FAZER LOGINESTEBANA equipe médica levou o pequeno Carlos para fora na incubadora de transporte.A incubadora era enorme comparado ao corpinho dele. As hélices do helicóptero faziam tanto barulho que eu me perguntava se o som estava afetando as orelhinhas dele.Enquanto a equipe o carregava a bordo, outra equipe levou Eliana para fora. Quando a maca passou, ela levantou o polegar para mim.— Até logo, priminha — murmurei, certo de que ela não podia me ouvir.Scott estava a poucos centímetros de mim. Quieto. Ele tinha ficado tão quieto quanto quando eu contei sobre o meu plano.Considerando que ele não estava em condições de trocar socos, eu pelo menos esperava que soltasse algumas palavras.— Sua vez — falei, inclinando a cabeça para o lado dele.Eu tinha escolhido um helicóptero médico grande por esse motivo. Queria todos eles fora dali — fora de alcance.— Eu sei que tem alguma coisa… — murmurou, olhando para o prédio do hospital. — Não sei o que é, mas só quero minha família segura.Ele volto
ESTEBAN“Eles não estão seguros.”As palavras se repetiam na minha cabeça.Por horas fiquei sentado ao lado da cama, bombardeando o médico com perguntas, enquanto ocasionalmente colocava o dedo debaixo do nariz dela para garantir que ainda respirava.Ver ela deitada na cama por tanto tempo me enchia de pavor.Eu tinha segurado a mão de Laura e ficado ao lado da cama, em negação. Tinha forçado os médicos a fazerem alguma coisa.Exceto que trazer os mortos de volta à vida era uma façanha impossível.Caitlin se mexeu. Empurrei as memórias para o lado.Ela sibilou ao pressionar a mão na testa. Afastei uma mecha de cabelo do rosto dela, segurando a bochecha com a outra mão.Devagar, ela abriu os olhos. Soltei um suspiro de alívio.— Você acordou — sussurrei. — Achei que planejava dormir pra sempre.Ela riu baixo. Olhei para ela, estudando o rosto em busca de qualquer sinal de dor. Embora minhas palavras pudessem ter soado sarcásticas, não eram. Eu estava preocupado até o osso.— Você não p
CAITLINConcordar com o plano dele não significava que eu realmente ia seguir em frente. Por mais que eu quisesse vingança, alguma coisa não parecia certa. Parecia que eu estava perdendo muita coisa.Além disso, levar Esteban à morte não parecia tão satisfatório quanto tinha sido na minha imaginação.— Como eu sei que você não vai se acovardar? — perguntei baixinho.A expressão dele permaneceu calma. Caspian se levantou do assento e começou a se afastar da câmera. Na tela só havia um espaço vazio. Fechei os olhos, me perguntando por que o efeito da droga ainda pesava em mim. Manter os olhos abertos tinha sido uma batalha difícil.Momentos depois, ouvi passos. Estavam se aproximando. Não dei importância, já que havia outras pessoas no quarto. De repente, notei uma sombra sobre mim. Dedos roçaram minha bochecha.Assustada, abri os olhos e vi Caspian bem na minha frente. — Agora você sabe que eu estou pronto. — Ele sorriu de lado.— Esteban vai te encontrar — falei.— Não se nós o encont
ESTEBANApoiando a cabeça na parede, fechei os olhos. Senti que estava cochilando.Senti ar frio no rosto, depois algo coçou a pele. Abri os olhos e vi uma visão embaçada de Caitlin — não, Laura.Ela estava tão risonha quanto costumava ser. Parecia estranho. Eu não lembrava a última vez que tinha tido aquelas visões de Laura.As sobrancelhas dela se franziram, depois ela estendeu a mão para mim. A mão atravessou meu rosto. Tentei me forçar a acordar. Parecia errado. Embora eu ainda carregasse a culpa, precisava deixar ir, então por quê?O toque do celular me trouxe de volta à realidade. Meus olhos estavam pesados. Eu não dormia direito há dias. A maior parte por culpa minha.— Caitlin? — murmurei enquanto olhava o identificador de chamada na tela.Sorri. Ela nunca tinha me ligado antes. Acho que nunca tinha tido motivo. Perguntando-me se o tornozelo doía mais, deslizei o ícone de atender.— Já está com saudade, Kitty? — arrastei a voz.— D–Don, eu não consigo encontrá-la. — A voz de R
CAITLINHavia sons abafados ao fundo. Eu não conseguia distinguir as palavras, mas as vozes eram familiares.Um arrepio desceu pela minha espinha. Eu estremeci. O quarto estava frio — tão frio que o chão parecia aço congelado sob os meus pés.— Caspian — arrastei a voz, puxando o ar fundo. O ar frio bateu nos pulmões e eu soltei uma tosse alta.— Bom te ver também, Caitlin.Virei a cabeça na direção da voz dele. Forçando as pálpebras a abrirem, franzi o rosto quando a luz da tela filtrou. A visão estava embaçada. Apertei os olhos e abri devagar.— Covarde — cuspi.A testa dele se franziou e depois relaxou. O insulto tinha o atingido, mas ele foi rápido o bastante para esconder. Manter os olhos abertos era uma luta.— Pelo contrário, Caitlin. Eu posso ter acabado de salvar a sua vida. Você se tornou um prêmio e tanto — disse ele com preguiça.Semicerrei os olhos para ele. A expressão dele estava em branco.— O que você quer dizer? — perguntei.— Não é segredo que você se tornou a posse
CAITLINEsteban tinha insistido que eu fosse para casa. No caminho de volta, fiquei olhando pela janela, apreciando a vista.Os postes iluminavam as ruas. Era lindo. Eu quase tinha esquecido como era fazer uma caminhada no fim da tarde.Sorri, lembrando de como eu costumava voltar a pé para o apartamento no fim do expediente, apertando uma canivete no bolso do moletom ou do casaco.Eu não tinha reparado em nenhum dos prédios no caminho para o hospital. Sorri sozinha, aliviada com o jeito que as coisas tinham terminado.Embora eu preferisse que nada de ruim tivesse acontecido desde o início. Todo mundo estava seguro. Isso era o mais importante. Infelizmente, o bebê Carlos não voltaria para casa tão cedo.— Mal posso esperar para chegar em casa — respirei.— Você deve estar com muita dor — disse Rosio, me estudando. — Precisa descansar.Eu estava com dor, mas não muita. Era uma sensação desconfortável. Nada mais. Esteban só tinha exagerado.— Não, precisamos limpar cada centímetro do qu







