ANMELDEN— Luke já está chegando. Ele é o irmão mais velho, nós devemos perguntar essas coisas a ele. - bradou deixando a janela de lado, andou pela sala novamente sem ter destino nenhum — Eu também preciso de um tempo, não tem como eu descer e encarar aquelas pessoas.
— Todo mundo fica perguntando como ele morreu. - Fechou os olhos lembrando que abandou a esposa apenas para acudir o pai e ainda assim, não foi rápido o suficiente — Precisamos de um tempo, isso é necessário.
— Onde estão as meninas? - Perguntou sabendo que a qualquer momento poderia iniciar uma treta novamente.
— Sasha está com Shea no seu quarto, e Maggie não quis descer ainda, está com Lorenzo no quarto. E Valentina está recebendo os convidados. Eu não consigo mais olhar cada pessoa entrar nessa casa nos olhando com pena. Não somos dignos de pena.
— Mas a gente precisa encarar isso, juntos - Avisou estufando o peito — Amanhã a gente chora, hoje precisamos apenas ser mais unidos.
— Vamos descer, o Luke acabou de chegar - Avisou ao outro que correu até a janela.
O carro preto passou pelo portão onde foi fechado rapidamente. Nenhum repórter ou jornalistas poderiam entrar naquela casa no momento, estavam de luto e mesmo que Afonso fosse uma figura pública, tudo que precisavam fazer era dar esse espaço para os familiares despedirem-se, correto? Será que não podiam?
É claro que não podia, e não viam a hora de poder adentrar aquela casa e sair apontando todas as câmeras para qualquer um dos herdeiros que Afonso deixou para trás. Quando o carro parou em frente à casa, os irmão viram quando Luke desceu primeiro ajustando o casaco grande que ia até o meio das canelas. Certeza que continuava mais alto que todos eles junto e com seu sorriso escondido dentro do bolso.
Porém a surpresa veio quando ele abriu outra porta ajudando uma mulher mais velha descer. Trajava um vestido negro com óculos e um chapéu cobrindo seu rosto e os cabelos negros curtos acima dos ombros. Podia-se ver o quanto a mulher parecia abalada e não parava de chorar. Luke fechou a porta do carro ajudando a mulher seguir o caminho e logo entraram.
Liam e Leon se entreolharam e saíram da sala.
A entrada da casa ainda era bem arrumada, cercada de seguranças naquele dia e assim que pisou na sala, deu de cara com Valentina. Não havia sorriso em seu rosto além da maquiagem básica e seu terno negro.
— Luke… - Murmurou o nome dele com certo apreço — É bom revê-lo, embora sejam nessas circunstâncias. - Mirou para a mulher ao lado dele — Desculpe Luke, no momento os meninos só deixam entrar as pessoas da família.
— Então faça algo de útil e chame os meninos aqui - passou por ela levando Marisa em seu encalço.
Depois da noticia, ele não sabia se corria para segurar as lágrimas de Marisa, ou se ficava e controlava as suas. Não conseguia acreditar que naquele mesmo dia perderá seu pai tão rapidamente, ele estava bem e vivo, não merecia um destino tão repentino e cruel.
A chegada de Luke fez os parentes abrirem caminho. Ele trazia Marisa consigo, e a presença da mulher bastou para despertar cochichos. Nada, porém, atraía mais o olhar do filho mais velho que o caixão fechado. Luke odiou aquilo imediatamente. Odiou não poder confirmar com os próprios olhos. Odiou ainda mais sentir culpa por precisar confirmar.
Marisa parou a poucos passos da madeira escura. O choro veio sem elegância, sem cuidado com maquiagem ou testemunhas. Amara Afonso em segredo e agora precisava se despedir dele diante de uma família que só estava começando a descobrir que ela existia.
Luke olhou para o rosto de seu pai e engoliu o choro, retornou para a sala cumprimentando alguns parentes até finalmente ver os irmãos descerem todas as escadas. Abraçou primeiro Liam, o mais novo que chorou logo em seguida, ele não julgaria nada, também queria poder chorar num canto escondido, ou ali mesmo, não ia se importar.
Leon lhe abraçou sem se importar com o resto ao seu redor, estava visivelmente abalado e desesperado por inúmeros motivos a qual não saberia numerar no momento, se afastou um momento não querendo chamar mais atenção do que eles conseguiam e Luke procurou pelo terceiro irmão.
— Onde está Lorenzo? - Perguntou, porém o terceiro irmão apareceu no topo das escadas e desceu correndo mesmo não querendo chamar atenção e abraçou o mais velho com força. Luke não sabia da onde que iria tirar a força que aquele povo precisava, porque ele mesmo já estava farto. — Podemos ir ao escritório?
Eles concordarem e seguiram para o escritório do pai. Continuava do mesmo jeito que Luke se lembrava, não fazia tanto tempo assim que não pisava ali, talvez dois, ou três anos, coisa pouca. Sua moradia em Seant era especial e sua empresa também.
— Vi que chegou com uma mulher - Leon, o segundo filho parou diante de Luke que enchia um copo de uísque, desde que soube da morte do pai não tinha conseguido relaxar ou beber alguma coisa. — O papai mencionou que você tinha arrumado uma namorada, mas não achei que fosse tão…
— Tão… Mais velha? - Virou para o irmão e acabou andando pela sala, ajeitou o casaco ainda sobre os ombros e sentou no sofá principal, e logo seus irmãos foram sentando-nos outros. — Aquela mulher é Marisa Ramires, dona de uma agência de modelos em Seant, a melhor agência por assim dizer. - Avisou dando espaço para tomar seu uísque — Ele não mentiu quando disse que eu tinha sim arrumado uma namorada, mas eu tenho certeza que ele também contou que tinha uma. - Os irmãos assentiram — Aquela mulher é a namorada, embora… Não tenham assumido nada de verdade.
— Ele nos disse que queria casar - Leon murmurou para Luke que assentiu, também sabia dessa historia — Como as coisas vão ficar? Eu não posso assumir uma empresa agora, eu tenho uma filha, preciso cuidar da minha família também.
— Cuidar de uma empresa não é um trabalho que dura vinte e quatro horas. E você é o único aqui que sabe o que fazer ali dentro. Trabalhou ao lado dele como subdiretor e agora não sabe para onde seguir? - Lorenzo soltou do outro lado — A gente conta com você agora.
— Conta comigo? E porque não podemos contar com você também? Você também é filho, devia está do lado dele. - Lorenzo levantou de um lado, Leon do outro — Mas prefere suas festas regadas de mulheres.
— Eu sou um homem casado e ainda não sai por aí curtindo as festas desde que me casei. Que pensando bem, a sua sorte… É que eu me casei.
— Vocês dois não vão querer iniciar uma briga de verdade aqui, não é? - Liam, o quarto filho chamou atenção para si, ainda sentado e com a cabeça baixa — Já não basta ter nossas esposas brigando todos os dias toda hora, inclusive no momento em que devíamos está apenas escutando ele falar os planos sobre a namorada, noiva, o casamento. - Ergueu a cabeça para Luke — Eu sinceramente estou mais perdido que qualquer um, mas eu sei que uma briga não vai resolver nada.
— Você tem toda razão - Luke ficou de pé olhando para os irmãos e findou em Liam — Nesse momento não vamos pensar em quem vai assumir ou cuidar de alguma coisa, vamos manter a calma e enterrar nosso pai na santa paz, pode ser?
As portas abriram devagar dando lugar a Valentina que sorriu fraco avistando o marido. Luke estreitou os olhos, será que os irmãos não poderiam ter um momento de paz ali dentro, que uma mulher invadia o lugar com tudo? Desde quando isso acontecia na presença de Afonso?
— O padre chegou para rezar. Precisamos estar presentes - Avisou aos outros.
Os quatro irmãos se posicionaram atrás do caixão enquanto o padre rezava. Nenhum deles comentou a exigência estranha de mantê-lo fechado. Leon tentou falar e chorou. Lorenzo terminou o discurso por ele. Liam não disse uma palavra. Luke permaneceu rígido, como se a força pudesse impedir a realidade de atravessá-lo.
Ao lado de Marisa, Luke encarou a tampa escura por longos segundos. Queria guardar o rosto do pai pela última vez e não podia. Ao longe, encontrou Chelsea entrando na sala. Os olhos verdes estavam avermelhados, o nariz também, e o sorriso triste que ela lhe ofereceu foi a única coisa naquela casa que não pareceu uma mentira.
No fim das contas, acabou ganhando um sorriso dela enquanto sentia o peito doer um pouco mais caindo à ficha de não veria mais aquele homem e que suas últimas palavras a ele foram o contrato de que casariam com suas respectivas amadas.
— Você precisa me ligar sempre que precisar de alguma coisa. Não quero que falte nada a você enquanto estiver nessa cidade - Dizia Marisa enquanto terminava de arrumar sua bolsa. Sentou outra vez na cama empurrando os fios de cabelo solto para trás e olhou a janela grande do quarto de hotel. — Tem certeza que quer ficar? Não quero que você vá de verdade, entendo porque quer ficar.
— Eu vou assim que puder. No momento, não quero deixar o Luke sozinho. E obrigada por me entender. Conto com a senhora para cancelar qualquer compromisso que eu tiver envolvida. Quero der apoio ao Luke. - Chelsea anunciou do outro lado do quarto, encarava sua mãe com carinho, embora soubesse o quanto aquela mulher deveria está sofrendo por dentro. — Mãe eu sinto muito.
— Está tudo bem. - Ela levantou enxugando as lágrimas e virou para a filha — Eu e você não vamos aparecer em lugar nenhum por muito tempo, e está tudo bem. Eu preciso de um tempo, sozinha. Preciso reformar a minha vida, minha carreira, uma coisa que já tinha sido planejada enquanto… - Parou de falar ao lembrar que a ultima vez que fizeram planos estava com Afonso em sua cama. — Preciso ir, meu amor. O avião me espera.
— Vai ficar insuportável — Liam comentou.— Já é — Lorenzo respondeu.— Ela puxou o pai.Leon e Lorenzo se encararam.— Qual deles? — Leon perguntou. Todos começaram a rir.Até Afonso. A risada foi diminuindo lentamente. E pela primeira vez aquela sala pareceu leve. Não feliz. Ainda havia cicatrizes. Casamentos destruídos. Confianças quebradas. Uma paternidade roubada. Dinheiro desviado. Uma criança prestes a nascer dentro de uma família que já começava separada. Mas as mentiras haviam acabado. Luke se desencostou da parede.— Falta uma coisa. — Afonso olhou para ele. — Chelsea. — Afonso abriu um sorriso.— A única escolha decente feita por um filho meu.— Ei — Liam reclamou.— Eu estou solteiro. Pode continuar — Lorenzo incentivou.Luke riu.— Por que ela? — Afonso entendeu a pergunta. — Por que deixou tudo para Chelsea encontrar?Afonso olhou para a janela.— Porque ela não tinha nada a ganhar destruindo vocês.Os irmãos ficaram em silêncio.— Chelsea tinha dinheiro próprio. Carreir
Leon ficou de pé também.— Nós chegaremos nessa parte.A voz dele era assustadoramente calma.— Primeiro termina de explicar como conseguiu colocar um caixão vazio no meio da nossa sala. — Afonso massageou a testa. — O caixão realmente estava vazio.Liam arregalou os olhos.— Eu sabia!— Você não sabia porra nenhuma — Lorenzo rebateu.— Eu sempre achei estranho não podermos abrir.Luke olhou para Afonso com uma expressão que misturava incredulidade e vontade de rir.— Nós rezamos para um caixão vazio.— Basicamente.— Pai!— Eu sei que parece horrível quando digo assim.— Parece horrível de qualquer jeito! — Leon rebateu.Afonso levantou as mãos.— O hospital alegou que meu corpo não deveria ser exposto por causa dos procedimentos e da transferência. Meu advogado cuidou do restante.— Seu advogado é um criminoso — Luke murmurou.— Um excelente criminoso.Lorenzo caiu na gargalhada.— Eu não acredito nisso.Afonso também quase sorriu.— A documentação real permaneceu sob sigilo. Eu não
— Eu atravessei o inferno para chegar até este casamento, Luke. Não ouse transformar o dia da pequena Chelsea em um interrogatório.Foi apenas quando ouviu o nome dela que Luke pareceu lembrar onde estava.Virou-se.E encontrou Chelsea no início do corredor.Os olhos dela estavam cheios de lágrimas.Mas havia um sorriso ali.Um sorriso tão bonito que alguma coisa dentro dele finalmente se acalmou.Afonso acompanhou seu olhar.— Além disso... — murmurou. — Passei anos dizendo que queria essa menina como minha nora. Não vou perder justamente a parte em que finalmente consigo o que queria.Chelsea riu no meio do choro.— Você continua mandão.— E você continua respondona.— Pensei que estivesse morto. Posso me dar esse direito.Afonso abriu os braços.Chelsea não resistiu.Entregou o buquê para Marisa e correu até ele.O abraço foi apertado.— Eu senti sua falta — confessou contra o peito dele.Afonso beijou seus cabelos.— Eu também senti sua falta, pequena.— Isso foi cruel.— Eu sei.
— Ah minha maquiagem — Reclamou ao ver Chelsea se aproximar para um abraço forte. — Você está tão linda.— Senti a sua falta. Senti muito a sua falta — Avisou ainda a abraçando e se pudesse não soltaria por um longo tempo. Mas é claro, não podia se dar esse luxo no momento — eu não posso chorar ou vou acabar com minha maquiagem, olha o que está fazendo.— Lágrimas de noiva é sinal de boa sorte. Lea, e estou feliz em finalmente conhecê-la, sua filha fala muito de você. — Cumprimentou a mais velha que assentiu gostando do agrado. — Eu vou deixar vocês sozinha, mas lembrem-se, vocês tem apenas alguns minutos, conversam, matem a saudade e desça, o Luke está desesperado a voou da lua-de-mel sai à meia noite.Chelsea acabou rindo, todo mundo se preocupou em preparar-se para o casamento, com convidados, roupas e flores, enquanto Luke, Liam, Leon e Lorenzo fizeram uma rota de lua-de-mel para os pombinhos como presente de casamento. Podia reclamar dos seus cunhados, claro que não.— A minha me
Naquela tarde em questão os carros entraram no estacionamento fórum com mais alguns seguranças, gente para todo lado como se estivessem ali para ver o um show, uma mentira completamente. Leon, Lorenzo e Liam desceram do carro sendo escoltados para dentro do lugar, e mesmo ali, as fotos eram negadas, ninguém precisava saber que estavam indo ali darem um fim a vida de casados para sempre.Foram os primeiros a chegarem, a sala bem iluminada com o advogado de cada esposa presente, e o único para ditar as regras dos três. As cláusulas eram claras e precisas e não teriam como aceitar. Seria uma grande dificuldade não conseguir quebrar o vinculo para sempre com cada uma, mas eles suportariam aquele tipo de coisa. Logo, logo estariam na pista de verdade e mais casamentos viriam, ou apenas namoros, namoros eram amis seguros.A primeira a chegar foi Valentina, atravessou a sala mostrando os passos precisos e sentou em seu lugar, ao lado do advogado. Não havia mudado nada nas seis semanas que Li
— Tenho uma surpresa. Vem comigo.O tom tranquilo a enganou. Valentina o seguiu até o escritório e só percebeu a armadilha quando viu a caixa marcada com seu nome sobre a mesa.— O que é isso?— Um presente do meu pai. Abre.Valentina levantou a tampa esperando joias. Encontrou extratos, recibos, cópias de transferências e autorizações eletrônicas emitidas com credenciais de Liam. No fundo, havia documentos da empresa do pai dela e uma fotografia de Afonso saindo de uma reunião com auditores.O sorriso desapareceu devagar. — Eu posso explicar.— Vai explicar como afastou Lea de mim ou como desviou dinheiro da empresa da minha família? — Liam se levantou. — Começa pelo dinheiro. A outra mentira eu já sobrevivi uma vez.Valentina respirou com dificuldade. — A empresa dos meus pais estava falindo. Eu trabalhava na faculdade porque precisava de dinheiro. Quando conheci você…— Quando descobriu meu sobrenome.Ela não respondeu.— Você se aproximou de mim por isso?— No começo, eu vi uma sa







