo dinheiro. A outra mentira eu já sobrevivi uma vez.Valentina respirou com dificuldade. — A empresa dos meus pais estava falindo. Eu trabalhava na faculdade porque precisava de dinheiro. Quando conheci você…— Quando descobriu meu sobrenome.Ela não respondeu.— Você se aproximou de mim por isso?— No começo, eu vi uma sa







