LOGINTH – Thiago, o Dono da Rocinha
Thiago, conhecido apenas como TH no morro, não nasceu com privilégios. Pelo contrário: sua vida sempre foi marcada por dificuldades. Desde pequeno, viveu com pais ausentes e rígidos, que pouco se importavam com os sonhos ou medos do filho. A casa era pequena, o dinheiro sempre escasso, e a violência fazia parte do cotidiano. Aprendeu cedo que, para sobreviver, precisava ser duro, rápido e calculista. Não podia se permitir fraquezas. Na adolescência, Thiago já mostrava traços de liderança. Não pelo carisma, mas pelo respeito que impunha. Ele não precisava gritar, bater ou ameaçar para que os outros o seguissem — sua presença já ditava regras. O respeito vinha acompanhado de medo, e o medo consolidava sua autoridade. Quem ousasse desafiá-lo rapidamente aprendia que desafiar TH tinha consequências. Ele começou pequeno, controlando bicos e pequenas vendas no morro, sempre observando, estudando quem eram os líderes, quem tinha ambição, quem traía, quem confiava em quem. Cada movimento de Th era pensado: ele não se deixava levar por emoção ou paixão. Paixões, segundo ele, eram para os fracos. Frieza e calculismo eram a chave para o poder. Com o tempo, conquistou seu espaço. Não havia pressa, apenas estratégia. Aliou-se às pessoas certas, eliminou ou subjugou as erradas e, pouco a pouco, construiu uma reputação sólida. A Rocinha, que sempre teve muitos conflitos internos, precisava de alguém que impusesse ordem e respeito, e Thiago se mostrou capaz de fazer isso com mão firme. Ao seu lado, desde o começo, estava ND — o braço direito e melhor amigo. ND conhecia Thiago como poucos, sabia de seus pensamentos antes mesmo que ele os verbalizasse. Juntos, formavam uma dupla imbatível: Thiago comandava com frieza e calculismo, ND executava com lealdade e eficiência. Eram a combinação perfeita entre mente estratégica e ação imediata. Enquanto Thiago estudava o cenário, ND agia sem questionar, protegendo e ampliando o poder do chefe. A vida difícil que Thiago teve com os pais o ensinou a nunca depender de ninguém. Aprendeu que sentimentos e apego eram vulnerabilidades. Por isso, mesmo com todo o poder que conquistou, ele nunca se apaixonou. A emoção era luxo, distração. Seu coração era blindado, e qualquer fraqueza emocional era cuidadosamente escondida. Hoje, Thiago é o dono da Rocinha. Sua palavra é lei, seu olhar impõe silêncio. Ele comanda sem perder a calma, sem demonstrar raiva ou alegria em excesso, sempre analisando, sempre calculando o próximo passo. A fama de frio não é apenas aparência: é estratégia, é proteção, é sobrevivência. Quem entra na vida de TH precisa entender que ali não há espaço para erros, nem para sentimentalismo. Ele é o exemplo vivo de que o poder não é dado: é conquistado. E Thiago, desde cedo, soube que conquistar significava controlar, estudar, agir e nunca, jamais, se apegar. E ao lado de ND, seu parceiro inseparável, ele mantém o morro unido, temido e respeitado, construindo uma lenda que poucos ousam desafiar. Rotina de TH – Thiago, o Dono da Rocinha O sol ainda nem tinha aparecido direito, mas Thiago já tava de pé. No morro, não existe moleza, e TH sabe disso melhor do que ninguém. Ele vestia a camiseta básica, um moletom leve por causa do vento da manhã, e o tênis surrado que já tinha visto muito chão. O celular vibrava com mensagens do ND, avisando dos corres da noite anterior e das novidades da comunidade. “Tá ligado, chefe, o bagulho ontem lá embaixo foi tranquilo. Mas tem uns muleque metendo a mão nas quebrada dos outros, cê quer que eu resolva?” TH leu a mensagem e suspirou, sem emoção. “Resolve. Sem alarde. Ninguém pode falar nada fora do combinado.” Era assim que ele comandava: frio, calculista, sempre três passos à frente. Sem gritar, sem perder tempo com conversa fiada. No morro, respeito e medo andam juntos, e TH sabia exatamente como manter os dois. Depois, foi pro ponto da comunidade. Subindo pelas vielas, cumprimentava os mais velhos com um aceno discreto, e os mais novos abaixavam a cabeça só de sentir sua presença. Era respeito puro, sem precisar falar muito. ND tava logo atrás, observando cada movimento, sempre pronto pra ação. “Chefe, uns mano do outro lado da Rocinha tão armando treta com a galera do nosso corre. Cês quer que eu mande uns parça lá pra conversar ou já chega batendo?” TH parou, olhou pro horizonte da favela e respondeu com calma: “Primeiro conversa. Se eles vacilar, ND resolve. Sem chamar atenção, sem deixar rastro. Vocês sabem que quem vacila paga.” Enquanto andava, os meninos que vendiam suas paradas no morro se aproximavam, trazendo notícias, boatos e às vezes pedidos de ajuda. TH escutava tudo, absorvia cada detalhe, mas falava pouco. Suas ordens eram poucas, mas claras. Uma palavra errada, e alguém podia sumir do mapa. Depois do ponto, ele passou na “base” — um dos esconderijos menores que controlava a venda de drogas e protegiam o perímetro do morro. A galera o olhava com medo e respeito. TH se sentava, pegava um copo de café, nada mais. ND já tava conversando com os moleques, passando instruções e garantindo que tudo rodasse liso. O dia de TH não tinha hora pra acabar. Ele acompanhava o corre de cima, decidia quem entrava ou saía da Rocinha, resolvia tretas internas antes que virassem um problemão e mantinha os negócios da comunidade nos trilhos. Mas tudo isso sempre com frieza. Nunca se deixava levar por raiva ou emoção. Para TH, sentimentos eram fraquezas, e fraqueza podia custar caro. Quando a noite chegava, o morro mudava de ritmo. Luzes piscando, música alta, gente na rua, negócios rolando. TH observava tudo de cima de um prédio estratégico, ND ao lado, pronto pra qualquer emergência. Ali, cada olhar, cada risada, cada gesto podia ser sinal de respeito ou de desrespeito. E TH sabia interpretar cada um deles. Pra ele, ser chefe da Rocinha não era glamour, não era festa. Era estratégia, controle e medo. Quem não entendia isso não durava muito. E TH, com ND sempre ao lado, mantinha a ordem com punho firme e mente fria. Mesmo com o poder todo, ele não se apaixonava, não se deixava levar. O amor é distração, e no corre do morro, distração pode ser fatal. Para TH, só o respeito e o medo importavam. No final da noite, depois de conferir cada ponto, resolver cada problema e garantir que a Rocinha permanecesse unida, TH voltava pra casa, silencioso, observando a cidade do alto. Um líder que se tornou lenda, calculista, frio e temido. E assim seguia mais um dia na Rocinha: sempre à frente, sempre no controle, sempre sem se apegar a nada além do que realmente importava- Poder.Uma Nova HistóriaNarrado por TJNunca pensei que assumir o lugar do meu pai seria tão diferente de tudo que imaginei.Durante anos, ouvi que um dia aquela responsabilidade seria minha. Cresci observando TH, acompanhando suas decisões e tentando entender como ele conseguia manter tanta coisa nas mãos sem demonstrar o peso que carregava.Quando era mais novo, achava que bastava chegar aos dezoito anos para provar que estava pronto.Hoje sei que estava errado.Um título não transforma ninguém em alguém preparado. O que faz diferença são as escolhas, a capacidade de ouvir e, principalmente, a coragem de reconhecer quando estamos errados.E eu já tinha aprendido isso da maneira mais difícil.Estava sentado à mesa quando João Pedro entrou sem bater.— Bom dia, chefe.Levantei os olhos.— Começou?Ele abriu um sorriso.— Estou treinando. Preciso me acostumar.— Se continuar me chamando assim, vou mandar você embora.— Não pode. Sou seu melhor amigo e braço direito. Tem contrato vitalício.R
A Despedida do ComandoNarrado por FernandaEu sabia que aquele dia chegaria, mas isso não significava que estava preparada para vivê-lo.Durante muitos anos, minha vida esteve ligada às decisões de TH. Conheci o homem por trás das responsabilidades, acompanhei suas noites difíceis e aprendi a reconhecer sua preocupação mesmo quando ele tentava escondê-la.Agora, depois de tanto tempo, ele finalmente estava pronto para deixar aquela etapa para trás.E nosso filho estava prestes a começar uma nova fase.Naquela manhã, acordei antes de TH. Fiquei alguns minutos observando seu rosto enquanto ele dormia. Havia uma tranquilidade diferente nele, mas também percebi a tensão que tentava disfarçar.Quando abriu os olhos, sorriu.— Está me olhando por quê?— Tentando descobrir se você está nervoso.Ele soltou uma risada baixa.— Um pouco.Passei a mão pelo rosto dele.— Você passou anos esperando por esse momento.— Esperei. Só não imaginava que seria tão estranho quando chegasse.Beijei sua te
O Nome Que Vou ConstruirNarrado por TJDurante muito tempo, achei que precisava provar alguma coisa para todo mundo.Ser filho de TH significava carregar um sobrenome que chegava aos lugares antes de mim. Algumas pessoas me respeitavam sem me conhecer. Outras duvidavam da minha capacidade antes mesmo de me ouvirem.Eu queria ser reconhecido pelo que era, não apenas por quem era meu pai.Mas, depois de tudo que aconteceu, comecei a entender que estava tentando provar isso da maneira errada.Meu pai tinha razão em algumas coisas. Eu precisava aprender a ouvir, controlar meu temperamento e pensar nas consequências antes de agir.O erro que cometi ainda me incomodava. Não porque alguém tinha me chamado de despreparado, mas porque eu sabia que poderia ter evitado aquele problema.E não queria repetir aquilo.Encontrei João na varanda, como quase sempre acontecia quando precisávamos conversar sem que alguém interrompesse.— Está ocupado? — perguntei.Ele levantou os olhos do celular.— Dep
O Último ConselhoNarrado por NDConheci TH antes de muita coisa mudar em nossas vidas.Vi aquele homem enfrentar momentos que teriam feito muita gente desistir. Estive ao lado dele em dias bons e ruins, acompanhei suas decisões, seus erros e as consequências que vieram depois.Durante anos, fomos mais do que parceiros. Construímos uma amizade que resistiu ao tempo, às dificuldades e até às diferenças que surgiram pelo caminho.Mas agora tudo estava mudando.TH havia decidido se afastar definitivamente, e TJ começava a ocupar um espaço que, durante muito tempo, pertenceu ao pai.Às vezes, eu olhava para aquele garoto e ainda enxergava o menino que corria pela casa com Sofia. Agora, os dois estavam adultos o suficiente para tomar decisões próprias, mesmo que ainda tivessem muito a aprender.E eu também precisava aprender a deixá-los crescer.Encontrei João Pedro na varanda, mexendo no celular.— Posso conversar com você?Ele guardou o aparelho.— Claro, ND.Sentei-me ao lado dele.— Vo
A Decisão de THNarrado por THEu passei muitos anos acreditando que precisava estar no controle de tudo.Aprendi a tomar decisões difíceis, a carregar responsabilidades e a esconder minhas preocupações para que ninguém percebesse quando alguma coisa estava me atingindo. Mas, com o passar do tempo, comecei a entender que não poderia viver daquela maneira para sempre.TJ estava crescendo. Cometeu erros, enfrentou as consequências e começou a perceber que responsabilidade não era apenas ter voz nas decisões.E eu precisava cumprir minha parte.Naquela manhã, encontrei Fernanda no quarto, organizando algumas coisas.— Preciso conversar com você — falei.Ela levantou os olhos.— Aconteceu alguma coisa?— Tomei uma decisão.Fernanda deixou o que estava fazendo de lado.— Sobre seu afastamento?Assenti.— Vou iniciar a etapa final. Não quero mais prolongar isso.Ela se aproximou.— Tem certeza?— Tenho. Quero organizar os próximos passos e deixar claro para todos que, quando a transição est
Mais Que Uma AmizadeNarrado por SofiaEu sempre achei TJ irritante.Desde pequenos, ele tinha aquela mania de querer ter resposta para tudo. Se eu dizia alguma coisa, ele encontrava um jeito de discordar. Se eu ficava quieta, perguntava o que tinha acontecido. E, quando queria me provocar, fazia isso com uma tranquilidade que dava vontade de jogar alguma coisa nele.Só que, nos últimos tempos, comecei a perceber que havia algo diferente.Talvez fosse o jeito como ele tentava esconder as preocupações. Ou a maneira como olhava para o pai quando achava que ninguém estava prestando atenção. Talvez fosse porque, pela primeira vez, eu estava vendo o garoto que conheci crescer diante dos meus olhos.E isso estava me confundindo.Depois do problema que ele causou, fiquei decepcionada. Não porque esperava que TJ fosse perfeito, mas porque sabia que ele tinha capacidade de agir melhor. Ele parecia tão preocupado em provar que estava pronto que esqueceu de ouvir as pessoas que queriam ajudá-lo.







