LOGINEra uma sexta-feira à noite quando o Theo chegou a casa, o que levou o tio Greg a reunir toda a família para o jantar. Não tinha voltado há várias semanas, provavelmente ocupado com projetos da escola e atividades que exigiam a sua atenção.
No momento em que me sentei, notei o Theo a olhar para mim com intensidade. Os olhos dele pareciam fixos no meu corpo e, quando os nossos olhares se encontraram, ele desviou-se rapidamen
Saí, paguei ao motorista e fiz o caminho para dentro. Quando entrei no elevador, senti uma pequena onda de alívio por finalmente estar sozinha. Premi o botão do meu andar e estendi a mão para fechar as portas, pronta a fechar o mundo lá fora por um momento.Mas justo quando as portas estavam prestes a deslizar fechadas, uma mão de repente as parou. A respiração falhou enquanto eu olhava para cima. Era o Theo.Por um segundo, só fiquei a olhar, apanhada de surpresa pela presença dele. Dei um passo de lado quietamente para o deixar entrar.No momento em que ele entrou, senti o olhar. Era pesado, intenso e quase sufocante. Era como se ele estivesse a tentar ler através de mim, a puxar qualquer coisa que eu me recusava a dar.A expressão era rígida, ilegível, mas havia algo por baixo. Algo inquieto. Como palavras que ele ainda não tinha decidido como dizer. O que é que ele sequer estava a fazer aqui? Pensei que ele já não vivia neste prédio. Ent
«Diz-me tu», disse ele, o olhar duro. «Porque é que o farias?»A audácia! O que é que ele pensava de mim? Que eu era o tipo de pessoa que magoaria alguém por despeito? Por ciúme?O pensamento sozinho fez o estômago apertar-se e torcer-se em nós. Era verdadeiramente o quão pouco eu importava para ele agora? Não conseguia parar a amargura aguda que inundava as veias, a infiltrar-se em cada parte de mim.Nunca tinha conhecido uma dor tão profunda, não até sentir o peso do desprezo no olhar da pessoa que eu costumava amar profundamente.«Vi-a cair. É tudo. Se não acreditas em mim, então pergunta à tua namorada tu mesmo.» Disse eu com firmeza, a forçar a voz a manter-se calma apesar da tempestade dentro de mim.«Vou», respondeu ele sem hesitação. «Assim que os testes dela estiverem feitos.» A forma como o disse parecia menos uma tranquilização e mais um aviso.E assim, ficou claro. Foi por isso que ele me trouxe aqui. Não porque eu
«Ela caiu pelas escadas, senhor. Parece ter torcido o tornozelo durante a queda», explicou o médico com calma. «Foi bastante severa. A senhorita Gomez testemunhou o incidente e chamou por ajuda. A lesão não parece crítica, mas recomendo fortemente levá-la ao hospital mais próximo para um exame completo e tratamento adequado.»«Theo, dói!», gritou a Tiffany, a voz a tremer de dor.Num instante, toda a agudeza na expressão dele suavizou-se. Moveu-se na direção dela sem hesitação, a agachar-se ao lado dela com uma gentileza que se sentia quase chocante depois do frio de segundos antes.«Shhh... está tudo bem. Vou levar-te ao hospital agora», murmurou ele, a voz baixa e tranquilizadora.Depois ergueu-a cuidadosamente nos braços. Aquele ato simples atingiu mais fundo do que eu esperava. Parecia que algo dentro de mim rachava, como mil lâminas minúsculas a pressionarem o peito de uma vez.Observar o homem que se ama a segurar outra pessoa a
Estava a descer as escadas a correr, os passos a ecoarem contra o betão, quando a voz da Tiffany soou atrás de mim outra vez.«Elyssa, espera! Podemos falar?», chamou ela, a voz tensa e urgente.Praguejei baixinho e abrandei até parar a meio da escadaria quando me apercebi de que ela me tinha seguido até aqui. Claro que sim.E agora? Ia ela dizer-me que eu tinha compreendido mal o que vi? Pedir-me para ficar quieta sobre isso? O pensamento sozinho fez o peito apertar-se. Esta situação já era desconfortável o suficiente, e a última coisa que eu queria era ser puxada mais fundo nela.Fiquei onde estava, a esperar que ela me apanhasse, embora cada segundo disso me irritasse. Quando me virei para a enfrentar, soube que o olhar nos olhos estava longe de ser acolhedor. Se os olhares pudessem ferir, o meu teria.Esta era a mulher que o Theo escolheu em vez de mim? Uma mulher que nem sequer conseguia manter-se fiel a um homem?Não comp
A caminho do escritório da Tiffany, a secretária dela cumprimentou-me com um sorriso educado antes de eu entrar. Estava marcada para me encontrar com a Tiffany e o Gestor de Monitorização de Projetos Tyler Greene. A agenda era direta no papel — planear a alocação de recursos para um projeto próximo e discutir uma preocupação envolvendo um dos membros da equipa. Ambos estavam designados para o novo projeto de grande escala da empresa, e esta reunião destinava-se a alinhar tudo antes de as coisas avançarem. Simples, profissional e necessária.Ainda assim, uma tensão quieta pairava por baixo de tudo.Sempre tinha feito questão de evitar interações desnecessárias com aquela mulher. Algo nela me inquietava, o tipo de irritação que acredito que nunca me deixará. Mas o trabalho não se importava com o desconforto pessoal, e eu também não podia. Preciso de assistir a esta reunião, goste ou não.Estava marcada para as 10 da manhã, e como sempre, cheguei dez
Os empregados reuniram-se de imediato à volta para cumprimentar o CEO, a enxameá-lo com apertos de mão calorosos e bons votos. Demorou vários minutos antes de um caminho claro se abrir para ele e a Tiffany se moverem pela divisão.Justo então, os olhos do Theo encontraram os meus. Como se tivesse sentido o meu olhar nele o tempo todo. Observei as sobrancelhas franzirem-se ligeiramente, o maxilar a apertar-se no momento em que me viu. Depois, sem hesitação, deslizou o braço à volta da cintura da Tiffany e puxou-a para perto. O toque quente e afeiçoado.Não conseguia desviar o olhar enquanto ele a guiava gentilmente para a mesa deles. Moviam-se em sincronia perfeita, e não havia como negar a ligação entre eles. Cada pequeno gesto, cada olhar que partilhavam, falava de intimidade e facilidade.«Disse-vos que eles estão realmente juntos. Olhem para eles. Até vieram para o evento ao mesmo tempo», disse a Leila baixinho.«Talvez só tenham chegado







