FAZER LOGINAcabei saindo de casa mais descansada depois de saber que a Karina vai poder buscar os meus filhos. Suspeito que o Noah tenha feito uma cópia das chaves do Ethan, não vou precisar trocar a fechadura, eu vou é mudar de casa, pois agora que ele. Está morando perto de mim não terei paz e cenas parecerias a ontem a noite serão frequentes. Eu quis vir até a Delegacia de polícia do distrito de Manhattan, quis vir ver a minha amiga de longa data, a detetive Kate Blanched, somos amigas desde o ensino médio. Porém as nossas vidas seguiram caminhos muito diferentes.
É a primeira vez que venho visitar ela no seu serviço, desde que me desviei pra advocacia que não nos vemos com frequência, estávamos em lados opostos da lei e a polícia não morre de amores por advogados. A última vez que estive aqui tivemos uma discussão muito feia, acabamos levando para o lado pessoal a defesa dos interesses dos outros, não nos falamos desde então. Espero que agora que estamos do mesmo lado a nossa amizade volte a ser como antes, não se passou tanto tempo, mas espero que ela tenha se esquecido ou me perdoado. Mal saio do elevador e sou assoberbada com o odor horrível, essa delegacia cheira à cachorro quente, donuts e desespero, muita gente deve despejar esse desespero no chão, fede à urina tão forte que parece o banheiro do metrô. Encontro Kate conversando com seus colegas, enquanto os restantes tiram apontamentos, ao que tudo indica estão investigando algum crime. Ao ver-me, a Kate sorri e volta a falar com os colegas. — Por favor, não digam nada disso ao pessoal do crime organizado, eu quero considerar como crime passional até chegar ao ministério público — diz ela. Os outros detetives assentem em simultâneo. A polícia adora fazer essas lutas de território, eu acho que é por pura curiosidade em saber os motivos que levaram a perpetuação do crime e também porque eles competem casos de alto perfil. — Estamos entendidos. Vamos trabalhar pessoal — Kate continua — precisamos fechar esse caso antes que a unidade do crime organizado venha reivindicar a jurisdição. Ela diz alguma coisa baixo para um dos seus colegas e ele olha para a minha direção logo em seguida, espero que elas saiba que não represento nenhuma ameaça, que não vim defender um dos meus clientes de caráter duvidoso , agora estou do lado deles agora. Kate caminha em minha direção, em passos firmes, ao se aproximar percebe que trouxe comigo uma caixa de donuts e sorri. Ela coloca os cabelos castanhos por trás da orelha e segura a caixa de doces. — Vejo que trouxeste uma oferta de paz! — Sim. Eu não quis correr o risco de com Kate franze a testa, revira os olhos. Realmente exageramos e levamos as coisas para o lado pessoal a última vez que nos vimos aqui nessa mesma delegacia. — Foi bastante inteligente da tua parte. Então o que te trás aqui? Você não veio aqui para representar a suspeita do assassinato no apartamento em Queens, pois não? — Que assassinato? — pergunto. Ela solta um suspiro e a alegria parece voltar ao seu rosto. — Ah! Ufa! Ainda bem. Venha aqui no meu escritório, vamos conversar. Ela caminha em direção ao corredor e eu a acompanho, Kate foi recentemente promovida a chefe dessa unidade de polícia…. A sala escura e fria, com móveis em madeira escura, ela colocou seu casaco no encosto da cadeira e sentou-se, fazendo um gesto para que me sente a sua frente. A cadeira é dura, desconfortável mal sentei e sinto dor no meu traseiro. — Você vai me contar mais sobre esse caso aí? — Callie, você sabe que não posso discutir os detalhes de uma investigação em andamento. — Sim, mas isso era antes de eu me tornar promotora assistente do gabinete do procurador do distrito. Surpresa com a informação, Kate arregala os olhos azuis e abre um sorriso de orelha a orelha. — Nossa! Callie os meus parabéns, fico feliz por você! Isso é incrível. — Eu sei! Está a ser uma experiência incrível, estou tão feliz por ter tornado esse sonho real nessa fase da minha vida. — Você merece, fico muito feliz por saber que agora você está do lado certo da lei. De repente o som do bater da porta, interrompe o…. É um dos colegas de Kate, um homem bruto, — Capitã, o Advogado da Arya O’Neil acabou de chegar, acompanhado de uma testemunha. O sorriso no rosto de Kate desvanece diante dos meus olhos, aparentemente não esperava por isso tão cedo. Ela vira para mim e diz: — Callie, tenho que ir agora vai começar um interrogatório. Adorei ver você, vamos combinar um barzinho para gente conversar mais sobre você. — Está bem. Kate acompanha-me até a saída da delegacia, a passos apressados, sua sede pela justiça é notável, ela quer fechar esse caso rápido antes que a outra agência reclame a jurisdição, espero que esse processo vá parar na minha mesa, seria um começo e tanto ganhar a condenação mais pesada diante do grande júri. — Obrigada por teres vindo, Callie. Eu ligo mais tarde — diz ela. — Obrigada por me receber, Kate. Espero que possamos trabalhar juntas num processo. — Eu também. — Não vou roubar mais o seu tempo, vou embora. O elevador chega e Kate saí correndo em direção à sala de interrogatórios, gostaria de vê-la em ação, ele é feroz com os suspeitos, eu mesma já vi de perto ela atacando um dos meus clientes que só não confessou porque eu cortei toda q conversa é a Kate não me perdoou por isso até hoje. Entro no elevador, ainda a tempo de vê-ela fechando as persianas do vidro da sala, enquanto as portas do elevador se fecham um homem movimentar-se rapidamente em minha direção aparentemente quer pegar o elevador, porém meu corpo entra em choque ao vê-lo. Não pode ser! Não consigo parar a porta a tempo, apenas fico parada o encarando e então consegue se aproximar o suficiente para travar as portas co a mão. Eu ainda não consigo acreditar no que estou vendo. Meu Deus é ele!O tempo pareceu parar, até mesmo a porta do elevador parecia mover-se em câmera lenta para se fechar novamente. Eu precisava sair dali. Dou dois passos, mas Ryan ainda segura meu braço, acompanhando-me para fora com uma destreza quase instintiva. O aperto é firme, tão firme que consigo sentir os batimentos cardíacos pulsando na ponta dos dedos dele, como se sua vida inteira estivesse concentrada naquele toque.— Ryan, não vamos fazer isso! Acabou, eu não fui atrás de você, eu aceitei o fim, seguimos caminhos diferentes, não sou a mesma garota que você enganou na faculdade e com quem você trepou durante seis meses.Ryan pareceu decepcionado ao ouvir minhas palavras. Pelos vistos, acreditava que éramos mais do que isso. Lentamente, ele solta meu braço, e sinto cada dedo afastar-se aos poucos, como se hesitasse em me deixar ir. Em seguida, leva a mesma mão por trás da nuca, soltando um suspiro pesado, inclinando a cabeça para trás. Observo atentamente cada fio da sua barba que cresce pel
Não pensei que pudesse voltar a vê-lo depois de tantos anos. Durante muito tempo, cheguei a acreditar que ele estivesse morto. Nunca tentei procurá-lo porque não queria acumular mais uma desilusão à coleção que ele me deixou. O fim da nossa relação continuava vivo na minha memória como uma ferida mal cicatrizada. Depois de seis meses juntos, desapareceu da minha vida de uma forma tão repentina que me deixou sem chão. Quando reuni coragem para lhe perguntar o motivo, limitou-se a dizer que eu nunca tinha significado nada para ele. Nada. Como se aqueles meses não tivessem existido. Como se tudo o que vivemos tivesse sido importante apenas para mim.Depois disso, nunca mais tive notícias suas. Nunca me procurou, nunca telefonou, nunca enviou uma única mensagem. Pensando agora, percebo o quanto fui ingénua. Nem sequer conhecia verdadeiramente a sua vida. Ele nunca me apresentou aos amigos, nunca me levou para conhecer a família, nunca me permitiu ocupar um lugar real no seu mundo. E, aind
Acabei saindo de casa mais descansada depois de saber que a Karina vai poder buscar os meus filhos. Suspeito que o Noah tenha feito uma cópia das chaves do Ethan, não vou precisar trocar a fechadura, eu vou é mudar de casa, pois agora que ele. Está morando perto de mim não terei paz e cenas parecerias a ontem a noite serão frequentes. Eu quis vir até a Delegacia de polícia do distrito de Manhattan, quis vir ver a minha amiga de longa data, a detetive Kate Blanched, somos amigas desde o ensino médio. Porém as nossas vidas seguiram caminhos muito diferentes.É a primeira vez que venho visitar ela no seu serviço, desde que me desviei pra advocacia que não nos vemos com frequência, estávamos em lados opostos da lei e a polícia não morre de amores por advogados.A última vez que estive aqui tivemos uma discussão muito feia, acabamos levando para o lado pessoal a defesa dos interesses dos outros, não nos falamos desde então.Espero que agora que estamos do mesmo lado a nossa amizade volte
A única coisa verdadeiramente boa que surgiu do meu casamento de cinco longos anos foi a Angel. Sempre que penso em tudo o que vivi ao lado de Noah, é a imagem dela que aparece primeiro. O seu sorriso, a sua gargalhada, a forma como corria para os meus braços depois de um dia difícil. Ela tornou tudo suportável. Tornou a dor suportável. Tornou os arrependimentos suportáveis.Durante cinco anos, dei-lhe o poder de ultrapassar todas as minhas barreiras emocionais. Confiei nele de uma forma que nunca tinha confiado em ninguém. E isso acabou por destruir-me por dentro. Cada erro que ele cometia transformava-se, de alguma forma, numa culpa minha. Cada mentira era facilmente justificada. Cada traição era escondida atrás de uma desculpa. Com o tempo, comecei a questionar a minha própria sanidade. Perguntava-me constantemente se estava a exagerar, se era demasiado sensível ou se o problema era eu.Quando o conheci, fiquei completamente encantada, Noah era carismático, divertido e tinha uma pr
Enquanto ele está pendurado bem à minha frente, gemendo de dor, seu sangue se espalha pelo chão gordurento, sujo de óleo de motor. Não devia ter vindo aqui quando Arthur ligou para mim. Na verdade só vim porque ele disse que tinha que impedir o Walter de cometer um erro terrível, não sabia que encontraria esse cenário. É uma brutalidade sem medida o que Arthur fez, e Wallie não percebe que isso está acabando com a sua vida e a esperança de uma vida normal. Eu estou nessa vida desde que me conheço por gente, já vi o diabo em cada rosto dos membros da minha família, esse inferno que só se sai morto. Estou vivendo nesse inferno por causa das escolhas dos outro, estou nisso hà tanto tempo que mortes como essa se tornaram meu quotidiano. Já estou acostumado a ver o Arthur torturando uma pobre alma por puro praser e o Wallie o ama tanto que ele decidiu imitá-lo em tudo. Enquanto a alma atormentada deixa o corpo desse pobre homem que está estendido no chão, Arthur ri-se alto, e o Wa
Sempre foi assim. A minha mãe dedicou-se a vida inteira a fazer-me sentir a pior pessoa do mundo. Desde que me lembro, fez questão de deixar bem claro que eu era a ovelha negra da família. Não importava o que acontecesse, a culpa acabava sempre por cair sobre mim. Se chovesse, de alguma forma eu era a culpada. Se algum dos meus irmãos partisse alguma coisa, eu era a culpada. Se surgisse um problema em casa, todos olhavam para mim antes mesmo de procurarem a verdadeira causa.Durante anos, carreguei esse peso sem questioná-lo. Cresci a acreditar que havia algo de errado comigo, que eu era realmente o problema que ela dizia que eu era.Acho que foi exatamente por isso que me casei com Noah. Queria provar à minha mãe, e talvez a mim mesma, que eu era digna de amor. Que alguém poderia escolher-me, amar-me e permanecer ao meu lado. Passei anos à procura dessa validação num casamento que, no fundo, nunca foi saudável.Hoje, depois de meses de terapia, consigo enxergar as coisas com mais cla







