Compartir

53. Placidez

Autor: Tsuki-Hime
last update Fecha de publicación: 2021-11-09 07:33:50

Passou-se alguns dias. Kimbe ajudou a limpar as cavernas vulcânicas de todos os seres sombrios e também a esvazia-los de tudo. Gemas, mantimentos, equipamentos, tudo foi divido por igual entre os quatro Reis.

Esvaziada e limpas as montanhas de Korionenshõ, Mahotsukai convidou Kimbe a viver em Heiwa como um de seus servos, pois, apesar dele ter servido ao seu pior inimigo, reconheceu nele uma preciosa fonte de conhecimento de defesa contra as artes das trevas.

De início, Kimbe se sentiu receoso em aceitar tão maravilhosa oferta (pois já se imaginava voltando a mendigar pelos becos sombrios), mas Bara e Nemuru o convenceu a aceitar. Até Askherone se mostrou mais amigável com ele!

Sobre Askherone, muitos foram os que se assustaram com o dragão ao vê-lo de imediato. Acnarepse quase desmaiou ao ver o lagarto gigante caminhando lado-a-lado de sua menina! Mas aos poucos, não só Askherone foi se acostumando com o castelo, como também foi conquistando a confiança de todos. Especialmente as crianças que se maravilhavam com ele.

Nemuru achou melhor devolver a Candra para Bara. Já que a espada não seria mais necessária, o ideal seria que ela ficasse guardada em segurança. No caso, dentro da Kendrada, onde um espaço especial foi montado para deixar a Candra e o baú élfico à mostra, mas não ao alcance de qualquer um (principalmente com Askherone ajudando a proteger o lugar). Nemuru também ajudou a adicionar a espada ao guia de Bara.

– Acabei. Leia e me diz se já está bom o bastante para colocar no guia, já que não pode haver rasuras. – entregava Bara o rascunho da descrição de Candra ao Nemuru.

– Vamos lá:

Candra – A espada que nasceu de uma grande estalactite de gelo banhada pelo luar, cuja base foi cortada com a escama aquecida de um dragão negro; envolta pelo mais longo fio de cabelo de uma Filha do Luar da base à ponta, e mergulhado em magma que lhe deu forma através do poder de Selena; é uma espada capaz de ajudar nos momentos mais turbulentos e que só poderá ser manuseada por alguém de coração puro ou alma nobre, em quem a Filha confie de todo o coração.

O que pertencer às sombras, será purificado. A natureza colérica, será apaziguada. E todo desafio mortal, será simplificado. Ela irá proteger e auxiliar o portador eleito e aqueles que o ajudar também.

Se alguém que não seja o eleito da Filha tentar portar Candra em suas mãos, será rejeitado e queimado pela espada, evitando que inimigos tomem pose de Candra.

Ela guiará os passos do eleito e da Filha para que o infortúnio em que ela se mostrar necessária, termine depressa.”

 – Está perfeito Bara! – ele elogiava – Você colocou cada detalhe do nascimento dela, explicou as regras de uso como Selena lhe disse, alertou sobre o que acontece se um não eleito tenta pega-la e resumiu bem a função dela.

– Muito obrigada Nemuru. – respondeu Bara um pouco vermelha – Você... Vai mesmo retornar para Kyuden com sua mãe, não é mesmo...

– Vou. Tenho que ajuda-la a arrumar a bagunça que a minha “morte” deixou. Mas tenha a certeza que não irei fugir da hora de dormir! – um riso escapou da princesa – Zula vai ser a única a ficar mais, mas a minha vontade é de nunca deixar Heiwa.

– E será que existiria um motivo especial para essa vontade?! – brincava ela.

– Quem sabe uma certa princesa que tem um dragão negro como amigo e guardião não tenha a resposta... – respondeu ele afagando alguns cachos de Bara.

– Trate de dormir! Ou ficarei chateada com você!

– Apesar de já ter dormido o suficiente para a minha vida toda, seu desejo é muito mais que uma ordem para mim.

Zula ficou quase um mês em Heiwa para poder concluir seu treinamento ao lado de Mahotsukai. Com Jõo garantindo à garota antes de partir que, quando ela retornasse para Kyuden, uma sala especial estaria reservada para ela. E como a Rainha de Kyuden tinha muuuuito o quê fazer em seu reino, voltou para casa acompanhada do restante dos Soamri e de seu filho. Também deixou com Bara um de seus brincos para o pequeno projeto da pulseira de sonhos dela.

Bara e Nemuru continuaram se encontrando através dos sonhos como haviam prometido entre si.

Hilfe ficou em Heiwa por um tempo mais, e Bara aproveitou para conversar com ele quando o encontrou sozinho.

– Majestade, se importa de conversar um pouco? – perguntava ela ao encontra-lo lendo nos jardins.

– Mas é claro princesa! Sobre o quê deseja falar? – respondia ele fechando o livro que lia.

– Bem... Eu, estive pensando... O senhor já sabia da maldição que me recaia por causa do Dark Yami?

– Sabia.

– Mas como?! Nem meu pai ficou sabendo daquilo! E eu só fui descobrir quando já estava nas mãos daquele monstro.

Hilfe parecia desconfortável, mas respondeu mesmo assim.

– Princesa. Você sabe que... Eu e sua mãe, éramos primos, certo? – Bara assentiu – Bom, Mahina sempre me enxergou como um amigo especial. Um irmão confiável, mas eu... Eu não a via assim. Eu a via, como muito mais que isso...

– Err, desculpe, mas... O senhor... Amava a minha mãe?!

– Muito mais do que você pode imaginar... – Bara estava boquiaberta – Ela não me escondia nada. Confiava a mim todos os tipos de segredo que você pode imaginar. Até mesmo o fato de ela ter sido uma Filha do Luar.

– O quê exatamente minha mãe te contava?!

Hilfe começou a contar praticamente tudo o que sabia dela, e Bara, passava a conhecer a Filha do Luar Mahina.

Soube que ela aprendera sobre o que era aos dezesseis anos pela própria Selena e que tinha sido ela quem lhe revelara onde que as ferramentas de suas Filhas haviam sido guardadas por Qamar... Que ela só trabalhava com plantas que fossem medicinais, o que a ajudou a esconder sua habilidade, tsuki... Sobre a historia das Filhas do Luar que Mahina repassara para Hilfe, seu primo querido... Como que de imediato, ela não tinha ido com a cara de seu pai e que aos poucos começou a gostar de Mahotsukai (que foi o que mais doera nele)... Das “travessuras” que ela fazia como Filha e como mulher... E da agonia quando ela foi informada do infortúnio que lhe cairia se a criança de seu ventre fosse uma menina, quando se descobriu grávida.

– E o senhor não fez nada quando ela lhe contou isso?!

– Eu bem que queria, mas ela me fez jurar que manteria aquilo em segredo.

– Mas, por quê?... – uma lágrima escorria pelo rosto de Bara.

– Ela temia que Mahotsukai começasse a procurar por Dark Yami e... Entregasse sem querer a identidade da última Filha. Além da possibilidade de ele acabar lhe deixando desamparada. Ela me contou tudo o que faria para evitar que você se sentisse abandonada ou coisa parecida, uma vez que não poderia vê-la crescer...

– Queria que Dark Yami tivesse sido derrotado ainda naquela época...

– Eu também.

Um breve momento de silêncio recaiu sobre os dois. E Bara não era a única a ouvir todas aquelas coisas. Camau estava perto, e, por meio do pequeno cristal que levava no pescoço, Mahotsukai também pode descobrir tudo o quê Mahina lhe ocultara. Ficando emocionalmente igual à Bara.

– Apesar do meu juramento,... – Hilfe retomava – ...eu não fiquei parado. Comecei a investigar tudo o que podia sobre aquele mago assim que soube da maldição. Como já cheguei a comentar com seu pai e os outros que participaram da batalha, minha mãe sempre tentava me convercer que aquele monstro estava morto. Que não passava de uma historia para assustar crianças levadas. Mas... Mahina era a prova de que ele ainda estava vivo. Qamar falecera no parto; sua filha também; e Mahina... ela também partiu.

– Soube que depois de Heiwa, é Oilixua que tem a melhor guarda mística.

– Antes mesmo de assumir a coroa, eu já me preparava para eliminar aquela praga. Fazia de tudo para encontra-lo da forma mais sigilosa possível. Mas foi os A****n a caírem nas mãos dele primeiro...

– Rainha Jõo complicou um pouco as coisas.

– Sim. Mas não a culpo de nada. Ela se tornou cética daquele jeito, no momento em que soube que estava viúva. Por isso não me foi surpresa o que aconteceu com o seu primogênito por todos esses anos. E você, Bara, conseguiu devolver a fé para aquela mulher.

– Já fico feliz por aquele monstro não ser mais um tormento para mais ninguém. Apesar de todas as consequências que ficaram para trás...

– Realmente. Ele nos causou muitos estragos. Mas também nos forneceu alguns benefícios!...

– Que benefícios?

– Te livrou de alguns charlatões; lhe forneceu um senhor guardião; possibilitou-nos a criação da mais formidável espada que se possa imaginar; melhorou a Sábia Amazona com o seu tratamento de choque; e ainda lhe forneceu um amor, princesa. – contava Hilfe nos dedos, fazendo Bara corar no último.

– E-e-eu... Bem...

– Não precisa ficar sem jeito princesa. Nemuru é um ótimo rapaz, e é uma benção quando os sentimentos de duas pessoas são iguais. Só fico me perguntando quando que este noivado será anunciado.

– Acho... Que Nemuru precisa voltar a “estar vivo” primeiro. – comentou Bara completamente vermelha e recebendo uma leve gargalhada de Hilfe.

– Verdade. Bom. Amanhã eu retorno para o meu próprio reino. Já fiquei demais em Heiwa e quero estar em casa quando eu receber o convite de aniversário do nosso “ressuscitado”. Soube que ela irá convidar até mesmo os seus ex-pretendentes.

– Ai... Vai ser uma confusão...

– E eu estou contanto com isso! – Hilfe ainda ria – Melhor eu ir andando. Até amanhã ou até a festa. – afastou-se Hilfe de Bara, com a alma mais leve após conversar tanto sobre Mahina e confessar seus sentimentos.

Bara ainda ficou mais um pouco naquele jardim, apesar de já estar entardecendo. Pensando em tudo que descobrira sobre sua mãe e sobre ela mesma, além... De ficar imaginando a reação de cada um de seus ex-pretendentes...

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • A Rosa do Luar e o Camafeu Coroado   56. Epílogo

    O casal observava o crepúsculo da janela da torre.– O tempo voou, não é mesmo?... – Bara se recostava no marido.– Realmente. – ele a recolhia – Nem acredito que já faz um mês que você assumiu o lugar de seu pai. E nem no tanto que ele conseguiu viver! Não são muitos os que alcançam os 70 anos atualmente.– Isso só foi possível por minha causa e de Tsuki. Se minha mãe não tivesse sido impedida de me criar, meu pai teria vivido muito mais...– Teria gostado de conhecer minha sogra. A mulher que gerou o mais precioso tesouro de minha vida. – ele lhe roubava um selinho.– Você é sempre um doce. Acha que nossos filhos já superaram a perda do avô? Meu pai foi muito coruja com eles...– Os gêmeos já fizeram 15 anos, a Reinheit está quase fazendo 13 e o Ad

  • A Rosa do Luar e o Camafeu Coroado   55. Júbilos

    A resposta de Bara foi agraciada com uma imensa e calorosa salva de palmas (se bem que os seus ex-pretendentes pareciam que perderiam os braços de tão sem vontade que aplaudiam), e o sorriso de Nemuru pela resposta de sua amada ia de orelha a orelha.Askherone criou com suas chamas azuladas a figura de um grande coração para cima. Um dos muitos truques que ele desenvolvera com a ajuda de Kimbe, do qual ficara mais amigo, para deslumbrar as tantas crianças que apareciam para brincar com a princesa no castelo. Impressionando os nobres e deixando o ambiente ainda mais formidável.– Senhores! – Mahotsukai tomava a atenção – Vocês não imaginam a alegria que sinto nesse momento. Há entre vocês alguns jovens que me procuraram para fazer esse mesmo pedido à minha filha, mas... Eu pude testemunhar por mim mesmo, tudo o que lhes faltava para que eu lhe cons

  • A Rosa do Luar e o Camafeu Coroado   54. Festividades

    As semanas correram, e Dark Yami já se tornou um sonho ruim do passado. Os Montes Korionenshõ se tornaram muito mais brandos com suas nevascas, permitindo a travessia semi-segura deles, pois ainda possuíam seus riscos naturais. E todos os reinos receberam o convite de uma grande festa em Kyuden que pretendia pronunciar uma grande noticia especial.Não foram poucos os curiosos para a tal revelação.Bara partiu com o pai, Acnarepse, Kimbe e Askherone uma semana antes para ajudarem na preparação da noticia, pois o plano era de apresentar Nemuru (acompanhado de Bara) a todos os presentes somente depois da revelação da verdade.– Ainda acho que iria ser mais interessante se eu me revelasse saindo do meio de todos eles do que de um “esconderijo”. – reclamava Nemuru em seu novo quarto.– Do jeito que você fala, até parece que aguardar do meu lado &eac

  • A Rosa do Luar e o Camafeu Coroado   53. Placidez

    Passou-se alguns dias. Kimbe ajudou a limpar as cavernas vulcânicas de todos os seres sombrios e também a esvazia-los de tudo. Gemas, mantimentos, equipamentos, tudo foi divido por igual entre os quatro Reis.Esvaziada e limpas as montanhas de Korionenshõ, Mahotsukai convidou Kimbe a viver em Heiwa como um de seus servos, pois, apesar dele ter servido ao seu pior inimigo, reconheceu nele uma preciosa fonte de conhecimento de defesa contra as artes das trevas.De início, Kimbe se sentiu receoso em aceitar tão maravilhosa oferta (pois já se imaginava voltando a mendigar pelos becos sombrios), mas Bara e Nemuru o convenceu a aceitar. Até Askherone se mostrou mais amigável com ele!Sobre Askherone, muitos foram os que se assustaram com o dragão ao vê-lo de imediato. Acnarepse quase desmaiou ao ver o lagarto gigante caminhando lado-a-lado de sua menina! Mas aos poucos, não só Askherone

  • A Rosa do Luar e o Camafeu Coroado   52. Desfecho de Korionenshõ

    Assim que Nemuru percebeu que a razão de Askherone ter criado barreiras de chamas em todas as saídas era para impedir que Dark Yami fugisse, saltou do lugar em que estava, com Candra na mão.“De jeito nenhum que esse demônio escapará outra vez!” – pensava ele enquanto se recordava da maneira que o mago costumava abandonar o seu mundo de sonhos, sempre que aparecia.Enquanto aqueles que não estavam responsáveis pelo vórtice se desnorteavam com as chamas de Askherone, Nemuru correu em direção ao mago que citava alguma coisa que o príncipe sabia que ele não podia terminar em hipótese alguma.Seja o que fosse que Dark Yami fazia, de olhos fechados, uma espécie de névoa negra se formava ao seu redor. E essa névoa que o cercava, era facilmente repelida pela Candra.Nemuru, usando cada gota de força que conseguira recup

  • A Rosa do Luar e o Camafeu Coroado   51. Vórtice

    A situação de Nemuru era complicada. Dark Yami se mostrava um adversário tão implacável quanto a sua mãe! E ainda tinha o extra que ele suportara com os espectros antes de encarar aquela batalha.– Pirralho desprezível, inconveniente, tolo e inútil! Fareis com que te arrependas de colocastes os pés nestas passagens! – ameaçava o mago enquanto o atacava.– Acredite peste, se não tivesse colocado as patas em Bara, nem em pesadelo que eu me aproximava daqui! – declarou Nemuru se defendendo e atacando como podia.– Ínfimo! Lhe dareis a lição de tua vida! Vou acorrentardes e o torturares pelo resto de tua miserável vida! E tudo bem diante dos olhos de tua querida princesinha...– Não permitirei isso nem mesmo sob o meu cadáver. – declarou o príncipe ganhando um novo estimulo com a ameaça.

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status