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CAPÍTULO 3

作者: Crystal K
O esconderijo ficava em um velho prédio no sul de Manhattan. Usando a minha digital, eu abri a porta e encontrei Damon deitado no sofá.

Para a minha surpresa, ele realmente estava machucado.

O ombro esquerdo enrolado em um curativo improvisado. O sangue já começava a encharcar a gaze branca.

— Quem foi dessa vez? — Perguntei enquanto pegava o kit de primeiros socorros.

— Algum moleque da família Kozlov. — Resmungou. — Ele pensou que podia fazer graça no meu território.

Rasguei a camisa dele.

A bala tinha rasgado a omoplata. Não era muito profundo, mas precisava de pontos.

Enquanto a agulha atravessava a pele, eu podia ver os músculos dele tensionando. A dor sempre deixava ele mais perigoso, como um animal ferido.

Doze pontos depois, eu estava prestes a enfaixar o ferimento, quando ele me colocou no colo, esmagando a minha boca com a dele. Cada investida era uma afirmação. Minha. Minha. Minha.

Mas tudo o que eu sentia era cansaço.

Quando terminou, ele me segurou, apoiando o queixo no meu ombro. Seus dedos brincavam com o Coração de Sicília, no meu dedo anelar.

Dois anos atrás, depois que levei uma bala destinada ao coração dele, ele se ajoelhou e colocou o anel em mim. Era um anel antigo de granada vermelho-sangue, símbolo da antiga matriarca da família Vitale.

— Nora, você protegeu meu coração. — Ele disse. — Agora, deixe que ele proteja você.

Na época, eu pensei que ele estivesse me aceitando e que eu poderia verdadeiramente ficar ao lado dele.

— A Bianca ter aparecido hoje foi tudo ideia dela, mas você conseguiu lidar muito bem com tudo. — Ele disse finalmente. — Amanhã à noite, durante o jantar, ela vai sentar ao meu lado.

— Eu sei. — Disse, fechando os olhos.

Ele fez uma pausa. Os dedos se afastaram do anel e seu tom de voz ganhou um ar gélido.

— Tire esse anel. Coloque-o de volta no meu escritório.

Meu coração parou.

— Por que?

— A Bianca não vai gostar de ver isso em você.

Ele me largou e se levantou, me olhando de cima.

— Esse anel representa a família Vitale. Ele pertence à futura rainha dessa família. Não a você.

Na noite seguinte, a residência da família Vitale estava iluminada como um verdadeiro palácio.

Eu não tirei o anel. O Coração de Sicília continuava no meu dedo, como um ato final e silencioso de rebeldia.

Vestida com um simples vestido de gala preto, eu fiquei em um canto do salão de festas. Eu costumava me sentar à direita do Damon, respeitada pela velha guarda da família. Mas esta noite, aquele lugar pertencia a Bianca.

— À futura senhora Vitale! — Brindou o velho Marcello, erguendo uma taça.

Bianca sorria elegantemente.

— Obrigada a todos pelas bênçãos. — Disse com uma voz doce. — Vou fazer o meu melhor para honrar o nome da família Vitale.

— Mas o negócio de transportes marítimos depois do casamento é o verdadeiro prêmio. — Disse Antônio, um dos capôs, com um cigarro na boca. — A família Torrino controla cerca de quarenta por cento dos portos da Costa Leste.

— Exatamente. Esse acordo vai dobrar o nosso poder.

— Você pode ficar com a garota. — Disse o velho Salvatore, me lançando um olhar de desprezo. — Ela é útil. Uma coisinha bonita que sabe lidar com o trabalho sujo.

Risadas abafadas percorreram o salão.

Minhas bochechas ficaram vermelhas, mas minha expressão permaneceu intacta. Todos olharam para Damon, esperando uma resposta.

— Vocês são muito generosos. — Ele riu. — Ela é só uma pet, não vai atrapalhar a Bianca.

Foi então que os olhares dos velhos caíram no anel em meu dedo.

Bianca se aproximou de Damon e acariciou a mão dele, enquanto murmurava:

— Querido, ouvi dizer que a família Vitale tem uma relíquia, que é passada de geração em geração há cem anos. O Coração de Sicília. Dizem que só a verdadeira rainha pode usá-lo. Terei a honra de vê-lo esta noite?

O olhar de Damon oscilou entre mim e Bianca.

Então, ele se levantou e veio até mim. Ele não disse uma palavra, apenas esticou uma das mãos e me olhou no fundo dos olhos, ordenando que eu mesma tirasse o anel.

Minha mão tremia, o anel parecia preso a minha carne, não saia de jeito nenhum.

Olhei para ele, um último pedido silencioso nos olhos.

A paciência de Damon se esgotou. Ele agarrou a minha mão e arrancou o anel do meu dedo. Estava apertado e acabou rasgando a pele do nó do meu dedo, deixando um rastro de vermelho de sangue.

Ele nem se importou com o ferimento, apenas pegou o anel, voltou para o lugar e limpou meu sangue com um guardanapo. Como se eu fosse sujeira.

Então, solenemente, ele colocou o Coração de Sicília no dedo de Bianca.

— Agora, ele pertence a sua verdadeira dona.

Bianca ergueu a mão, lançando-me um olhar de triunfo absoluto.

Eu segurei meu dedo sangrando, observando o anel brilhar na mão de outra mulher. Meus cinco anos de fé, a medalha que eu conquistei arriscando a minha própria vida, tinham virado uma piada completa.

Mas eu não chorei. Eu não desmoronei.

Em meio à celebração, eu peguei uma taça de champanhe e caminhei lentamente em direção ao Damon. Enquanto todos olhavam em silêncio, eu ergui a taça e sorri. Minha voz soou calma.

— Parabéns, Don. E para você também, senhorita Bianca. Parabéns pelo seu... presente de segunda mão tão significativo.

Eu virei o champanhe de uma só vez, coloquei a taça gentilmente na mesa e me virei para sair. Assim que cheguei à porta, Marco, o verdadeiro assistente do Damon, me parou:

— Senhorita Nora. — Disse em voz baixa. — O Don quer que você leve ele e a senhorita Bianca de volta para a propriedade Torrino depois do jantar.

Olhei incrédula para Marco.

— Qual carro?

— Seu Maserati vermelho.

Assenti.

"Um bom pet sabe reconhecer quando está sendo punido.

Você não vai se lembrar disso amanhã, Damon. Mas eu vou. E depois que eu entregar o seu presente final, vou desaparecer para sempre."
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