Início / Todos / A Rosa do Luar e o Camafeu Coroado / 52. Desfecho de Korionenshõ

Compartilhar

52. Desfecho de Korionenshõ

Autor: Tsuki-Hime
last update Data de publicação: 2021-11-09 07:22:51

Assim que Nemuru percebeu que a razão de Askherone ter criado barreiras de chamas em todas as saídas era para impedir que Dark Yami fugisse, saltou do lugar em que estava, com Candra na mão.

De jeito nenhum que esse demônio escapará outra vez!” – pensava ele enquanto se recordava da maneira que o mago costumava abandonar o seu mundo de sonhos, sempre que aparecia.

Enquanto aqueles que não estavam responsáveis pelo vórtice se desnorteavam com as chamas de Askherone, Nemuru correu em direção ao mago que citava alguma coisa que o príncipe sabia que ele não podia terminar em hipótese alguma.

Seja o que fosse que Dark Yami fazia, de olhos fechados, uma espécie de névoa negra se formava ao seu redor. E essa névoa que o cercava, era facilmente repelida pela Candra.

Nemuru, usando cada gota de força que conseguira recuperar com a ajuda de Bara e do descanso que teve, atravessou com a espada o peito de Dark Yami. Ele não sabia se era por causa da névoa negra, ou por causa do encantamento incompleto, ou por causa de Candra mesmo, mas o corpo de Dark Yami não possuía muita firmeza aos seus olhos.

– O quê... – Dark Yami abria os olhos devagar – Tu fizestes?!...

– Você não vai escapar... Eu lhe garanto! – declarou Nemuru.

Dark Yami parecia estar em estado de choque. Se mexia muito lentamente até finalmente ter apoiado uma das mãos sobre a lâmina que lhe atravessa sem uma única gota de sangue. Nemuru segurou a espada com solidez, para ter certeza que o monstro de seus pesadelos não escaparia.

Nemuru o atravessou de frente, e Dark Yami conseguiu mover-se apenas o bastante para ficar perfeitamente de costas para o vórtice que estava quase completo.

Com exceção de Mahotsukai que ainda estava concentrado no que fazia, todos ficaram chocados e/ou boquiabertos com o que viam. E Bara, sem nem mesmo perceber o que fazia, saiu de perto de seu pai e foi para junto de seu amado.

Ela caminhava calma, impassível e firme até os dois. Como se estivesse sob algum tipo de transe.

Colocando-se por trás de Nemuru, ela o ajudou a segurar a Candra.

Nesse momento, a espada começou a brilhar nitidamente. Fazendo o mago sentir uma ardente dor. A luz da espada se concentrou numa espécie de feixe que, não só atingiu o vórtice que estava sendo aberto, como o fez terminar de se abrir e triplicar de quantia.

Mahotsukai se afastou, pois ele não carregava mais o controle sob o vórtice, ou melhor, sob os vórtices. Todos os presentes apenas observavam tudo.

Depois dos três vórtices cercarem o mago por trás, o corpo de Dark Yami, que parecia se desmanchar, começou a ser sugado por eles.

Os vórtices, estavam tirando proveito do encanto incompleto que ele citara, o Verspreiding. Cada vórtice abdicava para si uma parte a existência do mago. Um lhe capturava a alma; o outro lhe capturava o corpo; e o terceiro lhe usurpava a mente/coração. Mas, apenas Askherone e Kimbe perceberam, pela expressão do perverso (uma vez que nenhum dos dois nunca haviam visto Dark Yami com um rosto tão assustado), que estava acontecendo muito mais coisas do que se era possível ver.

E eles estavam certos. No momento em que Bara tocou na espada, Dark Yami começou a ver o surgimento de várias mulheres por trás de Bara gradativamente. Primeiro foi uma mulher muito parecida com a princesa, segurando nos ombros da mesma. Depois foi uma que lhe fez recordar de Qamar, também apoiando uma das mãos sob os ombros da que estava a sua frente; seguida de Qamar e Jashte! Que também se apoiavam nos ombros da outra. E assim prosseguia com mais e mais mulheres, jovens e velhas, surgindo por trás da princesa, apoiando umas nas outras e o encarando com um profundo desdém.

E quando a última das mulheres surgiu aos seus olhos... Pela primeira vez na vida, Dark Yami sentiu medo. Medo, ao invés de raiva. Arrependimento, ao invés de ganância. E desespero, no lugar da crueldade. A última mulher que se apresentara, era Selena.

Não permitirei mais que continue a ferir minhas Filhas.” – ele pode ouvi-la – “Seu fim, é agora!” – declarava Selena.

Os vórtices gastaram, se muito, dez minutos para terminarem de sugar o que arrancavam do mago e logo se fecharam ao concluírem seu dever.

Nemuru e Bara, que não haviam mudado de posição até o completo desaparecer deles, cederam juntos ao chão sentados, com os braços trêmulos por segurar a espada que agora lhes parecia bem pesada.

Os Reis correram até os dois preocupados.

Por um breve momento, Bara pode ver a multidão de mulheres que apavorara Dark Yami. E todas lhe sorriam carinhosamente. Sumindo uma a uma, bem devagar.

Você agora está livre do tormento que havia sido lançado em minhas Filhas. Aproveite bem, minha querida.

Reconheceu Bara a Selena na imensa e bela mulher que lhe dizia isto antes de sumir junto de todas as outras, fazendo-a sorrir (e o que parecia ser o feixe de uma energia obscura lhe deixava o corpo).

No que Mahotsukai examinava sua filha, ele percebeu a corrupção que a abandonava, e um profundo alívio se apoderou de seu coração.

– Eles estão apenas exaustos. – concluía a Rainha Jõo – Um bom descanso e os dois ficarão bem outra vez.

– Apesar dos seres remanescentes nestas galerias... – Kimbe se aproximava, enquanto Askherone dispersava as próprias chamas que os mantinham presos – Acredito que já esteja seguro o bastante para tiras vossas altezas daqui.

– Mostre o caminho Kimbe. Chega dessas cavernas para mim! – pedia Jõo já erguendo o seu filho com o auxilio de Hilfe.

– Só me explique uma coisa Rei-Mago. – era Hilfe – Foi você ou foi a espada que fez com que o número de vórtices triplicasse?

– Hilfe, meu amigo... – Mahotsukai tinha Bara, adormecida, nos braços – Acredito até mesmo que a presença desses dois aqui foi coisa da Candra, ou melhor, da co-criadora dela: Selena.

– Vamos embora logo!... – pedia Jõo que já tinha alcançado o limite de misticismo para o dia.

O grupo riu de leve e começou o caminho para fora.

Os poucos seres que lhes cruzavam o caminho, eram eliminados pelos Soamri. Askherone continuava acompanhando Bara de perto, o que causava um certo desconforto no Rei-Mago. Keberanian conseguiu se encontrar com eles bem na saída.

– Conseguiram resgatar a princesa, que alegria! Mas digam que eu não estou atrasada demais para a festa... Acabei saindo das galerias quentinhas enquanto perseguia algumas aberrações. – declarava ela ao vê-los.

– Se com festa você está se referindo ao Dark Yami, sim, você está atrasada. – respondia Jõo – Neste momento aquele ser se encontra em pedaços dentro de diferentes universos. Sabe nos dizer se parte da corja conseguiu fugir?

– A maior parte de nosso exército ficou do lado de fora, então todos os que conseguiam escapar do vulcão teve a infelicidade de os encontrar. – esclarecia Kebera, insatisfeita por não ter podido participar da batalha principal – Se bem que eu soube que cinco dragões deixaram a montanha...

– Os dragões não serão problema. – aclamava Kimbe, chamando a atenção da Rainha de Megaroc – Eles nasceram e cresceram em meio à natureza. Preferirão viver longe de qualquer humano ou qualquer outro ser humanoide depois de tudo que passaram presos aqui.

– E esse escamoso negro que está junto de vocês? – questionou Keberanian.

– Virá comigo. – respondia Bara ainda nos braços de seu pai, depois de acordar a tempo de ouvir sobre os dragões – Claro, se ele quiser e o senhor permitir papai.

– Olha, minha filha... – Mahotsukai se voltava para encarar o dragão, e espantou-se de o ver lhe encarando com olhar suplicante – Bem, eu...

– Ele foi enganado desde o nascimento, papai. E cuidou de mim o tempo todo.

– Sem esquecer que a livrou de quatro covardes e ainda se mostrou um ótimo guardião. – adicionava Jõo – Você ganhará muito mais permitindo ele ao lado de sua filha do que pode imaginar!

Mahotsukai respirou fundo enquanto colocava Bara no chão com cuidado (pois ela ainda estava um pouco fraca) e voltou a encarar Askherone que ainda lhe suplicava a continuar ao lado de Bara.

– Não vou negar, esse dragão é tão vítima quanto qualquer um de nós, e ele ajudou mesmo a gente, então... Apenas me faça o favor de obedecer minha filha se realmente quiser se mudar para Heiwa.

Askherone ficou super feliz! E não perdeu tempo em rodear Bara como se fosse um “gatinho” gigante.

Todos se encaminharam para o acampamento para descansar, menos Keberanian que continuou com a caça dos lacaios sombrios que teriam ficado para trás, com Kimbe lhe servindo de guia. Bara ganhou carona de Askherone até o acampamento (que provocou um pequeno susto nos que estavam presentes).

E descansaram o resto daquele dia no acampamento.

Na manhã seguinte, os Reis reuniram todos os seus membros para lhes repassar todo o ocorrido da batalha; conferir o número de baixas que tiveram para honrar os falecidos e recuperarem seus corpos; decidir quem ficaria para terminar de limpar a montanha (que já não era mais tão tempestiva depois que Dark Yami deixara de existir) dos monstros sobressalentes que poderiam vir a ser uma ameaça para os viajantes; e quem retornaria para casa.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • A Rosa do Luar e o Camafeu Coroado   56. Epílogo

    O casal observava o crepúsculo da janela da torre.– O tempo voou, não é mesmo?... – Bara se recostava no marido.– Realmente. – ele a recolhia – Nem acredito que já faz um mês que você assumiu o lugar de seu pai. E nem no tanto que ele conseguiu viver! Não são muitos os que alcançam os 70 anos atualmente.– Isso só foi possível por minha causa e de Tsuki. Se minha mãe não tivesse sido impedida de me criar, meu pai teria vivido muito mais...– Teria gostado de conhecer minha sogra. A mulher que gerou o mais precioso tesouro de minha vida. – ele lhe roubava um selinho.– Você é sempre um doce. Acha que nossos filhos já superaram a perda do avô? Meu pai foi muito coruja com eles...– Os gêmeos já fizeram 15 anos, a Reinheit está quase fazendo 13 e o Ad

  • A Rosa do Luar e o Camafeu Coroado   55. Júbilos

    A resposta de Bara foi agraciada com uma imensa e calorosa salva de palmas (se bem que os seus ex-pretendentes pareciam que perderiam os braços de tão sem vontade que aplaudiam), e o sorriso de Nemuru pela resposta de sua amada ia de orelha a orelha.Askherone criou com suas chamas azuladas a figura de um grande coração para cima. Um dos muitos truques que ele desenvolvera com a ajuda de Kimbe, do qual ficara mais amigo, para deslumbrar as tantas crianças que apareciam para brincar com a princesa no castelo. Impressionando os nobres e deixando o ambiente ainda mais formidável.– Senhores! – Mahotsukai tomava a atenção – Vocês não imaginam a alegria que sinto nesse momento. Há entre vocês alguns jovens que me procuraram para fazer esse mesmo pedido à minha filha, mas... Eu pude testemunhar por mim mesmo, tudo o que lhes faltava para que eu lhe cons

  • A Rosa do Luar e o Camafeu Coroado   54. Festividades

    As semanas correram, e Dark Yami já se tornou um sonho ruim do passado. Os Montes Korionenshõ se tornaram muito mais brandos com suas nevascas, permitindo a travessia semi-segura deles, pois ainda possuíam seus riscos naturais. E todos os reinos receberam o convite de uma grande festa em Kyuden que pretendia pronunciar uma grande noticia especial.Não foram poucos os curiosos para a tal revelação.Bara partiu com o pai, Acnarepse, Kimbe e Askherone uma semana antes para ajudarem na preparação da noticia, pois o plano era de apresentar Nemuru (acompanhado de Bara) a todos os presentes somente depois da revelação da verdade.– Ainda acho que iria ser mais interessante se eu me revelasse saindo do meio de todos eles do que de um “esconderijo”. – reclamava Nemuru em seu novo quarto.– Do jeito que você fala, até parece que aguardar do meu lado &eac

  • A Rosa do Luar e o Camafeu Coroado   53. Placidez

    Passou-se alguns dias. Kimbe ajudou a limpar as cavernas vulcânicas de todos os seres sombrios e também a esvazia-los de tudo. Gemas, mantimentos, equipamentos, tudo foi divido por igual entre os quatro Reis.Esvaziada e limpas as montanhas de Korionenshõ, Mahotsukai convidou Kimbe a viver em Heiwa como um de seus servos, pois, apesar dele ter servido ao seu pior inimigo, reconheceu nele uma preciosa fonte de conhecimento de defesa contra as artes das trevas.De início, Kimbe se sentiu receoso em aceitar tão maravilhosa oferta (pois já se imaginava voltando a mendigar pelos becos sombrios), mas Bara e Nemuru o convenceu a aceitar. Até Askherone se mostrou mais amigável com ele!Sobre Askherone, muitos foram os que se assustaram com o dragão ao vê-lo de imediato. Acnarepse quase desmaiou ao ver o lagarto gigante caminhando lado-a-lado de sua menina! Mas aos poucos, não só Askherone

  • A Rosa do Luar e o Camafeu Coroado   52. Desfecho de Korionenshõ

    Assim que Nemuru percebeu que a razão de Askherone ter criado barreiras de chamas em todas as saídas era para impedir que Dark Yami fugisse, saltou do lugar em que estava, com Candra na mão.“De jeito nenhum que esse demônio escapará outra vez!” – pensava ele enquanto se recordava da maneira que o mago costumava abandonar o seu mundo de sonhos, sempre que aparecia.Enquanto aqueles que não estavam responsáveis pelo vórtice se desnorteavam com as chamas de Askherone, Nemuru correu em direção ao mago que citava alguma coisa que o príncipe sabia que ele não podia terminar em hipótese alguma.Seja o que fosse que Dark Yami fazia, de olhos fechados, uma espécie de névoa negra se formava ao seu redor. E essa névoa que o cercava, era facilmente repelida pela Candra.Nemuru, usando cada gota de força que conseguira recup

  • A Rosa do Luar e o Camafeu Coroado   51. Vórtice

    A situação de Nemuru era complicada. Dark Yami se mostrava um adversário tão implacável quanto a sua mãe! E ainda tinha o extra que ele suportara com os espectros antes de encarar aquela batalha.– Pirralho desprezível, inconveniente, tolo e inútil! Fareis com que te arrependas de colocastes os pés nestas passagens! – ameaçava o mago enquanto o atacava.– Acredite peste, se não tivesse colocado as patas em Bara, nem em pesadelo que eu me aproximava daqui! – declarou Nemuru se defendendo e atacando como podia.– Ínfimo! Lhe dareis a lição de tua vida! Vou acorrentardes e o torturares pelo resto de tua miserável vida! E tudo bem diante dos olhos de tua querida princesinha...– Não permitirei isso nem mesmo sob o meu cadáver. – declarou o príncipe ganhando um novo estimulo com a ameaça.

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status