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O Segundo Perigo

Author: Amanda Nunes
last update publish date: 2026-10-28 02:04:36

Capítulo 10 — O Segundo Perigo

Visão da Fernanda

Eu sempre achei que conseguiria perceber quando alguma coisa estivesse errada.

Talvez fosse por causa do meu trabalho.

No hospital, a gente aprende a prestar atenção nos detalhes.

Uma respiração que muda.

Uma pele que perde a cor.

Uma pessoa que diz que está bem enquanto o corpo inteiro mostra o contrário.

Detalhes importavam.

Naquela noite, o primeiro detalhe foi um reflexo em uma vitrine.

Um homem.

Boné escuro.

Camiseta preta.

Alguns metros atrás de mim.

Nada demais.

Continuei andando.

O plantão tinha sido pesado. Meus pés doíam, minhas costas reclamavam e eu já estava pensando no banho que tomaria quando chegasse em casa.

Meu celular vibrou.

Mãe: Saiu?

Respondi enquanto caminhava.

Eu: Agora.

Mãe: Vai de carro?

Mordi o lábio.

Se dissesse ônibus, começaria.

Eu: Vou chegar logo.

Não era exatamente uma resposta.

Mas servia.

Guardei o celular.

Passei pela mesma vitrine.

E vi novamente.

O homem continuava atrás de mim.

Meu passo diminuiu.

O dele também.

Senti um arrepio.

Para, Fernanda.

Podia ser coincidência.

Estávamos numa rua movimentada.

Pessoas andavam na mesma direção o tempo inteiro.

Atravessei.

Esperei.

Alguns segundos depois, ele atravessou também.

Meu coração bateu mais forte.

— Merda.

Continuei.

Não olhei diretamente.

Virei numa farmácia.

Entrei.

Fui até uma prateleira qualquer.

Peguei uma caixa de curativos que eu não precisava.

Esperei.

Um minuto.

Dois.

Olhei discretamente para a entrada.

Nada.

Soltei o ar.

Paranoia.

Era isso.

Depois de tudo que tinha acontecido, eu estava ficando paranoica.

Paguei pelos curativos porque fiquei com vergonha de simplesmente sair sem comprar nada.

Quando coloquei os pés na calçada novamente, olhei para os lados.

Nada.

— Tá vendo? — murmurei.

Comecei a andar.

Meu celular vibrou.

Renan.

Renan: Vai continuar me ignorando?

Revirei os olhos.

Depois da mensagem dizendo que precisava conversar comigo, ele tinha sumido.

Agora voltava como se nada tivesse acontecido.

Eu: Você disse que precisava falar comigo. Fala.

Ele visualizou.

Não respondeu.

Continuei.

A rua estava ficando menos movimentada.

Eu poderia pegar outro caminho.

Mais longo, mas com mais gente.

Decidi fazer isso.

Virei.

Caminhei alguns metros.

E então ouvi passos.

Não precisava olhar.

Meu corpo percebeu antes.

Aquela sensação horrível de estar sendo observada voltou.

Apertei o celular.

Olhei para o reflexo de um carro estacionado.

Ele.

O mesmo homem.

O sangue gelou.

Ele tinha esperado.

Eu não estava imaginando.

Estava sendo seguida.

Não corri.

Minha primeira vontade foi essa.

Mas não corri.

Tentei manter a cabeça funcionando.

Rua movimentada.

Luz.

Pessoas.

Nada de entrar em lugar isolado.

Nada de ir direto para casa.

Minha mãe e Lucas estavam lá.

Se aquele homem queria saber onde eu morava, eu não seria idiota de levá-lo até a porta.

Abri o W******p.

Pensei em Júlia.

Depois minha mãe.

Depois polícia.

E, sem entender exatamente por quê, meu dedo parou em outro contato.

TH — PROBLEMA.

Fiquei olhando.

Não.

Eu tinha passado dias dizendo que não precisava dele.

Tinha ido até a casa dele exigir que parasse de me vigiar.

Seria ridículo ligar agora porque um homem estava andando atrás de mim.

Meu celular vibrou.

Renan.

Renan: Onde você tá?

Parei por meio segundo.

Meu coração acelerou.

Olhei para trás.

O homem parou perto de um poste.

Distante.

O rosto parcialmente escondido.

Voltei para a mensagem.

Onde você tá?

Coincidência?

Digitei.

Eu: Por quê?

Ele respondeu rápido.

Renan: Queria te ver.

Meu medo virou raiva.

Eu: É você que tá mandando alguém me seguir?

Demorou.

Renan: Que?

Eu: Tem um homem atrás de mim.

Os três pontinhos apareceram.

Renan: Onde você tá?

Não respondi.

Agora eu estava mais assustada.

Porque ele tinha perguntado a mesma coisa duas vezes.

E eu não sabia se era preocupação ou se queria confirmar minha localização.

Comecei a andar mais rápido.

O homem também.

Pronto.

Chega.

Liguei para TH.

Chamou uma vez.

Duas.

Ele atendeu.

— Fernanda.

— Eu acho que tem alguém me seguindo.

Silêncio.

Foi impressionante como a voz dele mudou.

— Onde você tá?

— Não sei se…

— Fernanda, onde você tá?

— Perto da farmácia que fica…

Passei a referência.

— Entra em algum lugar movimentado.

— Eu já…

— Agora.

— Não precisa falar comigo desse jeito.

— Depois você briga comigo. Agora entra.

Olhei em volta.

Havia uma lanchonete.

— Tem uma lanchonete.

— Entra.

Atravessei.

— Entrei.

— Fica aí.

— TH…

— Não sai.

— Talvez seja só…

— Você me ligou porque sabe que não é.

Fiquei quieta.

Ele tinha razão.

— Como ele é?

— Homem. Boné preto. Camiseta escura.

— Tá perto?

Olhei discretamente pela janela.

— Do outro lado da rua.

— Ele entrou?

— Não.

— Continua me ouvindo.

— Tô.

— ND já tá indo.

— Como assim?

— Mandei a localização.

— Eu não mandei localização nenhuma!

— Você deu a referência.

— TH!

— Fernanda.

A voz dele ficou mais baixa.

— Briga comigo depois.

Engoli em seco.

— Tá.

— Ele ainda tá aí?

Olhei.

O homem mexeu no celular.

— Tá.

— Não encara.

— Não tô encarando.

— Não sai daí por nada.

— Eu entendi.

— Tem muita gente?

— Umas dez pessoas.

— Funcionário?

— Três.

— Fica perto deles.

Caminhei até o balcão.

Uma atendente me olhou.

— Vai pedir alguma coisa?

— Um refrigerante, por favor.

Minha voz saiu estranha.

Ela percebeu.

— Você tá bem?

— Tô.

Mentira.

— Fernanda? — TH chamou no telefone.

— Tô aqui.

— Não desliga.

Meu coração batia tão forte que parecia estar na garganta.

— TH…

— Fala.

— E se for o Renan?

Silêncio.

— Por que você acha isso?

— Ele acabou de perguntar onde eu tô.

— Ele sabe que você tá sendo seguida?

— Eu falei.

Ouvi TH xingar baixo.

— Você falou?

— Achei que pudesse ser coisa dele!

— O que ele respondeu?

— Perguntou onde eu estava.

— E você falou?

— Não.

— Ótimo.

A atendente colocou o refrigerante na minha frente.

Paguei.

Minha mão tremia.

— Você tá tremendo? — TH perguntou.

— Como você sabe?

— Pela sua voz.

Fechei os olhos.

— Tô um pouco.

— Vai ficar tudo bem.

A forma como ele falou me atingiu.

Não era promessa exagerada.

Não era ordem.

Era firmeza.

— ND tá perto.

— Você não vem?

A pergunta escapou.

Silêncio.

Eu me arrependi imediatamente.

Por que perguntei aquilo?

— Eu tô indo — ele respondeu.

— Você ainda tá machucado.

— Não importa.

— Importa, sim.

— Fernanda.

— O quê?

— Eu tô indo.

Meu peito apertou.

— Tá.

Olhei pela janela novamente.

O homem não estava mais lá.

Levantei.

— Ele sumiu.

— Não sai.

— Mas…

— Não sai.

— Tá bom!

Algumas pessoas olharam.

Baixei a voz.

— Mandão.

— Pode me xingar o quanto quiser quando eu chegar.

— Não me provoca.

Ouvi uma porta bater do outro lado da ligação.

Depois vozes.

— TH?

— Tô aqui.

— Você tá dirigindo?

— Não.

— Ainda bem.

— Preocupada?

— Com você abrindo seus pontos e sobrando pra mim.

Ele soltou uma respiração que pareceu uma risada.

Mesmo naquela situação, aquele idiota conseguia me irritar.

E, estranhamente, isso me acalmou.

ND chegou primeiro.

Reconheci o carro parando.

Ele desceu acompanhado de CK.

Fiquei imediatamente mais tranquila.

O que me irritou.

Eu não deveria precisar deles para me sentir segura.

Mas, naquele momento, precisava.

Saí apenas quando ND entrou na lanchonete.

— Você tá bem?

— Tô.

Ele me olhou de cima a baixo.

— Ele encostou em você?

— Não.

— Falou alguma coisa?

— Não.

— Tem certeza de que era o mesmo cara?

— Tenho.

CK saiu para olhar a região.

ND pegou o celular.

— TH, achei ela.

Percebi que minha ligação tinha caído em algum momento.

— Ele tá vindo?

— Tá.

— Ele não precisava.

ND me olhou.

— Tenta falar isso pra ele.

— Eu falo.

— Boa sorte.

— Vocês tratam ele como se ninguém pudesse contrariar.

ND riu.

— Depois que te conheci, não posso mais falar isso.

Cruzei os braços.

— Eu quero ir pra casa.

— Espera TH.

— ND…

— Nanda, por favor.

O jeito sério dele me fez parar.

— Tem alguma coisa que eu não sei?

Ele hesitou.

Foi pequeno.

Mas vi.

— ND.

— TH conversa com você.

— Sobre o quê?

Antes que respondesse, um carro parou.

Eu nem precisava olhar.

TH desceu.

Meu coração fez uma coisa ridícula.

Ele caminhou na nossa direção mais rápido do que alguém naquela condição deveria.

A expressão dele estava fechada.

Muito fechada.

Entrou.

Os olhos me procuraram imediatamente.

Quando me encontrou, pareceu respirar de verdade.

— Você tá bem?

— Tô.

Ele parou na minha frente.

Olhou meu rosto.

Meus braços.

Minhas mãos.

— Ele encostou em você?

— Não.

— Falou alguma coisa?

— Não.

— Chegou perto?

— TH, eu tô bem.

Ele passou a mão pela barba.

— Caralho.

— Eu só fiquei assustada.

— Fez certo em ligar.

— Eu quase não liguei.

O olhar dele endureceu.

— Por quê?

— Porque…

Parei.

— Porque eu passei dias falando que não precisava da sua proteção.

— E?

— E aí na primeira coisa estranha eu te ligo.

Ele me encarou.

— Fernanda, uma coisa não tem nada a ver com a outra.

— Tem um pouco.

— Não tem.

— TH…

— Você não querer que eu controle sua vida não significa que não possa me chamar quando estiver com medo.

Fiquei quieta.

Aquela resposta me pegou desprevenida.

— Eu não vou jogar isso na sua cara.

— Tem certeza?

— Absoluta.

— Milagre.

O canto da boca dele quase subiu.

Mas desapareceu rapidamente.

CK voltou.

— Nada.

TH virou.

— Nada?

— Rodamos perto. O cara saiu.

— Câmera?

— Tem algumas.

— Vê o que consegue.

CK assentiu.

— Vou.

Eu olhava de um para outro.

— Espera.

Todos pararam.

— Vocês estão tratando isso como se fosse muito mais sério do que um homem seguindo uma mulher.

TH me encarou.

— Porque é sério.

— Você entendeu.

— Entendi.

— Tem alguma coisa acontecendo?

Silêncio.

Lembrei da nossa última discussão.

— Você prometeu me contar.

O maxilar dele travou.

ND olhou para TH.

TH soltou o ar.

— Recebi uma ameaça.

Meu estômago afundou.

— Quando?

— Ontem.

— E não me contou.

— Não tinha ligação com você.

— O que dizia?

Ele hesitou.

— TH.

— Que da próxima vez eu não levantaria.

Fiquei gelada.

— Próxima vez?

— Fernanda…

— Eles vão tentar de novo?

— Não sei.

— E esse homem?

— Também não sei.

— Pode ser um deles?

— Pode.

A sinceridade me assustou mais do que qualquer tentativa de me tranquilizar.

— Então talvez ele não estivesse atrás de mim.

— Talvez estivesse me observando através de você.

— Isso não é melhor.

— Eu sei.

Passei a mão pelo cabelo.

— Eu só queria voltar pra minha vida normal.

A frase saiu mais fraca do que eu queria.

TH ficou em silêncio.

Depois falou:

— Eu sei.

Olhei para ele.

Pela primeira vez, não havia provocação.

Nem sorriso.

Nem ordem.

Só culpa.

— Isso não é culpa sua — falei.

— Você entrou nisso porque me encontrou.

— Eu entrei porque decidi parar.

— Exatamente.

— Eu faria de novo.

Ele me encarou.

— Mesmo sabendo quem eu sou?

Pensei.

— Se eu te encontrasse sangrando daquele jeito?

— É.

— Faria.

A expressão dele mudou.

— Você é maluca.

— Técnica de enfermagem.

— Mesma coisa.

Quase sorri.

ND interrompeu.

— A gente precisa tirar ela daqui.

— Eu vou pra casa — falei.

— Não — TH respondeu.

Lá estava.

— Começou.

— Fernanda…

— Minha mãe vai surtar se eu não aparecer.

— Eu levo você.

— Não precisa.

— Hoje não é discussão.

— Tudo com você vira ordem!

— Porque tem um filho da puta seguindo você!

— E eu não vou deixar minha mãe achar que desapareci!

— Então eu te levo pra casa.

Parei.

— Só levar.

— Só levar.

— Sem homem na minha porta.

— Certo.

— Sem ninguém me seguindo escondido.

TH respirou fundo.

— Hoje eu vou colocar alguém perto.

— TH!

— Sabendo você.

Parei.

Ele continuou:

— Não escondido. Eu tô te contando. Até saber quem era aquele cara.

— Eu disse…

— Você pediu pra eu não decidir sem você.

— Sim.

— Então tô falando com você.

— Falar não é o mesmo que decidir junto.

ND virou o rosto para esconder a risada.

Apontei.

— E você para de rir.

— Nem fiz nada.

TH respirou fundo.

— Tá. O que você sugere?

A pergunta me surpreendeu.

Pensei.

— Alguém fica perto da minha rua. Não na porta.

— Certo.

— Minha mãe não pode saber.

— Certo.

— Não quero ninguém me seguindo no trabalho.

— Certo.

— E amanhã a gente conversa.

— Certo.

Estreitei os olhos.

— Você tá concordando demais.

— Tô aprendendo.

ND tossiu.

— Milagre.

TH olhou para ele.

— Quer ir andando?

— Tô quieto.

Apesar do medo, sorri.

TH me levou para casa.

ND dirigiu.

Eu e TH fomos atrás.

Achei que seria estranho.

Foi.

Por alguns minutos, ninguém falou.

Olhei discretamente para ele.

— Tá doendo?

— O quê?

— O ferimento.

— Não.

— Mentira.

— Por que você sempre pergunta se já sabe a resposta?

— Porque espero que um dia você pare de mentir.

— Tá doendo um pouco.

— Viu? Evolução.

Ele sorriu.

— Você também evoluiu.

— Em quê?

— Me ligou.

Meu sorriso desapareceu.

— Não se acostuma.

— Tarde demais.

Revirei os olhos.

— Insuportável.

— Chata.

ND falou da frente:

— Vocês conseguem ficar cinco minutos sem brigar?

— Ele começa — respondi.

— Ela começa — TH falou ao mesmo tempo.

ND riu.

— Meu Deus.

Chegamos perto de casa.

— Para aqui — pedi.

ND estacionou um pouco antes.

— Eu consigo ir.

TH abriu a porta.

— Vou com você.

— TH.

— Até a esquina.

— Minha mãe…

— Até a esquina.

Suspirei.

— Tá.

Descemos.

Caminhamos.

Quando estávamos perto, parei.

— Daqui eu vou.

Ele assentiu.

— Me avisa quando entrar.

— Você vai ficar olhando.

— Mesmo assim.

— Você é estranho.

— Fernanda.

— Tá bom.

Dei alguns passos.

— Nanda.

Parei.

Era a primeira vez que ele me chamava assim.

Virei.

— O quê?

TH me olhou por alguns segundos.

— Da próxima vez que sentir que alguma coisa tá errada, não espera ter certeza.

Meu peito apertou.

— Tá.

— Me liga.

— Tá.

— Promete.

— Não gosto de prometer coisa que talvez não cumpra.

Ele percebeu.

Era exatamente a frase que tinha usado comigo.

TH sorriu.

— Engraçadinha.

— Aprendo rápido.

Fui para casa.

Só depois de fechar a porta mandei:

Eu: Entrei.

A resposta veio:

TH: Boa noite, Nanda.

Olhei para aquela palavra.

Nanda.

Por algum motivo, gostei.

E isso definitivamente não era uma boa notícia.

Visão do TH

Esperei Fernanda entrar.

Só então voltei para o carro.

— Satisfeito? — ND perguntou.

— Dirige.

Ele ligou.

Meu celular tocou.

CK.

Atendi.

— Fala.

— Consegui uma imagem.

Meu corpo ficou alerta.

— Do cara?

— Sim.

— Rosto?

— Parcial.

— Reconheceu?

Silêncio.

— CK.

— Não pelo rosto.

— Então?

— Pela roupa.

Franzi a testa.

— Que porra você tá falando?

— Lembra das imagens que conseguimos da noite do ataque?

Meu sangue gelou.

— Lembro.

— Tinha um homem mais afastado. Não participou diretamente. Ficou observando a movimentação antes dos disparos.

ND olhou para mim pelo retrovisor.

— Continua.

— Mesma jaqueta. Mesmo boné. Mesmo jeito de andar.

Meu maxilar travou.

— Tem certeza?

— Tô comparando quadro a quadro. Não vou dizer cem por cento ainda.

— Mas?

— TH…

CK respirou.

— Eu acho que o cara que seguiu a Fernanda hoje estava lá na noite em que atiraram em você.

Silêncio.

Olhei para trás.

A rua onde Fernanda morava já tinha desaparecido.

— Então ele sabe quem ela é.

— Parece que sim.

Fechei os olhos por um segundo.

Merda.

— Ninguém chega perto dele sem eu mandar.

— Certo.

— Descobre quem é.

— Já tô nisso.

Desliguei.

ND estava sério.

— Era o mesmo?

— Provavelmente.

— Caralho.

Peguei o celular.

Abri a conversa com Fernanda.

Boa noite, Nanda.

Ela tinha respondido:

Boa noite, TH. E vai descansar.

Meu peito apertou.

Ela não sabia.

Ainda não.

E eu tinha prometido contar.

— Volta.

ND olhou pelo retrovisor.

— O quê?

— Volta pra casa dela.

— Agora?

— Agora.

— Você vai contar?

Olhei novamente para a mensagem.

— Vou.

ND fez o retorno.

Dessa vez, não haveria proteção escondida.

Não haveria meia verdade.

Fernanda tinha direito de saber.

Porque o homem que a seguira não era um desconhecido qualquer.

Ele estava ligado à noite em que tentaram me matar.

E isso significava que Fernanda não era mais apenas a mulher que, por acaso, tinha encontrado um homem baleado.

Alguém tinha começado a olhar para ela como parte da história.

E, pela primeira vez desde que acordei, senti um medo que não era por mim.

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