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51. Vórtice

Autor: Tsuki-Hime
last update Fecha de publicación: 2021-11-09 05:13:25

A situação de Nemuru era complicada. Dark Yami se mostrava um adversário tão implacável quanto a sua mãe! E ainda tinha o extra que ele suportara com os espectros antes de encarar aquela batalha.

– Pirralho desprezível, inconveniente, tolo e inútil! Fareis com que te arrependas de colocastes os pés nestas passagens! – ameaçava o mago enquanto o atacava.

– Acredite peste, se não tivesse colocado as patas em Bara, nem em pesadelo que eu me aproximava daqui! – declarou Nemuru se defendendo e atacando como podia.

– Ínfimo! Lhe dareis a lição de tua vida! Vou acorrentardes e o torturares pelo resto de tua miserável vida! E tudo bem diante dos olhos de tua querida princesinha...

– Não permitirei isso nem mesmo sob o meu cadáver. – declarou o príncipe ganhando um novo estimulo com a ameaça.

Enquanto eles lutavam, Askherone havia conseguido levar Bara para junto dos outros, e Mahotsukai, ajudado por Kimbe e Zula, se preparava para conjurar o vórtice.

– O que fazem aí parados? Nemuru precisa de ajuda! – indignava-se Bara, preocupada com Nemuru.

– Acredite Bara, se não fosse por seu pai, eu estaria lá agora... – declarou Jõo com as mãos já brancas de tanto pressionar os punhos de suas espadas.

– E o que exatamente planejam para permanecerem parados aqui?!

– Compreendemos como se sente alteza, pois estamos todos aflitos com a situação. – falava Zula – Mas o que decidimos fazer agora é algo complicado e que exige tempo.

– Por favor, me diga que tem como eu ajudar. Estou me sentindo um estorvo aqui! – implorava Bara.

– Pode ser que a princesa, como Filha do Luar, possa de fato nos ajudar... – considerava Kimbe.

Mahotsukai, que estava concentrado no longo e complexo encantamento, acabou prestando atenção no homenzinho.

– E como que eu posso ajudar Kimbe?...

– Nos fornecendo a energia necessária. O que tinha na musgravite está quase no fim por causa do escudo criado para defender os soldados de vocês! E apenas eu e a jovem aqui não somos o suficiente para fornecer a quantia necessária para o Rei-Mago.

– Posso fazer isso! Aquele monstro não me tirou nada hoje, então é seguro para mim fazer isto.

Mahotsukai acabou engolindo seco ao ouvir sua filha, fazendo de tudo para não se desconcentrar do que fazia.

– Ótimo, pois assim poderemos colocar tudo em prática mais depressa. Ou do contrário Jõo não conseguirá se manter conosco por muito tempo. – observava Hilfe.

– Me digam o que fazer. Askherone, peço que não deixe que nada nos atrapalhe, pode ser?

Askherone encarou a batalha executada entre o seu ex-mestre e seu novo amigo, assumindo uma posição semelhante à de Jõo sobre eles. Ficou alerta, para toda e qualquer ameaça que pudesse se dirigir para onde sua nova “senhora” estava.

Kimbe começou a orientar Bara e todos trabalhavam como podiam para o executar do plano.

Dark Yami estava tão transtornado e cego de raiva, que não conseguia tirar seu foco da “maldita” espada que o príncipe portava. Ele a odiava. A odiava mais que tudo e qualquer coisa. Fazia de tudo para despedaçar aquela lâmina alva que transmitia uma magnifica (e irritante) energia benévola. Chegava a esquecer quem que a estava portanto apenas por causa do intenso desejo de vê-la em pedaços.

Nemuru também não conseguia prestar muita atenção no que acontecia a sua volta para não acabar sendo ferido ou coisa pior diante dos tensos ataques que lhe era lançado. Em um brevíssimo instante, ele pode ver que Mahotsukai e Bara aprontavam algo enquanto o perverso estava concentrado nele, e por isso começou a rezar para tudo era deus para que ele conseguisse continuar mantendo Dark Yami ocupado pelo tempo necessário.

A invocação/criação de um vórtice, é uma tarefa bastante complicada. E tão arriscada quanto a invocação de um espectro! A força que Bara doava ao seu pai estava se mostrando realmente essencial, Mahotsukai nunca parara para perceber o tanto de energia que sua filha carregava. E se não fosse pela sua concentração no encantamento, teria se perguntado se a presença dos príncipes naquela sala não havia sido planejada por alguém “de cima”.

Quando finalmente o vórtice começou a se formar, Jõo estava com dificuldades para se manter no lugar. Tanto que até os Soamri tiveram que segurar os ombros da Rainha para que ela continuasse aguardando. E Nemuru... Bem... Ela já estava começando a ficar em apuros.

– Kimbe, isso ainda vai demorar muito? Nemuru precisa de ajuda! – se agoniava Bara.

– Imagino que ainda levemos uns quinze ou vinte minutos para terminarmos... – Kimbe analisava a situação – Seria realmente bom se alguém auxiliasse o príncipe no momento, e já terminaram de tirar os feridos daqui?

– Somos os únicos aqui agora, pequenino. – respondia Hilfe – E já que a Sábia Amazona foi a escolhida para isca, deixem que eu mesmo dou uma mãozinha ao rapaz. Não é de hoje que quero me acertar com esse canalha do seu mestre. – declarou ele já partindo para a luta.

– O que ele quis dizer com isso?! – questionou Bara para o grupo, onde ninguém soube dar resposta.

Nemuru estava em perigo. Precisava de um descanso urgente! E ele só escapou de receber um golpe no braço direito, porque Hilfe bloqueou o ataque de Dark Yami.

– Se importam se eu tomar o lugar do rapaz por um tempinho?

– Ora se não sois o inseto real de Oilixua... Aguardes mais para seres esmagado. Estou ocupado com esta espada irritante agora.

– Sinto muito... – Hilfe suspirava negando com a cabeça – Mas parece que realmente já perdeu qualquer noção de humanidade... Não é à toa que não percebeu que vem assassinando todas as Filhas do Luar...

– Como?! Ficastes louco por acaso? Só matei uma e por acidente!

– Qamar também deixou este mundo por sua causa. E esse destino foi estendido para cada uma de suas descendentes. – declarou Hilfe com frieza, distraindo Dark Yami totalmente de Nemuru (que aproveitou a chance que teve para se arrastar até onde todos estavam).

– Tu comentastes algo assim mais cedo. Expliques! Do que estais a falar?

– Você definitivamente foi um cruel com aquelas irmãs... Ou do contrário, porque que Qamar imploraria a própria morte logo que tivesse sua primeira filha? Uma nova Filha? – Dark Yami prestava atenção intrigado.

– Estais a me dizer... Que Qamar abristes mão da própria menina, por minha causa?!

– E ainda rogou para que esse infortúnio recaísse sobre cada Filha do Luar enquanto você fosse uma ameaça. Não conseguiu encontrar Filha alguma depois que começou a procura-las, não é mesmo?

Dark Yami realmente não esperava por essa. A revelação de Hilfe lhe explicava várias perguntas e ainda o fazia adquirir uma pequena raiva de si mesmo por ter exagerado com Jashte. Ele não esperava que aquela perda pudesse lhe custar todas as gerações seguintes.

– Devo acreditar... Que a princesa que estais a tentar resgatar... Sejas a única Filha do Luar existente?

– E que também estará condenada, enquanto você estiver neste mundo! – encerrava Hilfe a conversa já lançando sua espada contra o mago que aparou o golpe sem muito esforço.

– Sois informações bastante intrigantes... – Dark Yami ainda carregava algumas dúvidas – Mas como conseguistes descobrir tudo isso?

– Foi Mahina, neta de Qamar e mãe de Bara, quem me contou tudo isso após descobrir a verdade através de Selena. – respondeu Hilfe já lançando um novo ataque que por pouco Dark Yami não conseguia defender.

– Selena? Selena divindade da Lua?! Devias ter imaginado... – ponderava ele irritado – Com aquela titânide és possível de quase tudo! Mas só se houveres lua!

– Pois é. – Hilfe atacava mais uma vez – E ela com toda a certeza deve estar fazendo de tudo para lhe devolver para o inferno.

Depois que Nemuru conseguiu terminar de se aproximar de seus aliados, Jõo e Bara correram até ele para ampara-lo.

– Aqui meu filho, beba um pouco d’água. – Jõo lhe levava o cantil à boca.

– Obrigado. – respondeu Nemuru após terminar de beber – O que é que vocês estão aprontando? Mais um pouco e aquele velho acabava comigo!

– Estamos criando um vórtice. – respondia Bara que lhe abraça a cabeça por trás (restaurando uma pequena parte da força de seu amado) – Vamos expulsar aquela criatura desde mundo.

– Bara ajudou fornecendo energia, e eu só não fui ao seu socorro porque fui escolhida para ser a isca. – explicou Jõo.

– Quero contribuir com esse plano.

– Você já o fez Nemuru... Fez enquanto lutava, nos fornecendo tempo para o encantamento. – declarou Bara carinhosamente.

– Pois posso fazer mais. Sei que posso! Sinto isso toda vez que aperto Candra em minhas mãos e a sinto se aquecer.

– Meu filho... Você está exausto! Por mais impressionante que essa espada que Bara lhe entregou seja, você ainda é um humano! E a menos que queira que eu ordene para que os Soamri te leve daqui, você vai ficar quietinho descansando. Estou sendo bem clara?

Nemuru não gostou nem um pouco da ordem que recebia, mas como queria continuar ao lado de Bara... Acabou assentindo.

– Ótimo. E Bara, acredito que já seja hora de você voltar para junto de seu pai e dos outros para concluirmos logo com esse vórtice. Quanto mais rápido nos livrarmos daquela praga que Hilfe está mantendo distraído, melhor.

– Tem toda a razão majestade... Descanse bem Nemuru. – afastou-se Bara com tristeza, e com Nemuru sentindo um leve frio com o afastar de sua amada (além de começar a planejar a como servir de isca no lugar de sua mãe).

Como Hilfe estava bem mais descansado que Nemuru ao enfrentar o mago colérico, Dark Yami estava tendo um desafio semelhante. Mesmo com o Rei que o enfrentava portando uma espada comum.

A luta se prolongava. O vórtice ficava cada vez mais próximo de sua conclusão e Dark Yami, concentrado em sua luta, não percebia nada ainda. A conversa que Hilfe lhe fornecia sobre a maldição existente sobre as Filhas, ajudava a mantê-lo focado em Hilfe. Mas essa concentração não durou muito tempo.

Faltando pouco para o vórtice estar concluído, o mago percebeu a presença de uma... brisa! Dentro daquele ambiente fechado. Percebendo finalmente o silêncio de todos os outros durante sua batalha com o príncipe, e depois com o Rei de Oilixua, começou a procurar por eles.

Seus olhos quase escaparam das orbes ao se deparar com a grande fenda espacial que Mahotsukai invocava e, compreendendo as intenções dele e dos que o ajudavam, viu que ele não tinha outra escolha que não fosse fugir e, passar, mais, alguns, anos, “desaparecido”.

Como Askherone havia utilizado de suas chamas para bloquear as saídas disponíveis, Dark Yami sabia só existia uma forma de escapar dali.

– Onde você pensa que vai? – questionava Hilfe lhe segurando um dos braços assim que percebeu que o plano havia sido descoberto.

– Creres mesmo que ireis ficar parado e aceitar ser expulso deste mundo?! Tua ingenuidade me espantas! – o perverso se libertava de Hilfe – Sumirei por uns tempos. E não te preocupes, quando eu retornares, aviso! – e começou a citar um estranho encantamento.

O quê Dark Yami citava era um encanto que permitia converter o próprio corpo em energia maciça e dispersa-la aos quatro ventos. Um ótimo truque para se escapar de uma grande encrenca, mas, o reverter de tal efeito gasta anos para se concluir. Além de, depois que cada molécula retorna para o seu devido lugar, o corpo fica extremamente fraco por ter ficado tanto tempo sem receber agua e nutrientes.

Verspreiding, foi o mesmo encantamento que Dark Yami utilizou para escapar com vida de sua primeira derrota. Levando quase vinte anos para reaver sua forma novamente. E entre ser exilado e voltar ao zero de todos os seus planos, voltar ao zero lhe era mais conveniente.

Ele ainda estava no meio da recitação quando algo inesperado aconteceu. Sentiu algo lhe atravessando o corpo.

– E se você pensa que irei permitir que fuja de alguma forma... – ele reconheceu a voz de Nemuru – Nunca esteve tão enganado como agora...

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