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A filha do Nd

Penulis: Amanda Nunes
last update Tanggal publikasi: 2026-11-06 00:56:20

A Filha do ND

Narrado por Sofia

Meu nome é Sofia, tenho dezessete anos e sou filha de um dos homens mais teimosos que existem.

Meu pai, ND.

Quem conhece meu pai sabe que ele é um homem sério, reservado e extremamente leal. Trabalha ao lado de TH há muitos anos e, desde que me entendo por gente, os dois são praticamente inseparáveis.

Cresci vendo meu pai sair cedo, voltar tarde e atender ligações nos momentos mais inconvenientes. Também cresci ouvindo que precisava tomar cuidado, que nem todo mundo era confiável e que o mundo não era tão simples quanto eu imaginava.

Minha mãe sempre dizia que meu pai tinha duas grandes dificuldades: desligar a cabeça do trabalho e aceitar que a filha estava crescendo.

A segunda era, sem dúvida, a pior.

— Sofia, você vai sair com quem?

Olhei para ele enquanto terminava de colocar meus brincos diante do espelho.

— Com as pessoas que vão estar na festa, pai.

— Estou perguntando quem vai estar com você.

— Um monte de gente.

Ele apareceu na porta do quarto, cruzando os braços.

— Você sabe que eu não gosto dessas respostas.

— E você sabe que eu não gosto de interrogatório.

Ele respirou fundo.

— Só quero saber se está tudo bem.

Virei para ele e suavizei um pouco a expressão.

— Está tudo bem, pai. Vou ficar com vocês. É aniversário do TJ, lembra?

— Difícil esquecer. Seu TH está fazendo questão de lembrar todo mundo desde cedo.

Soltei uma risada.

A festa era para comemorar os dezoito anos de Thiago Júnior, o filho de TH e Fernanda. Conhecia TJ desde pequena. Nossas famílias sempre foram próximas, então praticamente crescemos nos mesmos lugares, frequentando os mesmos aniversários e ouvindo os mesmos adultos conversarem.

Quando éramos crianças, ele era meu companheiro de brincadeiras. Às vezes, até me defendia quando algum menino implicava comigo.

Mas o tempo passou.

TJ ficou mais parecido com o pai: convencido, teimoso e com aquela mania de achar que sempre tinha razão. Eu também cresci e descobri que não precisava concordar com ele só porque nossas famílias eram próximas.

Nossa amizade foi dando lugar a provocações.

E, sinceramente, ele conseguia ser muito irritante.

— Vamos? — meu pai perguntou.

Peguei minha bolsa.

— Vamos, antes que você resolva conferir minha roupa também.

— Não começa, menina.

— Eu nem comecei.

Ele balançou a cabeça, mas sorriu.

A casa estava cheia quando chegamos.

Havia música, comida, familiares e amigos espalhados pela área externa. Fernanda estava perto da mesa, conversando com algumas pessoas. Quando me viu, abriu um sorriso.

— Sofia! Finalmente chegou!

— Oi, Fernanda!

Ela me abraçou e elogiou meu cabelo.

— Você está linda, menina.

— Obrigada!

Meu pai já tinha sido chamado por TH e CK. Aproveitei para cumprimentar algumas pessoas antes de procurar um lugar para deixar minha bolsa.

Foi quando ouvi uma voz conhecida atrás de mim.

— Olha só quem apareceu.

Nem precisei virar para saber quem era.

TJ.

Virei devagar.

Ele estava com uma camisa preta, calça escura e aquele sorriso convencido que parecia fazer parte do rosto. Ao lado dele estava João Pedro, seu melhor amigo, que parecia se divertir antes mesmo de qualquer conversa começar.

— Parabéns, aniversariante — falei.

TJ abriu os braços.

— Só isso? Depois de me conhecer há tantos anos, esperava alguma coisa melhor.

— Posso retirar os parabéns, se preferir.

João começou a rir.

— Gostei. Ela chegou e já colocou o aniversariante no lugar.

TJ lançou um olhar para o amigo.

— Você está muito engraçadinho hoje.

— Obrigado. Estou me esforçando.

Cruzei os braços.

— E você continua achando que o mundo gira ao seu redor?

TJ inclinou a cabeça, fingindo pensar.

— Não o mundo inteiro. Só essa festa.

— Então está explicado por que você está tão convencido.

João soltou uma gargalhada.

— Cara, eu falei que ela não ia facilitar.

Olhei para ele.

— Pelo menos alguém aqui tem bom senso.

TJ se aproximou um pouco.

— Você veio para comemorar meu aniversário ou para discutir comigo?

— Ainda estou decidindo.

Ele sorriu.

E aquele sorriso me irritou mais do que deveria.

O problema era que TJ tinha crescido. Não era mais o menino magrelo que corria atrás de mim nas brincadeiras. Estava mais alto, com os traços do rosto parecidos com os do pai e uma postura que chamava atenção.

Era bonito.

Muito bonito.

Mas eu não daria esse gostinho a ele nem se fosse a última coisa que fizesse.

— Está me olhando por quê? — perguntou.

Desviei os olhos imediatamente.

— Tentando entender como você consegue falar tanto.

João colocou a mão no peito.

— Essa doeu até em mim.

— Vocês dois são insuportáveis — TJ respondeu.

— Finalmente concordamos em alguma coisa — falei.

Algum tempo depois, fui até a mesa pegar uma bebida.

Meu pai apareceu ao meu lado.

— Está tudo bem?

Olhei para ele.

— Está, pai.

Ele acompanhou meu olhar até onde TJ conversava com João.

— Não arruma confusão com o aniversariante.

Arregalei os olhos.

— Eu?

— Você sabe como é.

— Pai, ele começou.

ND soltou um suspiro.

— Sofia…

— O quê? Não posso conversar agora?

— Pode. Só não precisa transformar toda conversa numa competição.

Cruzei os braços.

— Talvez ele devesse aprender a conversar sem agir como se fosse dono de todo mundo.

Meu pai ficou sério por um instante.

— TJ está passando por uma fase importante. O pai dele está preparando o menino para responsabilidades grandes. É natural que esteja com a cabeça cheia.

— Isso não dá direito de ser arrogante.

ND segurou o riso.

— Você puxou a sua mãe.

— Ainda bem.

Ele beijou minha testa.

— Só quero que aproveite a festa. E fique perto de pessoas em quem confia.

Olhei diretamente para ele.

— Eu sei me cuidar, pai.

— Eu sei, filha.

A resposta veio mais tranquila do que eu esperava.

Meu pai estava tentando aprender a me deixar crescer. Talvez não fosse fácil para ele, mas eu percebia o esforço.

— Vai lá conversar com seus amigos — ele disse.

— Você também.

Dei um beijo em seu rosto e me afastei.

Encontrei TJ e João perto da área externa.

João estava contando alguma história, enquanto TJ ria.

— Posso participar ou essa reunião é exclusiva dos convencidos? — perguntei.

João apontou para o espaço ao lado dele.

— Senta aqui. Precisamos de alguém inteligente para equilibrar o ambiente.

— Finalmente alguém reconheceu minha importância.

TJ fez uma careta.

— Vocês combinaram de me irritar hoje?

— Não precisamos combinar — respondi. — Acontece naturalmente.

João quase derrubou a bebida de tanto rir.

Por alguns minutos, conversamos sobre coisas comuns. João contou uma história da adolescência dos dois, e acabei rindo mais do que pretendia.

Era estranho perceber que, apesar das provocações, ainda existia aquela familiaridade de quando éramos crianças.

Em determinado momento, TJ ficou me observando enquanto eu conversava com João.

— Que foi? — perguntei.

— Nada.

— Então para de olhar.

— Não posso nem olhar agora?

— Pode. Só não precisa fazer isso com essa cara.

Ele sorriu de canto.

— Que cara?

— Essa de quem está pensando que tem razão.

João levantou as mãos.

— Vou deixar vocês dois. Não quero ser responsável por um assassinato no aniversário.

— Covarde! — TJ gritou enquanto ele se afastava.

Comecei a rir.

TJ me olhou novamente.

— Você está se divertindo bastante às minhas custas.

— Muito.

— Pelo menos é sincera.

— Sempre.

Ele ficou quieto por alguns segundos.

— Você mudou, Sofia.

Aquela frase me pegou desprevenida.

— Todo mundo muda.

— Eu sei. Só estou dizendo.

Olhei para ele. Por trás das provocações, havia algo diferente em sua expressão. Talvez ele também estivesse percebendo que não éramos mais as crianças de antes.

— Você também mudou, TJ.

— Para melhor?

— Ainda estou avaliando.

Ele riu.

E eu sorri antes de conseguir evitar.

Quando a festa começou a ficar mais tranquila, procurei meu pai. Ele estava conversando com TH e Fernanda.

— Está pronta para ir? — perguntou ND.

— Daqui a pouco.

Ele assentiu.

Olhei uma última vez para a área externa. TJ estava com João, ouvindo alguma coisa que o amigo dizia.

Por algum motivo, fiquei observando por alguns segundos.

Ele continuava irritante. Continuava convencido e parecia ter herdado do pai a capacidade de ocupar espaço mesmo quando não dizia nada.

Mas também estava diferente.

Mais maduro, talvez. Ou tentando ser.

Não sabia o que aconteceria dali para frente. Só sabia que aquela nova fase da vida dele também estava começando a mudar algumas coisas ao redor.

E, pelo jeito, eu não ficaria de fora.

Enquanto caminhava para perto do meu pai, uma última ideia passou pela minha cabeça:

TJ continuava sendo irritantemente bonito.

Mas eu preferia morrer a admitir isso em voz alta.

Principalmente para ele.

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